Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Se está entre é interstício No presente é herança e patrimônio A sua falta desafia o silêncio Ao se adequar encanta-se no ato Nos confrontos é coragem assimilada Em seus rodeios se desvela em metáforas Se endurece é rocha cristalizada Quando contida é água aprisionada E se liberta é torrente apaziguada Quando cala é explosão represada Se desafia é duelo em linguagem
Ser e renascer é o desafio da palavra.
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A Terceira Via “à direita”
A Terceira Via sentada em berço esplêndido, combina submissão e alienação à direita de todas as situações;
A Terceira Via ignora as veias abertas e sangrentas do Brasil na pandemia;
A Terceira Via ignora até mesmo cenas que no carnaval promovem os cortes-reais, quando vidas negras são negligenciadas nas alturas de modernos edifícios, expressão e ápice do racismo estrutural;
A Terceira Via esconde de si as mulheres e nega-lhes a política, deixando ao seu encargo o sangue escorrendo por suas virilhas, enquanto o presidente veta a lei e vocifera: segurem suas veias, estômagos e ventres!
A Terceira Via ignora os inocentes ardendo em febre e fome, enquanto esses famélicos esperam os céus dos evangélicos e concordam com os católicos negacionistas;
A Terceira Via desconhece as famílias unidas nos cruzamentos urbanos, com suas placas encardidas, a nos lembrarem da crua miséria humana;
A Terceira Via é o leite e o pão de cada dia entregues em fartas cotas ao agro pop no Congresso Nacional, e se “à direita” em todas as estações e dias do ano;
A Terceira Via agrega bilionários arrumadinhos que sonham em colonizar Marte, para não ouvir os ecos dos tiros das favelas, e às escondidas higienizam suas mãos sujas de sangue;
A Terceira Via tenta roubar a cena da luta dos trabalhadores contra a mentira, golpes de consciência desfechados por diferentes linguagens nas Ditaduras: ecos do Auto do Frade, o Frei Caneca, executado nos teatros das salas de aula, narrativas como Os Sertões sobre a destruição de Canudos casa a casa, e filmes como Mariguella, enredo de um militante executado em via urbana;
A Terceira Via esmaga - sob o jugo do capataz da vez no Congresso Nacional -, a memória da Guerra dos Bárbaros, enquanto avança em territórios indígenas com toda a sua boiada;
A Terceira Via oculta, com suas potentes mídias, as mãos solidárias das periferias posicionadas em defesa dos que tombaram em prol da Reforma Agrária, e de Mariele Franco, executada no Brasil, e em Paris homenageada;
A Terceira Via legítima a Necropolítica fascista de todos os dias, mantida pelas milícias-militantes-militares do Estado;
Sentados na precária invenção da Terceira Via os ricos dizem-se sem liberdade para respirar ar puro, e reclamam da opressão em seus carros blindados, helicópteros, heliportos, enquanto gravitam assombrados com as hélices giratórias dos seus pesadelos em noites insones;
Estão os ricos acuados pelas imagens de famílias pobres e confinadas em sua horrível miséria, por idosos- fantasmas e suas famílias piedosas, todos a clamarem por justiça em depoimentos na CPI da Covid 19;
Os ricos do Brasil engasgados com a própria comida - que regurgita em suas estreitas gargantas, em seus estômagos azedos, nas suas bocas sedentas de moedas-, são espectros harmonizados por cirurgias sem-fim, e navegam em busca do desfiladeiro da Terceira Via, sua grande esperança de redenção, Via que os manterão no mesmo lugar, no conforto do seus bankers, ressecados e retesados pelos marca-passos dos dólares, e dos paraísos monetários, confinados e alimentados pelos grilhões insanos da miséria humana.
Será mesmo essa a nossa via? Fàtima Rodrigues, João Pessoa, 15 de novembro de 2021
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A Força do Silêncio
No principio fez-se doído o silêncio Que em latência manteve-se à retaguarda Tu fostes sombra Sempre tão presente E imersa em mim Jamais te ausentastes E eu fiquei então aprisionada Envolta estive em lágrimas vicejantes Que inocentes Me lavavam a alma! Vi o silêncio A ocupar-me inteira Num movimento além do tempo-espaço Foi quando o luto em sua plenitude Abriu-se em luz na escura madrugada Ao aplacar em mim a dor profunda E o desencanto que me ocupava A luz candente me guiou serena A transpor fronteiras antes impensáveis Ergui-me em meio à cascata de lágrimas Que estagnada mostrou-me as veredas Da misteriosa cartografia humana Que para além da sua vã cegueira Nada enxerga além da própria sombra!
