Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Abençoada arena da minha deformidade, Espelho inconformado do meu eu intimidado, Imitando as travessuras da minúscula vida, Provocando a insuportável alma, Aos pleitos inflamados do medo, Rasgando a dor entre laços, Cultuando a miserável luxúria, Covardia do ser abatido.
Da altura da minha soberba despenco, Flutuando no espaço da mesquinha loucura, Vestida de vento debochando do escravo, Todo solene em seus nobres grilhões, Feito de tudo que é mais precioso, Possuindo tudo sem nada ter, Rindo da própria tragédia, Pronto a abraçar o seu infame destino.
No meio do caminho grita o nome da morte, De braços abertos sem cobiçar as núpcias eternas, Galante encontro de mágoa contrita, Lançando flores no leito petrificado, Sentindo o gosto insentido do fel ultrajante, Abissal embriaguez do noivo aguardado, Em seus trajes estranhos ao banquete, Abstrato conúbio indelével.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
786
Inerente destino
O tal destino, Perturbou-me com teu sorriso, Seguido de um olhar cativante, Angustiante desatino, Quando percebi meu caminho, Já estava em teus braços, Afeito de prazer e loucuras, Juras silenciosas entre sensações.
O tal destino, Sem interrogar-me, Levou-me nas asas do tempo, Sem se importar sobre o amor, Esta energia multicolorida entre pares, Divagando entre a vida e a morte, Apanágios de emoções convergentes, Apurando emoções itinerantes.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
246
Interstício
Haverá dias cansados, Que até o amor será tedioso, Qualquer palavra poderá ofender, Momentos que a tua humanidade, Pensará em desistir da vida, Tudo por um mal entendido.
Haverá beijos sem graça, comida sem sabor, Trabalho sem valor, Tantas coisas questionáveis, Que muitos valores ficariam confusos, Aos olhos ofuscados pela falta de silêncio.
Eis a alma necessitada de um tempo, O corpo implorando uma pausa, Para a continuidade segura do caminho, No intuito do eu reconhercer-se, Na beleza que o cerca, Na força da existência então sufocada.
Haverá sinais em tua face, Gritos interiores expansivos, Balançando a bandeira branca, Pedido trégua entre os combates, Tudo pela paz de espírito, Apelação do ser pela felicidade.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
259
procura-se o poeta
Procura-se o poeta, Entre tantos poemas de amor, Remexendo os escaninhos, Esquadrinhando os pensamentos, Cantinhos de um coração sereno, Moldado de sentimentos.
Procura-se o poeta nas esquinas, Nas trincheiras da vida, Ferido nas batalhas mortais, Cheio de tempo ao vento, Passeando nas nuvens, Colhendo letras no jardim das ilusões.
Procura-se o poeta no ades, No purgatório de sua sina, Sofrendo entre tantos sofrimentos, Sangrando sem sangrar, Parafraseando o próprio eu, Nas págimas em branco de sua aventura.
Procura-se o poeta faminto de dor, Artesão debaixo da chuva, Recitando seus versos ao nada, Repleto de sonhos quase infinitos, Brincando de faz de conta, Beijando a desconfiada existência.
Procura-se o poeta, Entre seus amores interiores, Vestido de coragem além de si, Cavalgando o desconhecido, Sem medo de tudo que há, Simplesmente sendo quem é.
Procura-se o poeta entre as reticências, Pontos,vírgulas e exclamações, Dialogando com a liberdade poética, Tendo nas mãos as rimas, Embriagadas pelos versos brancos, Tropeçando na métrica de sua ousadia..
Procura-se o poeta no poeta, No meio do tudo e do nada, visionando o infinito das coisas, Brincando no meio da luz, Olhando de longe a escuridão, Sem medo de gritar se preciso for.
Procura-se, o Poeta está em todas as formas, Imitando a multidão de olhares, Sendo o que deve ser, Das noites ao entardecer, Apaixonado em suas premissas.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
242
Sentido
Poesia é a composição de si no outro, Esculpindo pensamentos de todas as cores, Duas coisas que n'alma se revela, Beijando a humana flor das emoções, A transpor o infinito das palavras, Realidade constante de sentimentos, Resvalando o lume da imaginação, Instigando a natureza enfermiça.
Poesia são laços que se unem, Mosaico de ideias a refletir sensações, Maquiagem do abstrato nas mãos do artista, Êxtase da verdade retratada no silêncio, A dar vida ao que antes adormecia, Beleza diversa revestida de invólucros, Viajando entre o tudo e o nada, Aos olhos que tudo veem e nada percebe.
Poesias são alegorias divertidas, Enigmáticas generosidades assentidas, Transmutando labirintos na mente louca, Dando vozes aos mudos falantes Visão aos cegos que tudo vê, Vagando nas inconstâncias da vida, Subindo as escadas do tempo, Pleiteando a imortalidade.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
756
E daí?
