Poemas neste tema
Noite e Lua
Maurício Batarce
A Sonata do Amor
Na noite opaca do luar
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
1 039
Maria do Carmo Barreto Campello de Melo
Lição de Amor
Não te direi de amor
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e permeia e transcende coração e mente
e dá se dando e dando inteiramente
que despojado é o amor, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.
Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos.
Não
assim como desejas
só que me entrego à noite e ao desespero
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e permeia e transcende coração e mente
e dá se dando e dando inteiramente
que despojado é o amor, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.
Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos.
Não
assim como desejas
só que me entrego à noite e ao desespero
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.
1 150
António Manuel Couto Viana
Barcarola
Deseja a noite, primeiro,
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
1 416
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 002
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 057
Maurício Batarce
A Bela Tristeza
O choro campestre me chama...
Deitado sob uma árvore frondosa,
Sons invadem meus sonhos
E o poente do sol me transmite energia.
O farfalhar das folhas,
O sussurrar do mato,
O zumbizar das abelhas
E a tarde toda vermelha...
O luar começa a falar
E ilumina meu pensar...
O cricrizar dos grilos
E o coaxar dos sapos
Fazem fundo para os sons da noite...
As estrelas me iluminaram
E meus olhos fechados
Pousam meu corpo no solo úmido de orvalho...
O breu se apossa de mim...
Paro de escrever...
Deitado sob uma árvore frondosa,
Sons invadem meus sonhos
E o poente do sol me transmite energia.
O farfalhar das folhas,
O sussurrar do mato,
O zumbizar das abelhas
E a tarde toda vermelha...
O luar começa a falar
E ilumina meu pensar...
O cricrizar dos grilos
E o coaxar dos sapos
Fazem fundo para os sons da noite...
As estrelas me iluminaram
E meus olhos fechados
Pousam meu corpo no solo úmido de orvalho...
O breu se apossa de mim...
Paro de escrever...
948
Marta Gonçalves
O Casaco de Murilo Mendes
São dez horas e este relógio eterno,
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
1 048
Marcelo Almeida de Oliveira
Natureza morta (still life with death)
É no negro completo das noites
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
814
Marigê Quirino Marchini
República Celeste da Poesia
Aquática e translúcida Veneza,
arquétipo insulano, passional,
do Adriático a núbil Dogaresa,
lunissolar pintura do irreal,
em ti me construindo astral poema
de celestial cidade em tua finura,
por ele te habitar, Amor me emblema
com centelhas de íntima ternura,
põe em Veneza e em mim a geometria
de uns altos picos, recendendo a lume,
loura noite que náutica alumia,
por águas de salinas violetas
fosforece dos sonhos o cardume,
fixa a cidade, giram-me os planetas.
- III -
Água e eu, este dom, dádiva inteira
como Veneza, tu, Domus antiga,
se rodeamos, sonho, a cumeeira
silvestre nos perfuma a lua cheia.
O luar de Vivaldi, mensageiro,
atravessando o céu em suas estrelas
e o seu caminho é o mesmo que o de Amor,
angelical paixão é a lua cheia.
O luar de Vivaldi e cancioneiros
damore é demorado o seu perfume,
silvestre é o deslizar dos gondoleiros,
silvestre a doação, que faço inteira,
como Laguna e Golfo e doce lume,
à angelical paixão da lua cheia.
- VI -
Em arquipélago, amoráveis ilhas,
raia Veneza em água, alacridade,
cortam seus pulsos, lendas, maravilhas
de um latejar de sol e mocidade.
De palavras celeste viração
agita lentamente os seus canais,
e tudo flui em ondas e canção,
perpassa em flauta o vento seus murais.
Enquanto um celestial texto eu vou lendo,
reflexos nágua e lírica poesia,
já vai Amor em brasa me escrevendo
e mais já fere Amor em seus enganos,
com sua perfídia, fogo e maresia,
do que a gentil cidade em desenganos.
arquétipo insulano, passional,
do Adriático a núbil Dogaresa,
lunissolar pintura do irreal,
em ti me construindo astral poema
de celestial cidade em tua finura,
por ele te habitar, Amor me emblema
com centelhas de íntima ternura,
põe em Veneza e em mim a geometria
de uns altos picos, recendendo a lume,
loura noite que náutica alumia,
por águas de salinas violetas
fosforece dos sonhos o cardume,
fixa a cidade, giram-me os planetas.
- III -
Água e eu, este dom, dádiva inteira
como Veneza, tu, Domus antiga,
se rodeamos, sonho, a cumeeira
silvestre nos perfuma a lua cheia.
