Poemas neste tema
Beleza
Romero Tavares da Silva
Saudade
Saudade em mim não falta
Por ter conhecido singela dama
Moça de estirpe tão alta
Que por ela todo o meu ser clama.
A princípio notei seu perfume
Me aproximei e percebi seu encanto
Me enredei em situação tão grave
Mas depois, sua lembrança foi um acalanto.
Acalanto do qual eu fugia
Como antigamente em alto mar temia
O marinheiro, da sereia, o canto.
Ao voltar como cometa ou estrela Dalva
Ela me ofuscou com sua tez tão alva
Que seu fulgor ainda me causa espanto.
Por ter conhecido singela dama
Moça de estirpe tão alta
Que por ela todo o meu ser clama.
A princípio notei seu perfume
Me aproximei e percebi seu encanto
Me enredei em situação tão grave
Mas depois, sua lembrança foi um acalanto.
Acalanto do qual eu fugia
Como antigamente em alto mar temia
O marinheiro, da sereia, o canto.
Ao voltar como cometa ou estrela Dalva
Ela me ofuscou com sua tez tão alva
Que seu fulgor ainda me causa espanto.
905
Renato Russo
Lâge Dor
Aprendi a esperar mas não tenho mais certeza
Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa
Contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria
Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento
Não houve harmonia entre ação e pensamento
Qual é o teu nome, qual é o teu signo ?
Teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito
Qual é o teu arcano, tua pedra preciosa -
Acho tocante acreditares nisso
Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus
Tudo que já fiz foi por vaidade
Jesus foi traído com um beijo
Davi teve um grande amigo
E não sei mais se é só questão de sorte
Eu vi uma serpente entrando no jardim
Vai ver que é de verdade desta vez
Meu tornozelo coça, por causa de mosquito
Estou com os cabelos molhados, me sinto limpo
Não existe beleza na miséria
E não tem volta por aqui
Vamos tentar outro caminho
Estamos em perigo, só que ainda não entendo
É que tudo faz sentido
E não sei mais se é só questão de sorte
Não sei mais não sei mais não sei mais
Oh, oh
Lá vem os jovens gigantes de mármore
Trazendo anzóis na palma da mão
Não é belo todo e qualquer mistério ?
O maior segredo é não haver mistério algum
Come share my life (Instrumental)
Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa
Contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria
Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento
Não houve harmonia entre ação e pensamento
Qual é o teu nome, qual é o teu signo ?
Teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito
Qual é o teu arcano, tua pedra preciosa -
Acho tocante acreditares nisso
Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus
Tudo que já fiz foi por vaidade
Jesus foi traído com um beijo
Davi teve um grande amigo
E não sei mais se é só questão de sorte
Eu vi uma serpente entrando no jardim
Vai ver que é de verdade desta vez
Meu tornozelo coça, por causa de mosquito
Estou com os cabelos molhados, me sinto limpo
Não existe beleza na miséria
E não tem volta por aqui
Vamos tentar outro caminho
Estamos em perigo, só que ainda não entendo
É que tudo faz sentido
E não sei mais se é só questão de sorte
Não sei mais não sei mais não sei mais
Oh, oh
Lá vem os jovens gigantes de mármore
Trazendo anzóis na palma da mão
Não é belo todo e qualquer mistério ?
O maior segredo é não haver mistério algum
Come share my life (Instrumental)
1 022
Roberto Pontes
As Nuvens
As nuvens são sempre puras
em qualquer lugar e tempo.
A rosa-dos-ventos flora
e a ampulheta
filtra tênues detritos
de azul contaminação.
Entre as coisas de perene fluxo
as nuvens são sempre puras.
em qualquer lugar e tempo.
A rosa-dos-ventos flora
e a ampulheta
filtra tênues detritos
de azul contaminação.
Entre as coisas de perene fluxo
as nuvens são sempre puras.
1 139
Rogério F. P.
Oh, mulher triste!
Oh, mulher triste!
Sua tez fúnebre relembra
a palidez das mais altas montanhas
em seu cume. E ao mais álgido
mármore causas inveja.
Sopesa as tristezas infindas provenientes da alma.
E a angústia resultante aplacas com a calma, que
pela vastidão, se percebe embotados nesses olhos de anil.
Oh, mulher de olhos fulgurantes!
Se a morte tivesse consciência
de sua implícita beleza
jamais a levaria nesta noite calma de amantes.
Sua tez fúnebre relembra
a palidez das mais altas montanhas
em seu cume. E ao mais álgido
mármore causas inveja.
Sopesa as tristezas infindas provenientes da alma.
E a angústia resultante aplacas com a calma, que
pela vastidão, se percebe embotados nesses olhos de anil.
Oh, mulher de olhos fulgurantes!
