Poemas neste tema
Criatividade e Inspiração
Augusto Massi
Viagem ao Redor do Quarto
Quando permaneço
horas trancado no
escuro do quarto
Ícaro contemporâneo
rumo ao sol negro
do crânio
Não abra a porta,
não pergunte nada,
não deixe velar
o sistema de imagens
gravitando na mente:
raio de luz sanguínea,
fauvismo de carpas,
e a mitologia trágica
de uma noite estrelada.
As explosões solares,
as estranhas migrações
da metáfora e do amor
não podem ser vistas
em plena luz do dia:
são energia negativa.
In: MASSI, Augusto. Negativo, 1982/1990. Il. Alberto Alexandre Martins. São Paulo: Companhia das Letras, 1991
horas trancado no
escuro do quarto
Ícaro contemporâneo
rumo ao sol negro
do crânio
Não abra a porta,
não pergunte nada,
não deixe velar
o sistema de imagens
gravitando na mente:
raio de luz sanguínea,
fauvismo de carpas,
e a mitologia trágica
de uma noite estrelada.
As explosões solares,
as estranhas migrações
da metáfora e do amor
não podem ser vistas
em plena luz do dia:
são energia negativa.
In: MASSI, Augusto. Negativo, 1982/1990. Il. Alberto Alexandre Martins. São Paulo: Companhia das Letras, 1991
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1
Paulo Leminski
a propaganda meu meio de vida
(...)
a propaganda meu meio de vida
me dá algumas satisfações
afinal
todo layoutman é um pouco poeta concreto
e aliás é fantástico como os homens de arte das agências
entendem um trabalho concreto na hora
enquanto os literati dizem:
— o que é isso? que quer dizer? isso não é poesia.
só me dou com cartunistas fotógrafos cineastas desenhistas
tudo menos escritores
dos quais acabei por ter grande horror
o bom é que estar em propaganda
facilita enormemente as coisas para nós
em termos de letra-set execução produção fotografia papel
uma agência é um laboratório de mensagens
isso está muito bom
além disso me pagam bem
e eu disponho dos melhores homens de arte da praça
todos amigos meus
servo-mecânico para um senhor-mecanismo
conduzo com alguma elegância
meu destino de médico & monstro
fiz uma palestra/debate
proposta minha
na arquitetura daqui
sobre o tema O BELO VERSUS O NOVO
no qual desenvolvi a idéia seguinte
isso que se chama arte moderna
deslocou o centro da idéia de BELO
para a idéia de NOVO
q eu disse ser própria de sociedades industriais
em adiantado estado de consumismo
capitalistas ou socialistas
o pau que quebrou vou te contar
imensamente interessado em tudo que você
produz
me mande me diga me comunique
com toda a amizade
Leminski
In: LEMINSKI, Paulo. Uma carta e uma brasa através: cartas a Régis Bonvicino, 1976-1981. Seleção, introdução e notas de Régis Bonvicino. São Paulo: Iluminuras, 1992. p. 24-25
a propaganda meu meio de vida
me dá algumas satisfações
afinal
todo layoutman é um pouco poeta concreto
e aliás é fantástico como os homens de arte das agências
entendem um trabalho concreto na hora
enquanto os literati dizem:
— o que é isso? que quer dizer? isso não é poesia.
