~CJ

~CJ

Apenas vivo

n. 0000-09-14, Angola

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Desabafos Poéticos

O que escrevo são desabafos poéticos
muito além do carnal
são sonhos prometidos em mil razões
parábola para os céticos

Meus poemas são desejos cansados
sentenças não executadas de uma paixão
pedindo pra voltar

Minhas estrofes são amores pela metade
são sílabas abertas almejando o refrão
pra compor uma canção

Na minha poesia moram confissões infinitas
reflexões perplexas com tamanho desprezo
um preço a ser pago por devorar do pão que Judas amassou

Minhas palavras são anjos rumo ao precipício
são felicidades perdidas nos escombros
subindo as escadas para serem resgatadas pelos ombros

O que escrevo, são resgates de saudades...
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Poemas

11

Páginas de branco

Em páginas de nada, nosso amor se perdeu,
Um romance que findou, do desapego que aconteceu.
Não podemos ficar reféns de sentimentos confusos,
Entre linhas tortas, nossos sonhos se desfizeram, em prantos.

No palco da vida, encenamos um ato,
Mas o enredo se perdeu, virou descompasso abstrato.
Não somos prisioneiros de emoções mal compreendidas,
É tempo de libertar o coração, seguir novas trilhas.

Em cada verso, a despedida ecoa,
Entre as rimas, a saudade se entrelaça e voa.
Não podemos ser cativos do que já foi vivido,
É hora de seguir adiante, deixar o passado esquecido.

Páginas em branco aguardam novas histórias,
O desapego é a chave para conquistar memórias.
No adeus, encontramos a liberdade,
Rompendo correntes, descobrindo a verdade.

Não mais reféns de um amor que se esvai,
A despedida é a ponte para o que ainda virá.
Em cada linha, escrevemos nosso recomeço,
Desapego é a arte de soltar, de se reconhecer disperso.

~CJ
13

Palco vazio

Na dança sutil do destino, um recomeço se desenha,
Entre cosmos e estrelas, uma trama se emoldura, no canto.
Uma parte de mim, perdida na vastidão do céu,
Busca constelações de um amor, outrora tão singelo.

No palco da vida, onde a esperança dança,
Acabou-se o engano, restam só lembranças.
No silêncio das palavras não ditas,
Ecoam os suspiros de promessas não cumpridas.

Tentei refazer a pintura desbotada do afeto,
Mas as cores se perderam no vórtice do desafeto.
Em cada estrela cadente, um pedido ao universo,
Para que o amor renasça, como um verso disperso.

Mas a mão do tempo tem despojos implacáveis,
Desfazendo laços, tornando-nos vulneráveis.
Uma parte de mim se perde na imensidão,
Enquanto o coração chora a dor da solidão.

Cosmos testemunham o fim dessa ilusão,
E o que resta é a saudade, a melancolia em profusão.
No palco vazio, onde a história se encerra,
Acabou-se o engano, não há mais primavera.

A dança cessou, a música se desfez,
Resta apenas a cicatriz do que um dia se fez.
Entre estrelas e desenganos, o amor fracassado,
Deixa na alma a marca de um sonho malogrado.

~CJ
7

Recôndito das palavras

Ali sem ninguém, esperando pelos milagres de Deus,
os olhos cansados fixam o céu estrelado, onde as estrelas parecem lacrimejar em silente solidão. 
O vento sussurra segredos que o coração não ousa pronunciar,
e as sombras da noite dançam em torno, como espectros de sonhos desfeitos.

É ali, nesse vazio sombrio, que a esperança desvanece como uma vela queimada até a última gota de cera.
A solidão se torna uma prisão, e o silêncio, um grito que ecoa na alma.
Cada segundo parece uma eternidade, cada suspiro, um lamento profundo.

E naquela espera interminável, os anseios se transformam em mágoas, os suspiros em lágrimas.
O coração, agora é apenas um eco da tristeza que habita nesse lugar abandonado.

Ali, onde a fé desaparece e a escuridão se torna amiga, é onde a vida encontra seu lamento mais profundo.
A espera, o silêncio, a solidão... são testemunhas mudas do sofrimento que transcendem a compreensão.
E ali, ali é onde o coração anseia por um milagre que talvez nunca venha,
onde a dor se entrelaça com a alma, e a tristeza encontra seu lar.

Ali sem ninguém, permaneci só, no ápice da minha loucura.



~CJ
14

Breve despedida

Para quem nunca mais me viu
me verá pela última vez
Deitado em madeira
de olhos fechados
de terno que nunca antes
tivera vestido

Mas não lamentem minha partida
Pois a vida é efêmera, como uma estrela cadente
Cumpri meu papel, vivi minhas histórias
E agora parto, como um verso que se finda

Em lembranças e sorrisos, eu permanecerei
Nas histórias compartilhadas, no amor que doei

Não se entristeçam, pois na eternidade do tempo
Somos todos pó, dançando ao vento
Deixo a vida como quem encerra um poema,
Mas a essência do que fui, em vocês, é o meu lema.



~CJ
18

Caixa de Pandora

Na Caixa de Pandora, oculta em mistério,
Repousam males que afligem o peito,
Um cofre sombrio, cheio de fadário,
Segredos amargos que lanço ao vento.

