Poemas neste tema
Beleza
Carlyle Martins
A Ninfa
No bosque silencioso em que se inflama
o alto sol e onde as árvores em torno
Se condensam, formando implexa rama,
Passa um corpo de Ninfa, esbelto e morno.
É noite. Um luar de opala se derrama...
Nas clareiras, a Ninfa, — excelso adorno — ,
Teme um Sátiro audaz, de olhar em chama,
Que a persegue dos lagos no contorno.
Corre a Ninfa sutil no ermo do bosque
Através da intrincada ramaria,
Embora o mato às pernas se lhe enrosque,
Fugindo ao capro, célere recua:
— Do olhar mostrando a fulva pedraria
E o sereno esplendor da carne nua.
o alto sol e onde as árvores em torno
Se condensam, formando implexa rama,
Passa um corpo de Ninfa, esbelto e morno.
É noite. Um luar de opala se derrama...
Nas clareiras, a Ninfa, — excelso adorno — ,
Teme um Sátiro audaz, de olhar em chama,
Que a persegue dos lagos no contorno.
Corre a Ninfa sutil no ermo do bosque
Através da intrincada ramaria,
Embora o mato às pernas se lhe enrosque,
Fugindo ao capro, célere recua:
— Do olhar mostrando a fulva pedraria
E o sereno esplendor da carne nua.
2 085
Alfredo Castro
A Estátua de Sileno
Longo tempo no parque, entre a alegre verdura,
Às carícias do sol, na luz fina e fagueira,
Sileno, o velho deus, guardara a compostura
Firme na sua estátua, enramada em videira.
Mas um dia se espalma a asa pesada e escura
Da borraxa. Do céu vela-se a face inteira.
E um raio que desceu busca o parque, procura
A estátua e lança em terra o deus da bebedeira.
Ao tombar destronada, a figura grotesca,
Num acaso feliz, ficou mesmo com a cara
Encostada na relva umedecida e fresca.
Quem depois transitou por aquele caminho
Certamente pensou que o deus melhor ficara
Estendido no chão para curtir seu vinho!
Às carícias do sol, na luz fina e fagueira,
Sileno, o velho deus, guardara a compostura
Firme na sua estátua, enramada em videira.
Mas um dia se espalma a asa pesada e escura
Da borraxa. Do céu vela-se a face inteira.
E um raio que desceu busca o parque, procura
A estátua e lança em terra o deus da bebedeira.
Ao tombar destronada, a figura grotesca,
Num acaso feliz, ficou mesmo com a cara
Encostada na relva umedecida e fresca.
Quem depois transitou por aquele caminho
Certamente pensou que o deus melhor ficara
Estendido no chão para curtir seu vinho!
1 190
Antônio de Godói
Do Mês de Maria
O sagrado esplendor de curvas cinzeladas
No relevo imortal do corpo alabastrino!
(Maio é todo um cendal de violetas dobradas...
Roçam asas no azul adelgaçado e fino...)
Rosto feito a buril de espumas congeladas
Na redoma de luz de um luar opalino!
(Reflorescem rosais... nas noites consteladas
Erra um doce rumor de citara e violino...)
Ó Senhora, de olhar claro e puro de Santa,
Virgem pura do Céu que minha alma quebranta
(A brisa corre, o ambiente é fresco, o sol não arde.)
Dá-me o fulgor que bóia em teu olhar tristonho,
Para assim clarear a noite do meu Sonho...
(Vão cantando no azul as citaras da tarde... )
No relevo imortal do corpo alabastrino!
(Maio é todo um cendal de violetas dobradas...
Roçam asas no azul adelgaçado e fino...)
Rosto feito a buril de espumas congeladas
Na redoma de luz de um luar opalino!
(Reflorescem rosais... nas noites consteladas
Erra um doce rumor de citara e violino...)
Ó Senhora, de olhar claro e puro de Santa,
Virgem pura do Céu que minha alma quebranta
(A brisa corre, o ambiente é fresco, o sol não arde.)