só me dou com cartunistas fotógrafos cineastas desenhistas
tudo menos escritores
dos quais acabei por ter grande horror
o bom é que estar em propaganda
facilita enormemente as coisas para nós
em termos de letra-set execução produção fotografia papel
uma agência é um laboratório de mensagens
isso está muito bom
além disso me pagam bem
e eu disponho dos melhores homens de arte da praça
todos amigos meus
servo-mecânico para um senhor-mecanismo
conduzo com alguma elegância
meu destino de médico & monstro
fiz uma palestra/debate
proposta minha
na arquitetura daqui
sobre o tema O BELO VERSUS O NOVO
no qual desenvolvi a idéia seguinte
isso que se chama arte moderna
deslocou o centro da idéia de BELO
para a idéia de NOVO
q eu disse ser própria de sociedades industriais
em adiantado estado de consumismo
capitalistas ou socialistas
o pau que quebrou vou te contar
imensamente interessado em tudo que você
produz
me mande me diga me comunique
com toda a amizade
Leminski
In: LEMINSKI, Paulo. Uma carta e uma brasa através: cartas a Régis Bonvicino, 1976-1981. Seleção, introdução e notas de Régis Bonvicino. São Paulo: Iluminuras, 1992. p. 24-25
1 867
1
Joaquim Cardozo
Maria Bonomi, Maria Gravura
Maria Bonomi, Maria Gravura;
Os traços, pouco a pouco, deixam
de caminhar.
As cores não passam mais
pelos olhos,
Pelos ouvidos, inundam.
A noite desceu sobre a gravura —
Sombra da prensa a comprimir —
Maria Bonomi, Maria Gravura
Ouve-se agora um canto
Do papel em liberdade.
Maria Bonomi
O corte sorri. A mão fica em silêncio,
O contraste murmura
Maria Gravura.
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.190. Poema integrante da série Mundos Paralelos
Os traços, pouco a pouco, deixam
de caminhar.
As cores não passam mais
pelos olhos,
Pelos ouvidos, inundam.
A noite desceu sobre a gravura —
Sombra da prensa a comprimir —
Maria Bonomi, Maria Gravura
Ouve-se agora um canto
Do papel em liberdade.
Maria Bonomi
O corte sorri. A mão fica em silêncio,
O contraste murmura
Maria Gravura.
In: CARDOZO, Joaquim. Poesias completas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.190. Poema integrante da série Mundos Paralelos
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1
Cacaso
Poética
Alguma palavra,
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.
Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.
Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.
Meu poema me contempla horrorizado.
Rio, 1965
Publicado no livro A palavra cerzida (1967). Poema integrante da série III. A Palavra de Dois Gumes.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.132
NOTA: "Poética" se apropria de motivos dos poemas "Psicologia da Composição" e "Antiode", de João Cabral de Melo Neto, e "A Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrad
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.
Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.
Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.
Meu poema me contempla horrorizado.
Rio, 1965
Publicado no livro A palavra cerzida (1967). Poema integrante da série III. A Palavra de Dois Gumes.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.132
NOTA: "Poética" se apropria de motivos dos poemas "Psicologia da Composição" e "Antiode", de João Cabral de Melo Neto, e "A Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrad
4 803
1
Alberto da Costa e Silva
Soneto [Cerâmica e tear: as mãos trabalham
Cerâmica e tear: as mãos trabalham
e constroem o amor num fim de tarde,
como jarro de rústico gargalo
ou fino pano arcaico. Sobre o barro
põem desenhos mais jovens de suaves
moças dançando e restos de paisagens
da infância e da montanha: perfis núbios
sobre o vermelho poente desse jarro.
E a substância mais tímida do sonho,
nas mãos do artesão, faz de seu pranto
e cismas, riso e ardor, tecido raro
em que se borda uma novilha, bela
como o beijo em setembro, em que se fez
o amor com outro fio e um outro barro.
Publicado no livro O tecelão (1962).
In: SILVA, Alberto da Costa e. As linhas da mão. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Difel; Brasília: INL, 1978. p.4
e constroem o amor num fim de tarde,
como jarro de rústico gargalo
ou fino pano arcaico. Sobre o barro
põem desenhos mais jovens de suaves
moças dançando e restos de paisagens
da infância e da montanha: perfis núbios
sobre o vermelho poente desse jarro.
E a substância mais tímida do sonho,
nas mãos do artesão, faz de seu pranto
e cismas, riso e ardor, tecido raro
em que se borda uma novilha, bela
como o beijo em setembro, em que se fez
o amor com outro fio e um outro barro.
Publicado no livro O tecelão (1962).
