Remisson Aniceto

Remisson Aniceto

n. , Nova Era (MG)

Perfil
29 145 Visualizações

Vizinho ilustre


Nova Era é tão perto,
tão perto de Itabira,
que quase vejo Drummond
na Sêrro Verde
na Sêrro Azul.
Mas como vê-lo
onde ele nunca foi?
Ler poema completo
Biografia
Nasci em Nova Era, município mineiro vizinho da Itabira de Drummond e sempre imaginei que algum dia iria vê-lo - afinal, morávamos tão próximos... Mas, como ele me havia advertido bem antes, "tinha uma pedra n meio do caminho". Em 1987 o poeta viajou definitivamente, antes que eu pudesse remover a pedra.

Poemas

70

Também quero cantar a mulher que amo

Também posso e quero cantar a mulher que amo, a mulher que quero, a mulher que sempre quis, mulher que sei um dia foi minha, a mulher de quem fui, a mais bela entre todas as mulheres. Posso e quero cantá-la como canto a terra, a água, as nuvens e o ar, assim como canto todas as pequeninas partículas de que é composta a natureza, as minúcias de que são feitas todas as coisas. Há para os outros, na mulher que amo, um mistério que só a mim foi concedido desvendar, pois ela, sabedora do meu amor e da minha paixão, com a sua generosidade me permitiu descortinar o finíssimo véu da sua natureza e me encantar com a incomparável beleza do seu sorriso, a apaixonante carícia das suas mãos, o enlouquecedor perfume da sua pele, a doce suavidade da sua voz, o inebriante sabor da sua boca. Esta mulher, na sua infinita bondade, me ofertou tudo isto e por tudo isto sou feliz. Eis as razões mais do que justas pelas quais senti e continuarei sentindo tanto prazer de cantar a cada segundo da minha vida a mulher que amo, a mulher que confessou estar me esperando, a quem eu confessei que sempre estive e continuo a esperar, a mulher que sabe que estou indo, a mulher que está vindo ao meu encontro. 
Para nos encontrarmos no meio da estrada, estrada que sem ela tornou-se deserta. Pra nos encontrarmos e em algum recanto só nosso reconstruir a nossa vida. Eis as razões mais do que suficientes para que eu continue a cantar a mulher que amo, até que chegue finalmente o momento do nosso reencontro e o dia amanheça, e a manhã sorria, e os pássaros cantem, e o sol estenda seus raios sobre nós.
E a vida mais uma vez nos receba em sua morada 
e nos faça eternamente felizes.
150

Dimensão

Somos todos grandes porque nascemos grandes,
não porque quisemos, não no sentido visual, não na estética.
Nascemos grandes como nascem todos, indistintamente,
no mesmo peso e na mesma medida,
sem possibilidade de mais crescer ou diminuir.
A proporção que se dá ou se vê nas pessoas
é que leva a essa tolice da classificação,
a esse ser mais ou menos que nos faz olhar por cima
ou erguer submissamente a vista,
como quem pisa e quem serve de chão.
Nascemos grandes como Deus quis
e seremos grandes ainda que não queiramos,
não tendo como mais crescer ou nos apequenar,
como nenhum vivente tem como ser maior
ou menor que a semente da vida.
Se tivéssemos todos - grandes que somos -
a humildade de nos darmos as mãos
e caminhar para um mesmo horizonte,
seríamos felizes e indestrutíveis.
Nenhum de nós há, maior, menor,
mais ou menos importante.
O que pode haver é o que nos espera
sem jamais revelar-se antes da hora.
Por isto nascemos grandes,
para resistir ao agora e aguardar
a divina possibilidade do amanhã.
**
Dimensión
Somos sublimes de nacimiento,
y no por la voluntad propia, ni por la apariencia o la estética.
Nacemos grandiosos, todos por igual, indistintamente,
en el mismo peso y en la misma medida,
sin posibilidad de crecer o disminuir.
La aparente discordancia que se da en las personas
es la que lleva a la simpleza clasificatoria,
a ese sentirnos superiores o inferiores y mirar a los otro por encima
o bajar sumisamente la mirada,
como si unos pisaran y otros sirvieran de suelo.
Nacemos excelsos como Dios quiso
y seremos así aunque no queramos,
sin oportunidad de cambio,
porque a ningún ser vivo le cabe la posibilidad de ser mayor
o más pequeño que lo determinado por la semilla de la vida.
Si tuviéramos todos - magníficos como somos -
la humildad de darnos las manos
y caminar hacia un mismo horizonte,
seríamos felices e indestructibles.
Ninguno destaca por su tamaño,
ni por ser más o menos importante.
Lo que puede suceder es lo que nos espera
sin descubrirse jamás antes de tiempo.
Por eso nacemos crecidos,
para resistir el presente y esperar
la divina dádiva del mañana.

