Cão
é muito admirado pelo Homem
porque acredita
na mão que o
alimenta. um
arranjo
perfeito. por
13 centavos ao
dia você tem
um assassino de aluguel que pensa
que você é
Deus. um
cão não sabe distinguir um nazista de um
republicano de um comuna de
um democrata. e, muitas vezes,
nem eu.
Minha Própria Triste História
este é um modo terrível de viver:
cercado pelos
sempre-
irados,
desalmados e
alucinados.
mas minhas experiências de juventude foram
muito parecidas.
eu deveria ter-me ajustado a isso
nessa altura.
desde meu raivoso e furioso
e mesquinho pai
até
o montão de mulheres
que veio depois
todas elas consumidas pela
depressão,
raiva inútil,
gritaria e
piedade de si
sem
sentido.
felicidade e simples alegria
pareciam a todas elas serem
apenas doenças a
erradicar.
minha própria
história:
este modo terrível de
viver.
mas sinto que agora agarrei
a vitória
sobre toda essa inútil
negra e furiosa
histeria.
sobrevivi a tudo
isso e
podem me dar porradas com suas
vidas raivosas e
me queimar em meu
leito de morte.
mas de algum modo
encontrei uma paz
perpétua
que nunca conseguirão
tirar
de mim.
9 Da Manhã
em chamas como um forte incendiado
a primeira nota de "impromptu" -
luz do sol -
agressora traidora
irrompendo através de beijos e perfume e nylon,
mostrando uma cidade com dentes quebrados
e leis loucas,
trazendo um beco em ruínas ao olho,
este diamante bruto;
e na palma da minha mão
uma pequena ferida
vermelho-cereja
que nem Cristo iria ignorar
enquanto as mulheres passam
arranhando suas mudanças de marcha arrebentadas
e cercas vivas e cães mimados
soltando fogo enquanto
você queima:
o sol das 9 da manhã
nos dá maçãs e putas
e agora agradecido
posso novamente me lembrar
de quando eu era jovem
de quando eu caminhava em ouro
de quando rios tinham espelhos
e não havia fim.
A Camiseta de Bandeira Americana
agora cada vez mais
toda essa gente por aí
usando a Camiseta de Bandeira Americana
e era mais ou menos suposto
(eu acho mas não tenho certeza)
que usar uma C.B.A. significa que você está mijando
nela
mas agora
eles continuam a fazê-las
e todo mundo continua a comprá-las
e a usá-las
e as caras são todas iguais
à Camiseta de Bandeira Americana -
esse aí tem essa cara e aquela camisa
esse aí tem aquela camisa e essa cara -
e alguém está gastando dinheiro
e alguém está ganhando dinheiro
e à medida que os patriotas ficarem
cada vez mais na moda
será bonito
quando todo mundo olhar ao redor
e achar que todos agora são patriotas
e daí
quem vai sobrar para
persegui-los
exceto seus
filhos?
Pague Seu Aluguel Ou Saia
em algum lugar a princesa morta
dorme com um novo amante;
só tenho alguns pacotes vazios de tocos
de cigarro que sobraram
pescados de volta pelas redes de anseios
mas tudo está bem
exceto a cor e a conduta
da abelha,
a cera demasiado vermelha
e um bilhete da mulher
na colina
que compra meus quadros:
"preocupada com você. ligue-
-me. amor. R.",
e outro bilhete sob a
porta:
"pague seu aluguel ou saia".
o aquecedor está ligado e
há um pote de pura pimenta
em pó a encarar-me,
e papel para datilografar
para preencher com poemas;
tudo está bem,
calçadas ecoam os cliques dos
saltos,
motores dão partida,
e eu tenho que lavar essas malditas
xícaras rachadas de café;
e eu me pergunto: como vai você hoje, meu
amigo?
como você está? desapontado?
infeliz?
eu? é duro. duro como um
bom poema.
mas eu me sinto muito bem,
e realmente,
essencialmente, daqui a pouco eu
vou comer
ou picadinho ou ensopado, qualquer coisa
de dentro de uma lata.
eu também poderei fazer levantamento de pesos e
espero
continuar me sentindo legal, embora meu
rádio esteja chiando
e fale de besteiras como
bons serviços de jatos;
agora são 7:30, e esse é
o jeito de homens
viverem e morrerem: não o jeito de Eliot
mas
meu jeito, nosso jeito,
quietos como uma asa fechada,
ódio queimado como em uma chaminé;
os lençóis baixando
rasgados pelo tempo
e à minha direita há uma faca que
não cortaria nem mesmo uma cebola
mas eu não tenho nenhuma cebola para
cortar, e
eu espero que você também
esteja se sentindo bem.
