Astronauta
Entrar num satélite,
mergulhar no horizonte
pela azul distância.
Encontrar as estrelas
na esfera imensa,
dando adeusinho
aos corpos celestes.
Com a velocidade da luz,
tomar o rumo de Saturno
e ficar na órbita
do planeta fascinante:
as palmas bailando,
os anéis luminosos
nos dedos de minhas mãos.
A Água
Subterrânea e purificada
por um filtro natural,
a água vem,
jorra nas fontes,
faz gluglu nas torneiras
para nosso bem.
Água de silêncio
dos remansos e lagos,
mar, rio, cachoeira
que se despenha
em borbotões —
força motriz
e energia também.
Na pia batismal,
no corpo e no campo,
na flor e no fruto,
na seiva e no sumo,
no orvalho e no vinho,
a água
faz leito e caminho
de bela missão.
Poesia e Flor
Uma rosa de alegria
não pode durar um dia.
Um lírio de haste frágil
precisa de um braço ágil.
Margarida branca ou amarela
— exemplo de vida singela.
Um cravo não nos embala
só pelo perfume que exala.
Amor-perfeito, nome e flor
lembram um bem superior.
Nem tudo uma flor nos diz
apenas pelo seu matiz.
Cai a tarde, a noite vem
e a flor repousa também.
Veja a flor como é feliz
quando alimenta os colibris.
Anjos sobrevoaram a natureza
trazendo às flores beleza.
E nesse momento de amor
Deus uniu Poesia e Flor.
Meu Lenço
Um pedacinho de pano
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
O Banho do Beija-Flor
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
Na Praia
Meus pés na areia
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
Quintal de Sonho
A menina dorme
e uma cortina
branca e leve
cobre seus olhos
no quarto enorme
e sem paredes.
Crescem cenouras, tomates,
rabanetes, beterrabas,
legumes coloridos
que colorem sua cabeça
num quintal de Sonho,
na horta do Amor
que não precisa de adubo,
nem de enxada,
nem de capinador.
A menina acorda
à hora da colheita
e dá "Bom-dia!"
aos lindos legumes
que não vai comer.
São da horta do Amor
e um a um vai oferecer.
Angorás
Coelhinhos brancos,
no parque,
correm e brincam.
Ágeis patas,
orelhas alertas,
pontilhando o ar.
Alvíssimos, fofos,
olhos de contas,
sutilizam-se
no verde, veja-os:
Dois coelhinhos
de carícia
e Paz.
Luisinho
Na manhã de luz
e "deveres para casa",
preso no apartamento,
Luisinho, tonto, não sabe
controlar o pensamento.
Faz subir às paredes
árvores, passarinhos
e põe no chão a nadar
lindos peixinhos.
Olha a altura do teto
pensa e pergunta enfim:
— Será que cabem na sala
as palmeiras do jardim?
Do campo da imaginação
vem uma bola pulando
entre cadernos e livros.
E o menino erra as contas,
desalinha a escrita
e feia torna a letra bonita.
Depois sobe no patinete,
rodando sobre o carpete,
logo tirando um fininho...
Porque a mãe aparece,
zanga e ralha com Luisinho
que quer estudar e brincar
ao mesmo tempo!... Bobinho,
ele ainda não aprendeu
que cada coisa tem hora
e tem também seu lugar.
Viagem
Lá vai o navio,
cortando o mar.
Lá vai o avião,
furando o ar.
É azul o céu
e verde o mar.
E eu fico pensando
na cor da saudade
que os viajantes levam
da terra e do lar.