Tradução para o castelhano por Pedro Sevylla de Juana.



479

Frases

Se o amor de mãe é incondicional, como explicar tantas mães que maltratam, abandonam, matam seus filhos, bebês ou já crescidos, em troca não do amor, mas da satisfação sexual que os homens lhes proporcionam?
-
Jamais poderemos estar perto de quem amamos, enquanto nos ausentarmos de nós mesmos
-
Consciente do seu tamanho, o meu coração dividiu-se em bilhões de partes, em pequeninos corações e foi descortinar o mundo, adentrar os peitos vazios de sentimentos
-
No comboio da vida, a juventude é passageira e o tempo cobrador.
-
O erro quando involuntário é natural e tentar reparar, se desculpar e evitar repeti-lo é humano; mas é desalentador ver pessoas  altamente instruídas insistirem repetidamente nos mesmos erros, sentindo prazer nisto, porque lhes é favorável, serem aplaudidas e não sofrerem qualquer punição
-
A vida passa do meu lado e não me vê
-
Meu pai foi um grande pensador, só não sabia escrever
-
Assim como as vitórias nos dão confiança para prosseguir, as derrotas nos preparam para os mistérios de cada amanhã
-
Só depois que a fonte seca se descobre o valor que a água tem; no jardim do amor que é mal cuidado as flores secam também
-
Depois que passei a vida melhorou; a minha não sei, mas a de quem ficou.
-
Quem vive mendigando carinho recebe -como doação- falsos afetos disfarçados em meios abraços
-

659

Os dançarinos

Melancólica e sonolenta, eis a lua,
flutuando sobre as águas do oceano.
Alheio a tudo, imerso na noite e no mundo,
meu pensar também vaga neste plano.
 
Ei-la, imagem erradia na pista do mar,
entrando, dançando, bailando nas ondas vadias.
Minha imagem também entra, dança, baila,
embalada pela aquátil melodia.
 
Qual casal de dançarinos da esperança,
vestidos de amor e de alegria
deslizamos sobre as águas nessa dança.
 
Já desperta e alvacenta, eis a lua,
causadora dessa bela fantasia
que nos tira do real e nos flutua
540

Ao censor


Lê e critica meu verso,
que te é permitido fazê-lo.
Só não me prives, te peço,
do direito de escrevê-lo.
474

Jardín


Acerquémonos,pues, querida,
enmedio del camino,
soñando  nuevos y viejos sueños,
quetodavía ellos - los sueños -
notienen edad ...
Seamosniños en un jardín de rosas
porquequiero quedarme contigo en la tierra
ydar gloria a las otras flores
máspequeñas que tú,querida.
Gloriaa ti, Rosa!
Quierosentir tu perfume,
acariciarsus ramas
ypoco a poco llenar
debesos sus hermosos pétalos...
Tú yyo,
unjardín de sueños
dondeme alimento
contu aroma de sol y de luna...
Sueño?
Ypor qué, Dios mío, este sueño,
comomuchos otros
ypara mi mayor gloria
nopuede convertirse en realidad?
365

Canção do mar


Poema onde o mar é o protagonista, percorrendoos continentes, transportando, saudando, cantando, rugindo, protegendo e arrebatando vidas,numa constante, numa ininterrupta viagem.