O Caixão da Criação
o talento para sofrer e suportar,
isso é nobreza, amigo.
o talento para sofrer e suportar
por uma ideia, um sentimento, um caminho,
isso é arte, meu amigo.
o talento para sofrer e suportar
quando o amor fracassa,
isso é o inferno, velho amigo.
nobreza, arte e inferno,
vamos falar um pouco de arte.
o destino é minha filha aleijada.
veja, é difícil,
eu contra eles,
com eles.
Kafka, deixe-me entrar!
Hemingway, cuidado!
Hegel, você é engraçado!
Cervantes, quer dizer que você escreveu aquele
romance com a idade de
80 anos?
grandes escritores são pessoas indecentes
eles vivem de modo injusto
guardando a melhor parte para o papel.
bons seres humanos salvam o mundo
para que desgraçados como eu possam continuar a criar arte,
a tornar-se imortais.
se você ler isto depois de eu estar morto há muito tempo
quer dizer que consegui.
assim, escritores do mundo
agora é a sua Vez
de abusar da sua mulher
e abusar de seus filhos
amem-se a si mesmos
vivam dos recursos dos outros
desgostem de toda arte criada antes e
durante seu tempo,
e desgostem ou até odeiem a humanidade
individualmente ou em massa.
desgraçados, mesmo se lerem isto
muito tempo depois de eu ter morrido
esqueçam-me. eu
provavelmente não era tão
bom assim.
2 Vistas
meu amigo diz, como é que você pode escrever tantos poemas
daí desta janela? eu escrevo, do útero,
ele me diz. a coisa escura da dor,
a ponta da pena da dor.
bom, isso impressiona muito
mas acontece que eu sei que nós dois recebemos uma boa quantidade de
cartas de recusa, fumamos uma boa quantidade de cigarros,
bebemos demais e tentamos roubar as mulheres
um do outro, o que não é poesia de jeito nenhum.
e ele me lê seus poemas
ele sempre me lê seus poemas
e eu ouço e não digo muita coisa,
olho pela janela,
e lá está a mesma rua
minha rua,
minha rua bêbada, ensolarada, enchuvarada, da
criançada,
e à noite olho para esta rua
às vezes
quando ela pensa que não a estou olhando,
os 1 ou 2 carros movendo-se silenciosamente,
o mesmo velho, ainda vivo, em sua
caminhada noturna,
as cortinas das casas cerradas,
o amor falhou mas
se aguenta
então vamos em frente.
mas agora é dia claro e as crianças
que algum dia serão homens velhos e mulheres velhas
caminhando através de seus últimos momentos,
essas crianças correm ao redor de um carro vermelho
gritando qualquer bobagem,
então meu amigo pousa seu poema.
bem, o que você acha?, ele pergunta.
tente assim e assim, eu cito uma revista
e então estranhamente
penso em guitarras sob o mar
tentando tocar música;
isso é triste e bom e quieto.
ele me vê parado à janela.
o que há lá fora?
olhe, eu digo,
e veja...
ele é 11 anos mais novo que eu.
ele se afasta da janela. eu preciso de uma cerveja,
não tenho mais cerveja.
caminho até a geladeira
e o assunto está encerrado.
