Amor de mãe
um teto e alimento
sem qualquer discriminação
e o filhote sabe que pode estar
protegido (de certa forma)
as 'mães' estão por toda parte
tentando exercitar engenho e arte...
nilza azzi
Corpo de mulher
Em teu corpo, ó mulher,
há um segredo guardado.
É segredo e quem quiser
desvendá-lo sai logrado.
Não existe corpo feio,
sempre há algo a realçar,
o colo, a curva do seio,
cabelos, boca e olhar.
Aquela que assim se entende
sabe bem o que lhe vale,
se é o modo como prende
o cabelo, ou como fale,
sorria, vista, caminhe,
deixe os pés em evidência,
as mãos sobre o peito aninhe,
ou olhe com displicência
as unhas, enquanto alisa
uma mecha do cabelo
e de forma bem precisa
realça seu tornozelo.
Cada mulher é um mistério
único, doce, indiviso.
Conhecê-la é assunto sério,
mas arriscar-se é preciso.
Um mistério desvendado
perde a graça e o encanto,
então mantenha o cuidado;
haja o esforço, mas não tanto...
Nilza Azzi
Centro
o lugar onde eu fico sem desejos
no silêncio de meu ser que se aquieta
é conquista de constante disciplina
meu refúgio contra a dor e a tempestade
aprazível descortino nesse encontro
nos momentos de viver sem descrição
há o prazer de sentir que sem palavras
o universo entrega a mim uma canção
Tamara Trevi
Tributo ao poeta
É doce a canção que compões, ó Poeta,
Revive momentos alegres, liberta,
é tal a emoção que transmites e enfim,
um clima de grande esplendor, um festim,
aquece meu mundo, tão triste, tão frio.
De um sol jubiloso, teu brilho de estio
desfruto encantada, mas nada me deves,
a ler os poemas, que acabam, são breves,
a ouvir, extasiada, tal sons de um arpejo.
Num mundo de sonho e magia, antevejo,
as formas, beleza sem tempo e lugar,
provocam deleite, é mister confessar:
palavras flutuam e bailam tão leves;
é doce esse encanto de ler o que escreves...
(se você teve a gentileza de ler até o fim, leia agora de baixo para cima...)
Nilza Azzi
Bijuteria
guardei teu olhar
na caixinha de música
junto com a bailarina
nas contas do colar
na dança inesquecível
tamara trevi
Pretexto
Eu me envolvi nesse sonho
e quis fugir, mas ão pude.
Vi teu semblante risonho;
minha'alma assim não se ilude.
Desisto e fico tristonho;
não posso ver-te amiúde...
Meu pranto é forte, medonho;
não encontro a plenitude.
Se ao amor eu não me oponho,
por que comigo és tão rude?
Mil barreiras eu transponho
numa estranha quietude;
de um modo tão enfadonho,
foi-se a minha juventude.
Nilza Azzi
Minha cozinha
Saio bem cedo pra fazer compras.
Vou ao mercado, quero escolher
tudo bem fresco, passo nas bancas,
não há segredo em reconhecer...
Já na cozinha, fechando a porta,
quero sossego, enquanto começo
a decidir o que mais importa.
Faço a salada e então me interesso
pelo preparo de alguns legumes.
Deixo pro fim, o peixe, o filé:
vou preparando, sigo os costumes,
os camarões, bem rápido até
a cor rosada, um tanto de molho
eu acrescento, e então cebolinha...
Abro um armário, a travessa escolho.
É bem famosa, a minha cozinha!
Nilza Azzi
Na praia
Estar andando na praia
descalça, marcando a areia.
Ver o sol que incendeia
cada onda, antes que caia
e venha beijar-me a saia.
Sempre é uma festa em cadeia,
estar andando na praia.
Vida é hoje, e não ensaia.
Assim, sempre que se creia,
ter por guia, uma candeia,
é bom, já que o sol desmaia,
estar andando na praia...
Nilza Azzi
Doce primavera
A primavera, essa estação tão bela,
dizem que das flores e dos amores;
a dos amores, para mim é aquela
do frio e abraços sob os cobertores.
Eu sei que há luz no ar, aí vem ela,
em todo lado o olhar encontra cores!
A primavera é uma estação tão bela,
mas ela para mim não traz, revela,
ou mesmo acrescenta, algo a meus valores,
que já são firmes. Mas, a hora é dela...
Se posso apreciar doces odores,
a primavera é uma estação tão bela.
Nilza Azzi
Histórias de embalar
A cada dia do ano,
ponho meu filho na cama,
conto histórias de embalar,
sempre uma história nova,
na hora de adormecer.
São façanhas que vou urdindo,
enquanto lhe faço afagos.
Sempre acho um novo herói
que lhe alimente os sonhos,
porque o brilhar dos seus olhos,
torna os meus bem mais risonhos.
As pontas dos meus dedos,
passeiam por sua testa.
Lhe falo sobre segredos
guardados numa floresta.
Em mim, um pouco do mar,
também, um pouco do vento,
quem sabe, um pouco de Deus,
vão criando em acalantos,
a canção dos dias meus...
Nilza Azzi