Poemas neste tema
Tempo e Passagem
Felipe Larson
NÃO LEMBRE DO TEMPO
Perco a estrada, perco a viajem,
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
942
Felipe Larson
HASSYN
Passo a passo, perco o passo
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
636
Felipe Vianna
SÉCULO XXI, O SÉCULO AS BOA ESPERANÇA
Ainda que não havemos vista
Sabemos que lá está
Pois as gaivotas nos guiam
E,
Da terra firme não vão arredar.
Nas tormentas deste século,
Terra firme o século XXI será.
E quando este nos for dado,
Em festejos, um champanhe derramar-se-á.
As luzes que esta terra levará ao céu
Em fogos de artifícios,
Pólvora bem gasta será.
Pois,
São as Índias que Deus nos passa.
O sal das lágrimas
Que salgou o mar,
Não mais salgará.
E que o bom Deus
Proteja nossos passos
E proveja-nos de água fresca,
Comida e terrenos fartos.
21/12/2000
Sabemos que lá está
Pois as gaivotas nos guiam
E,
Da terra firme não vão arredar.
Nas tormentas deste século,
Terra firme o século XXI será.
E quando este nos for dado,
Em festejos, um champanhe derramar-se-á.
As luzes que esta terra levará ao céu
Em fogos de artifícios,
Pólvora bem gasta será.
Pois,
São as Índias que Deus nos passa.
O sal das lágrimas
Que salgou o mar,
Não mais salgará.
E que o bom Deus
Proteja nossos passos
E proveja-nos de água fresca,
Comida e terrenos fartos.
21/12/2000
728
Felipe Larson
A SAUDADE MARCA
Chega a ser engraçado
Como em tão pouco tempo
Tanta coisa aconteceu
No seu devido momento
Eu penso que talvez seja melhor
Eu não pensar muito nisso
Porque se não vou achar
Que tudo tem seu feitiço
Isso foi muito importante para mim
Eu acho que nunca vou esquecer
E você não tem idéia
Do quanto tenho pensado em você
Sei que sentirei tanta saudade
Mas o que posso fazer
Se tudo de mais estranho
Parece sempre acontecer comigo
Sei que talvez quando nos vermos
Tudo pode estar diferente
Mas isso não importa tanto
Pois a coisas acontecem tão de repente
Pessoas como você, marcam na vida.
Vou sentir muito a sua falta
Acho que não preciso destes versos
Para você saber o quanto é especial
Como em tão pouco tempo
Tanta coisa aconteceu
No seu devido momento
Eu penso que talvez seja melhor
Eu não pensar muito nisso
Porque se não vou achar
Que tudo tem seu feitiço
Isso foi muito importante para mim
Eu acho que nunca vou esquecer
E você não tem idéia
Do quanto tenho pensado em você
Sei que sentirei tanta saudade
Mas o que posso fazer
Se tudo de mais estranho
Parece sempre acontecer comigo
Sei que talvez quando nos vermos
Tudo pode estar diferente
Mas isso não importa tanto
Pois a coisas acontecem tão de repente
Pessoas como você, marcam na vida.
Vou sentir muito a sua falta
Acho que não preciso destes versos
Para você saber o quanto é especial
723
Felipe Vianna
REFLEXÕES DE UM ANO SECULAR
Entre lucros e prejuízos
A humanidade vai andando.
Papai Noel vai, Papai Noel vem,
Século vai, século vem.
Como o folhear de um livro
O tempo vai passando.
O que foi escrito, bem ou mau, escrito foi.
Mas folhas brancas estão chegando.
As luzes da ribalta se acendem
Para um novo século entrar,
E que em festejos de amores em corações
Faça a humanidade se encantar.
Que cristalina como a água da fonte
Seja o amor entre os homens,
E belo como o brilho da pérola
Seja este século que nos espera.
São os votos da humanidade
Que almeja, em plena sanidade,
Não ver mais fomes, guerras e atrocidades.
É,...
Chega de falar em desgraças,
Deixemos o passado para os livros de história,
E, vamos escrever a nossa, agora!
Feliz Ano Novo
Feliz Novo Século
21/12/2000
A humanidade vai andando.
Papai Noel vai, Papai Noel vem,
Século vai, século vem.
Como o folhear de um livro
O tempo vai passando.
O que foi escrito, bem ou mau, escrito foi.
Mas folhas brancas estão chegando.
As luzes da ribalta se acendem
Para um novo século entrar,
E que em festejos de amores em corações
Faça a humanidade se encantar.
Que cristalina como a água da fonte
Seja o amor entre os homens,
E belo como o brilho da pérola
Seja este século que nos espera.