Sobre Latas De Cerveja E Embalagens De Açúcar
o boi, eu,
eu estou com frio esta noite
esta manhã
as 4 da madrugada
só com uma lata de cerveja e 2
charutos;
mulher e criança saindo
quarta-feira;
o rádio toca uma ária escocesa e
o velho aquecedor solta
gás, gás, gás,
se eu apenas conseguisse dormir.
eu não consigo dormir.
a morte nem sempre chega como uma bomba
ou uma puta gorda
às vezes a morte rasteja polegada a polegada
como uma pequena aranha rastejando na sua barriga
enquanto você
dorme.
isso não é novidade para você,
eu sei.
as mãos do meu esqueleto rezam esta noite
rezam por algo
não sei
o quê.
minhas mãos seguram este charuto
sobre meu sonho
esvaziado.
eu sou
meio que uma piada suja
contada vezes demais contada tarde demais
quando as pessoas não conseguem mais
rir.
há uma embalagem na mesa.
leio seu rótulo, diz:
medidas de açúcar: 1 libra de pó igual a
4 e 1/2 xícaras coadas; 1 libra granulada igual a
2 e 1/2 xícaras etc.
agora, aí está um novo mundo! eu fico sentado e olho de soslaio a caixa,
esquecendo de tudo:
General Grant
sopa de ervilhas
etc.
o boi, eu, estou com frio esta noite.
amanhã vou à mercearia arrumar embalagens de cartolina vazias
para que eles possam empacotar suas
coisas. a mulher guarda toda espécie de cartas, retalhos,
fotografias. a garotinha, é claro, tem seus
brinquedos de garotinha.
preciso de mais para ler. leio minha lata de cerveja. diz:
fermentada com água pura de fonte da primavera de Rocky Mountain
que se converte em mijo; fermentada da carne que
se converte em repasto para vermes;
fermentada com amor que se converte em nada; minha terra e
sua terra; meu túmulo e seu túmulo; um gosto de
mel; um sonho de uma noite de ouro; eu vim por esse caminho por
um tempo e depois parti: fermentado, ferrado,
emprestado, cedido e mentido em nome da
Vida.
eu tomo essa cerveja.
paguei por
ela.
agora são 5:30 da manhã e muita gente fodeu e
dormiu e agora está saindo de seus pequenos sonhos enquanto
o homem no rádio pergunta se eu quero dinheiro emprestado por
minha casa.
consigo dormir com isso. consigo dormir pensando que
quem sabe na próxima vez em que houver tumultos nas ruas
quem sabe eles me deixem participar
mesmo minha pele sendo da cor errada
e enquanto eles estão lutando por Cadillacs e
TVs a cores
eu estarei lutando por outra coisa -
para quê
neste momento
não está claro para
mim.
mas pode ser que quando eu despertar tudo isso esteja claro
neste momento
é terminar o charuto
esperar pela mercearia abrir e
trocar esses shorts
sujos.
O Cavalo 7
dois velhos atrás de mim estão conversando.
"olhe o cavalo 7. dá pule de 35.
como é que pode, pule de 35?"
"é, para mim também parece bom", diz
o outro velho.
"vamos apostar nele."
eles se levantam para fazer as apostas.
já apostei 40 na ponta
no segundo favorito.
ganho a cada quatro de cinco dias na
pista de corridas. não parece ser
um problema.
abro meu jornal, leio o caderno de
finanças, fico deprimido, mudo para a primeira
página procurando roubo, estupro, assassinato.
os dois velhos voltam.
"olha, o cavalo 7 agora dá pule de 40",
diz um deles.
"não acredito!", diz o
outro.
os cavalos vão para a partida, a
bandeira se ergue, eles
saem.
é uma milha e 1/16 avos, eles
dão a primeira volta, correm pela reta,
dão a última volta, seguem pela reta final,
alcançam a chegada.
o 20 favorito ganha por uma cabeça, paga
$7,80. eu ganho $116,00.
há silêncio atrás de mim.
então um dos velhos diz, "o cavalo 7
não correu nada".
"nada", diz o outro. "não consigo entender
isso."
"vai ver o jóquei nem tentou", diz
seu amigo.
"deve ser isso", diz
o outro.
como a maioria dos outros do mundo
eles acreditam que o fracasso
é causado por algum fator
para além deles.
observo os dois velhos enquanto eles
se debruçam sobre o boletim das corridas
para fazer uma seleção no
próximo páreo.
"ih, olha essa!", diz um deles.
"tem Red Rabbit com 10 para 1
na lista. ele parece melhor
que o favorito."
"vamos apostar nele", diz o outro
velho.
eles deixam seus lugares e se movem delicadamente até o
guichê de apostas.
