André Veiga - Poemas e Poesias

André Veiga - Poemas e Poesias

n. 1983

n. 1983 , Brasil

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O Voo da Juventude

Os dias dourados da infância passaram

as asas dos sonhos no vento voaram

Restou a saudade daquela inocência

a doce e breve e frágil essência

 

Hoje o peso do mundo nas costas recai

e a gente tropeça e levanta e cai

aprendendo a duras penas que crescer

é perder o encanto para poder viver

 

O tempo da festa cedeu lugar

às obrigações que mandam cobrar

o imposto dos anos é a conta da lida

na dura arena da própria vida

 

Mas mesmo no meio de tanto labor

resta no peito um resquício de amor

a brasa viva que insiste em queimar

e nos lembra o tempo de sonhar

 

Pois a juventude não mora no corpo que passa

mas na alma que guarda a eterna graça

a coragem limpa de quem quer sorrir

e a força bonita de resistir

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Poemas

20

O Voo da Juventude

Os dias dourados da infância passaram

as asas dos sonhos no vento voaram

Restou a saudade daquela inocência

a doce e breve e frágil essência

 

Hoje o peso do mundo nas costas recai

e a gente tropeça e levanta e cai

aprendendo a duras penas que crescer

é perder o encanto para poder viver

 

O tempo da festa cedeu lugar

às obrigações que mandam cobrar

o imposto dos anos é a conta da lida

na dura arena da própria vida

 

Mas mesmo no meio de tanto labor

resta no peito um resquício de amor

a brasa viva que insiste em queimar

e nos lembra o tempo de sonhar

 

Pois a juventude não mora no corpo que passa

mas na alma que guarda a eterna graça

a coragem limpa de quem quer sorrir

e a força bonita de resistir

16

A Semente do Amanhã

Lançamos sementes no solo incerto

sem saber se o fruto virá de perto

O futuro é um livro que está por vir

mas insistimos em nos ferir

com as lembranças do que passou

com o rancor que o peito machucou

 

A vida exige coragem e fé

para manter o homem de pé

Cada escolha é um ato de plantio

que enfrenta o vento a fome e o frio

 

O que colhemos na estação tardia

é reflexo exato da nossa porfia

do cuidado que tivemos ao regar

os sonhos que ousamos realizar

 

Por isso é preciso plantar com amor

mesmo sabendo que há espinhos e dor

pois só a semente lançada na terra

faz brotar a paz que o mundo encerra

 

E quando o tempo colher o que foi dado

veremos que o esforço valeu cada lado

deixando frutos de luz e de bem

para quem vier depois de nós também

17

O Silêncio na Cidade Grande

O barulho das ruas ensurdece a mente

enquanto a alma padece ausente

Milhões de passos cruzam a calçada

mas a solidão caminha dada e dada

 

Ninguém conhece a dor do vizinho

cada um segue o seu próprio caminho

Na multidão densa o que há de mais forte

é o frio silêncio que beija a morte

 

As janelas fechadas guardam segredos

e medos ocultos e profundos enredos

As luzes acesas iluminam a dor

de um mundo carente de paz e amor

 

O progresso avança com passos de gigante

mas deixa o homem cada vez mais distante

de sua essência, de sua própria raiz

vagueando perdido no que quis

 

E no meio do caos que o dia traz

o silêncio da alma clama por paz

buscando um refúgio longe do chão

onde o barulho não reine na amplidão

17

A Dança das Máscaras

Na praça pública a festa começou

cada criatura o seu papel encenou

Sorrisos falsos na vitrine da dor

fingindo a graça de um falso calor

 

Ninguém ousa mostrar o rosto nu

temendo o julgamento de tu e de eu

Vivemos presos na representação

esquecendo o brilho do coração

 

A careta bonita esconde o pranto

enquanto o mundo exige o encanto

de uma alegria que não existe

no peito de quem caminha triste

 

Trocamos a verdade por aceitação

vendendo a alma por validação

sem perceber que a máscara pesada

só nos afasta da estrada amada

 

Até que caia o disfarce no chão

e sobre a alma em sua nudez e perdão

mostrando ao mundo que ser de verdade

é a única forma de ter liberdade

15

A Rotina no Mundo de Cimento

As torres de aço tocam o céu

enquanto o homem caminha no véu

da ilusão diária que o faz esquecer

o verdadeiro motivo de seu viver

 

O despertador toca a mesma canção

alimentando a engrenagem da ilusão

E assim se vão os anos e os dias

trocando a vida por meras porfias

 

Nos trens lotados de rostos sem cor

viaja a pressa a angústia e a dor

Ninguém se olha e  ninguém quer saber

para onde corre a força do ser

 

As horas de trabalho consomem a luz

enquanto a rotina carrega a cruz

de uma existência que perdeu o sentido

no meio do asfalto cinzento e ruído

 