Com promessas doces de esperança e sonhos,
Pandora abriu a caixa em um momento ingênuo,
Mas libertou dores e medos profundos,
A humanidade enfrentando um destino penoso.

Lágrimas caem como chuva incessante,
Da caixa escapam os males do mundo,
Tristeza e pesar, como sombras errantes,
Despertando temores, emaranhados no fundo.

As palavras da caixa, em silêncio ecoam,
Uma advertência eterna de nosso passado,
Para que saibamos, antes que sonhos se voem,
Que esperança e cuidado devem ser mantidos.

Na Caixa de Pandora, o pesar se esconde,
Mas também a lição, que não deve ser esquecida,
Que em meio à adversidade, ainda podemos responder,
Com coragem, compaixão e amor na vida.

Pois a esperança permanece, frágil e pequena,
Dentro da caixa, em meio à escuridão,
Lembrando-nos de que, mesmo nas trevas mais densas,
A luz pode surgir, trazendo redenção.

~CJ
18

Poeta dos lábios negros

Poeta dos lábios negros, alma sombria,
Canta versos tristes sob a luz da lua fria,
Seus olhos profundos refletem mágoas sem fim,
Em seu coração, tristeza é o único leme.

Com palavras melancólicas, ele tece sua canção,
Uma melodia de dor, lamento e solidão,
Sua voz ecoa como um suspiro da noite,
Um eco de tristeza, um grito de açoite.

Na penumbra, ele escreve, seu coração despedaçado,
Versos sombrios de um amor perdido, jamais encontrado,
A tinta em suas mãos mancha o papel em branco,
Como lágrimas escuras de um passado já extinto.

Seus versos são como sombras, densos e profundos,
Revelando segredos ocultos, sonhos quebrados em segundos,
O Poeta dos lábios negros, com sua pena de desgosto,
Compartilha sua dor, em cada verso, em cada grito.

Óh, Poeta dos lábios negros, tão solitário e triste,
Seu coração enegrecido pela dor que persiste,
Que sua poesia possa ser uma válvula de escape,
Um bálsamo para sua alma, para a tristeza que lhe cabe.

~CJ
10

Constantes Instantes

no breve olhar demorado
eternizavam-se loucuras finitas
pecados frívolos
arrependimentos repetidos

no curto toque no ombro
achou a cura da sua amargura
a sensatez do seu mundo
a conexão de dois imperfeitos

no rápido abraço eterno
construiu-se uma morada de saudades
uma vontade de parar o tempo
um instante em que tudo era perfeito

no beijo demorado
prolongavam-se os desejos
entristeceram os céus
deteriorava-se a alma

entre constantes instantes e instantes constantes havia a esperança de que fosse para sempre, mas não era para ser…
31

Na porta do adeus

..."Na porta do adeus, naquele lugar escuro
Onde as vozes das lágrimas imploravam por regresso
Por um recomeço, um novo começo, um novo florescer
Uma esperança antes da morte do nosso amor
Onde eu e as lágrimas repartiamos o sofrimento e
cada um chorava no seu momento
No olhar onde morava a paixão que apenas eu sabia cantar

Na porta do adeus, nos lembramos de coisas que nunca esquecemos
Dos momentos que estavam eternizados nos soluços da noite
Nas leis da gravidade do amor que por nós foi desafiado
Dos beijos dados perante todos e ninguém via
Do desejo de nos encontrar antes de nos perdermos
Das nossas agonias escritas, camufladas em poesias e prosa

Na porta do adeus, a paixão voou sem fim, sem dar um sorriso
Sem dizer os nossos nomes, sem sequer falar de amor
Esbanjei 1001 razões para ficar,
1000 motivos pra mudar
999 arrependimentos sufocados
Na porta do adeus, deixei escapar vários infinitos

Na porta do adeus, cada um seguiu o seu caminho
Em corpos separados, no mesmo horizonte
Em corpos cansados, condecorados de vazios
Na porta do adeus, ninguém quis partir"...
25

Fúnebres Sentimentos

busco inspiração
nas coisas mórbidas
despidas de prazer
nas dores, que eu mesmo me causei

busco inspiração
nos soluços sem lágrimas
oriundos de cada desgraça
que nunca deveriam existir
mas, se imortalizaram em mim

busco inspiração
debaixo das pontes
ouvindo os sussuros dos desconhecidos
que almejam a morte

busco inspiração
nos poemas que ainda não terminei
nos amores que não viverei
nas promessas que um dia cumprirei

busco inspiração
nos meus sentimentos fúnebres
23

Masoquista Apaixonado

cansei, de esperar pelos teus milagres
de já não desaguares em mim...

cansei, de ser o raso do profundo
de ser o amor de ninguém...

Cansei, de pedir esmola de algo que é propriedade minha, ou que pelo menos devia ser...

Cansei, de sentir pena de mim, de amar pelos dois, de dar, sem nada receber...

Disse que iria...
Que terminaria...
Que sairia caso não me sentisse amado
Mas num paciente com síndrome de Estocolmo me devo ter tornado
Quanto mais dói, mais sinto vontade de ficar, sou um masoquista apaixonado

Mas dor alguma é comparada aos átomos neutrões que no ar expeles
A água morna que serves
Ao tanto faz que fazes

E antes que eu perca a crença no amor
Me desfaço de ti...
E onde antes transbordava tal sentimento, só resta mágoa e rancor
Como nunca antes senti.
24

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