São os votos da humanidade
Que almeja, em plena sanidade,
Não ver mais fomes, guerras e atrocidades.
É,...
Chega de falar em desgraças,
Deixemos o passado para os livros de história,
E, vamos escrever a nossa, agora!
Feliz Ano Novo
Feliz Novo Século
21/12/2000
741
Eugenio Montejo
Volta a teus deuses profundos
Volta a teus deuses profundos;
estão intactos,
estão ao fundo com suas chamas esperando;
nenhum sopro do tempo as apaga.
Os silenciosos deuses práticos
ocultos na porosidade das coisas.
Hás rodado no mundo mais que nenhum calhau;
perdeste teu nome, tua cidade,
assíduo a visões fragmentarias;
de tantas horas que reténs?
A música de ser é destoante
porém a vida continua
e certos acordes prevalecem.
A terra é redonda por desejo
de tanto gravitar;
a terra arredondará todas as coisas
cada uma a seu término.
De tantas viagens pelo mar
de tantas noites ao pé de tua lâmpada,
só estas vozes te circundam;
decifra nelas o eco de teus deuses;
estão intactos,
estão cruzando mudos com seus olhos de peixes
ao fundo de teu sangue.
estão intactos,
estão ao fundo com suas chamas esperando;
nenhum sopro do tempo as apaga.
Os silenciosos deuses práticos
ocultos na porosidade das coisas.
Hás rodado no mundo mais que nenhum calhau;
perdeste teu nome, tua cidade,
assíduo a visões fragmentarias;
de tantas horas que reténs?
A música de ser é destoante
porém a vida continua
e certos acordes prevalecem.
A terra é redonda por desejo
de tanto gravitar;
a terra arredondará todas as coisas
cada uma a seu término.
De tantas viagens pelo mar
de tantas noites ao pé de tua lâmpada,
só estas vozes te circundam;
decifra nelas o eco de teus deuses;
estão intactos,
estão cruzando mudos com seus olhos de peixes
ao fundo de teu sangue.
836
Mario Benedetti
Ontem
Ontem passou o passado lentamente
com sua vacilação definitiva
sabendo-te infeliz à deriva
com tuas dúvidas estampadas na testa.
Ontem passou o passado pela ponte
e levou tua liberdade prisioneira
trocando seu silêncio em carne viva
por teus leves alarmes de inocente.
Ontem passou o passado com sua história
e sua desfiada incerteza
com sua pegada de espanto e de reprovação.
Foi fazendo da dor um costume
semeando de fracassos tua memória
e deixando-te a sós com a noite.
com sua vacilação definitiva
sabendo-te infeliz à deriva
com tuas dúvidas estampadas na testa.
Ontem passou o passado pela ponte
e levou tua liberdade prisioneira
trocando seu silêncio em carne viva
por teus leves alarmes de inocente.
Ontem passou o passado com sua história
e sua desfiada incerteza
com sua pegada de espanto e de reprovação.
Foi fazendo da dor um costume
semeando de fracassos tua memória
e deixando-te a sós com a noite.
3 046
Jose Luis Appleyard
O tempo meus amigos
Saber que os amigos não necessitam de tempo,
saber que são os mesmos
e todavia distantes
a aqueles que o foram
quando os anos nossos
nos brindaram sua essência
do "companheiro eterno".
Porém voltam, persistem
e são tempo e castigo:
a idade não diferencia
a visão do amigo.
Minha idade, tua idade, a sua
não são marcas brutais
que separam os meus
O tempo
-novamente me enfrento com o tempo-
é uma forma doce
da constante lembrança.
Saber que os amigos
são de minha voz o tempo.
Saber que eles comigo
Ajudam-me ao eterno.
E então, cada dia
se volta ao princípio
de saber que um amigo
é uma voz sem tempo.
saber que são os mesmos
e todavia distantes
a aqueles que o foram
quando os anos nossos
nos brindaram sua essência
do "companheiro eterno".
Porém voltam, persistem
e são tempo e castigo:
a idade não diferencia
a visão do amigo.
Minha idade, tua idade, a sua
não são marcas brutais
que separam os meus
O tempo
-novamente me enfrento com o tempo-
é uma forma doce
da constante lembrança.
Saber que os amigos
são de minha voz o tempo.
Saber que eles comigo
Ajudam-me ao eterno.
E então, cada dia
se volta ao princípio
de saber que um amigo
é uma voz sem tempo.