Se a morte tivesse consciência
de sua implícita beleza
jamais a levaria nesta noite calma de amantes.
788
Rogério F. P.
Como consegues, em tua mais pura inocência
Como consegues, em tua mais pura inocência
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
987
Paulo Augusto Rodrigues
Astral
Energia incandescente
Baixando ao fundo.
Algo cosméticamente simples
Retocado de pureza.
O sentido ingênuo da admiração aguçado
Pela beleza repetidamente nova.
A indecência do vermelho
A força do amarelo.
E a nós, só nos cabe ver e sentir
Enquanto dure este momento mágico.
Baixe sol,
Porque amanhã quero vê-lo nascer.
Baixando ao fundo.
Algo cosméticamente simples
Retocado de pureza.
O sentido ingênuo da admiração aguçado
Pela beleza repetidamente nova.
A indecência do vermelho
A força do amarelo.
E a nós, só nos cabe ver e sentir
Enquanto dure este momento mágico.
Baixe sol,
Porque amanhã quero vê-lo nascer.
980
Renata Trocoli
Moreno
Moreno
Lá vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braços,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como só ele sabe fazer.
Lá vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos tão negros
e seus lábios macios.
Sua voz me embala,
e me abraçando me diz com ternura
que me ama e que me quer só pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro alguém!!!
E quando ele sorri!??
Não há nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malícia de alguém que
não mais um menino é.
Vem então ele a me amar
como nunca alguém foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que só ele sabe me dar!
Lá vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braços,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como só ele sabe fazer.
Lá vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos tão negros
e seus lábios macios.
Sua voz me embala,
e me abraçando me diz com ternura
que me ama e que me quer só pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro alguém!!!
E quando ele sorri!??
Não há nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malícia de alguém que
não mais um menino é.
Vem então ele a me amar
como nunca alguém foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que só ele sabe me dar!
877
Renata Trocoli
Princesa dos Cabelos Negros
Princesa dos Cabelos Negros
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha até mim,
me abraça e
me ama como se fosse teu único amor,
teu único anseio.
Abraça-me com força
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas mãos meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus lábios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha até mim,
me abraça e
me ama como se fosse teu único amor,
teu único anseio.
Abraça-me com força
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas mãos meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus lábios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
1 949
Raimundo Correia
Ser Moça e Bela Ser
Ser moça e bela ser, por que é que lhe não basta?
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
2 728
Raquel Naveira
Jasmim-do-Cabo
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
1 448
Raquel Naveira
Elegância Suprema
Caminho por um tapete violeta
Estendido sobre nuvens.
Como é suntuosa tua morada!
Gotículas de chuva
Cristalizam-se em diamantes
E raios de sol
Pendem das colunas
Como correntes de ouro!
Meu rei, meu Senhor!
Quanto fausto!
Quanto brilho
Na tua túnica,
Na tua coroa,
No escabelo
A teus pés!
Por que ocultaste até o último instante que eras rei?
Por que não trouxeste teu séquito de anjos?
Tuas hordas,
Teus leões,
Tuas trombetas?
Por que te abandonaste a ti mesmo?
Indefeso,
Preso ao madeiro
Como fruto apodrecido?
Meu rei, meu Senhor!
Que suprema elegância!
O manto,
O cetro,
O olhar que me lanças
E que gera e mim a ânsia de combate,
A fé segura,
O equilíbrio.
Como eu poderia adivinhar
Que um homem era Deus?
Estendido sobre nuvens.
Como é suntuosa tua morada!
Gotículas de chuva
Cristalizam-se em diamantes
E raios de sol
Pendem das colunas
Como correntes de ouro!
Meu rei, meu Senhor!
Quanto fausto!
Quanto brilho
Na tua túnica,
Na tua coroa,
No escabelo
A teus pés!
Por que ocultaste até o último instante que eras rei?
Por que não trouxeste teu séquito de anjos?
Tuas hordas,
Teus leões,
Tuas trombetas?
Por que te abandonaste a ti mesmo?
Indefeso,
Preso ao madeiro
Como fruto apodrecido?
Meu rei, meu Senhor!
Que suprema elegância!
O manto,
O cetro,
O olhar que me lanças
E que gera e mim a ânsia de combate,
A fé segura,
O equilíbrio.
Como eu poderia adivinhar
Que um homem era Deus?
1 285
Antero de Quental
Intimidade
Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobicosa,
Es bela - e se te nao comparo a rosa,
E que a rosa, bem ves, passou de moda...
Anda-me as vezes a cabeca a roda,
Atras de ti tambem, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidao ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.
Mas e na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!
E nao te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo, Juras
- mentindo - que me tens amor...
Essa gente te mira cobicosa,
Es bela - e se te nao comparo a rosa,
E que a rosa, bem ves, passou de moda...