Dá-me o fulgor que bóia em teu olhar tristonho,
Para assim clarear a noite do meu Sonho...
(Vão cantando no azul as citaras da tarde... )
809
Xavier de Carvalho
Flores do palco
Quando ela os braços, em feitiços, alça
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;
Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;
Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...
E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;
Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;
Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...
E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!
1 089
Antônio Chaves
Descendo o Parnaíba
Nas águas, vê que límpidas bonanças...
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.
Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!
Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...
Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.
Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!
Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...
Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!
998
Américo Facó
Ed
Cinja-lhe a fronte e cinja-lhe os cabelos
A coroa de pâmpanos virente,
E abra-lhe, a meio, a boca em riso ardente,
Porém um riso que provoque zelos...
E vistam-na depois, com mil desvelos,
Do grego manto leve e transparente,
Deixando livre o colo e a pele quente
Dos braços nus — que assim é melhor vê-los.
E, — assim vestida, à moda primitiva
Da Frinéia pagã, — a luz serena
Do seu olhar se torne mais cativa,
Mais lânguida e mais doce! — e Ed, a morena,
Há de surgir mais casta à luz mais viva,
Plena de mais pureza e graça plena...
A coroa de pâmpanos virente,
E abra-lhe, a meio, a boca em riso ardente,
Porém um riso que provoque zelos...
E vistam-na depois, com mil desvelos,
Do grego manto leve e transparente,
Deixando livre o colo e a pele quente
Dos braços nus — que assim é melhor vê-los.
E, — assim vestida, à moda primitiva
Da Frinéia pagã, — a luz serena
Do seu olhar se torne mais cativa,
Mais lânguida e mais doce! — e Ed, a morena,
Há de surgir mais casta à luz mais viva,
Plena de mais pureza e graça plena...
883
Alberto Ramos
Esta Concha Nasceu, Como Vênus, da Onda
Esta concha nasceu, como Vênus, da onda,
rósea, láctea, polida, intacta e sem defeito.
Não tinham tanto preço as gemas de Golconda.
Semelha um coração acabado e perfeito.
Escuta e lhe ouvirás um burburinho estranho
de ondas batendo ao longe em criptas de granito.
Ei-la, é tua! Uma flor a excedera em tamanho!
Mas dentro ruge o mar, infinito, infinito.
rósea, láctea, polida, intacta e sem defeito.
Não tinham tanto preço as gemas de Golconda.
Semelha um coração acabado e perfeito.
Escuta e lhe ouvirás um burburinho estranho
de ondas batendo ao longe em criptas de granito.
Ei-la, é tua! Uma flor a excedera em tamanho!
Mas dentro ruge o mar, infinito, infinito.
1 041
Vitor Casimiro
Cadência
Não conto
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
968
Rodrigo Otávio
Na Alcova da Sultana
Na azul e perfumada alcova em que ela dorme,
Dorme também aos pés da cama aurilavrada
De um urso branco a pele aveludada, enorme,
De pérolas azuis e gema entressachada.
Sai da rubra goela hiante, escancarada,
Pontiaguda, eriçada a dentadura informe,
Guardando noite e dia a azul e perfumada
Alcova em que a gentil sultana sonha e dorme.
Quando o sol de manhã no leito vem beijá-la,
As pálpebras descerra, os braços estendendo
No ar, aberto o roupão de linho cor de opala.
Sai do leito: no quarto entorna-se um perfume,
E os olhos de esmeralda o urso crava com ciúme,
No espelho, um outro olhar, cúpido a vê-la, vendo.
Dorme também aos pés da cama aurilavrada
De um urso branco a pele aveludada, enorme,
De pérolas azuis e gema entressachada.
Sai da rubra goela hiante, escancarada,
Pontiaguda, eriçada a dentadura informe,
Guardando noite e dia a azul e perfumada
Alcova em que a gentil sultana sonha e dorme.