In: SILVA, Alberto da Costa e. As linhas da mão. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Difel; Brasília: INL, 1978. p.4
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1
Antônio Barreto
Para Enxergar Duendes no Jardim
Não há como esconder de ti mesmo tuas invenções mais
puras. Para que um ser exista — como um galho, um unicórnio,
uma pedra, um Mastigolarken, um Catalorpas ou um anjo
— , basta imaginá-lo vivo.
E mesmo que te chamem de louco, visionário, nefelibata
ou lunático; continue assim: telúrico. E absurdamente apaixonado
pela simplicidade da Lua.
Quando a Primavera estiver
começando, acorde bem cedo e,
antes de ir para o jardim, faça a
seguinte simpatia: coloque na tampinha
de uma garrafa um torrão de açúcar,
umedeça-o com 3 gotinhas de água
mineral e mais 3 gotinhas de vinho
tinto suave. Em seguida, deposite-a
sobre as pétalas da menor margarida
que você encontrar, procurando o
canto mais úmido e ensombrado de
seu jardim. Lá, você deverá se
agachar e pronunciar as seguintes
palavras mágicas:
EDNEUD, EDNEUD UEM,
ES ÊCOV ETSIXE,
MEV RAVORP ASSED
ADIBEB!
Se, ao invés de um
duende, aparecer uma abelha, é porque
outras pessoas já fizeram a mesma
simpatia, e o pobre coitado se
embriagou pelo caminho.
In: BARRETO, Antônio. Livro das simpatias. Il. Márcia Franco. Belo Horizonte: Ed. RHJ, 1990. p.18-20. (Premiados, 3
puras. Para que um ser exista — como um galho, um unicórnio,
uma pedra, um Mastigolarken, um Catalorpas ou um anjo
— , basta imaginá-lo vivo.
E mesmo que te chamem de louco, visionário, nefelibata
ou lunático; continue assim: telúrico. E absurdamente apaixonado
pela simplicidade da Lua.
Quando a Primavera estiver
começando, acorde bem cedo e,
antes de ir para o jardim, faça a
seguinte simpatia: coloque na tampinha
de uma garrafa um torrão de açúcar,
umedeça-o com 3 gotinhas de água
mineral e mais 3 gotinhas de vinho
tinto suave. Em seguida, deposite-a
sobre as pétalas da menor margarida
que você encontrar, procurando o
canto mais úmido e ensombrado de
seu jardim. Lá, você deverá se
agachar e pronunciar as seguintes
palavras mágicas:
EDNEUD, EDNEUD UEM,
ES ÊCOV ETSIXE,
MEV RAVORP ASSED
ADIBEB!
Se, ao invés de um
duende, aparecer uma abelha, é porque
outras pessoas já fizeram a mesma
simpatia, e o pobre coitado se
embriagou pelo caminho.
In: BARRETO, Antônio. Livro das simpatias. Il. Márcia Franco. Belo Horizonte: Ed. RHJ, 1990. p.18-20. (Premiados, 3
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1
Tasso da Silveira
Canção
Quando a alta onda de poesia
veio do arcano profundo,
no pobre e efêmero mundo
o eterno pôs-se a pulsar.
Vidas se transfiguraram,
permutaram-se destinos.
O azul se fez mais etéreo,
estradas mais se alongaram,
silêncio cantou na aldeia
sino ficou a escutar,
moeu trigo a lua cheia,
lampião de rua deu luar,
a água mansa da lagoa
ergueu-se em repuxo límpido
e se esqueceu de tombar,
alvas estrelas em bando
desceram lentas pousando
sobre a terra e sobre o mar.
Publicado no livro Regresso à Origem (1960).
In: POETAS do modernismo: antologia crítica. Org. Leodegário A. Azevedo Filho. Brasília: INL, 1972. v.4, p.69. (Literatura brasileira, 9C
veio do arcano profundo,
no pobre e efêmero mundo
o eterno pôs-se a pulsar.
