Lista de Poemas
os poemas também ardem na boca
deus ainda não sabia
que dizeres és tão bonita
com olhos de luz e mãos ardentes
é seiva de poemas a bocas entrelaçadas
124
o amor dá outra vida às palavras
o amor dá outra vida às palavras. a certas palavras.
há palavras ou conjuntos delas que têm uma nova respiração
a nossa minha e tua
ao ponto de se tornarem referências ou códigos, colagens até
a funcionarem assim: ouço ou digo aquela conjugação que se fez senha por acaso, sem esforço, e como um passo de magia, vou até ti, apareces-me.
é o que acontece com casa
uma palavra que engordou de significado, engrandeceu
libertou-se da arquitectura do mundo para se transformar em eixo-símbolo do quente
o nosso meu e teu
tal como o sol já tinha conquistado esse poder de transmutação
em chuva-luz a descer-te pelos ombros

há palavras ou conjuntos delas que têm uma nova respiração
a nossa minha e tua
ao ponto de se tornarem referências ou códigos, colagens até
a funcionarem assim: ouço ou digo aquela conjugação que se fez senha por acaso, sem esforço, e como um passo de magia, vou até ti, apareces-me.
é o que acontece com casa
uma palavra que engordou de significado, engrandeceu
libertou-se da arquitectura do mundo para se transformar em eixo-símbolo do quente
o nosso meu e teu
tal como o sol já tinha conquistado esse poder de transmutação
em chuva-luz a descer-te pelos ombros

129
nisto do amor
nisto do amor
talvez não me aconteça nada de especial ou extraordinário, se comparado com as outras pessoas.
talvez sejamos muito parecidos naquela parte de nos apaixonarmos por pequenas coisas, muitas pequenas coisas sem importância que incitam ao amor; pequenos nadas que fazem o amor e ao mesmo tempo desfazem a possibilidade de responder ao porquê de o amor recair em ti.
às vezes penso que devia usar conjugações menos mundanas para dizer como num qualquer momento em que me julgo distraída, sinto estas miudezas a imporem-se e a ocuparem a vida. às vezes é o teu tronco em céu que vejo no ufanar das velas do barco que passa na minha frente. outras vezes é o brilho do vento embrulhado a sol que faz reaparecer o sorriso dos teus olhos. às vezes acontece muito rápido, um intrincado de sensações que fazem o meu mundo ter a medida de ti.
isto do amor
talvez seja sempre especial e extraordinário. assim do nada, o amor é capaz de fazer com que uma partícula minúscula, um corpúsculo, um acidente dos dias, me leve a ti.

talvez não me aconteça nada de especial ou extraordinário, se comparado com as outras pessoas.
talvez sejamos muito parecidos naquela parte de nos apaixonarmos por pequenas coisas, muitas pequenas coisas sem importância que incitam ao amor; pequenos nadas que fazem o amor e ao mesmo tempo desfazem a possibilidade de responder ao porquê de o amor recair em ti.
às vezes penso que devia usar conjugações menos mundanas para dizer como num qualquer momento em que me julgo distraída, sinto estas miudezas a imporem-se e a ocuparem a vida. às vezes é o teu tronco em céu que vejo no ufanar das velas do barco que passa na minha frente. outras vezes é o brilho do vento embrulhado a sol que faz reaparecer o sorriso dos teus olhos. às vezes acontece muito rápido, um intrincado de sensações que fazem o meu mundo ter a medida de ti.
isto do amor
talvez seja sempre especial e extraordinário. assim do nada, o amor é capaz de fazer com que uma partícula minúscula, um corpúsculo, um acidente dos dias, me leve a ti.

196
mais um pouco de eternidade
um corpo a cair sobre outro corpo
a memória da respiração sobre a pele
uma mistura de quente um lastro de almíscar um sopro ou vento bom
versos livres a poesia
funde-se no fica assim um bocadinho
um convite escrito a formas do corpo
a escorregar suavemente na sobreposição do nós
e mais um pouco de eternidade

a memória da respiração sobre a pele
uma mistura de quente um lastro de almíscar um sopro ou vento bom
versos livres a poesia
funde-se no fica assim um bocadinho
um convite escrito a formas do corpo
a escorregar suavemente na sobreposição do nós
e mais um pouco de eternidade

125
coração
o teu olhar de estranheza pousado no altar não melhorou quando te disse que ainda faltava o coração.
viria juntar-se ao mar, aos pássaros, aos sapatos-carne e ao mundo dos poemas desenhados a luz e sombra. disse-te assim.
e veio. o coração foi o último a chegar ao altar das inutilidades pela dificuldade em encontrar um coração verdadeiro, que a norma são os corações estilizados, desenhados a recorte do rebordo exterior. expliquei-te tal e qual.
a tua estranheza no olhar parecia estar ligada à memória de uma história infantil que ias ouvindo sem acreditar - como as fadas de que te falo na epifania - ao mesmo tempo que desembaraçavas uma linha de possibilidades de verdade a coserem-se aos corações à séria.
uma estranheza decalcada ao olhar que acompanha o movimento de baixo para cima vagamente alinhado com o fio de luz.