Revivido e pleno se fez o entendimento Que em vigilia Nasceu pacificado Em douta e cabal descoberta do humano
João pessoa, 24 de outubro de 2021.
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Travessias do ser
Atravessei ruas, becos e vielas não via e nem era avistada Senti as madrugadas geladas e o silêncio a contornar-me Um rio caudaloso fez-se em mim de margem à margem Se fez pleno sem barqueiro Só um imenso e angustiante vazio me invadia e eu procurava o calor de um abraço Encandeada atravessei desertos e pântanos e nem na multidão me encontrei Sobram desertos nesse amalgama que é a minha vida Mas em meu ser a graphia é generosa E os mapas ? Desnudam a terra conforme a vista alcança Não desnudam a mim onde o aço e o vazio se alternam numa valsa insana Ser é incongruente, Sei! e nem isso me faz temer Na lua crescente me ergo incólume A vida requer coragem.
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Transgressões
Eu me embaraço com as minhas emoções É que elas não são duradouras como eu gostaria E por ti fico inquieta a justificar-me Sou fiel até onde posso Até onde chega uma outra emoção e me leva na correnteza Poderia ter heterônimos, pseudônimos, mas de que adiantaria se tudo transparece? Há em minhas profundezas uma montanha de sentimentos que me divide, me distancia e me ajunta Nesse lugar sou cativa de um pensar tão frouxo que alço vôos de toda envergadura Difícil é aterrisar no plano Quero as montanhas Mesmo quando o olhar de cima para baixo me causa vertigens Sou tola quando penso nisso - Melhor é existir.
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Acordar
Leve e tênue pulsar Híbrido que nos traz luz e sombra Sentidos de si e solidão No abrir e fechar dos olhos um quê se indaga enternecido ou decaído Ato em si aberto par a par ante o insólito O novamente visto De novo a crer ou descrer Querer ou negar o ser Acordar sem querer a si Acordar na madrugada enlutada Dar cor de si No amanhecer pleno luzes se esvaindo Ao vento galáxias a perderem-se Na imensidão do cosmos juntam-se e separam-se num circuito entre pequenez e grandeza Na poeira .... Do nada o ser se escuta.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, 26 de janeiro de 2021
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Haicai
Eu planto canções grafando versos livres Colhendo emoções
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Memória de um rio
Rio que abracei a nado Me acolhes inteira Desde a minha Ribeira És por mim amado !
De longe ouço os teus brados Te navego à vela e escuto os teus ecos da minha janela ... sons tão afinados !
Quando o ausculto ao vento Sinto uma calmaria Que sem ti não viria Com tamanho alento !
Pensas que És somente Um andante líquido a desaguar fluido um mero rio corrente ? !
Em mim tua memória tudo evoca lembranças tão cálidas postas em camadas fábulas inequivocas ! (Em homenagem ao Rio Cariús- Nova Betânia_ Distrito de Farias Brito, Ceará, rio da minha infância, que me acompanha todos os dias)
Fátima Rodrgues.
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Um ano por inteiro
Ao ganhar um ano novo que o tenhas por inteiro Reveja o vivido ponto a ponto Anote e repare, se for o caso, o que fez com intenção Anule os afetos que trazem a desesperança Apague o que passou do prazo ou renegocie-o com quem puder A vida pede passagem Se mágoas são apagadas o perdão é teu Não deixes que façam dele troféu Caminhar mirando horizontes nos traz belas paisagens e renova as utopias Se durante o dia veem-se pontos obscuros em simulacros ou em explosão de cores à noite tem-se constelações a brilharem Dentro de nós um mundo é dado torna-o grande como somente tu podes Mas se a invenção do tempo te perturba sê inteiro Inventa o teu próprio tempo no comando da tua vida Para cada ser há um horizonte a descortinar novidades em pedaços de festa, de júbilo ou de dor
Ano velho? Memórias de nós Terra fertilizada, arrasada ou replantada? seja o que for ! Na simplicidade podemos semear grãos e renunciar naturalmente a essa contagem do nada O tempo é pura invenção Ser é o que em si se reinventa.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 31/12/2020.
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Tic -tac do amor
Tic -tac do amor
são apenas dois sonzinhos que anunciam bem de leve - vai chegar um bebezinho! Tic-tac, tic-tac agora é o meu coração a imitar o relógio provocando confusões Tic-tac, tic-tac Não me atormente a cabeça pulsando tão lento assim pois o esperar das horas descompassa as emoções Tic-tac , tic-tac Pisa firme no andar pois sem a tua cadência como o tempo chegará ?! tic-tac, tic-tac bate calmo, bate lento não me provoque tensões atente ao acontecer pois um bebê já chegou e me faz imaginar que é tempo só de amor.