Vidas se transfiguraram,
permutaram-se destinos.
O azul se fez mais etéreo,
estradas mais se alongaram,
silêncio cantou na aldeia
sino ficou a escutar,
moeu trigo a lua cheia,
lampião de rua deu luar,
a água mansa da lagoa
ergueu-se em repuxo límpido
e se esqueceu de tombar,
alvas estrelas em bando
desceram lentas pousando
sobre a terra e sobre o mar.
Publicado no livro Regresso à Origem (1960).
In: POETAS do modernismo: antologia crítica. Org. Leodegário A. Azevedo Filho. Brasília: INL, 1972. v.4, p.69. (Literatura brasileira, 9C
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1
Haroldo de Campos
Aproximações ao Topázio
o topázio
canibaliza seus amarelos
lente no olho tórrido
da luz
forno solar
aqui se mascam
carvões ardentes
(cinzas, fogos rasurados, cúspides
truncadas: br/asa)
o girassol pensa:
leopázios!
In: CAMPOS, Haroldo de. Singnatia quasi coelum = signância quase céu.
São Paulo: Perspectiva, 1979. p. 53. (Signos, 7).
canibaliza seus amarelos
lente no olho tórrido
da luz
forno solar
aqui se mascam
carvões ardentes
(cinzas, fogos rasurados, cúspides
truncadas: br/asa)
o girassol pensa:
leopázios!
In: CAMPOS, Haroldo de. Singnatia quasi coelum = signância quase céu.
São Paulo: Perspectiva, 1979. p. 53. (Signos, 7).
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1
Paulo Leminski
nem toda hora
nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima
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1
Paulo Leminski
as coisas estão pretas
uma chuva de estrelas
deixa no papel
esta poça de letras
deixa no papel
esta poça de letras
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1
Paulo Leminski
o bicho alfabeto
o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
ou quase
por onde ele passa
nascem palavras
e frases
com frases
se fazem asas
palavras
o vento leve
o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve
tem vinte e três patas
ou quase
por onde ele passa
nascem palavras
e frases
com frases
se fazem asas
palavras
o vento leve
o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve
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1
Paulo Leminski
Quem dera eu fosse um músico
Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!
2 023
1
William Blake
Introdução
Das Canções da inocência
(Tradução de Orlando Ferreira)
Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,
"Toque aquela do cordeiro";
Então toquei com alegria;
"Toque, por favor, a canção de novo" -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.
"Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.
"Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam" -
Então ela desapareceu".
E eu catei um junco oco,
E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir.
(Tradução de Orlando Ferreira)
Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,
"Toque aquela do cordeiro";
Então toquei com alegria;
"Toque, por favor, a canção de novo" -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.
"Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.
"Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam" -
Então ela desapareceu".
E eu catei um junco oco,
E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir.
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1
Eugenio Montejo
Alfabeto do mundo
Em vão me demoro soletrando
o alfabeto do mundo.
Leio nas pedras um escuro pranto,
ecos afogados em torres e edifícios,
indago a terra pelo tato
cheia de rios, paisagens e cores,
mas ao copiá-los sempre me equivoco.
Necessito escrever preso a uma linha
Sobre o fio do horizonte.
Desenhar o milagre desses dias
Que flutuam envoltos na luz
E se desprendem em cantos de pássaros.
Quando na rua os homens que perambulam
Do seu rancor a sua fadiga, cavilando,
Se me revelam mais do que nunca inocentes.
Quando o trapaceiro, o astuto, a adultera ,
Os mártires do ouro ou do amor
São só signos que não li bem,
Que ainda não consigo anotar no meu caderno.
Quanto quisera, ao menos um instante
Que esta plana febril de poesia
Grave na sua transparência cada letra:
O "o" do ladrão, o "t" do santo
o gótico ditongo do corpo e seu desejo,
com a mesma escritura do mar nas areias,
a mesma cósmica piedade
que a vida abre na frente dos meus olhos.
o alfabeto do mundo.
