Cleonice Rainho

Cleonice Rainho

Cleonice Rainho foi uma escritora e poeta portuguesa, cuja obra se insere no contexto da poesia contemporânea. Embora menos conhecida do grande público, a sua escrita revela uma sensibilidade particular para a expressão de sentimentos e observações sobre a vida. A sua contribuição literária, marcada por uma linguagem pessoal e reflexiva, explora temas que tocam na intimidade e na perceção do mundo ao seu redor. O seu legado, ainda que modesto em termos de projeção, representa um testemunho da diversidade de vozes na literatura portuguesa.

n. , Luanda · m. , Venecia

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Saci-Pererê

Bonequinho preto
de uma perna só,
cachimbo na boca
e gorro vermelho
— fogo vivo de suas magias.

Original e engraçadinho
podia ser de qualquer cor
ou de qualquer raça,
esse negrinho,
pois já virou
até passarinho...

Molequinho esperto
levado, faz artes
como Pedro Malazartes
e pelas estradas
aos viajantes persegue
— traidor como quê
esse Saci-Pererê.

Mas no nosso carro,
ele dança e pula
com um pé só,
sem ouvir vovó
que conta sua lenda e diz:
— Pra nós é um mascote,
símbolo de sorte
dessa viagem feliz.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Cleonice Rainho foi uma escritora e poeta portuguesa. Informações detalhadas sobre a sua vida e obra, incluindo datas de nascimento e morte, ou o seu contexto familiar e social, são escassas em fontes publicamente acessíveis.

Infância e formação

Não existem informações detalhadas disponíveis sobre a infância e formação de Cleonice Rainho que permitam delinear influências específicas ou movimentos culturais que a tenham marcado.

Percurso literário

O percurso literário de Cleonice Rainho parece ter sido centrado na poesia. A sua obra, embora não tenha alcançado grande notoriedade, representa uma expressão da sua visão do mundo e dos seus sentimentos. Não há registos públicos sobre colaborações em publicações ou outras atividades literárias mais amplas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Cleonice Rainho, na sua escassez de registos, sugere um estilo pessoal e introspectivo. Os temas abordados na sua poesia tendem a focar-se em observações do quotidiano, sentimentos íntimos e reflexões sobre a vida. A linguagem utilizada é, presumivelmente, procuraria expressar uma sensibilidade particular, embora a falta de acesso a um corpus significativo da sua obra limite uma análise mais aprofundada das suas características formais e estilísticas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Dado o parco acesso a informações biográficas e literárias sobre Cleonice Rainho, é difícil situá-la num contexto cultural e histórico específico ou relacioná-la com movimentos literários ou eventos da sua época.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Não há informações públicas disponíveis sobre a vida pessoal de Cleonice Rainho, relações, crenças ou posições políticas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção da obra de Cleonice Rainho parecem ter sido limitados, não havendo registos de prémios, distinções ou estudos académicos significativos sobre a sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sem informações mais detalhadas sobre a sua obra e contexto, é difícil identificar influências específicas ou o legado que Cleonice Rainho possa ter deixado na literatura.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A ausência de estudos críticos e de acesso a um corpo extenso da sua obra impede qualquer tentativa de interpretação ou análise crítica aprofundada.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não existem curiosidades ou aspetos menos conhecidos sobre Cleonice Rainho que sejam publicamente documentados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a data ou circunstâncias da morte de Cleonice Rainho, nem sobre publicações póstumas.

Poemas

50

Dúvida

Pelo alegre bosque,
como Chapeuzinho Vermelho,
vou seguindo...
embora meus cabelos soltos
esvoacem à brisa da manhã.

Estou feliz:
passarinhos cantam,
zumbem insetos,
florezinhas exalam
doces perfumes.

Não sei como o lobo mau
pôde aparecer num lugar assim.

1 101

Quintal de Sonho

A menina dorme
e uma cortina
branca e leve
cobre seus olhos
no quarto enorme
e sem paredes.

Crescem cenouras, tomates,
rabanetes, beterrabas,
legumes coloridos
que colorem sua cabeça
num quintal de Sonho,
na horta do Amor
que não precisa de adubo,
nem de enxada,
nem de capinador.

A menina acorda
à hora da colheita
e dá "Bom-dia!"
aos lindos legumes
que não vai comer.

São da horta do Amor
e um a um vai oferecer.

1 235

Vaivém

Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.

Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.

1 612

Viagem

Lá vai o navio,
cortando o mar.

Lá vai o avião,
furando o ar.

É azul o céu
e verde o mar.

E eu fico pensando
na cor da saudade
que os viajantes levam
da terra e do lar.

1 261

Poesia e Flor

Uma rosa de alegria
não pode durar um dia.

Um lírio de haste frágil
precisa de um braço ágil.

Margarida branca ou amarela
— exemplo de vida singela.

Um cravo não nos embala
só pelo perfume que exala.

Amor-perfeito, nome e flor
lembram um bem superior.

Nem tudo uma flor nos diz
apenas pelo seu matiz.

Cai a tarde, a noite vem
e a flor repousa também.

Veja a flor como é feliz
quando alimenta os colibris.

Anjos sobrevoaram a natureza
trazendo às flores beleza.

E nesse momento de amor
Deus uniu Poesia e Flor.

1 109

No Jardim

De um em um
vou colhendo
os balõezinhos dos beijos.
Parecem cápsulas
estufadinhas
e ploc... plec ... ploc...
vão estalando,
como se fizessem
uma revolução
dentro da minha mão.

Tão pequeninas,
as sementes
são como pontinhos
e se espalham
tantas, tantas,
mais de um milhão.

— Sossega, Seu Balãozinho!
— Fiquem quietinhas!—
digo às sementinhas,
pois, no quintal
de meu vizinho
elas vão formar
um novo beijal.

871

O Banho do Beija-Flor

De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.

Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.

O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.

Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.

928

Gaivotas

Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.

Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.

Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.

Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.

Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.

911

Meu Lenço

Um pedacinho de pano
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.

Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.

Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...

Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.

1 320

O Sino

Os braços longos
nas longas cordas,
a torre e o bronze
os sons do sino.

Cresce a capelinha,
o cruzeiro se eleva,
mais puro e santo
aos sons do sino.

Em pleno dia
de luz e brilhos
badaladas de sol
os sons do sino.

Dormem as plantas,
animais se recolhem
na tarde de sombras
aos sons do sino.

Também me recolho
bem dentro de mim,
guardando a melodia
dos sons do sino.

E minha alma em paz
é uma colina azul,
paisagem do céu
pelos sons do sino.

1 311

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