Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Poesia não se planeja como Artigo Acadêmico Pode vir de um nó no peito ou de uma grande alegria os discursos sobre ela desaguam em aporia
De onde vem a poesia? de um estado amoroso de uma saudade danada a sangrar dentro do peito Vem da leveza da pluma que toca a alma da gente
E se a alma nos conduz aos mistérios do universo quero um Estado de Poesia e a palavra como matéria para compor muitos versos usando todas as sílabas
E o que mais é a poesia? Um despertar que acontece! Comumente é a libido expressa numa paixão que brota pela humanidade em toda a sua expressão
O seu valor se revela nos interstícios do dito O motivo é o que nos toca e nem tudo é veredicto Tem vezes que se assemelha à vista de um precipício
Para alguns soa banal como paisagem já vista Mesmo que em si ela expresse para além do que é visto como só fazem os afetos nos amores interditos
E o que pode a poesia? Pode criar e recriar daqui até o infinito aquilo que não foi dito Pode tudo registrar do fim até o início
E para finalizar vou de pronto declarar Sobre a fome escrevo aflita Sobre a guerra inquieta Curiosa sobre a alma Taciturna sobre a dor
Sobre a ausência soberba que veio apertar-me o peito Vou de pronto lamentar e com ela até rimar pois com paixão é que escrevo todo dia sobre o amor
A palavra brota fácil seja qual for a missão não importa o lugar e nem a situação Só preciso dos objetos e de uma motivação.
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Queria saber
Queria saber responder as tuas perguntas... mas penso que nem os deuses saberiam o que dizer. Queria saber se ao dormir sonhas com terras estranhas, e se estrangeiro ficas só pelo gosto de assim ser. Andei varando tempestades e cavalgando ventos e nessas trilhas até aos oráculos indaguei. Mas, não sei! Saber dói! Alguém disse. por isso, fico no escuro. Se habitasse a certeza te diria com belas palavras o que não sei. Mas, o que sei é tão pouco e banal! Já tentei me fazer passar por Dom Quixote mas, faltam-me palavras e armaduras. Queria tudo responder com certeza mas se não a tenho, como posso usá-la? Diante dos fatos meus olhos serenaram, já o meu coração permanece inquieto!
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil . Em 18 de setembro de 2023.
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Palavras sonhadas
As vezes eu quero dizer mas não consigo E penso... as palavras são tantas! Por que não expressam? É que as sensações são múltiplas e até quando me atravessam eu declino Descrevê-las demanda sentidos que a grafia não dá conta Fico oculta Caminhar é diferente O sentido se faz em cada músculo e no ar que respiro Chorar me torna inteira E para a alegria do encontro não há palavras para descrevê-lo Te amo são apenas duas palavras Mas o amor se anunciando é um turbilhão Suores, secreções, sensações que atravessam os corpos em êxtase Impossível dizer tudo Melhor é sentir.
Fátima Rodrigues, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 27 de agosto de 2023.
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O homem e a besta
O poeta estupefato indignado Tocado Ensimesmado Entristecido E Incrédulo frente à condição humana brada ao mundo - Vi um bicho na imundície revirando o lixo e esse bicho era um homem! Cena igual a que viu o Bandeira eu vi, hoje mesmo eu vi! Oh! Meu Deus! Ao revelar a minha dor alguém indiferente indagou: - e dai? De humano à besta em que esse ser se transformou?!
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Destino encantado
Borboleta! - Porque voas? Voar é o meu destino Já fui casulo encantado cantando só para dentro Me escondia de mim mesma em total alheamento foi lá que ao escutar-me inventei o meu destino Todo encanto tem seu preço por isso asas ganhei e vôo a todo instante para fora e para dentro Para fora expulso a dor e para dentro sorvo a vida Viver é nada fazer para além de em si acolher o ser, o desejar e o querer.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, ParaíbaBrasil, em 21 de novembro de 2020.
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Censuras e esculachos
Antes quem mandava passar a boiada era o vaqueiro A mestrança agora é tarefa do ministro do meio ambiente Antes quem pagava em moeda eram os pobres Agora o fazem certos políticos, com malas de dinheiro Antes o Brasil tinha alguma soberania Agora se obedece à Trump e a alguns embaixadores dos EUA Antes dizíamos "o petróleo é nosso" Agora somos informados de que o petróleo é deles Antes mentiras de presidente eram condenáveis Agora são opiniões que prevalecem Antes em lojas da Kopenhagen vendia-se chocolate Agora o MPF confirma ter numa delas lavagem de dinheiro Antes o Aécio Neves recebia em suas terras helicóptero cheio de pó Agora com processos prescritos pousa, no parlamento, de mocinho Antes o papa era pop e ninguém era poupado Agora o papa defende direitos e é execrado Antes era comum rapper contestar Agora a primeira- dama quer até isso interditar Se compararmos o antes e o agora não há papel que dê conta dos processos que prescrevem no STF Dos pedidos de empeachment no Congresso E dos abaixo-assinados em prol de justiça para Mariele
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Licenças do viver
Na minha bagagem ? Não quero malas, bolsas pesadas nem armário cheios Nenhum fardo! Para que acumular coisas se carrego os sentimentos do mundo? Meu patrimônio ? Coleciono mudas e sementes para doar em tempos de semeadura Guardo paisagens vividas e rememoro-as Leio livros e convivo com os seus temas e personagens Duas pessoas habitaram o meu útero e moram em minha imaginação Celebro cada dia vivido, cada afeto doado e recebido Os sabores que manejo e degusto me reintegram O viver pede passagem Sem pesos! Em 11 de julho de 2020
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Impetus
Sigo numa constante leitura do mundo Entre o ímago e o consciente existo O pensamento em sua magia me embala num doce devaneio Me sopra palavras em sibilos e sussurros Trás os montes Quixará Cariús Quincuncá Villejuif Opara (...) Alucino ! O tempo não conta Do alvorecer ao ocaso os sons fazem-se Manifesto Sou salva a cada palavra que me chega com suavidade ou ímpeto Uma constante sinfonia reverbera nos corredores da minha alma Me tira do abismo e lança-me nas profundezas do ser Fantasmagorias misturam-se no livre território do inconsciente Sou agora uma Gramática do Absurdo Confio na melodia e poética de Artaud Desconfio das regras gramaticais das academias e vôo, vôo,vôo ! Atravesso os Andes e o Himalaia Vou até a Estação Finlândia Transponho os sertões Vôo sem tréguas.
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Aprendizados do amor
Aprendizados do amor
Esquecer? Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá onde o aprender salva! Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo. Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna. Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor. Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto. Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim. Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar? Fiquei em dúvida! Gosto de ambos. Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca. Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio. Carrego esse fardo! Mas, também a musicalidade e a poesia. Em conta-gotas me vem à música e a poesia, para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis. De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras. O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as vazantes que o entornam. Quando acordo, rio dos sonhos bobos que me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos. Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos. Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos "Vou-me embora pra Pasárgada".
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.
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Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza Eu sinto falta, em dias comuns, da mesa cheia de gente ruidosa, a recitar sonoras liras. Eu sinto falta da fila do circo, em dias de espetáculo era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta das reuniões da escola e dos dias festivos Quem dera eu pudesse... Rememoro as repetições cansativas... Dia das mães, dos pais, dos aniversários Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas E o que falar dos preparativos para as viagens? Agora? Parece que a vida carece de sentido Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.