Quando o sol de manhã no leito vem beijá-la,
As pálpebras descerra, os braços estendendo
No ar, aberto o roupão de linho cor de opala.
Sai do leito: no quarto entorna-se um perfume,
E os olhos de esmeralda o urso crava com ciúme,
No espelho, um outro olhar, cúpido a vê-la, vendo.
983
Salomé Queiroga
Retrato da Mulata
Crespa madeixa
Partida em duas,
As fontes tuas
Cercando assim,
Parece largo
Diadema airoso
De muito lustroso
Preto cetim.
Que bem te assentam
Faces vermelhas
E sobrancelhas
Cor de carvão!
jabuticabas
Frescas, brilhantes,
Como diamantes
Teus olhos são.
Se a mim os volves
Amortecidos,
E derretidos
Em doce amor,
As negras franjas
A custo abrindo,
E despargindo
Terno langor!
Ah! que então sinto
Um tão amável,
Tão inefável,
Vivo prazer,
Que extasiado
No gozo ativo
Se morro ou vivo
Não sei dizer.
Em tuas faces
Brilha serena
A cor morena
Do buriti:
Teus lábios vertem
Rósea frescura,
Cheiro e doçura
Do jataí.
E quando os abre
Do rir e ensejo,
Pérolas vejo
Entre corais:
Como são belos
Assim molhado!
De amor gerados
Me arrancam ais.
Para roubar-me
Cinco sentidos,
Tens escondidos
Certos ladrões
Dentro do seio,
Bem disfarçados,
E transformados
Em dois limões.
A tua airosa
Bela cintura
O gosto apura
Em estreitar,
E o mais que à vista
O pejo oculta
Vontade exulta
Só de pensar.
Já que pintei-te,
Minha querida,
Vênus nascida
Cá no Brasil,
Em prêmio dai-me
Muxoxos, queixas,
Quindins, me deixas,
E beijos mil.
Partida em duas,
As fontes tuas
Cercando assim,
Parece largo
Diadema airoso
De muito lustroso
Preto cetim.
Que bem te assentam
Faces vermelhas
E sobrancelhas
Cor de carvão!
jabuticabas
Frescas, brilhantes,
Como diamantes
Teus olhos são.
Se a mim os volves
Amortecidos,
E derretidos
Em doce amor,
As negras franjas
A custo abrindo,
E despargindo
Terno langor!
Ah! que então sinto
Um tão amável,
Tão inefável,
Vivo prazer,
Que extasiado
No gozo ativo
Se morro ou vivo
Não sei dizer.
Em tuas faces
Brilha serena
A cor morena
Do buriti:
Teus lábios vertem
Rósea frescura,
Cheiro e doçura
Do jataí.
E quando os abre
Do rir e ensejo,
Pérolas vejo
Entre corais:
Como são belos
Assim molhado!
De amor gerados
Me arrancam ais.
Para roubar-me
Cinco sentidos,
Tens escondidos
Certos ladrões
Dentro do seio,
Bem disfarçados,
E transformados
Em dois limões.
A tua airosa
Bela cintura
O gosto apura
Em estreitar,
E o mais que à vista
O pejo oculta
Vontade exulta
Só de pensar.
Já que pintei-te,
Minha querida,
Vênus nascida
Cá no Brasil,
Em prêmio dai-me
Muxoxos, queixas,
Quindins, me deixas,
E beijos mil.
1 208
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Do eterno motivo
Quando nasceu o amor na humanidade,
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
826
Samuel Nogueira Filho
O Soneto Imortal
Beleza está patente é na simplicidade...
O alexandrino, bem se pode consagrar...
A poesia aparece... Aflora, e na verdade
um verso musical nem precisa rimar...
Se rima, tem a forma, é melhor. Recitar
um soneto rimado é prazer. E quem há de
um soneto de cor não querer declamar
em vez de lê-lo escrito, e ter dificuldade?
