MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

n. 1957 BR BR

Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.

n. 1957-12-21, Farias Brito - Ceará

Perfil
36 764 Visualizações

Estados amorosos da poesia

Poesia não se planeja
como Artigo Acadêmico
Pode vir de um nó no peito
ou de uma grande alegria 
os discursos sobre ela
desaguam em aporia

De onde vem a poesia?
de um estado amoroso
de uma saudade danada
a sangrar dentro do peito 
Vem da leveza da pluma
que toca a alma da gente

E se a alma nos conduz
aos mistérios do universo
quero um Estado de Poesia
e a palavra como matéria
para compor muitos versos
usando todas as sílabas

E o que mais é a poesia?
Um despertar que acontece!
Comumente é a libido 
expressa numa paixão 
que brota pela humanidade
em toda a sua expressão 

O seu valor se revela
nos interstícios do dito
O motivo é o que nos toca 
e nem tudo é veredicto
Tem vezes que se assemelha 
à vista de um precipício

Para alguns soa banal
como paisagem já vista
Mesmo que em si ela expresse
para além do que é visto
como só fazem os afetos
nos amores interditos

E o que pode a poesia?
Pode criar e recriar 
daqui até o infinito
aquilo que não foi dito
Pode tudo registrar 
do fim até o início

E para finalizar
vou de pronto declarar
Sobre a fome escrevo aflita
Sobre a guerra inquieta
Curiosa sobre a alma
Taciturna sobre a dor

Sobre a ausência soberba
que veio apertar-me o peito
Vou de pronto lamentar
e com ela até rimar
pois com paixão é que escrevo
todo dia sobre o amor

A palavra brota fácil
seja qual for a missão 
não importa o lugar
e nem a situação
Só preciso dos objetos 
e de uma motivação.

Ler poema completo
Biografia
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente.
https://www.facebook.com/faatimarodrigues
[email protected]

Poemas

126

Encantamentos de uma flor

O Girasol segue o sol que o acolhe
Encantam-se
Na colheita os homens os separam.
248

Insônia

Três badaladas uníssonas soaram
espraiaram-se na cidade
e ressoaram ao vento
Viriam da matriz?
Os meus olhos insones
permaneceram ardendo
como ardia o meu corpo
inquieto e sedento
Naquela noite de verão
nenhum sinal de sono
nenhum descanso houve
somente a vigília ocorreu
repeti versos, chamei por Morfeu
Sozinha permaneci
na noite imensa
numa longa e longínqua travessia.

Fátima Rodrigues
Em 29 de agosto de 2020
303

Haicai



Se a morte é
a vida está além
E além será


232

Haicai




Ela saiu na porta
E o viu na contramão
Uberização ?



260

UniVerso e Reverso

Da janela te sigo na
cidade
mas a tua paisagem
se esconde e
além do horizonte
se esvai

Passam os carros
Passam as tropas
Passa o clérigo
Até os impérios se esvaem
Tudo passa
Só o universo é infinito
e se refaz.
20 de julho de 2020.

229

Metáforas da porta


Em nova temporada
fechada para cidadãos
Aberta para o massacre indígena
Cerrada para os direitos humanos
Escancarada para verbas de bancada
Abriu-te oh ! sésamo !
para quantos ladrões ?
316

Modos de ver o sol


Ultrapassou a visão
se pôs
no horizonte descansou

Entrou em casa
Refletiu
Ensolarou
A vegetação secou

Ausentou-se todo o dia
Nublou
A fotossintese tardou

Pousou sobre o mar
Brilhou
O casal se enamorou

Chegou atrasado
Protelou
O enlace falhou

Cobriu o asfalto
Exalou
O carro esquentou

Aqueceu a água
Bafejou
A criançada festejou

Demorou na Antártida
Descongelou
O mundo se apavorou!




336

Nudez


.
Em pesadelo
Andei nua ruas afora
Num vexame que só eu vi

Me desconcertei
Me envergonhei
Me intimidei

Tentei ocultar
a despercebida cena
que a mim expunha

Posto que ninguém viu
preciso contar
o que senti?

Tudo em vão!
A nudez oculta é minha 
E a imaginação é sua.

 Em 24 de julho de 2020
339

Tributo a Miguel



menino que caiu do 9º andar e morreu sob a guarda de patroa da mãe
Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/nordeste/protesto-em-recife-pede-justica-para-miguel-menino-que-caiu-do-9-andar-e-morreu-sob-a-guarda-de-patroa-da-mae


Um grito de mãe
Varou multidões
Ocupou os jornais
Sangrou no asfalto
Gerou confusão

Vida ceifada?!
Por omissão

Foi só um pretinho
Um miguelzinho
Um menininho
Um preto qualquer
Morreu por um triz

De triz não há nada
Foi uma madame
Por leviandade
Puro racismo
Cumpra-se a Lei

Vida ceifada !
Por omissão

Oh! pequenino!
Ainda tão niño
Deixado sozinho
Bem menininho
Não foi o destino !

E a reparação?
Cumpra-se a Lei
353

Haicai



O olhar do rapaz
Acendeu o coração
E a carne pulsou!



293

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.