O luar de Vivaldi, mensageiro,
atravessando o céu em suas estrelas
e o seu caminho é o mesmo que o de Amor,
angelical paixão é a lua cheia.
O luar de Vivaldi e cancioneiros
damore é demorado o seu perfume,
silvestre é o deslizar dos gondoleiros,
silvestre a doação, que faço inteira,
como Laguna e Golfo e doce lume,
à angelical paixão da lua cheia.
- VI -
Em arquipélago, amoráveis ilhas,
raia Veneza em água, alacridade,
cortam seus pulsos, lendas, maravilhas
de um latejar de sol e mocidade.
De palavras celeste viração
agita lentamente os seus canais,
e tudo flui em ondas e canção,
perpassa em flauta o vento seus murais.
Enquanto um celestial texto eu vou lendo,
reflexos nágua e lírica poesia,
já vai Amor em brasa me escrevendo
e mais já fere Amor em seus enganos,
com sua perfídia, fogo e maresia,
do que a gentil cidade em desenganos.
954
Marco Antônio Rosa
Retirada do Mar
... retirada do mar
a pequena rede
traz alguns peixes,
algas escuras
e uma substância
gelatinosa
que brilha
à luz das estrelas
com azulado
fogo frio
que adere aos dedos
& roupas
e continua a brilhar,
misteriosa fosforescência
mesmo após haver secado
enquanto seguimos
a linha da maré
empurrados pelo vento,
ouvindo o suave murmúrio
das ondas
noite adentro.
a pequena rede
traz alguns peixes,
algas escuras
e uma substância
gelatinosa
que brilha
à luz das estrelas
com azulado
fogo frio
que adere aos dedos
& roupas
e continua a brilhar,
misteriosa fosforescência
mesmo após haver secado
enquanto seguimos
a linha da maré
empurrados pelo vento,
ouvindo o suave murmúrio
das ondas
noite adentro.
909
Murillo Araújo
Canção da Lua que Lava
Canzone Della Luna Lavandaia
tradução: Anton Angelo Chiocchio
Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para secar;
lua que lavas teus linhos
pelos valados maninhos,
na serra onde vai nevar;
oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!
lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros caiados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —
lua que lavas teus linhos
até nas praias do mar —
vem, lua, e lava minha alma!
Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.
O luna che fai il bucato,
luna, luna lavandaia
in una schiuma di nuvole
candida come liscivia
e stendi i panni là in cima
a candeggiare...
O luna che fai il bucato
pei fòssi incolti, pei monti
su cui sta per nevicare...
Luna che schizzi sul mondo
saponata da accecare...
O luna che fai il bucato
e lo risciacqui,
lo sciorini dappertutto,
su terrazzi lastricati,
vecchi muri intonacati,
aranceti, campi intrisi
di rugiada, a gocciolare...
O luna che fai il bucato
sin sulle spiagge del mare...
Luna, lava la mia anima!
Vieni, lavala di lagrime,
perchè Dio, sole dellanime,
poi la venga ad asciugare.
tradução: Anton Angelo Chiocchio
Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para secar;
lua que lavas teus linhos
pelos valados maninhos,
na serra onde vai nevar;
oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!
lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros caiados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —
lua que lavas teus linhos
até nas praias do mar —
vem, lua, e lava minha alma!
Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.
O luna che fai il bucato,
luna, luna lavandaia
in una schiuma di nuvole
candida come liscivia
e stendi i panni là in cima
a candeggiare...
O luna che fai il bucato
pei fòssi incolti, pei monti
su cui sta per nevicare...
Luna che schizzi sul mondo
saponata da accecare...
O luna che fai il bucato
e lo risciacqui,
lo sciorini dappertutto,
su terrazzi lastricati,
vecchi muri intonacati,
aranceti, campi intrisi
di rugiada, a gocciolare...
O luna che fai il bucato
sin sulle spiagge del mare...
Luna, lava la mia anima!
Vieni, lavala di lagrime,
perchè Dio, sole dellanime,
poi la venga ad asciugare.
1 023
Majela Colares
Vertigem
Já se ouviam, de estrelas, rebramidos
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
1 001
Majela Colares
Os Limites do Tempo
Meia face de sol - a tarde finda
nos limites do céu e da calçada.
Uma tarde partida, quando ainda
refletida entre cores, desbotada.
Aquarela dispersa - morte linda.
(Colorido de tez avermelhada)
mas o tempo ilusório fez infinda
meia face de sol desfigurada.
Murchas pétalas de horas finge o monte
rente a linha deserta do horizonte
feito rosa pendida... rosa-flores.
Nos limites da sombra projetada
nos contornos da noite aproximada
percebo o tempo farejando as cores.
nos limites do céu e da calçada.