Palavras, expressões, todas da mesma gama
em português castiço alguém jamais reclama
nem vai ao Dicionário. Eis do escritor o ideal.
Quem não gosta de ver seu soneto falado
em recital qualquer? Vê-lo ser aclamado,
aquele que fará seu autor imortal?
O alexandrino, bem se pode consagrar...
A poesia aparece... Aflora, e na verdade
um verso musical nem precisa rimar...
Se rima, tem a forma, é melhor. Recitar
um soneto rimado é prazer. E quem há de
um soneto de cor não querer declamar
em vez de lê-lo escrito, e ter dificuldade?
Palavras, expressões, todas da mesma gama
em português castiço alguém jamais reclama
nem vai ao Dicionário. Eis do escritor o ideal.
Quem não gosta de ver seu soneto falado
em recital qualquer? Vê-lo ser aclamado,
aquele que fará seu autor imortal?
1 011
José Carlos Souza Santos
Na Janela
Veja essa moça na janela
repare bem nos olhos dela
Veja em seus olhos e leia
no verde daqueles campos
quanta esperança de luz
Veja como se aninha
lá em cima entre os cílios
um clarão de bem luzir
Veja essa moça na janela
repare bem nos olhos dela
Veja quantas serenatas
dançando em suas pupilas
e quantos nomes e datas
brincando de recordar
Veja essa moça na janela
não repare bem nos olhos dela
Veja suas mãos
um lírio pálido de aflição
Veja o seio que escorre
deslembrado
Veja os gestos
esquecidos e cansados
Veja aquele corpo
que se esconde na janela
e em nada se assemelha
à dona daqueles olhos
Quanto ingrato é o tempo meus Deus !
apagou toda a beleza naquela mulher
e para marcá-la mais ainda
plantou viva nos seus olhos
a semente das lembranças.
repare bem nos olhos dela
Veja em seus olhos e leia
no verde daqueles campos
quanta esperança de luz
Veja como se aninha
lá em cima entre os cílios
um clarão de bem luzir
Veja essa moça na janela
repare bem nos olhos dela
Veja quantas serenatas
dançando em suas pupilas
e quantos nomes e datas
brincando de recordar
Veja essa moça na janela
não repare bem nos olhos dela
Veja suas mãos
um lírio pálido de aflição
Veja o seio que escorre
deslembrado
Veja os gestos
esquecidos e cansados
Veja aquele corpo
que se esconde na janela
e em nada se assemelha
à dona daqueles olhos
Quanto ingrato é o tempo meus Deus !
apagou toda a beleza naquela mulher
e para marcá-la mais ainda
plantou viva nos seus olhos
a semente das lembranças.
1 035
Sérgio Milliet
Paris
Crepúsculos longos impressionistas
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
1 522
Rodrigo Carvalho
Distante Perfeição
Há tempos,
sinto um desejo
que impulsiona-me a cada dia,
como agora.
Gostaria de ter tua presença,
mesmo que fosse somente para contemplar
toda esta tua beleza doce.
Não estabeleceria regras,
nem mediria as palavras.
Apenas expressaria-me para você
com todo o meu desejo.
Gostaria de por em prática
toda a perfeição do meu sentir.
Gostaria de deixar-me envolver por você
muito mais do que já estou.
E aí você já estaria envolvida.
Gostaria de ser capaz.
Apenas capaz.
Capaz de fazer com que você também sentisse o mesmo.
O mesmo sentimento que habita em mim.
Só assim você entenderia os meus desejos.
Desejos tais que não excerço domínio algum,
pois o poder deste domínio,
é só você quem possui.
Salvador, 16 maio de 1996
sinto um desejo
que impulsiona-me a cada dia,
como agora.
Gostaria de ter tua presença,
mesmo que fosse somente para contemplar
toda esta tua beleza doce.
Não estabeleceria regras,
nem mediria as palavras.
Apenas expressaria-me para você
com todo o meu desejo.