900
Mario Benedetti
Memorandum
Um chegar e incorporar-se o dia
Dois respirar para subir a ladeira
Três não jogar-se em uma só aposta
Quatro escapar da melancolia
Cinco aprender a nova geografia
Seis não ficar-se nunca sem a sesta
Sete o futuro não será uma festa e
Oito não assustar-se ainda
Nove vai a saber quem é o forte
Dez não deixar que a paciência ceda
Onze cuidar-se da boa sorte
Doze guardar a última moeda
Treze não tratar-se com a morte
Catorze desfrutar enquanto se pode
Dois respirar para subir a ladeira
Três não jogar-se em uma só aposta
Quatro escapar da melancolia
Cinco aprender a nova geografia
Seis não ficar-se nunca sem a sesta
Sete o futuro não será uma festa e
Oito não assustar-se ainda
Nove vai a saber quem é o forte
Dez não deixar que a paciência ceda
Onze cuidar-se da boa sorte
Doze guardar a última moeda
Treze não tratar-se com a morte
Catorze desfrutar enquanto se pode
2 712
Jorge Luis Borges
Cosmogonia
Nem treva nem caos. A treva
Requer olhos que vêem, como o som.
E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.
Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita
O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.
O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,
Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.
Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.
Requer olhos que vêem, como o som.
E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.
Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita
O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.
O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,
Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.
Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.
2 325
Jose Luis Appleyard
O tempo
Já é ontem porém então era sempre
um trasladar de horários imutáveis.
Desde a noite ao sol.
Cada semana
era distinta e igual a seguinte.
A criança desdenha o calendário
e seu patrão relógio era o cansaço.
Idade sem equinócios, só o tempo
de ser feliz então ignora-lo.
um trasladar de horários imutáveis.
Desde a noite ao sol.
Cada semana
era distinta e igual a seguinte.
A criança desdenha o calendário
e seu patrão relógio era o cansaço.
Idade sem equinócios, só o tempo
de ser feliz então ignora-lo.
887
Roberto Juarroz
Poema dedicado a Antonio Porchia
Havemos amado juntos tantas coisas
que é difícil amá-las separados.
Parece que se houveram afastado de repente
ou que o amor fora uma formiga
escalando os declives do céu.
Havemos vivido juntos tanto abismo
que sem você tudo parece superfície,
orbita de simulados que resvalam,
tensão sem extensões,
vigilância de corpos sem presença.
Havemos perdido juntos tanto nada
que o hábito persiste e se da volta
e agora tudo é ganância de nada.
O Tempo se converte em anti-tempo
porque já não o pensas.
Havemos calado e falado juntos
que até calar e falar são duas traições,
duas substâncias sem justificação,
dois substitutos.
O havemos buscado todo.
O havemos falado todo.
O havemos deixado todo.
Unicamente não nos deram tempo
para encontrar o buraco de tua morte
ainda que fora também para deixá-lo.
que é difícil amá-las separados.
Parece que se houveram afastado de repente
ou que o amor fora uma formiga
escalando os declives do céu.
Havemos vivido juntos tanto abismo
que sem você tudo parece superfície,
orbita de simulados que resvalam,
tensão sem extensões,
vigilância de corpos sem presença.
Havemos perdido juntos tanto nada
que o hábito persiste e se da volta
e agora tudo é ganância de nada.
O Tempo se converte em anti-tempo
porque já não o pensas.
Havemos calado e falado juntos
que até calar e falar são duas traições,
duas substâncias sem justificação,
dois substitutos.
O havemos buscado todo.
O havemos falado todo.
O havemos deixado todo.
Unicamente não nos deram tempo
para encontrar o buraco de tua morte
ainda que fora também para deixá-lo.
1 170
Alfonsina Storni
O rogo
Senhor, Senhor, faz já tanto tempo, um dia
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum, amor que fora
A vida toda, toda a poesia...
E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor: minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor fazendo versos.
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum, amor que fora
A vida toda, toda a poesia...
E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor: minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor fazendo versos.
1 097
Juana de Ibarbourou
A hora
Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
1 535
Hilda Hilst
Do amor XXXV
Soergo meu passado e meu futuro
E digo à boca do Tempo que os devore.
E degustando o êxito do Agora
A cada instante me vejo renascendo
E no teu rosto. Túlio, faz-se um Tempo
Imperecível, justo
Igual à hora primeira, nova, hora-menina
Quando se morde o fruto. Faz-se o Presente.
Translúcida me vejo na tua vida
Sem olhar para trás nem para frente:
Indescritível, recortada, fixa.
E digo à boca do Tempo que os devore.
E degustando o êxito do Agora
A cada instante me vejo renascendo
E no teu rosto. Túlio, faz-se um Tempo
Imperecível, justo
Igual à hora primeira, nova, hora-menina
Quando se morde o fruto. Faz-se o Presente.
