Dons, sons e moções da palavra
Dons, sons e moções da palavra
Ah!,a palavra...?
No presente é herança e patrimônio
Se está no entre é intersticio
Se emudece desafia o silêncio
Ao se adequar
expropria'-se no ato
Nos confrontos
é coragem assimilada
Em seus rodeios
se desvela em metáforas
Quando discursa
é um elo emblemático
Se endurece
é pedra cristalizada
Quando contida
é água aprisionada
Quando liberta
é torrente apaziguada
Quando cala
é explosão represada
Se desafia
é duelo em linguagem
Renascer, se reinventar e comunicar
é o desafio do Ser palavra.
Fátima Rodrigues.
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil. em 17 de junho de 2021.
Dons, sons e moções da palavra
Dons, sons e moções da palavra
Ah!,a palavra...?
No presente é herança e patrimônio
Se está no entre é intersticio
Se emudece desafia o silêncio
Ao se adequar
expropria'-se no ato
Nos confrontos
é coragem assimilada
Em seus rodeios
se desvela em metáforas
Quando discursa
é um elo emblemático
Se endurece
é pedra cristalizada
Quando contida
é água aprisionada
Quando liberta
é torrente apaziguada
Quando cala
é explosão represada
Se desafia
é duelo em linguagem
Renascer, se reinventar e comunicar
é o desafio do Ser palavra.
Fátima Rodrigues.
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil. em 17 de junho de 2021.
Às divindades, oxalá!
Às divindades, oxalá!
Divindades!
Livrai-me de tudo que não sei lidar
Falo até mesmo do toque insistente da campainha
Quero me encontrar com o outro sem sobressaltos
Sem malquerências
Livrai-me de um outro que se torna familiar
mas quer obrigar-me a sair de mim
Livrai-me dos bons homens e das boas damas que desconhecem a empatia, mas potencializam a simpatia enganadora
Estranhas senhoras, estranhas em si e em mim
Estranhos senhores que nem desconfiam das dores de suas damas
Diz Sartre, são bons pais e mães, filantropos, mas racistas!
Livrai-nos senhor de professores desamparados e desenganados de si
suas palavras podem contaminar a mente fértil dos jovens
Livrai-nos dos pastores que não sabem pastorear, coisa que exige conhecer a Aldeia, seu rebanho e sua história.
Divindades! Teceis laços diretos com os que creem
Se há vontade divina para que a mediação?
Enlaça-me com a tua energia e proteção
Me põe luz na minha escuridão
Me acolhe nos desertos
e na abundância mistificadora
Me acolhe!
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 20 de maio de 2023.
Não seguras o medo, segues!
Não seguras o medo, segues!
É entre costuras e cerzidos que te completas, e nem desconfias
É entre retalhos e costuras que te compões
É em gritos contidos e em dores mal ditas que atravessas os largos oceanos e os estreitos, como se atravessasses o Formosa ?
É nos desertos e em sonhos, em transtornos e transes que te projetas
Mas o que seria de nós sem as travessias oceânicas e sem os desertos em nós?
É lá nos desertos da vida que fazes acordos consigo próprio e ainda assim os descumpres
É lá onde perdes os horários, os dias e as noites insones?
A dureza dos quartzitos te atravessa ou é só na aparecência?
É em vagas que te refazes para o outro e outra ?
E se falta coragem para ser
é aí que abres as compotas que inundam terras estranhas ?
Ou ficas num cubículo onde a porta se estreita e o vão se fecha?
É assim porque não vês ou porque temes?
Solta teu grito ainda que ele não irrompa a garganta. Solta os teus atos, os teus fatos. os teus fardos.
Solta!
Fátima Rodrigues,
Em 06 de maio, de 2023.
Expedicionários. João Pessoa, Paraiba. Brasil,
Liberdade de ser
Se você sempre cala eu calo e falo
Se você não reclama de nada eu clamo por paz e espanto os infortúnios
Se você não planta tambêm não colhe
Eu planto e colho
Se você só olha,
eu olho e vejo
Se você crê em tudo
eu creio e desconfio
Se você anda só no chão
eu piso no chão e vôo
Se você tem simpatia
eu tenho empatia
Se você descrer das artes
eu as degusto e as promovo
Se você diz que a Filosofia é vã
eu faço dela a minha mestra
Se você acha que a memória é só a ritualistica
eu faço História!