Leio nas pedras um escuro pranto,
ecos afogados em torres e edifícios,
indago a terra pelo tato
cheia de rios, paisagens e cores,
mas ao copiá-los sempre me equivoco.
Necessito escrever preso a uma linha
Sobre o fio do horizonte.
Desenhar o milagre desses dias
Que flutuam envoltos na luz
E se desprendem em cantos de pássaros.
Quando na rua os homens que perambulam
Do seu rancor a sua fadiga, cavilando,
Se me revelam mais do que nunca inocentes.
Quando o trapaceiro, o astuto, a adultera ,
Os mártires do ouro ou do amor
São só signos que não li bem,
Que ainda não consigo anotar no meu caderno.
Quanto quisera, ao menos um instante
Que esta plana febril de poesia
Grave na sua transparência cada letra:
O "o" do ladrão, o "t" do santo
o gótico ditongo do corpo e seu desejo,
com a mesma escritura do mar nas areias,
a mesma cósmica piedade
que a vida abre na frente dos meus olhos.
955
1
Juan Andrés Leiwir
Nunca vou te esquecer
Essa misteriosa luz
que às vezes ilumina a frente
caprichosa inspiração,
que aparece quando quer,
conseguiu que uma vez um poeta
com muita paixão escrevesse:
"Nunca digas nunca...".
"Nunca digas sempre...".
Porém não posso com ele estar de acordo,
sei que meu coração não me mente
eu digo: "Nunca" vou te esquecer
e digo: "Sempre" vou te querer
que às vezes ilumina a frente
caprichosa inspiração,
que aparece quando quer,
conseguiu que uma vez um poeta
com muita paixão escrevesse:
"Nunca digas nunca...".
"Nunca digas sempre...".
Porém não posso com ele estar de acordo,
sei que meu coração não me mente
eu digo: "Nunca" vou te esquecer
e digo: "Sempre" vou te querer
1 073
1
Angela Santos
Strip-Tease
Escancaro
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
1 393
1
Fernando Fabião
Das Coisas que Ardem
Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
1 400
1
Reinaldo Ferreira
A emoção é como um pássaro
A emoção é como um pássaro:
Quando se prende já não canta.
Mas se a gente a liberta,
Qualquer janela aberta
Lhe serve para fugir.
O poeta é aquele que numa praça
S. Marcos de Veneza transcendente,
E de todas as praças, praça ainda,
Aguarda na manhã que se insinua
Ou na tarde que finda
O voo que há-de vir.
Ele estende a mão,
Abre-a espalmada
Ao céu,
Que à anunciação de tudo ou nada
A emoção virá ou não
- Sem emoção, toda a poesia é nada -
Fiel à Anunciação que está marcada
Na sua condição.
Quando se prende já não canta.
Mas se a gente a liberta,
Qualquer janela aberta
Lhe serve para fugir.
O poeta é aquele que numa praça
S. Marcos de Veneza transcendente,
E de todas as praças, praça ainda,
Aguarda na manhã que se insinua
Ou na tarde que finda
O voo que há-de vir.
Ele estende a mão,
Abre-a espalmada
Ao céu,
Que à anunciação de tudo ou nada
A emoção virá ou não
- Sem emoção, toda a poesia é nada -
Fiel à Anunciação que está marcada
Na sua condição.
2 391
1
Aníbal Raposo
Poema na Madrugada
Tu e eu na mesma hélice
Tu, muitas espiras acima
Que voas mais alto...
Cirandas à volta da lua feiticeira
Com as tuas asas de fogo
Incendeias-me o corpo
E em torrentes e lava
O meu amor flui
E como ela,
Em desespero,
Procura o mar...
Deixa-me dançar contigo uma dança índia
À volta da fogueira
Do nosso encantamento.
Deixa-me enlouquecer ao ritmo
Dum batuque africano
Transposto para um terreiro da Baía.