Até que a noite recubra a cidade

e o homem desperte de sua vaidade

pensando se vale a pena esse fardo

de viver o dia sem rumo e sem marco

18

A Ilusão do Espelho

Olhamos a face que o tempo moldou

buscando o jovem que o vento levou

As rugas contam histórias de dor

de perdas de lutas e de falso amor

 

Mas sob a carcaça que o mundo vê

resiste a alma que ainda quer crer

O espelho reflete o corpo cansado

mas nunca o sonho que foi sonhado

 

Julgamos a imagem que está no cristal

esquecendo o ser que é transcendental

A carne desaba e a beleza se vai

enquanto o homem tropeça e cai

 

E nessa busca por juventude vã

perdemos a graça de cada manhã

presos à vaidade que cega a visão

e empobrece o nosso coração

 

Até que os olhos aprendam a ver

que a verdadeira essência de ser

não reside na pele que o tempo desfaz

mas na paz que o espírito traz

17

O Peso do Relógio

Os ponteiros avançam sem pedir licença

ditando o ritmo da nossa existência

Corremos atrás do vento

buscando o tempo que escapa no momento

 

A vida passa em um sopro ligeiro

transformando em pó o nosso dinheiro

E no fim da estrada o que fica guardado

é apenas o eco do que foi amado

 

O relógio não para de tique-taquear

lembrando a todos que é preciso aceitar

que cada segundo que foge na mão

já não retorna para o coração

 

Carregamos o fardo dos dias que vão

sempre buscando uma nova razão

mas o tempo soberano e tirano

zomba dos planos do ser humano

 

Até que o dia se encerre afinal

e compreendamos o ciclo mortal

vendo que o tempo não nos pertence

pois tudo passa e a alma silencia e vence

14

O Sagrado Cotidiano

Procuramos milagres em terras distantes

em luzes divinas e em fogos reinantes

sem perceber que o sagrado reside

no gesto simples que o dia divide

 

Na xícara de café fumegante

no abraço apertado de um ente amante

no raio de sol que ilumina a janela

está a vida em sua cor mais bela

 

O extraordinário mora na rotina

na graça invisível que nos ilumina

transformando o pó do dia comum

em ouro puro para cada um

 

Basta abrir os olhos e desacelerar

parar a pressa para poder enxergar

que a grande magia da existência

habita na calma dessa essência

 

Por isso celebre o dia de hoje

sem esperar que o futuro o aloje

pois o milagre maior e sagrado

é o agora vivo por Deus 

que te foi entregue e dado

18

Promíscua Humanidade

Ora ora humanos cômicos

Que atrevem-se a criticar as ruas sórdidas

Ruas essas que vós mesmos sujastes

Com a podridão dos vossos atos inescrupulosos

 

Até quando dedicarão-se a praticar tais coisas

Infames vermes

Trogloditas por opção

De mentes mórbidas

E pensamentos caóticos

 

Ah se eu pudesse consertá-los

Faria convosco o que nunca consegui fazer a mim mesmo

Pois sofro dos mesmos males que vos acuso

E por isso peco em incriminá-los com veemência

 

O que cometemos hoje

É uma punição em forma de herança para os nossos descendentes

E o que mais nos machucará

Será vê-los explanarem em duras palavras

Sinônimos e termos arrojados e pesarosos

Quando se referirem a nós

 

Como hábito pertinente à nossa raça

Posso declarar que desde agora

Ouço os clamores descontentes de nós mesmos no futuro

Espantados e traumatizados com tais ações

Daqueles que deviam respeitar-nos

 

Como eles poderiam nos prestar honras caros comparsas

Se não respeitamos a geração deles

E o mundo que construímos para eles

Foi fundamentado em pilares putrefatos

 

Somente nos restará a dor imensurável

Que nos fará expurgar arrependimentos contínuos

Mas como é inerente a nós

A arte de imputar a outros

As nossas falhas

 

É bem provável que tenhamos a ousadia

De postergarmos a culpa

Para a próxima geração

Que débil

Iminentemente poderá cometer a insanidade

De acatar tal culpa

22

O Ciclo da Vida

Observo as crianças

E as vejo tão contentes

Sem importarem-se com os afazeres e compromissos da vida

Não têm a responsabilidade

Do alimento sobre a mesa

Da roupa nova para o passeio

Do calçado que irão ostentar aos colegas

 

Aproveitem bem esse período meus caros infantes

Pois chegará uma época

Em que terão saudades dessa regalia

Em que terão que tornarem-se atores no palco da vida

Terão que atuar no exigente Teatro do Labor

Em que submeterão-se a árduos e complicados trabalhos

 

Para que assim tenham como manterem-se

E poderem subsidiar os largos sorrisos de seus pequenos filhos

Que amanhã irão brincar

E vocês as olharão tão contentes

Pois essas crianças

Que amanhã serão seus filhos

 

Não se importarão com os afazeres e compromissos da vida

Não terão a responsabilidade do alimento sobre a mesa

Nem da roupa nova para o passeio

Nem do calçado que irão ostentar aos colegas

19

Livros

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