Danço o toré com os caciques Tabajara e Potiguara
Danço o coco e a ciranda com Ana e Cida
Escuto com empatia os desprovidos de atenção, porque os vejo como São !
Marcho com as mulheres da Borborema
Rememoro as Elisabeths e as Margaridas
Me somo aos trabalhadores não importa aonde
Rompo até mesmo o asfalto
como o fez Drummond com a Rosa do povo
Se você não tem imaginação,
Inspiras-te:
nas multidões e em seus movimentos
Com o poeta solitário da Tabacaria
Com a poetisa de mãos calejadas que doces fazia com mel e com poesia
Com a linguagem simples e criativa de quem vê o que não existe
Não deixes o teu cérebro encurtar nem o teu coração encolher
O amor é!
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 17 de maio de 2023.
À mãe nossa de cada dia
A mulher segue na multidão
Reza no escuro da noite e explode na claridade do dia
Se indaga é se aflige
Segue encorajada, empoderada
Uma criança chora
Deseja a mãe para si
Ri e chora
Em contrição segue
O brinquedo larga
Chorar é vazão
A criança quer a mãe
Só a mãe lhe basta!
E se a mãe não voltar?
Lhe tiram o chão
Pensar é o agora
Então volta ao chão
Cadê a mãe?
A mãe é o vazio?
Quer abraçá-la
Estará no trabalho?
Porque razão ?
A noite dorme!
O homem chora
A mulher chora
A criança chora
Idosos choram
Cadê a mãe?
Mãe é aconchego
Mãe é desassossego
Mãe é apego
Mãe é peito que acolhe
Mãe é ar que sufoca
É ausência que liberta
É passaporte para si e para o outro de si
A sua mãe é memória na ausência.
A mulher segue na multidão
A mulher se encontra em si mesma
A mãe é o que quiser
Ser mãe é transcender
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil , em 14 de maio de 2023.
Dei à luz
Dei à luz!
Não falo de episódios metonímicos
Não foi a tocha olímpica que entreguei a uma atleta
Nem foi a vela que passei para outras mãos
numa procissão de fieis ou no
breu da vida
Isso também o fiz e faço em situações de obscurantismo.
Não foi a lamparina que levei ao quarto escuro dos sertões
Foi a luz da vida !
Impregnada fiquei por àquele amor
Mas ciente estava que eram vidas de si
Não de mim.
Eu falei...estava ciente
O verbo no passado não se atualiza no presente dos afetos
É sempre uma construção de todo dia
Convosco reaprendi a rezar com a mesma fé que me moveu na infância
Rezo à Maria, às mulheres
O verbo resiste à dor
Que saibam viver os dias felizes e que sejam
cientes e cuidadosos de si, sempre!
Que assimilem as grandes e as pequenas lições da vida
como o fez o pequeno príncipe
com o seu planeta e a sua rosa
Dei à luz !
Terá responsabilidade e amor maior?
E sendo a luz vida
que a luz dos meus olhos jamais ofusque os vossos olhos
Meus sóis!
- vós sois o amor maior.
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil , em 25 de abril de 2023.
As mulheres e suas faces
Um olhar sobre as mulheres
As mulheres que me inspiram
São elas cheias de graça
Das Marias às Terezinhas
São formosas e calientes
São valentes e suaves
São tantas e tão diversas
Que se encontram espalhadas
Das praias até os confins
Pensar suas trajetórias
Suas virtudes e coragem
Revela muitas ações
Mulheres que são mães e pais
Mulheres avós e avôs
Mulheres tias e tios
Papéis afeitos na vida
Sem dar ou negar permissão
Parentela que deságua
em afazeres sem fim
Mulheres que dirigem e voam
Que plantam e colhem também
Que escrevem e estudam
ensinam e aprendem lições
São como dicionarios
A se recriar todo dia
numa poderosa equação
que a muitas de nós guia
Nas veredas dos sertões
E nas largas estradas da vida
Como âncoras é que elas são
Mulheres que são versáteis
Sem estereótipos ou com
Sem sentimento materno
Sem sentimento paterno
Mas com sentimento do mundo
Inteiras divididas assim é como elas são
Nos campos e na cidades
E para além, lá nos sertões
Embaixo de chuva ou sol
Banhadas de água ou suor
Nas labutas cotidianas
São elas a minha luz
São elas da minha afeição!