Uma tarde partida, quando ainda
refletida entre cores, desbotada.
Aquarela dispersa - morte linda.
(Colorido de tez avermelhada)
mas o tempo ilusório fez infinda
meia face de sol desfigurada.
Murchas pétalas de horas finge o monte
rente a linha deserta do horizonte
feito rosa pendida... rosa-flores.
Nos limites da sombra projetada
nos contornos da noite aproximada
percebo o tempo farejando as cores.
931
Majela Colares
O Pastor e Sua Aldeia
a Altino Caixeta de Castro
Eu creio que a eternidade nasceu na aldeia
Lucian Blaga
O ladrido infinito de um cão morto
nas vozes de outros cães é repetido
muito além, incessante ao nosso ouvido
mais além, muito além da voz de um cão
trago a lua no bolso e o sol na mão
e um rebanho de cabras e de estrelas
no desejo incomum de sempre tê-las
na distante lembrança de uma aldeia
pervagando a memória das areias
onde estrelas e cabras pastam sonhos
trago à sombra de alpendres breve sono
pressentindo o rangido da tramela
despertado ao contorno da janela
no silêncio imortal da noite fria
canta o galo, outra vez, e denuncia
(seu cantar tem a cor da lua cheia)
o prenúncio de um dia em outro dia
da eterna solidão - eterna aldeia.
Eu creio que a eternidade nasceu na aldeia
Lucian Blaga
O ladrido infinito de um cão morto
nas vozes de outros cães é repetido
muito além, incessante ao nosso ouvido
mais além, muito além da voz de um cão
trago a lua no bolso e o sol na mão
e um rebanho de cabras e de estrelas
no desejo incomum de sempre tê-las
na distante lembrança de uma aldeia
pervagando a memória das areias
onde estrelas e cabras pastam sonhos
trago à sombra de alpendres breve sono
pressentindo o rangido da tramela
despertado ao contorno da janela
no silêncio imortal da noite fria
canta o galo, outra vez, e denuncia
(seu cantar tem a cor da lua cheia)
o prenúncio de um dia em outro dia
da eterna solidão - eterna aldeia.
1 029
Mário Hélio
6 - VI (Clariluz)
ontem à noite
eu vi teu espírito sobrevoar a cidade
e apagar silenciosamente
todas as luzes.
eu vi teu espírito sobrevoar a cidade
e apagar silenciosamente
todas as luzes.
1 004
Machado de Assis
A Flor do Embiroçu
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Fil. Elis.
Quando a noturna sombra envolve a terra
E à paz convida o lavrador cansado,
À fresca brisa o seio delicado
A branca flor do embiroçu descerra.
E das límpidas lágrimas que chora
A noite amiga, ela recolhe alguma;
A vida bebe na ligeira bruma,
Até que rompe no horizonte a aurora.
Então, à luz nascente, a flor modesta,
Quando tudo o que vive alma recobra,
Languidamente as suas folhas dobra,
E busca o sono quando tudo é festa,
Suave imagem da alma que suspira
E odeia a turba vã! da alma que sente
Agitar-se-lhe a asa impaciente
E a novos mundos transportar-se aspira!
Também ela ama as horas silenciosas,
E quando a vida as lutas interrompe,
Ela da carne os duros elos rompe,
E entrega o seio às ilusões viçosas.
É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,
E o céu azul e os seus milhões de estrelas;
Abrasada de amor, palpita ao vê-las,
E a todas cinge no ideial abraço.
O rosto não encara indiferente,
Nem a traidora mão cândida aperta;
Das mentiras da vida se liberta
E entra no mundo que jamais não mente.
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Labor ingrato, agitação, fadiga,
Tudo faz esquecer tua asa amiga
Que a alma nos leva onde a ventura a chama.
Ama-te a flor que desabrocha à hora
Em que o último olhar o sol lhe estende,
Vive, embala-se, orvalha-se, rescende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.
Fil. Elis.
Quando a noturna sombra envolve a terra
E à paz convida o lavrador cansado,
À fresca brisa o seio delicado
A branca flor do embiroçu descerra.
E das límpidas lágrimas que chora
A noite amiga, ela recolhe alguma;
A vida bebe na ligeira bruma,
Até que rompe no horizonte a aurora.
Então, à luz nascente, a flor modesta,
Quando tudo o que vive alma recobra,
Languidamente as suas folhas dobra,
E busca o sono quando tudo é festa,
Suave imagem da alma que suspira
E odeia a turba vã! da alma que sente
Agitar-se-lhe a asa impaciente
E a novos mundos transportar-se aspira!
