Dúvida
Pelo alegre bosque,
como Chapeuzinho Vermelho,
vou seguindo...
embora meus cabelos soltos
esvoacem à brisa da manhã.
Estou feliz:
passarinhos cantam,
zumbem insetos,
florezinhas exalam
doces perfumes.
Não sei como o lobo mau
pôde aparecer num lugar assim.
ABC da Flor
Flor-abelha
Flor-alegria
Flor-alimento
Flor-amor
Flor-beleza
Flor-borboleta
Flor-colibri
Flor-orvalho
Flor-perfume
Flor-silêncio
Flor-sonho
Flor-vida,
Vida de flor.
Noite no Mar
O mar é massa dágua
que dos rios do mundo
vem.
Tem correntezas,
tem profundezas,
os maiores perigos
tem.
Mas, de noite, a sonhar
na solidão da praia,
apenas sentimos
o imenso mistério
do mar.
Brinquedo
O dado no dedo,
o dedo no dado.
Conto os pontos:
um-dois-três-
quatro-cinco-seis.
As bolinhas
bem redondinhas
em cada lado.
Atiro um punhado
de cada vez.
O branco no preto,
o preto no branco
do quadradinho.
Não sei se de osso,
madeira ou marfim,
os dados deste saquinho
que mamãe comprou pra mim.
Eu e a Maçã
A maçã é redonda,
vermelha,
lisinha
e na haste seca
tem uma folhinha.
É tão linda
que nem quero comê-la
e vou guardá-la,
enquanto puder,
pois, ao vê-la,
fico alegre
e sinto meu rosto
parecido com ela.
O Sorvete
Colorido, gostoso
este meu sorvete!
Seguro a casquinha
e bebo a doçura
que desce de leve
para dentro de mim.
Meu estômago está alegre
como meu coração:
— dois lindos morangos.
Viagem
Lá vai o navio,
cortando o mar.
Lá vai o avião,
furando o ar.
É azul o céu
e verde o mar.
E eu fico pensando
na cor da saudade
que os viajantes levam
da terra e do lar.
Mundo Antigo
Vovó parece poeta e gosta de falar do mundo antigo.— Será porque ela veio de Vigo?
Conta históriasde serpentes voadoras, formigas caçadoras de ouro e homens de pés pra trás.
Cita nomes engraçadoscomo Babilônia,Macedônia,Mesopotâmia.
Descreve viagense navegaçõesde cavaleiros,marinheiros,descobridores,mercadorespelas terraspelos mares...Mas, pelos ares, não!só depois de Santos Dumont.
Com vovó aprendi que o mapa- múndi cresceu no caminho dos rios, nas monções do mar e as idéias se alargaram na rota das estrelas pela civilização
Meu Lenço
Um pedacinho de pano
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
Vaivém
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.