Fátima Rodrigues, em 08 de março de 2023
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil.
Um olhar sobre as mulheres
Um olhar sobre as mulheres
As mulheres que me inspiram
São elas cheias de graça
Das Marias às Terezinhas
São formosas e calientes
São valentes e suaves
São tantas e tão diversas
Que se encontram espalhadas
Das praias até os confins
Pensar suas trajetórias
Suas virtudes e coragem
Revela muitas ações
Mulheres que são mães e pais
Mulheres avós e avôs
Mulheres tias e tios
Papéis afeitos na vida
Sem dar ou negar permissão
Parentela que deságua
em afazeres sem fim
Mulheres que dirigem e voam
Que plantam e colhem também
Que escrevem e estudam
ensinam e aprendem lições
São como dicionarios
A se recriar todo dia
numa poderosa equação
que a muitas de nós guia
Nas veredas dos sertões
E nas largas estradas da vida
Como âncoras é que elas são
Mulheres que são versáteis
Sem estereótipos ou com
Sem sentimento materno
Sem sentimento paterno
Mas com sentimento do mundo
Inteiras ou divididas assim é como elas são
Nos campos e na cidades
E para além, lá nos sertões
Embaixo de chuva ou sol
Banhadas de água ou suor
Nas labutas cotidianas
São elas a minha luz
São elas da minha afeição!
Fátima Rodrigues, em 08 de março de 2023
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil.
Eu creio!
Eu creio!
Ainda que os meus lugares de orações não sejam as catedrais e os meus totens não virem estátuas.
Gosto mesmo é de acariciar a terra, as plantas, os animais e de cuidar das pessoas por sua mera existência.
Vejo o retorno à natureza como a
reintegração ao universo.
Em noites de lua cheia me encanto com a claridade e a incandescência
Em noites escuras vislumbro o que nunca vi
Em dias de sol me abrigo na sombra ou deixo que a luz e o calor penetrem o meu corpo cansado até torná-lo um abrigo pleno, um saara a acolhê-los.
A natureza tem muitas faces.Não reclamo de suas estações.
Luz! Ressuscita em mim o que és, para que eu abrigue todo o teu calor e luminosidade num emaranhado só.
Na natureza tudo me é encantador
Tudo me traz aromas e sensações desconhecidas, além de lembranças, revivescências
Não há palavras para descrever o que me evoca um encontro do rio com o mar
Rio São Francisco! que li nos livros de Geografia e o imaginei antes de conhecê-lo.
Rio Parahyba! De águas e força tão feminina descendo montes e atravessando vales.
Rio que supõe altruismo ao atender aos Senhores, e por isso alimenta a cana de açúcar, mas geme de dor com a fome que o cerca.
Rio Cariús! Nome de destemida tribo que orgulha a prole que o nomeou.
Estás a sumir como sumiram teus filhos naturais, mas, teu tronco maior, o Jaguaribe, se encolhe e se expande em resistência
Rios que alimentam braços e pernas de outros.
Uma dor que não estanca me habita
Mas prefiro chamar à mim a minha senhora, a mãe, a mulher, a que sempre acolhe a cria,
a que não se desvencilha por que é guia.
Tua estrela me traz o dia e me dá forças para sair das noites escuras.
Mãe senhora! As minhas catedrais eu mesma ad construo. São templos de orações consagrados a ti, nos verdes vales ou nos desertos, onde repito : "Ave,Maria!"
Tu me ouvistes, me socorrestes e eu aqui estou em nome do filho e do pai.
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba- Brasil, em10 de novembro de 2022.