Deixa-me sentir os sortilégios
De Oxúm e de Oxalá.
Deitar, na praia, flores a Iemanjá.
Adorar a mãe Terra
Sentir-lhe o cheiro
Depois de uma chuvada de Agosto.
Eu quero ser, ao mesmo tempo,
Vinho e mosto.
Madrugada, sol nascente,
Entardecer e sol posto.
Curare.
Veneno na ponta da zarabatana.
Réstia de lucidez em mente insana.
Canta comigo irmã
A cantiga da terra prenhe.
Enforquemos as vaidades
Em gravatas ridículas
Confeccionadas em boa seda
E vendidas por um moderno bufarinheiro
Junto à catedral de Milão.
Deixa-me fundear nas tuas angras.
Ser o teu pirata argelino de estimação.
O teu bandeirante,
Buscando a esmeralda perdida
No meio do sertão.
Eu quero ser o desatino da tua insónia.
A tua noite mal dormida.
A tua cicatriz, a tua ferida,
Cauterizada com ferros ardentes.
Quero ser o teu ranger de dentes
Ante o desespero da miséria...
O teu grilo falante.
O espinho da tua rosa triunfante.
Deixa-me caboucar o sonho.
Construir castelos quiméricos.
Inventar outra arquitectura.
Redonda.
Quero esperar por ti
Na paragem do autocarro
Que vai partir, já
Para Nova Deli.
Quero ser uma luzinha ténue
Na via láctea nocturna
Desta vida favelada.
Rocinha!
Rio e margem,
Voo picado
Pedra Bonita, pivete.
(Glória ao escrete!)
O poder está
Na ponta do canivete!
Ipanema...
Saravah! Irmão Vinícius
Poetinha do amor e do vício.
Aqui estou!
Dou-te razão:
A inspiração continua a estar
Bem no fundo do copo
E da alma.
Salvé musa minha
Habitante da ilha irmã.
Continuas a ser o meu luzeiro,
Estrela da manhã.
Por ti adoro Baco.
Por ti versejo.
Por ti faço charadas,
Num desejo
De te ter mais perto.
Sem ti sou um navio no deserto.
O profeta do caos.
Caruso a cantar na ópera de Manaus.
O porco nos joelhos do visionário Klaus Kinsky
Na epopeia de Fritz Carraldo.
O caldo
Da loucura...
Pura...
Heroína...
Menina...
Lua...
Tu, muitas espiras acima
Que voas mais alto...
Cirandas à volta da lua feiticeira
Com as tuas asas de fogo
Incendeias-me o corpo
E em torrentes e lava
O meu amor flui
E como ela,
Em desespero,
Procura o mar...
Deixa-me dançar contigo uma dança índia
À volta da fogueira
Do nosso encantamento.
Deixa-me enlouquecer ao ritmo
Dum batuque africano
Transposto para um terreiro da Baía.
Deixa-me sentir os sortilégios
De Oxúm e de Oxalá.
Deitar, na praia, flores a Iemanjá.
Adorar a mãe Terra
Sentir-lhe o cheiro
Depois de uma chuvada de Agosto.
Eu quero ser, ao mesmo tempo,
Vinho e mosto.
Madrugada, sol nascente,
Entardecer e sol posto.
Curare.
Veneno na ponta da zarabatana.
Réstia de lucidez em mente insana.
Canta comigo irmã
A cantiga da terra prenhe.
Enforquemos as vaidades
Em gravatas ridículas
Confeccionadas em boa seda
E vendidas por um moderno bufarinheiro
Junto à catedral de Milão.
Deixa-me fundear nas tuas angras.
Ser o teu pirata argelino de estimação.
O teu bandeirante,
Buscando a esmeralda perdida
No meio do sertão.
Eu quero ser o desatino da tua insónia.
A tua noite mal dormida.
A tua cicatriz, a tua ferida,
Cauterizada com ferros ardentes.
Quero ser o teu ranger de dentes
Ante o desespero da miséria...