Anda-me as vezes a cabeca a roda,
Atras de ti tambem, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidao ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.
Mas e na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!
E nao te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo, Juras
- mentindo - que me tens amor...
2 515
Paulo Silva Ribeiro
O Rio
O Rio
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
966
Pereira da Silva
Impressão
Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
813
Paula Nei
Tu és Minha
Tu és minha, afinal. Enfim te vejo
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
961
José Maria de Barros Pinho
Ode ao Amor do Mar
Gosto do mar
pelo absurdo
sensual
de suas sereias
pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis
pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas
gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores
gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas
gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.
pelo absurdo
sensual
de suas sereias
pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis
pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas
gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores
gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas
gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.
945
Papiniano Carlos
Cântico
Belo é ver florir os galhos
das velhas árvores.
E ver chegar as aves
que voltam do Sul.
Belo é o sangue rubro
dum lanho fresco,
e o riso que nasce
das nossas palavras.
Belo é o vir da manhã
sobre os telhados nus
das cidades brancas.
E mais belo ainda
que este sol visível
enflorando, amor,
teus longos cabelos
de guizos dourados:
mais belos que os ventos
cavalgando as nuvens
e dizendo-nos: vinde!,
e que o meu gênio abrindo
suas asas nos céus:
Mais belo que o fluir
silente desta célula
fluindo nos cosmos:
Mais belo, amor,
que a tua própria beleza
é este sol inviolável,
rútilo, no fundo de nós.
das velhas árvores.
E ver chegar as aves
que voltam do Sul.
Belo é o sangue rubro
dum lanho fresco,
e o riso que nasce
das nossas palavras.
Belo é o vir da manhã
sobre os telhados nus
das cidades brancas.
E mais belo ainda
que este sol visível
enflorando, amor,
teus longos cabelos
de guizos dourados:
mais belos que os ventos
cavalgando as nuvens
e dizendo-nos: vinde!,
e que o meu gênio abrindo
suas asas nos céus:
Mais belo que o fluir
silente desta célula
fluindo nos cosmos:
Mais belo, amor,
que a tua própria beleza
é este sol inviolável,
rútilo, no fundo de nós.
1 923
Oscar Rosas
Sereia
Reparem nesse bronze, veia a veia,
Cornucópia de seios e de escama,
Obra de um japonês, em que o Fusi-Iama
Adora o mar em enluarada areia.
Canta, e essa harmonia nos golpeia.
É duma triste e solitária gama,
Porém aumenta desse bronze a fama
O olhar amortecido da sereia.
Penso que sonha o pólo e o nevoeiro,
E a pálida talhada de um crescente
Num céu de véus de noiva e jasmineiro.
E, como búzio a referver, ressoa
Numa langue preguiça de serpente,
Num êxtase nostálgico de leoa.
Cornucópia de seios e de escama,
Obra de um japonês, em que o Fusi-Iama
Adora o mar em enluarada areia.
Canta, e essa harmonia nos golpeia.
É duma triste e solitária gama,
Porém aumenta desse bronze a fama
O olhar amortecido da sereia.
Penso que sonha o pólo e o nevoeiro,
E a pálida talhada de um crescente
Num céu de véus de noiva e jasmineiro.
E, como búzio a referver, ressoa
Numa langue preguiça de serpente,
Num êxtase nostálgico de leoa.
1 336
Olinda Marques de Azevedo
Verão
Suco de manga
a escorrer pelas mãos
pingos de ouro.
Sutis vaga-lumes
acendem suas luzes.
Baile na floresta.
a escorrer pelas mãos
pingos de ouro.
Sutis vaga-lumes
acendem suas luzes.
Baile na floresta.
913
Noel Rosa
Cidade Mulher
Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração
Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher
Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração
Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher
Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.
973
Oliveira Neto
Silhueta Pagã
Não sei donde surgiu. Mas de repente
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
874
Noel Nascimento
Por quê?
Se eu amo
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
889
Noel Nascimento
RosAmor
Tenho um sentimento concreto,
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
858
Ismael Nery
A Noiva do Poeta
A minha noive se reparte toda nas minhas quatro amantes
Sara, Ester, Rute e raquel
Sara tem o seu ar e o seu corpo,
Ester a sua cor e os seus cabelos,
Rute tem o seu olhar e seu andar,
Raquel tem sua boca e sua voz,
A minha noiva magnífica só existe
Na minha imaginação.
Sara, Ester, Rute e raquel
Sara tem o seu ar e o seu corpo,
Ester a sua cor e os seus cabelos,
Rute tem o seu olhar e seu andar,
Raquel tem sua boca e sua voz,
A minha noiva magnífica só existe
Na minha imaginação.
836