Lista de Poemas

E depois...nós



Pensar, divagar, emprestar ao
Olhar a matriz deste silêncio quase
A naufragar...e depois, nós escravizados
Num momento de tempo tão eternizado

O tempo matou uma hora radical
Deixou pestanejar toda esta solidão
Perdida entre os penhascos do tempo
Onde me atirei outrora com tamanha prontidão

Medita minha alma entre as vigílias da noite
Profunda e cordata habitando aqueles sentidos
Soçobrando quase dementes...quase irreverentes

Hoje alimento cada eco que serpenteia a ousada
Florescência de uma caricia mais contundente até que
Em nós fertilize um beijo, ou um desejo mais premente

E depois nós... mais que apaixonados, absolutamente
Reincidentes, quase incriminados

Frederico de Castro
301

De que cor são as memórias



É urgente inventar o silêncio
Lá fora, imune ao ruído ele reverbera
Aos pés da solidão quase impune

As memórias coloridas espraiam-se pelo
Ventre da terra deixando no museu do tempo
O retrato das tranquilas madrugadas por ali
Divagando tão inexactas

Serena e tão formal a noite desnuda-se perante a
Assembleia das minhas ilusões impregnando um subtil
Gomo de luz macerando na escuridão obsoleta e intáctil

Ficam as impressões digitalizadas no semblante deste
Silêncio imemorável, flagelando cada longa hora ancorada
Ao luto que velo nas minhas tristezas desconsoladas
Pingando entre tantas, destelhadas solidões bem enclausuradas

Frederico de Castro
234

No exílio da noite



Emaranhados no horizonte dos tempos
Amadurecem grãos de luz silenciando
Todos os ecos e devaneios predestinados

Descansam em soltas partículas de solidão
Espanejando outras lembranças que trago na
Baínha das memórias em reclusão

Regateio da madrugada oclusa toda a negrura
Da noite profusa decapitando aquelas emoções
Sonolentas trazidas pelo silêncio de muitas comoções

Cansada e só a saudade retira-se para o divã das
Minhas fiéis prelecções amorosas ao acudir um
Verso sustido em suspiros e palavras tão fogosas

Numa proposta indecente o dia roubou-me
Aquela hora meticulosamente medida e apaixonada
Estimulando os adornos sensuais da alma ofegante e alucinada

Instável e perene a solidão desgarrou-se no labirinto de
Todos os meus desassossegos complacentes ao patentear
O exílio onde sem lacunas fenece o tempo quase demente

Frederico de Castro
249

Emocional ou passional



Agiganta-se a manhã sincronizando a luz
Que se excita em cada hora mais emocional
Arrebitando tantos desejos de forma sempre passional

Sem deslumbres a memória congratula-se com estas
Lembranças tão ocasionais rasgando as vestes ao
Silêncio que em nós pernoita quase insurreccional

Com imensa suavidade a solidão trapaceia cada
Desejo que ficou encoberto na pasmaceira de tantas
Noites insones enfeitadas de saudades tão inclementes

Resta-me tomar de assalto o gabinete do amor
Onde reunimos tantos beijos e abraços em reclusão
Secretariando nossas paixões regadas com beijos em profusão

Frederico de Castro
322

Desaguando entre o silêncio



Fechei as persianas a este silêncio
Que teima violar a partilha de palavras
Cordatas, deixando às apalpadelas aquela
Solidão, dúbia , dolorosa trajada de mil mazelas

Intensa mas intranquila a noite recria sua
Escuridão sempre emancipada, aprimorando
Cada inflexível murmúrio sorrateiramente encorpado
Com desejos ferozes, implacáveis...quase dopados

E assim desaguou todo silêncio juntinho às margens
Daquele riacho estridulando veementemente até que uma
Onda periclitante adormeça no leito do tempo capitulando

Destilam pela madrugada embebedados gomos de
Prazer sempre ensurdecedores adornando meus devaneios
Sibilando entre a conivência de tantos beijos tão apaziguadores

Frederico de Castro
272

Como gizar o silêncio



Na tela dos silêncios pinto coloridos
Ecos projectados na mais subtil e
Geométrica brisa espavorida

Contemplo as aguarelas dos céus magistrais
Onde se povoam paixões gigantescas louvando
Cada pasto das minhas solidões mais sofridas e burlescas