Gostaria de por em prática
toda a perfeição do meu sentir.
Gostaria de deixar-me envolver por você
muito mais do que já estou.
E aí você já estaria envolvida.
Gostaria de ser capaz.
Apenas capaz.
Capaz de fazer com que você também sentisse o mesmo.
O mesmo sentimento que habita em mim.
Só assim você entenderia os meus desejos.
Desejos tais que não excerço domínio algum,
pois o poder deste domínio,
é só você quem possui.
Salvador, 16 maio de 1996
897
Sérgio José Rodrigues Saraiva
KaReN é belo nome feminino
KaReN é belo nome feminino,
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
625
Joaqim Serra
A Minha Madona
Oh, tão formosa, custa crê-la humana!
(Macedo)
Alva, mais alva do que o branco cisne
Que lá nas ondas se mergulha e lava;
Alva como um vestido de noivado,
Mais alva, ainda mais alva...
Loira, mais loira do que a nuvem linda
Que o sol à tarde no poente doira;
Loira como uma virgem ossianesca,
Mais loira, ainda mais loira...
Bela, mais bela que o raiar da aurora
Após noite hibernal, negra procela;
Bela como uma cisma de poeta,
Mais bela, ainda mais bela...
Doce, mais doce que o gemer da brisa;
Como se deste mundo ela não fosse;
Doce como os cantares dos arcanjos,
Mais doce, ainda mais doce...
Casta, mais casta que a mimosa folha,
Que se constringe, que da mão se afasta;
Casta como a Madona imaculada,
Mais casta, ainda mais casta.
(Macedo)
Alva, mais alva do que o branco cisne
Que lá nas ondas se mergulha e lava;
Alva como um vestido de noivado,
Mais alva, ainda mais alva...
Loira, mais loira do que a nuvem linda
Que o sol à tarde no poente doira;
Loira como uma virgem ossianesca,
Mais loira, ainda mais loira...
Bela, mais bela que o raiar da aurora
Após noite hibernal, negra procela;
Bela como uma cisma de poeta,
Mais bela, ainda mais bela...
Doce, mais doce que o gemer da brisa;
Como se deste mundo ela não fosse;
Doce como os cantares dos arcanjos,
Mais doce, ainda mais doce...
Casta, mais casta que a mimosa folha,
Que se constringe, que da mão se afasta;
Casta como a Madona imaculada,
Mais casta, ainda mais casta.
929
Sérgio de Mesquita Serra
Haicai
A lua aparece.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
1 582
Sílvia Mera
Haicai
Luz prateada de noite cheia
Luz clareando
Reflexo de gaivotas
Dança de mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas
Luz clareando
Reflexo de gaivotas
Dança de mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas
927
Silva Dutra
Soneto da Amiga Andando na Praia
Dá gosto vê-la andando na praia,
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
1 080
João Augusto Sampaio
Índia
Nunca houve,
Não há,
Nem jamais haverá
Fila indiana mais bela e malemolente
Que o coqueiral entre as dunas do Rio Capivara Grande e o Atlântico,
Na Aldeia Hippie de Arembepe,
Quando visto de sudoeste,
Banhado pela luz das 5:15 nas tardes de Verão.
Jamais verão.
Aldeia Hippie, cinco e quinze da tarde de 1/1/1997 AD
Não há,
Nem jamais haverá
Fila indiana mais bela e malemolente
Que o coqueiral entre as dunas do Rio Capivara Grande e o Atlântico,
Na Aldeia Hippie de Arembepe,
Quando visto de sudoeste,
Banhado pela luz das 5:15 nas tardes de Verão.
Jamais verão.
Aldeia Hippie, cinco e quinze da tarde de 1/1/1997 AD
897
Sousa Caldas
Aos Anos de uma Menina
Não creias, gentil Márcia, na pintura
Com que malignos Gênios figuraram
O veloz Tempo, quando a mão lhe armara
De cruenta, implacável foice dura.
