Canção
Chove e da janela
vejo as andorinhas
no poleiro dos fios
grossos da água
de muitos dias.
De asas molhadas
sacodem-se,
bicam e se encolhem
tristinhas.
Estou com duas blusas,
queria jogar-lhes uma
e sem poder
conto os fios.
São cinco — uma pauta
e as gotas dágua
caem como notas
de uma canção.
O Sorvete
Colorido, gostoso
este meu sorvete!
Seguro a casquinha
e bebo a doçura
que desce de leve
para dentro de mim.
Meu estômago está alegre
como meu coração:
— dois lindos morangos.
A Borboleta Azul
Nosso jardim é uma festa
de borboletas:
pequenas e grandes,
listradas,
amarelas e pretas
e uma pintadinha
que é uma graça.
Mas a azul, azulzinha,
a preferida,
é como se fosse
minha filhinha:
vi-a nascer da lagarta,
virou crisálida,
depois borboleta.
Quando voou
pela primeira vez
bati palmas: Vivô!!!
Voa e volta leve,
azul, azulzinha
e pousa num cacho
de rosas brancas
sua casinha.
Às vezes se ajeita,
mansinha,
tomando a forma
de um coração.
Seu corpo sedoso,
macio,
parece vestido
com pano do céu.
O Rio
A água vai passando
limpinha, limpinha,
espelho do caminho
onde muita gente para,
a se mirar...
Fico olhando...
é bom ver a água passar.
Fraquinha,
na gruta escondida nasceu.
Bebeu o orvalho da serra,
pelo vale desceu,
retratando a paisagem.
E as folhas emurchecidas,
a sua frescura,
reverdeceram-se
milagrosamente.
Rio, recebeu riachos e córregos,
cresceu... ficou importante,
e pontes ganhou
para a estrada
que o engenheiro
traçou.
Encontrou umas pedras,
tropeçou... e, em caídas e quedas,
morro abaixo rolou,
virou cachoeira,
girou, girou,
energia e força
fazendo gerar.
Ergueu-se
em saltos de espuma
e, lá longe, longe
se abriu em remanso...
Foi descansar
junto aos boizinhos
que estavam a pastar...
Depois , as cidades
irá limpar,
antes de correr pro mar.
Destino de água corrente,
faz a gente pensar.
Noite no Mar
O mar é massa dágua
que dos rios do mundo
vem.
Tem correntezas,
tem profundezas,
os maiores perigos
tem.
Mas, de noite, a sonhar
na solidão da praia,
apenas sentimos
o imenso mistério
do mar.
Manequinho
Mecânico, automático,
parece um menino verdadeiro
este boneco engraçadinho
que batizei de Manequinho.
Anda, olha, trabalha,
cumpre ordens
como escravo,
fala, gargalha
e dá até berro.
Só não aprendeu a sorrir
com seus lábios e dentes
de ferro.
Dei um beliscão nele
não pegou,
dei um biscoito
nem ligou.
E é gordo e robusto, como é!
pois só come e consome
energia elétrica, não é ?!
Fico horas observando este robô
que está sempre comigo:
— Quero ver se ele sabe ser amigo
A Floresta
A floresta é fortaleza
de verdes castelos.
Unem-se as copas
em tetos curvos
verde variado, veludo
— abóbada de beleza —
que lenhosas colunas
sustentam.
Farfalha o vento em volta
da folhagem fechada,
onde nem o sol pode penetrar.
Sobem heras,
descem lianas
que se alastram às raízes,
entre musgos e nascentes,
brotando nas sombras.
Mora o silêncio
nas grutas de mistério.
Mas a vida vem,
vem de pios, cicios,
estalos, rumores,
alaridos, zumbidos,
entre mil aromas
de resinas e flores.
A vida vem
dos pássaros que cantam
e dos ninhos pendurados
nos ramos.
O Vento
Eu gosto do vento
e neste momento
vejo-o passar.
Ele faz coisas boas
que fazem pensar.
Da minha janela
fico horas
ouvindo-o falar.
Histórias bonitas,
de terras distantes,
ele sabe contar.
E palavras e idéias
colhe no mundo
para ensinar.
E canções e cantos
o vento traz tantos!
Trá-lá-li... Trá-lá-lá...
Traz o ar da montanha,
os marulhos do mar
e perfumes tão puros
que o mando parar:
Ô vento, volta, volta,
vem cá!
Idéias
As idéias moram
no pensamento
ou na mente
que tem sua casinha
na cabeça da gente.
Vão e vêm, viajam
na terra ou no mar.
Descansam, param,
saltam e voam alto
e longe, no azul do ar.
Dispensam carro
navio ou avião,
pois, se transportam
pela imaginação.
Podem nascer obscuras,
mas, se é uma idéia legal
brilha logo, lâmpada acesa,
pela Vontade e pelo Ideal.
Alimentam-se
umas das outras,
de lembranças,
de conversas,
de belas gravuras
ou boas leituras
e também da natureza
em sua simples beleza.
Mas, a idéia mais feliz,
a maior, a mais viva,
que sustenta os sonhos meus
— é a idéia de Deus.
Lição de Mitologia
Era deus com d pequeno
dizia o pai — o deus Apolo —
porque com D grande
só o Deus verdadeiro
— Senhor do mundo inteiro.
Foi deus da luz, da beleza,
da juventude. E protegia
a dança, música e poesia.
Manejava bem flecha e lira
a pé, em passos ritmados
ou em carros puxados
por cavalos brancos
de rédeas de ouro.
Herói de muitas batalhas,
dono de templos,
vivia o presente
e o futuro conhecia,
capaz de qualquer magia.
Mas, gostava mesmo
era de bailar no ar
e tocar e cantar
para encantar os homens...
— E por que ele não volta? —
interrompia o menino
ao pai que respondia:
— Apolo é mito ou lenda
que conhecemos da Mitologia.