Também ela ama as horas silenciosas,
E quando a vida as lutas interrompe,
Ela da carne os duros elos rompe,
E entrega o seio às ilusões viçosas.
É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,
E o céu azul e os seus milhões de estrelas;
Abrasada de amor, palpita ao vê-las,
E a todas cinge no ideial abraço.
O rosto não encara indiferente,
Nem a traidora mão cândida aperta;
Das mentiras da vida se liberta
E entra no mundo que jamais não mente.
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Labor ingrato, agitação, fadiga,
Tudo faz esquecer tua asa amiga
Que a alma nos leva onde a ventura a chama.
Ama-te a flor que desabrocha à hora
Em que o último olhar o sol lhe estende,
Vive, embala-se, orvalha-se, rescende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.
1 728
Leny Mara Souza
Sedução e Desejo
Noite...
Chuva...
Frio...
Você!
Junção de sentimentos relevantes.
Suas mãos
Acariciando-me como plumas,
Envolvendo-me com suas carícias,
Me sentir mulher
mulher...
Com todos os requisitos precisos.
Você!
Luz de uma natureza sóbria.
Vi na chuva
Nos ligeiros pingos
A certeza que no âmago do meu ser
Está inserido
A sensibilidade,
A emoção de ser atraída
Com seu sorriso puro e sedutor.
Seus lábios demonstrando
O desejo de beijar-me ardentemente
Beijou-me!
Me senti como um pardal
Transmitindo alegria
Perdida no meu ser.
Chuva...
Frio...
Você!
Junção de sentimentos relevantes.
Suas mãos
Acariciando-me como plumas,
Envolvendo-me com suas carícias,
Me sentir mulher
mulher...
Com todos os requisitos precisos.
Você!
Luz de uma natureza sóbria.
Vi na chuva
Nos ligeiros pingos
A certeza que no âmago do meu ser
Está inserido
A sensibilidade,
A emoção de ser atraída
Com seu sorriso puro e sedutor.
Seus lábios demonstrando
O desejo de beijar-me ardentemente
Beijou-me!
Me senti como um pardal
Transmitindo alegria
Perdida no meu ser.
818
António Nobre
Da Influência da Lua
Outono.
O sol, qual brigue em chamas, morre
Nos longes de água.... Ó tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poesia escorre
E os bardos, a cismar, molham a pena!
Ao longe, os rios de águas prateadas
Por entre os verdes canaviais, esguios
São como estradas líquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!
Os choupos nus, tremendo, arrepiadinhos
O xaile pedem a quem vai passando...
E os seus leitos nupciais, os ninhos
As lavandiscas noivas piando, piando!
O orvalho cai do céu como unguento.
Abrem as bocas, aparando-os, os goivos;
E a laranjeira, aos repelões do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.
E o orvalho cai...e a falta de água, rega
O vale sem fruto, a terra árida e nua!
E o Padre-Oceano, lá de longe, prega
O seu sermão de lágrimas à lua!
A Lua! Ela não tarda aí, espera!
O mágico poder que ela possui
Sobre as sementes, sobre o oceano impera,
Sobre as mulheres grávidas influi...
Ai os meus nervos, quando a lua é cheia!
Da arte novas concepções descubro
Todo me aflijo, lá fazem ideia...
Ai a ascensão da Lua em Outubro!
Tardes de Outubro! Ó tardes de novena
Outono! Mêsde Maio, na Lareira!
Tardes.....
Lá vem a Lua, gratiae plena
Do convento dos céus, a eterna freira!
O sol, qual brigue em chamas, morre
Nos longes de água.... Ó tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poesia escorre
E os bardos, a cismar, molham a pena!
Ao longe, os rios de águas prateadas
Por entre os verdes canaviais, esguios
São como estradas líquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!
Os choupos nus, tremendo, arrepiadinhos
O xaile pedem a quem vai passando...
E os seus leitos nupciais, os ninhos
As lavandiscas noivas piando, piando!
O orvalho cai do céu como unguento.
Abrem as bocas, aparando-os, os goivos;
E a laranjeira, aos repelões do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.
E o orvalho cai...e a falta de água, rega
O vale sem fruto, a terra árida e nua!
E o Padre-Oceano, lá de longe, prega
O seu sermão de lágrimas à lua!
A Lua! Ela não tarda aí, espera!
O mágico poder que ela possui
Sobre as sementes, sobre o oceano impera,
Sobre as mulheres grávidas influi...
Ai os meus nervos, quando a lua é cheia!
Da arte novas concepções descubro
Todo me aflijo, lá fazem ideia...
Ai a ascensão da Lua em Outubro!