O teu grilo falante.
O espinho da tua rosa triunfante.
Deixa-me caboucar o sonho.
Construir castelos quiméricos.
Inventar outra arquitectura.
Redonda.
Quero esperar por ti
Na paragem do autocarro
Que vai partir, já
Para Nova Deli.
Quero ser uma luzinha ténue
Na via láctea nocturna
Desta vida favelada.
Rocinha!
Rio e margem,
Voo picado
Pedra Bonita, pivete.
(Glória ao escrete!)
O poder está
Na ponta do canivete!
Ipanema...
Saravah! Irmão Vinícius
Poetinha do amor e do vício.
Aqui estou!
Dou-te razão:
A inspiração continua a estar
Bem no fundo do copo
E da alma.
Salvé musa minha
Habitante da ilha irmã.
Continuas a ser o meu luzeiro,
Estrela da manhã.
Por ti adoro Baco.
Por ti versejo.
Por ti faço charadas,
Num desejo
De te ter mais perto.
Sem ti sou um navio no deserto.
O profeta do caos.
Caruso a cantar na ópera de Manaus.
O porco nos joelhos do visionário Klaus Kinsky
Na epopeia de Fritz Carraldo.
O caldo
Da loucura...
Pura...
Heroína...
Menina...
Lua...
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Hardi Filho
Artista
No atelier da vida, solitário,
somente em comunhão com a fantasia,
eu fui o artista que criou miragens
para conforto de ânsias infinitas.
Eu fui, também, aquele que traçou
formas de vida pelo sentimento;
o gênio louco que ideou amores
para sustento, amparo da esperança.
Insano escafandrista dos mistérios,
fui tradutor das emoções do mundo
e desenhista da volúpia eterna.
De pé, trêmulas mãos, olhos insones,
fui satanás sedento de domínio,
fui deus criando e alimentando sonhos!
somente em comunhão com a fantasia,
eu fui o artista que criou miragens
para conforto de ânsias infinitas.
Eu fui, também, aquele que traçou
formas de vida pelo sentimento;
o gênio louco que ideou amores
para sustento, amparo da esperança.
Insano escafandrista dos mistérios,
fui tradutor das emoções do mundo
e desenhista da volúpia eterna.
De pé, trêmulas mãos, olhos insones,
fui satanás sedento de domínio,
fui deus criando e alimentando sonhos!
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1
Reinaldo Ferreira
Chopinesque
Oh! taciturno
E esquivo
Motivo
Todo nocturno
Polpas macias
De dedos leves
Cintados por ametistas,
São organistas
Dos meus ditongos
Longos
E breves
Como contraste,
Para desgaste
Dos sons, veludo sobre cetim,
Vogais gritantes,
Tamborilantes,
Decapitantes,
Sons oxidantes
Como em clarim
E o taciturno
E esquivo
Motivo
Todo nocturno,
Sonha a palavra
Com arabescos
Da sua lavra.
Sonha a palavra,
Detesta a frase,
Sabe o encanto
Do que é só quase.
Por isso tende
Mas não atinge,
Porque transcende
Para a imagem
Visualizada
Duma paisagem
Subjectivada
Que nos dilata
Mas nos compreende,
Onde gravitam
Coisas errantes,
Em translacções
De percepções
Centrifugantes.
E são imensas
Por não sofrerem
Nem o tamanho
Nem dimensão;
E são intensas,
Porque não passam
Duma evasão
Das inconsciências
Que me contenho.
Tudo incoerências
Coisificadas;
Prelúdios, restos,
Rastos de gestos
Que nunca foram
Mais que eminências
Balbuciadas
E esquivo
Motivo
Todo nocturno
Polpas macias
De dedos leves
Cintados por ametistas,
São organistas
Dos meus ditongos
Longos
E breves
Como contraste,
Para desgaste
Dos sons, veludo sobre cetim,
Vogais gritantes,
Tamborilantes,
Decapitantes,
Sons oxidantes
Como em clarim
E o taciturno
E esquivo
Motivo
Todo nocturno,
Sonha a palavra
Com arabescos
Da sua lavra.