Inimigo fatal da formosura,
Com fantásticas cores o pintaram;
E nem ser ele, ao menos, acenaram
Quem desenvolve as graças da figura.
Qual cerrado botão de fresca rosa,
Que o ligeiro volver de um novo dia
Abre, e transforma em flor a mais mimosa:
Tal, a infantil beleza, inerte e fria,
De ano em ano se torna mais formosa,
E novo brilho, novas graças cria.
Com que malignos Gênios figuraram
O veloz Tempo, quando a mão lhe armara
De cruenta, implacável foice dura.
Inimigo fatal da formosura,
Com fantásticas cores o pintaram;
E nem ser ele, ao menos, acenaram
Quem desenvolve as graças da figura.
Qual cerrado botão de fresca rosa,
Que o ligeiro volver de um novo dia
Abre, e transforma em flor a mais mimosa:
Tal, a infantil beleza, inerte e fria,
De ano em ano se torna mais formosa,
E novo brilho, novas graças cria.
1 057
Renato Russo
Leila
Estou pensando em você
Quero lhe ver
Mas nesse horário você deve estar
Pegando os filhotes no colégio
Depois chegar em casa
Ver o resto de tudo
E quando vem o silêncio
Fumar unzinho e fumar Coltrane
Não faço mais isso mas entendo muito bem
Adoro os teus cabelos
Adoro a tua voz
Adoro teu estilo
Adoro tua paz de espírito
O encanador te deixou na mão
Tem reunião do condomínio
O telefone não dá linha
E o chuveiro tá dando choque
Tem uma barata voadora no quarto das crianças
E os monstrinhos estão gritando alucinados
Pra eles tudo é diversão
Mas você sabe o eu é ter pavor pavor pavor de baratas voadoras
E você diz daquele seu jeito: - Ai, preciso de um homem
E eu digo: - Ah, Leila! Eu também
E a gente ri
Você monta suas fotos para exposição
Promete trabalhar mais com o computador
E terminar seu vídeo até setembro
Ter que pegar o carro no conserto
Ver a conta do banco, cartão, IPTU
Sábado vai ter peixada na Analú
E domingo, cachorro-quente com as crianças na Fernanda
Adoro teu olhar
Adoro tua força
E adoro dizer seu nome: Leila
Às vezes as coisas são difíceis, minha amiga
Mas você sabe enfrentar a beleza dessa vida
Adoro dizer seu nome: Leila, Leila, Leila
Quero lhe ver
Mas nesse horário você deve estar
Pegando os filhotes no colégio
Depois chegar em casa
Ver o resto de tudo
E quando vem o silêncio
Fumar unzinho e fumar Coltrane
Não faço mais isso mas entendo muito bem
Adoro os teus cabelos
Adoro a tua voz
Adoro teu estilo
Adoro tua paz de espírito
O encanador te deixou na mão
Tem reunião do condomínio
O telefone não dá linha
E o chuveiro tá dando choque
Tem uma barata voadora no quarto das crianças
E os monstrinhos estão gritando alucinados
Pra eles tudo é diversão
Mas você sabe o eu é ter pavor pavor pavor de baratas voadoras
E você diz daquele seu jeito: - Ai, preciso de um homem
E eu digo: - Ah, Leila! Eu também
E a gente ri
Você monta suas fotos para exposição
Promete trabalhar mais com o computador
E terminar seu vídeo até setembro
Ter que pegar o carro no conserto
Ver a conta do banco, cartão, IPTU
Sábado vai ter peixada na Analú
E domingo, cachorro-quente com as crianças na Fernanda
Adoro teu olhar
Adoro tua força
E adoro dizer seu nome: Leila
Às vezes as coisas são difíceis, minha amiga
Mas você sabe enfrentar a beleza dessa vida
Adoro dizer seu nome: Leila, Leila, Leila
1 636
Renata Trocoli
Princesa dos cabelos negros
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
1 119