Tardes de Outubro! Ó tardes de novena
Outono! Mêsde Maio, na Lareira!
Tardes.....
Lá vem a Lua, gratiae plena
Do convento dos céus, a eterna freira!
4 148
Al Berto
Tentativas para um Regresso à Terra
O sol ensina o único caminho
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforescente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras
falamos rios deste regresso e pelas margens ressoam
passos
os poços onde nos debruçamos aproximam-se
perigosamente
da ausência e da sede procuramos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome que nos isolou
de oásis em oásis
hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco
a planície
caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível dentro dos fragmentados corpos
e um dia......quem sabe?
chegaremos
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforescente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras
falamos rios deste regresso e pelas margens ressoam
passos
os poços onde nos debruçamos aproximam-se
perigosamente
da ausência e da sede procuramos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome que nos isolou
de oásis em oásis
hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco
a planície
caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível dentro dos fragmentados corpos
e um dia......quem sabe?
chegaremos
6 639
Tomáz Kim
Ladainha Para Qualquer Natal
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites:
Tumba de carne viva em ódio amortalhada,
Anunciando sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Que esta noite não seja para sempre
De fome pra lá de tantas portas
Como flor viçosa em campa rasa.
Que esta noite não seja para sempre
De amor vendido a horas mortas
E o pudor lembrando e a raiva queimando.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites:
Chaga aberta, como rubra flor de pesadelo,
Escorrendo sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
E seja para sempre esta noite
Cheia de graça na terra dos homens.
Assim seja
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites:
Tumba de carne viva em ódio amortalhada,
Anunciando sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Que esta noite não seja para sempre
De fome pra lá de tantas portas
Como flor viçosa em campa rasa.
Que esta noite não seja para sempre
De amor vendido a horas mortas
E o pudor lembrando e a raiva queimando.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites:
Chaga aberta, como rubra flor de pesadelo,
Escorrendo sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
E seja para sempre esta noite
Cheia de graça na terra dos homens.
Assim seja
2 291
Lúcio José Gusman
Dístico (II)
Tu ficarás comigo, enquanto um pássaro
houver que cante e sonhe na viagem.
E a noite que nos viu será eterna
sobre os campos úmidos da aurora.
Tu ficarás no vento e nas estrelas
e serás a alegria dos caminhos.
Tua presença cantará nas pedras,
teu riso meigo sorrirá nas flores.
E por onde eu seguir, como perdido,
tu estarás, tu ficarás comigo.
Para sempre.
Para sempre.
houver que cante e sonhe na viagem.
E a noite que nos viu será eterna
sobre os campos úmidos da aurora.
Tu ficarás no vento e nas estrelas
e serás a alegria dos caminhos.
Tua presença cantará nas pedras,
teu riso meigo sorrirá nas flores.
E por onde eu seguir, como perdido,
tu estarás, tu ficarás comigo.
Para sempre.
Para sempre.
911
Gláucia Lemos
Poema ao Amor Recém-Nascido
Vê, é crescente,
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.
Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.
Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.
Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.
Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.
Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.
Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!
Em uma lua crescente de 1996.
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.
Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.
Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.
Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.
Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.
Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.
Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!
Em uma lua crescente de 1996.
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Lêdo Ivo
Perdas e Danos
Losses and Privations
Quem dorme perde a noite.
Foge da eternidade,
candelabro cativo
na escuridão do céu.
Quem dorme perde o amor,
a vigília madura
da carne que se sonha
a si mesma acordada.
Quem dorme perde a morte
que respira escondida
como a lebre no bosque.
Quem dorme perde tudo
que o acaso deposita
na mesa do universo.
He who sleeps forfeits the night.
He shuns eternity,
a captive candelabrum
in the darkness of the sky.
He who sleeps forfeits love,
the mature vigil
of the fiesh that dreams itself
awakened.
He who sleeps forfeits death
that breathes unseen
like the hare in the forest.
He who sleeps forfeits everything
that fortune places
on the table of the universe.
Quem dorme perde a noite.
Foge da eternidade,
candelabro cativo
na escuridão do céu.
Quem dorme perde o amor,
a vigília madura
da carne que se sonha
a si mesma acordada.
Quem dorme perde a morte
que respira escondida
como a lebre no bosque.
Quem dorme perde tudo
que o acaso deposita
na mesa do universo.
He who sleeps forfeits the night.
He shuns eternity,
a captive candelabrum
in the darkness of the sky.
He who sleeps forfeits love,
the mature vigil
of the fiesh that dreams itself
awakened.
He who sleeps forfeits death
that breathes unseen
like the hare in the forest.
He who sleeps forfeits everything
that fortune places
on the table of the universe.
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