Sonha a palavra,
Detesta a frase,
Sabe o encanto
Do que é só quase.
Por isso tende
Mas não atinge,
Porque transcende
Para a imagem
Visualizada
Duma paisagem
Subjectivada
Que nos dilata
Mas nos compreende,
Onde gravitam
Coisas errantes,
Em translacções
De percepções
Centrifugantes.
E são imensas
Por não sofrerem
Nem o tamanho
Nem dimensão;
E são intensas,
Porque não passam
Duma evasão
Das inconsciências
Que me contenho.
Tudo incoerências
Coisificadas;
Prelúdios, restos,
Rastos de gestos
Que nunca foram
Mais que eminências
Balbuciadas
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Tobias Pinheiro
Inconformismo
Fui cair nos teus braços, Poesia,
apenas como um anjo inconformado,
que anda no ócio do sonho noite e dia,
para a doce tortura do pecado.
Quem me viu pelos campos não diria
que o destino da criança foi traçado
e eu plasmaria a dor e a fantasia,
sendo por elas próprias torturado.
Não pensei nestas ânsias de infinito
e hoje, crente de que ninguém me escuta,
ignoro as causas por que vivo aflito.
Sou descrente de tudo a que me apego,
menos de fé, que me impulsiona à luta,
embora eu seja vacilante e cego.
apenas como um anjo inconformado,
que anda no ócio do sonho noite e dia,
para a doce tortura do pecado.
Quem me viu pelos campos não diria
que o destino da criança foi traçado
e eu plasmaria a dor e a fantasia,
sendo por elas próprias torturado.
Não pensei nestas ânsias de infinito
e hoje, crente de que ninguém me escuta,
ignoro as causas por que vivo aflito.
Sou descrente de tudo a que me apego,
menos de fé, que me impulsiona à luta,
embora eu seja vacilante e cego.
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Ednólia Fontenele
Busca
Procuro um poema novo
derramando sangue
cheirando mal
falando de paixões eróticas
de crimes violentos.
Procuro um poema
com a cor do sol,
o brilho da tua pele,
com sabor de língua.
Procuro um poema
perverso como eu,
triste, mas contestador.
Quero mais sal na comida,
mais prudência na vida,
evitar o espelho na saída,
sorrir na despedida
e sem dor nenhuma
negar essa paixão.
derramando sangue
cheirando mal
falando de paixões eróticas
de crimes violentos.
Procuro um poema
com a cor do sol,
o brilho da tua pele,
com sabor de língua.
Procuro um poema
perverso como eu,
triste, mas contestador.
Quero mais sal na comida,
mais prudência na vida,
evitar o espelho na saída,
sorrir na despedida
e sem dor nenhuma
negar essa paixão.
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Nelson Motta
barato zen
louco de fumo diante da tv
contemplo a tela iluminada e penso
na ânsia de criar, de ir adiante
que tantome consome e angustia
e sinto que a vida não se faz
somente pela ação e movimento
enquantome abrigo em meu silêncio
e deixo que a tv me hipnotize
nesse momento tonto e inativo
nada é urgente, nada é necessário
além de aceitar serenamente
a hora de não ser
e de ser nada.
não tendo mais
tempo nem saco
para tanto papo
o príncipe de saudades
do tempo em que era sapo.
contemplo a tela iluminada e penso
na ânsia de criar, de ir adiante
que tantome consome e angustia
e sinto que a vida não se faz
somente pela ação e movimento
enquantome abrigo em meu silêncio
e deixo que a tv me hipnotize
nesse momento tonto e inativo
nada é urgente, nada é necessário
além de aceitar serenamente
a hora de não ser
e de ser nada.
não tendo mais
tempo nem saco
para tanto papo
o príncipe de saudades
do tempo em que era sapo.
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