Carrossel
Upa, meu cavalinho,
deixemos os patos pra trás.
Carrinhos, podem parar.
Upa, meu cavalinho,
nosso círculo não pode fechar.
Com a crina vermelha ao vento,
galopa no espaço, comendo ar.
Seu eixo é nosso desejo,
suas patas livres a alegria
dos meninos do parque
que, no seu dorso liso,
galopando, galopando
sobre a terra e o mar,
o mundo querem ganhar.
As Tias
Tenho mais tias
que as titias,
irmãs da mãe e do pai.
Vejam só:
uma tia me ensina
a dançar,
outra me ensina
a rezar,
uma senta comigo
para historinhas
contar,
outra me olha
a brincar,
uma...
outra...
Mas, a tia
de quem mais gosto...
— Posso falar?
É a que mostra
as sementinhas das letras
e me faz ler e estudar.
No Jardim
De um em um
vou colhendo
os balõezinhos dos beijos.
Parecem cápsulas
estufadinhas
e ploc... plec ... ploc...
vão estalando,
como se fizessem
uma revolução
dentro da minha mão.
Tão pequeninas,
as sementes
são como pontinhos
e se espalham
tantas, tantas,
mais de um milhão.
— Sossega, Seu Balãozinho!
— Fiquem quietinhas!—
digo às sementinhas,
pois, no quintal
de meu vizinho
elas vão formar
um novo beijal.
Lembrança
Neste cesto oval,
umas graúdas,
outras miúdas
as mangas... um visual
muito especial.
A casca verde, rosada,
amarela ou pintada
envolve a fruta saborosa
e tão carnosa
que põe linha nos dentes
e esconde as sementes
— cada caroção!
Espada, espadinha,
rosa, a de ubá
e a carlotinha...
Tanta fartura
da fruta madura
traz ao apartamento
nossa casa de quintal
— a linda mangueira
onde papai certa vez
alegre gangorra fez:
meu brinquedo de criança
que ainda agora me balança
neste belo cesto oval.
Peixinhos
À beira dágua calminha,
o aquário mais natural,
eu paro olhando os peixinhos
que brilham como cristal.
Entre o verde e humildes flores
observo meus amiguinhos
que, alegres, nadam, entrando
e saindo de seus cantinhos.
Armo casinha com torres
e sobre uma pedra ponho:
— é o palácio dos peixes
e meu castelo de sonho.
A ver quem vai ser o rei,
no espelho dágua mirando,
de cada qual o jeitinho,
com que prazer vou notando!
Parece pepita de ouro
um pequeno, o Douradinho;
magro e comprido o Agulhinha
e Bolinha, o gorduchinho.
Assim, esses peixes lindos,
na manhã vou batizando,
mas, vejo que vão e voltam
só nadando... só nadando...
Sem nomes, sonhos, palácios,
fugindo à rede e ao anzol,
as nadadeiras abrindo,
festejam a luz do sol.
Por Isso, ao voltar do rio,
me comparo aos amiguinhos
tão simples e naturais
que querem ser só peixinhos...
Na Praia
Meus pés na areia
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
Minha Rainha
Minha mestra é igual mamãe:
amiga, me dá a mão,
abre meu caminho
e põe sentimentos bons
no meu coração.
Minha mestra é inteligente,
tem o dom da bondade
e sabe orientar, ensinar,
fazer a gente
descobrir a verdade
de muitas coisas.
Transmite idéias novas,
que pergunta nas provas,
e... imaginem! também
sabe, como ninguém,
segurar meu pensamento
no exato momento
em que ele quer vadiar...
Minha mestra é minha tia
de mentirinha,
mas, na escola, em casa,
em qualquer lugar,
ela é igual mamãe:
— Minha Rainha!
Por isso, hoje, seu dia,
— Mestra minha, tão querida —
ponho-lhe uma coroa de flores,
para enaltecer sua vida
e aumentar minha. alegria.
O Banho do Beija-Flor
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
Manequinho
Mecânico, automático,
parece um menino verdadeiro
este boneco engraçadinho
que batizei de Manequinho.
Anda, olha, trabalha,
cumpre ordens
como escravo,
fala, gargalha
e dá até berro.
Só não aprendeu a sorrir
com seus lábios e dentes
de ferro.
Dei um beliscão nele
não pegou,
dei um biscoito
nem ligou.
E é gordo e robusto, como é!
pois só come e consome
energia elétrica, não é ?!
Fico horas observando este robô
que está sempre comigo:
— Quero ver se ele sabe ser amigo
Gaivotas
Vêm e voam,
asas coloridas,
ao fulgor do sol.
Umas guiam as outras
na pureza e paz
do vôo fraterno.
Vigiam as ondas,
aos borrifos dágua,
pra lá e pra cá.
Maiores, menores,
abaixo, acima,
um bailado
verdeazul,
no ar molhado
do mar.
Quando beijam a água,
engolindo o peixe,
é errada e torta
a dança das gaivotas
cegas
pelo ardor do sal.