viria juntar-se ao mar, aos pássaros, aos sapatos-carne e ao mundo dos poemas desenhados a luz e sombra. disse-te assim.
e veio. o coração foi o último a chegar ao altar das inutilidades pela dificuldade em encontrar um coração verdadeiro, que a norma são os corações estilizados, desenhados a recorte do rebordo exterior. expliquei-te tal e qual.
a tua estranheza no olhar parecia estar ligada à memória de uma história infantil que ias ouvindo sem acreditar - como as fadas de que te falo na epifania - ao mesmo tempo que desembaraçavas uma linha de possibilidades de verdade a coserem-se aos corações à séria.
uma estranheza decalcada ao olhar que acompanha o movimento de baixo para cima vagamente alinhado com o fio de luz.
114
vamos para ali
deve existir um alfabeto ou código para dizer
da camada indefinível que me leva a ti
do espanto
do conjunto em busca da harmonia que não quer chegar a ser
para se manter vontade
uma qualquer mistura dos silêncios em luz entrecortados a bocas
e o corpo em desejo desenhado a mar e céu
vamos para ali
dito assim meio lei meio convite
podia bem ser o era uma vez
das histórias com corações apressados
o murmúrio do grito de guerra em amor
que desperta e incita
vamos
dito assim sem som a fazer caminhos

marcel pommer
da camada indefinível que me leva a ti
do espanto
do conjunto em busca da harmonia que não quer chegar a ser
para se manter vontade
uma qualquer mistura dos silêncios em luz entrecortados a bocas
e o corpo em desejo desenhado a mar e céu
vamos para ali
dito assim meio lei meio convite
podia bem ser o era uma vez
das histórias com corações apressados
o murmúrio do grito de guerra em amor
que desperta e incita
vamos
dito assim sem som a fazer caminhos

marcel pommer
106
solstício
sabia que tinha de haver um caminho para voltar ao dentro de ti
com a boca a esculpir a barco
partindo de mim

com a boca a esculpir a barco
partindo de mim
170
tesouro
nunca te falei da caixinha dos sonhos.
assim desta forma: tenho uma caixinha dos sonhos. talvez isso não se diga dessa maneira, que quando as coisas se dizem assim, em corrido, de voz, e com as letras todas tal e qual, ficam circunscritas às linhas do factual. dita dessa forma, a caixinha aterraria na dimensão humana e perderia qualquer coisa da sua essência, que é aquele intrincado feito de acontecer, verdade do mundo, magia e histórias com borboletas. tudo misturado, com sabor indefinido, mas a saber bem e a saber-se que é de um bonito inexplicável. até porque a caixinha dos sonhos não guarda só desejos, ou não guarda apenas sonhos-desejos por acontecer ou conquistas por fazer; a caixinha também guarda aqueles pedacinhos do amor que luzem sempre - sempre! mesmo quando sinto frio - e penduram bailarinas nas meninas dos olhos.
foto: kiss andrea
assim desta forma: tenho uma caixinha dos sonhos. talvez isso não se diga dessa maneira, que quando as coisas se dizem assim, em corrido, de voz, e com as letras todas tal e qual, ficam circunscritas às linhas do factual. dita dessa forma, a caixinha aterraria na dimensão humana e perderia qualquer coisa da sua essência, que é aquele intrincado feito de acontecer, verdade do mundo, magia e histórias com borboletas. tudo misturado, com sabor indefinido, mas a saber bem e a saber-se que é de um bonito inexplicável. até porque a caixinha dos sonhos não guarda só desejos, ou não guarda apenas sonhos-desejos por acontecer ou conquistas por fazer; a caixinha também guarda aqueles pedacinhos do amor que luzem sempre - sempre! mesmo quando sinto frio - e penduram bailarinas nas meninas dos olhos.
foto: kiss andrea
115
respiração
morder a vida
tem sabor a linhas de sorrisos que se abrem na pele
e sobem aos lábios em descobertas de silêncios

foto: mário cabrita gil
tem sabor a linhas de sorrisos que se abrem na pele
e sobem aos lábios em descobertas de silêncios

foto: mário cabrita gil
223
transmutação
o tempo
de longo, parece desaparecer ou nem sequer ter existido.
um movimento completo da terra em torno do sol cerzido a idênticos pedaços de vida.
uma transmutação restrita ao calendário do mundo.
como se os mesmos cenários e os objectos conhecidos
a temperatura e o aroma da pele
os amantes
estivessem sempre ali a erguer a história.
de longo, parece desaparecer ou nem sequer ter existido.
um movimento completo da terra em torno do sol cerzido a idênticos pedaços de vida.
uma transmutação restrita ao calendário do mundo.
como se os mesmos cenários e os objectos conhecidos
a temperatura e o aroma da pele
os amantes
estivessem sempre ali a erguer a história.
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Comentários (1)
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muito bom o seu poetar...