No mar quase tudo nada
na imensidão que a vista inunda,
no mar quase tudo nada,
nada na superfície, nada n'águas profundas.
No mar quase tudo nada
e o que não nada ou quase nada
quando não boia, afunda...
No globo quase todo mar
na terra quase nada terra,
na vastidão que tudo circunda,
em movimentos ora de paz ora de guerra
quase tudo tudo nada
e tudo tudo é navegar...
Eia! Terras d'além mar!
Eia! Povos d'além mar!
Nada nada é tão perto
nada nada é tão longe
que o mar não possa alcançar.
E tudo que nada segue
no mar onde quase tudo nada.
No ondulado tapete repleto de vida,
na planície azul sem tamanho,
sob o sol ou na noite estrelada
o que não nada é estranho.
E lá no fundo que cores!
Há muito que admirar!
Algas, pedras, peixes, flores,
decorando o fundo do mar...
E esta brisa que delira,
suave perfume do mar
no marulho que enleva,
serena canção de ninar...
                                                                                                                          
Que ninguém passe pela vida
sem conhecer este mar...

E o céu quando beija o mar
seja no norte ou no sul,
que divino, que divino
é este amor vestido de azul...

E o mar quando beija a areia
serpenteia
serpenteia
deixando cobras na areia...
deixando cobras na areia...
Rema rema pescador
e observa os sons do mar.
Rema rema pescador,
no seu barquinho a flutuar,
que a tempestade é um terror
até pra quem sabe nadar.
Quase tudo no mar nada,
quase tudo nada no mar,
quase tudo o mar carrega
no seu diário navegar.

E o mar quando beija a areia
serpenteia
serpenteia
fazendo cobras na areia...
fazendo cobras na areia...
646

Nostalgia


Helena? Helena? Onde estás agora?
Apesar do pouco tempo da partida,
a lembrança me castiga, faz ferida
e a tristeza solidária me namora.
 
Onda calma de sono me invade
quando oscilo sobre a rede no quintal.
Teus beijos... teus abraços... teu rostodivinal...
que saudade, Helena! Que saudade!
 
Tremor vago o meu corpo já domina,
ao sentir que a bela fantasia
s'esvaece logo que o sonho termina.
 
E quem entende a minha dor, o meudesgosto
e a escassez que há em mim de alegria,
é o zéfiro que banha o meu rosto.
464

O mendigo

 Os miseráveis, os rotos
são as flores dos esgotos.
                   Cruz e Souza
 
 
Angústia, rejeição e vil loucura
tornaram tua alma tão sombria,
ó poeta imortal, imortal brancura
das essências musicais da Fantasia...
 
Alma de fé profunda, clamorosa,
bálsamo das paixões mais cristalinas,
mar revolto de espumas dolorosas,
nascido em santas terras catarinas.
 
Hoje, sentado lá no etéreo canto,
isento da carnal miséria e do desprezo,
já não te afligem mais a dor e opranto.
 
Aqui, da cor carrego o amargo peso
e as mesmas ânsias que cantaste tanto.
Mas tenho, qual tiveste, o Sonho aceso!
 
423

Classificado

Contrata-se um assassino, um matador de aluguel
que tenha na profissão bastante experiência.
Deve ser frio, calculista, insensível e cruel.
Exige-se carta de referência.

Quem o trabalho puder assumir,
favor encontrar-me na mais triste praça.
Direi que a vítima não vai reagir,
que é homem semimorto, descartável e sem graça.

Mas que seja certeiro o tiro ou o golpe do punhal:
não quero que o ferido se arrependa.
Melhor no coração, pra ser fatal.

Depois, já não haverá dor ou ferida.
E que o contratado não se surpreenda
ao saber que o pagamento é a minha vida
652

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.