Daí se somos diferentes? Se você anda de carro importado, E eu ando a pé? Se adoro fumar quando tenho vontade, Tomar um bom uísque, Ou quem sabe uma boa cachaça, Seja em casa ou num botequim? Qual o problema se ando de carro velho, Se estou fora de moda, Se falo palavrão ou não? Fora daqui com tanta hipocrisia, Vida de aparências para agradar o freguês, Esta louca vida de insanidades, Nas camadas sociais de intempéries, Repletas de esquisitices chatas. Mulheres são mulheres, Homens são homens, Travestidos ou não de suas escolhas, Estamos todos fadados a velhice, Toda sorte de emoções, Com a morte a caminhar ao nosso lado, A esperar o momento exato, Ou atender os apressados. Com rima ou sem rima, Métrica ou sem métrica, Se é um poema ou não, Pouco me importa as convenções, Nesta confusão de verdades vazias, Nudez das massas revestidas de santidade. Risos, muitos risos para este mundo, E seus artistas de mil faces, Palmas para os desavisados, Os sãos e suas certezas, Bebendo-se da sua imortalidade, Na imbecil clareza dos seus atos. Daí se esta poesia não faz sentido? Saiba que também não me importo, Pare de ler antes que enlouqueça, Ou me chame de energúmeno, Beijando minha ignorância aos seus olhos, Contamine a sua razão(Risos). Há coisas que importamos sem precisar, Outras que deveríamos nos importar, E simplesmente não ligamos, Nosso tempo é apressado demais, Até mesmo para continuar vivendo, Sob tanta pressão de ser gente. Vou parar por aqui, Faltou alguma coisa a dizer? Daí, o que me importa? Siga as suas conclusões, Há muitas coisas a dizer, Mas não sou dono da verdade, Estou apenas tentando quem sabe, Me rebelar num provável poema.(Risos)
330
caos
Onde está a loucura? O amor que me beija me escarra, Afinidades metamórficas da morte silenciosa, Desejos escusos ociosos sob a fúria, Tempestade de sentimentos bestiais, Inflando o ego doentio.
Eu te amo muito! Também te amo! És a mulher da minha vida, Você é o homem que sempre quis, O tempo passa... A flor da juventude e das emoções murcham. Onde está a paixão?
Nunca ouvi falar, Na verdade nunca te amei, Era só interesse, Você era linda e agora!? Você mudou tanto! Muitas mentiras maquiadas.
Diálogos homicidas, Objetos masculinos e femininos, Macho e fêmea ferindo-se na igualdade!? Disparidade de uma política suja, Inversão de valores contraditórios, Guerra entre os sexos impostos.
Mercenário amor de faces assombrosas, Infiéis palavras imposturadas, Estupidez aos ouvidos carentes, Vítimas condescendentes de si mesmas, Armadilhas da vida aos sem vida, Matando-se em migalhas venenosas.
Mulheres e homem assassinos, Vomitando seus vazios em suas celas, Procela de almas perdidas, Viciadas em suas íntimas corrupções, Escravizados em suas vaidades famintas, Lamentando-se após o funeral.
Dou-te a flor da dor, Linda promessa simulada, O que não tenho é teu, Até que a vida nos sangre, Réus desta sentença, Condeno-te ao caos alucinante.
486
Unicidade
Meu ser quer escultar a tua alma, Te amar na tua feminilidade constituindo-te, Seduzindo tua essência a cada olhar, Enamorando-se de tua intimidade feito poesia, Rendendo-se aos versos dos teus encantos, A fundir sonhos nas asas do espírito.
Meu ser ao teu amor sossega, Ávido desejo ao teu, Murmúrios do meu coração em teus poros, Singularidade dos nossos pensamentos, Ao preciso prazer reservado, Majestoso conúbio, ósculo do paraíso.
Meu ser é todo teu além do tempo, Recriando estrelas todas as noites, Imagem cintilante do teu sorriso, Quando nossos braços se entrelaçam, Incansável completude de felicidade, Aconchego dos teus lábios beijando-me.
Se faltarem palavras para descrevê-la, Por certo meu ser as inventará, Buscará no infinito os maiores significados, Para expressar a beleza das evidências, Feito um barco a vela apaixonado pelo vento, A velejar no teu mar de emoções.
Meu ser te amará para sempre, Sem deixá-la partir da nossa eternidade, O incompreensível findar da existência, Será a mansão das nossas núpcias infindas, Inspirando o amor entre as dimensões invisíveis, Unidos sob a confluência do universo.
225
Deslealdade
Tantas vezes gritei teu nome por amor, Desejando que ouvisse meu interior ferido, Triste pela falta da atenção perdida, Engolida pelo monstro da vaidade, A esmagar meu carente coração, Do primeiro olhar que se foi.
Nada entendia da vida vazia torturante, Sangrei pela dor do menosprezo, Um objeto cheio de repulsa, Um dia chamado de meu amor, No calor das emoções agora covardia, A quem te deu a fidelidade por amiga.
Golpeou não só o corpo já cansado, Mas também a alma suprimida, Olhando o descaso levar embora a felicidade, Esta nobre donzela escravizada, Pelo horror da traição doída, Arrancando pelos poros tantos sentimentos.
Seguirei por esta estrada tempestuosa, Firme aos propósitos do triunfo, Levando comigo os tesouros inseparáveis, Boas e más lembranças do meu destino, Esta semente lançada ao olho do furacão, Pronta a germinar no lugar fértil do recomeço.
277
Dois corpos
Quebrei o meu silêncio em tua direção, Tive coragem de enfrentar o medo de amar, Entreguei o meu coração em tuas mãos, Mesmo estando com a alma tímida, No desconhecido mundo deste sentimento, Tão novo quanto o teu olhar em mim.
Deixei o riso desconcertado ilustrar-me, Inquieto desejo em mãos trêmulas, Tendo o olhar perdido em confidências, A viajar no infinito da imaginação, Desenhando os beijos que ainda não te dei, Inquieto coração incandescente.
Meu pensamento canta o teu nome, Enquanto meu corpo eclode lentamente, Inebriado de fantasia cintilante, Buscando o seu interior de delícias, Tesouros corporais que me enriquece, Neste palácio de amores que me abriga.
Vou entre as curvas do caminho, De mãos dadas com a esperança, Olhando seu nome gravado nos astros, Este céu de estrelas que te revela, Na imensidão da nossa evidência, Sublime prodígio do destino.