O Suicídio
eu havia recentemente enterrado uma mulher com a qual vivi
por três anos
estava entre empregos
meus dentes apodrecendo na minha boca
(liquidei a dor com aspirina e
cerveja)
eu estava sentado no sofá quebrado
olhando o entardecer transformar-se em noite
quando o telefone tocou.
era Morrie.
"sim, Morrie?"
"ouça, Mark está aqui. ele diz que tem que
vê-lo! ele diz que vai cometer
suicídio!"
"ponha-o na linha..."
"não, ele não pode falar, ele
pirou!"
pisei em uma barata que passava.
"passe-me seu pai", eu lhe disse.
Bernie pegou o fone.
"escute, Bernie", eu disse, "que besteira
é essa sobre Mark?"
"é verdade! ele disse que se você não
vier já para cá ele vai se matar!
ele precisa de ajuda, Hank!"
"você acha que ele realmente vai
fazer isso?"
"eu não brincaria com uma coisa
dessas!"
"é longe até San Bernardino."
"são apenas 50 milhas! você pode fazer
em 45 minutos."
"tudo certo, Bernie..."
terminei minha cerveja, andei até meu
carro velho de 12 anos.
deu partida e peguei a
autoestrada.
foi uma viagem longa, sombria e estúpida.
Mark era uma dessas pessoas que
sempre insistiam que nossa amizade
era de verdade
pouco importando quanto esforço eu
fizesse para
ficar longe dele.
eu finalmente parei na frente da
casa.
desci do carro, bati na porta.
Morrie atendeu à porta.
ele tinha um tique na cabeça.
quando algo o aborrecia sua
cabeça começava a pular.
ela estava pulando por toda a
entrada da casa.
"Mark tem estado conosco",
ele disse, "pelas últimas duas
semanas."
entrei.
Mark estava sentado no sofá
segurando uma cerveja.
sorriu para mim.
estava usando o velho roupão
de Bernie.
não aparentava
estar
contemplando
suicídio.
"onde está seu pai?", perguntei
a Morrie.
"foi dormir. foi para a
cama. ele não está
passando bem."
"são apenas 7: 30."
"ele não está passando bem."
eu me sentei. havia um fogo aceso
na lareira.
"que tal uma cerveja?", Morrie perguntou,
sua cabeça pulando.
"com certeza. cadê sua mãe?"
"ela não está em casa."
Mark pigarreou. então, em sua
voz calma, começou a falar sobre a
escrita dele: agora estava fixado em serial killers. ele
havia escrito um romance. tinha uma
agente. fora vê-la naquela
tarde. ela tinha uma piscina.
haviam nadado juntos na piscina. ela
era um pedação de mulher com grandes conexões.
entendia que sua escrita era excepcional.
ela ia assumir sua carreira e
torná-lo famoso e...
desliguei enquanto ele seguia em frente e seguia em frente.
ele estava usando um lenço de seda ao redor de seu pescoço
gordo.
terminei minha cerveja e Morrie levantou-se de um pulo,
a cabeça saltitando, e me deu outra.
então ouvi de novo a voz de Mark. "sua
escrita me lembra muito a
minha!"
Morrie me deu a cerveja. tomei um bom
gole e olhei a lareira. um
pedaço de madeira estalou naquele momento, uma
fagulha vermelha se soltou, subiu e caiu
para trás.
aquilo foi bonito. aquilo foi bonito e de algum modo
tranquilizador
"gostaria que você lesse um capítulo do meu
romance", Mark disse. "você tem aquela pasta
azul, Morrie?"
Morrie tinha. ele a pôs cuidadosamente em meu
colo.
eu a abri, fui para a primeira página
e comecei a ler...
Mark não sabia escrever, nunca soube.
eu continuei lendo, meus dentes começando a doer.
perguntei para Morrie,
"você tem algum uísque?"
Morrie foi buscar enquanto Mark permanecia sentado ereto
no roupão velho de Morrie, esperando
por minhas palavras de elogio.
eu acharia um jeito de deixá-lo pra lá facilmente
tomara que
sem mentir.
o uísque chegou e tomei um trago
segui na leitura
bebendo
olhando o fogo.
a cabeça de Morrie continuava a pular.
por que certos indivíduos nunca percebem o quanto
são chatos?
ou eles sabem e simplesmente não
ligam?
continuei a ler, desesperançada-
mente.