pmariabotelho

pmariabotelho

n. 1965 PT PT

serei breve serei ave

n. 1965-10-22

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A espera

Não só a vida, também o tempo.
A questão da vida e do tempo não interessa absolutamente nada.
Dizemos frequentemente esta frase no dia-a-dia, para atenuar a circunstância do momento ou o tema da conversa.
Em verdade, resume-se à longa espera do tempo novo.
Mas a espera ou as esperas que fazemos ao longo da vida, concluo que é um grande erro.
A espera é um engano e são imensas as desculpas que damos a nós próprios, quando não temos a coragem para virar a página ou quebrar um hábito, …
Aqui não só a vida, mas essencialmente o tempo é mestre nos argumentos da preguiça e do medo.
Esperar por um tempo novo é um erro.

pmariabotelho
20210306
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Poemas

83

perdidos no deserto

perdidos no deserto
sem chão terra
sem mar àgua
apenas o encontro
absoluto
do amor
do céu e do vento
assim
ficámos
imóveis e unidos
morrendo em cada
naco de sol e sede
unídos
de lábios colados
e mãos entrelaçadas
perdidos no deserto
sem chão terra
....

pmariabotelho
29.10.2014




469

é um quase

é um quase de coragem

num dia claro

uma simples manifestação inquieta de alma

é um quase de cansaço e desgasto emocional

um impulso desvairado

que a alma tece

é um quase de raiva e nojo

um vómito de mentira

e um ardor angustiante

é um quase prematuro de grito

um desafio constante

e uma selva

que a vida tece

é um quase

porque não é ainda o tudo o todo

o absoluto

é um quase meio termo

a caminho da certeza

de que a vida é quase

esta apenas e só

presente

quase e apenas ausente


Pmariabotelho

18/10/2014

486

ausência

partiram

tantos foram aqueles

que amamos

mas

nunca anunciamos

partiram

todos aqueles

que

partilharam

um baralho

de sorrisos

de choro

de letras

de cantigas

e guitarradas


a ausência

e o silêncio


a desculpa e o obrigado

falhou

e o abraço se calhar, tambem


partiram

desta fisica toda ela racional

explicada e intrepretáda

devorada a preceito pelos média


eu não sei

para onde não sei, mesmo

não me perguntes

nem o porque

das essências

porque dessas eu só respiro e sinto

e delicio


rasgo as páginas dos jornais

e as noticias masi que fantásticas

que importa

renego a regeração da vaidade e damentira

fico fora abstraída a propósito


e em cada onda branca

que desmaia na areia

com força ou sem força

desvanece


fica o nada

o sal a vapor

e voa

cheiro a algas

cheiro a mar




03/11/2014

pmariabotelho

473

equilibrio

no limite

a personalidade

o equilibrio emocional

sem tropeços

vertiginosamente amante

do desafio


pmariabotelho

21/1/2014


National Geographic International Photography Contest

473

detesto a vaidade e o exagero

detesto a vaidade e o exagero

as palavras desajeitadas e pintadas no teu rosto

e detesto a exatidão da poesia

a rima e as estrofes

gosto do desajeitado

de um dia de vento um dia de chuva

o sol pela manha

e a peça de roupa com mais de 10 anos

mas sempre linda , claro em mim

detesto a vaidade e o exagero das cores

apenas na natura tudo entendo e gosto

nos grafites e nas telas

o exagero comove-me

mas nos corpos

nos rostos

dos que passam

o exagero deste século é um Não

ai que saudades do meu saco de plástico

da pasta da escola sempre igual

da roupa pela Páscoa

e do presente de Natal

ai que saudades dos colegas

das gargalhadas e das brincadeiras de rua

da liberdade e da alegria

pois minhas senhoras e meus senhores

já doutorados e uns tantos mal formados

tenho a dizer de bom grado

que odeio os vossos pontos

os vossos tenho disto

o posto isto

o sendo assim

o ou seja

enfim


Pmariabotelho

18/10/2014





526

impulso contido

prisioneira deste tempo

revoltada com o sol
que importa
serei breve
edificarei umaestátua

se for o caso
a praça é publica
para que possam saudaraquando

o impensável suceder à razão

serei louca

serei vento

serei um tempo de trevas sem trevas

serei trepadeira agarrada às tuas entranhas

para que erguidos sejamos

um impulso descontido

subiremos

subiremos

ou à muralha da China

ou Machu Picchu

Everest

que seja

será o que quisermos

meu amor

porque depois deste tempo

o pensamento

será livre

e

serei breve



20/10/2014

pmariabotelho

497

inacabado

oh pedaço de mim inacabado

sedento de lágrimas de chuva

ou de sal

oh pedaço de mim feito e desfeito

como as ondas

de um mar cinzento

sem revelares o segredo

das emoções ancoradas

oh pedaço de mim inagualável

aquele infímo naco

que ninguem

alcança ou desvenda

aquele que nem nós próprioscompreendemos

sentimos pela pulsação das palavras

imaginárias aquando olhamos o abstrato

e ou o concreto

fica tanto por descrever

deste pedaço de mim inacabado

sedento de loucura

e pura imaginação

assim

as gotas da chuva doce

a folha caída

no chão

e o pulsar da àgua

assim

surge a poesia

a alma de um poeta

que em tudo

feito pedaço

será sempre um pedaço de si

inacabado


pmariabotelho

15.10.2014

550

Deixa-me

Deixa-me

Ser a tua beleza

Deusa

E deixa-me

Sorrir, sorrir

Até ao fim

Amor

Dancemos, dancemos,…

Deixa-me

Saborear o teu beijo

és meu desejo


Pmariabotelho

27/09/2014

601

Breve

Breve serei

nada do que já fui ou serei

morrerá

em absoluto

riscos no céu

lua pálida

e um coração aflito

deixarei


todos os dias

em que a ausência

seja certa



Pmariabotelho

27/09/2014



535

Apetece

apetece-me um campo

seja ele de qualquer cor

verde,amarelo, castanho

terra!!

um trago de de vento

e um tiro no escuro

um abraço de lua

nua ou vestida

pintada ou apenas branca

apetece-me ser vadia

vaguear sem compromissos

não pensar

ser idiota ou estúpida

apetece-me dar as mãos

esticar os braços e rodar rodar rodar

apetece-me um cigarro

o absurdo e o maldito

um trago de absinto

um grito desgraçado

uma rodela de limão

amarga

apetece-me

acordar de novo

e pensar que tudo isto

é um engano

a minha vida foi sempre um engano

uma desculpa

uma incerteza

um amontoado de vidas

que mataram a minha

apetece-me

uma emoção desvairada

perder a razão

e enlouquecer


31.08.2014

pmariabotelho


609

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