Translúcida me vejo na tua vida
Sem olhar para trás nem para frente:
Indescritível, recortada, fixa.
1 467
Yeda Prates Bernis
Hai-kais
Lavadeiras de beira-rio.
Nas águas, boiando,
cores e cantos.
Na poça dágua
o gato lambe
a gota de lua.
Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.
Noite no jasmineiro.
Sobre o muro,
estrelas perfumadas.
Inúltil. A gaiola
nunca aprisiona
as penas do canto.
No porta-retrato
um tempo respira,
morto.
Nas águas, boiando,
cores e cantos.
Na poça dágua
o gato lambe
a gota de lua.
Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.
Noite no jasmineiro.
Sobre o muro,
estrelas perfumadas.
Inúltil. A gaiola
nunca aprisiona
as penas do canto.
No porta-retrato
um tempo respira,
morto.
1 073
Anna Maria Feitosa
Instante
A vida é essa luz
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
1 004
Hilda Hilst
Penso linhos e ungüentos
Penso linhos e ungüentos
para o coração machucado de Tempo.
Penso bilhas e pátios
Pela comoção de contemplá-los.
(E de te ver ali
À luz da geometria de teus atos)
Penso-te
Pensando-me em agonia. E não estou.
Estou apenas densa
Recolhendo aroma, passo
O refulgente de ti que me restou.
para o coração machucado de Tempo.
Penso bilhas e pátios
Pela comoção de contemplá-los.
(E de te ver ali
À luz da geometria de teus atos)
Penso-te
Pensando-me em agonia. E não estou.
Estou apenas densa
Recolhendo aroma, passo
O refulgente de ti que me restou.
1 466
Alice Ruiz
Hai-kais
apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume
vento seco
entre os bambus
barulho d água
tanta poesia no gesto
nenhum poema
o diria
o relógio marca
48 horas sem te ver
sei lá quantas para te esquecer
circuluar
sonho impar
acordo par
desacerto
entre nós
só etceteras
antes de amanhecer
um vagalume
vento seco
entre os bambus
barulho d água
tanta poesia no gesto
nenhum poema
o diria
o relógio marca
48 horas sem te ver
sei lá quantas para te esquecer
circuluar
sonho impar
acordo par
desacerto
entre nós
só etceteras
1 792
Leila Mícollis
Sempre, de vez em quando
Toda vez que amanheço
de porre, sem ter bebido,
é prenuncio de tempestades.
Os calos não doem
com a mudança do tempo,
mas meu coração dispara
e o olfato fica mais aguçado
que faro de perdigueiro.
Nestas horas,
não adianta ninguém me dizer
que "viver é experimentar",
porque o máximo que eu consigo
é avaliar as avarias
causadas pelos arpões.
de porre, sem ter bebido,
é prenuncio de tempestades.
Os calos não doem
com a mudança do tempo,
mas meu coração dispara
e o olfato fica mais aguçado
que faro de perdigueiro.
Nestas horas,
não adianta ninguém me dizer
que "viver é experimentar",
porque o máximo que eu consigo
é avaliar as avarias
causadas pelos arpões.
943
Natália Correia
O espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
2 379
Angela Santos
Desprendimento
Voa
o pensamento para lá dos dias
e trazem consigo momentos eternos
vividos a rodos de sofreguidão
receosos do tempo, e sua verdade,
lento a escoar-se na imensidão
E o pensamento voa
e regressa ao lugar onde te vejo
ao chão onde te amo
ao sofá onde deitas o teu corpo e o teu cansaço
ao cigarro que fumamos
ao toque de nossas mãos
a vibração de nossos corpos trémulos
rasgados de desejo
Voa o pensamento
e bebe na memória e nos sinais
no cheiro que trago em mim
na melodia que ecoa na minha alma
e até das margens do meu silêncio
onde nebulosas se erguem as palavras
que eu calo por amor.
o pensamento para lá dos dias
e trazem consigo momentos eternos
vividos a rodos de sofreguidão
receosos do tempo, e sua verdade,
lento a escoar-se na imensidão
E o pensamento voa
e regressa ao lugar onde te vejo
ao chão onde te amo
ao sofá onde deitas o teu corpo e o teu cansaço
ao cigarro que fumamos
ao toque de nossas mãos
a vibração de nossos corpos trémulos
rasgados de desejo
Voa o pensamento
e bebe na memória e nos sinais
no cheiro que trago em mim
na melodia que ecoa na minha alma
e até das margens do meu silêncio
onde nebulosas se erguem as palavras
que eu calo por amor.
1 207
Angela Santos
Em Suspenso
Deixo-me
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
1 081
Angela Santos
Pêndulo
Se
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
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