Mergulha a noite numa onda energizante rodeando suas
Margens de pitorescas memórias tão insinuantes
Embelezando esta maré espigada e deveras mais perfumante

Deixo na antologia dos meus versos qualquer palavra
Apaixonada e pactuante embebedando e metamorfoseando
Os sentidos que de ti respiro, apetecido, assim contagiante

Apetece rimar tanto quanto amar, falar, respirar
Mergulhar na manhã repleta de beijos a enfeitar
Pensar, sentir desabar em cada murmúrio que quero apurar

Acalorar a vida que escapa pelos silêncios mui nobres
Ou viver-te minha poesia em cada estrofe emocionada
Tateando a alma que transparece numa gargalhada bem gizada


Frederico de Castro
349

Burburinhos no silêncio



Subindo eu aos ramos mais altos desta solidão
Empoleiro-me naquele frondoso e perfumado
Fruto da ilusão onde invento gomos de luz que
Permanecem indivisíveis, majestáticos...imperecíveis

A noite presumivelmente estática na sua escuridão
Quase indiscernível alimenta uma assombrosa sintaxe de
Beijos loucos incivilizados, mas convictos e bem optimizados

No pantanal dos dias amordaçados deixo retóricos
Abraços cavalgando qual trote de um fagote bem
Orquestrado...assim como um scotch prazeroso e eufórico

Na ressaca da noite sigo o burburinho do silêncio tão
Meteórico onde cada eco sufraga a vida que palpita num
Tenor prazer colorindo com alaridos meigos e inalienáveis
As caricia longânimes, lúbricas, sempre, sempre inimagináveis

Frederico de Castro
262

Algum dia, de alguma maneira, de alguma forma…



Prescrevi ao silêncio uma dose de ilusões
Tão multifacetadas adormecendo uma hora
Que deambula pelas solidões mais exaltadas

Algum dia implantarei no tempo esta eternidade
Encarcerada no ventre das minhas memórias
Içadas pelos desejos mais nobres e requintados

Débil esperança esta que escorrega entre muitas
Fantasias tão precárias deixando até mais vulneráveis
Quaisquer saudades proscritas e sempre prioritárias

De alguma maneira ficaram vulneráveis todas as
Paisagens onde moraram estas pegadas de gratificação
Sempre impregnadas e nutridas de uma sumária solidão

De alguma forma espreito e nutro a penumbra onde moram
Nossas almas mais pacificadas deixando uma desperdiçada
Hora fluir nas palavras delicadas, rimando quase obcecadas

Frederico de Castro
256

Até tu...silêncio !



Na lezíria do tempo desnudo todo
Sossego disperso numa lamúria acantonada
Nesta esperança conversa nutrindo o global
Momento de solidão ali imersa e bem escrutinada

Até tu, silêncio ceifas da noite uma ilusão tão sórdida
Peregrinando pela escuridão que agora se desfaz num pranto
Abocanhando até o sonho pontual e convalescente
Enlutando o dia convincentemente complacente

Até tu, silêncio retiras-te e entranhas-te no cântaro das
Minhas solidões onde o tempo tão permeável e flagelado
Se acoita nos breus da saudade padecendo desolada

Até tu, silêncio, agonizas soberano e triste... mais dissimulado
Injectando nas memórias o regenerado desejo de tantas veladas
Palavras timidamente lacrando a vetusta hora morrendo violada

Frederico de Castro
278

Reset ao tempo



Fiz um reset ao tempo austero e implacável
Sempre tão inflexível até que o silêncio refrigere
Cada aroma ensurdecedor escalando uma oitava
Dos meus silêncios avassaladores

Se pudesse manipulava esta escuridão que em mim
Pernoita sempre de prontidão
Sorteava a solidão numa tombola de esperança para
Que a sorte prevaleça bramindo, bramindo em profusão

Sem gorjetas deixei madrugada esfolada, corrompida, pedindo
Esmolas a cada hora lacaia que se estilhaça numa vénia tão cordata
Portadora de uma palavra gentil, atrevida...quase estupefacta

Depois de vandalizar cada faminto e grato verso crucial, infesto os
Céus com silêncios sempre bem ressarcidos e cerimoniais...alardeando
Cada momento de tempo bisbilhotado num eco resplandecendo genial

Frederico de Castro
246

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!