André Veiga - Poemas e Poesias

André Veiga - Poemas e Poesias

n. 1983

n. 1983 , Brasil

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A Moeda do Tempo

Gastamos os dias com tanta pressa

como se a vida fosse uma promessa

de eternidade neste chão fugaz

buscando o que o tempo já desfaz

 

O bem mais precioso não tem valor

em notas de banco ou falso esplendor

o tempo é vida que escapa da mão

deixando saudades na solidão

 

Compramos bugigangas que o pó consome

dando às coisas um altivo nome

enquanto os minutos fogem ligeiros

zombando da pressa de nós mortais primeiros

 

Riqueza real não se guarda no cofre

mas no peito de quem ama e sofre

de quem aproveita o abraço e o olhar

antes que o tempo venha tudo apagar

 

Por isso gaste seus dias com quem tem valor

regando a vida com paz e amor

pois quando a ampulheta enfim esvaziar

só o que foi sentido é que vai ficar

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Poemas

20

A Moeda do Tempo

Gastamos os dias com tanta pressa

como se a vida fosse uma promessa

de eternidade neste chão fugaz

buscando o que o tempo já desfaz

 

O bem mais precioso não tem valor

em notas de banco ou falso esplendor

o tempo é vida que escapa da mão

deixando saudades na solidão

 

Compramos bugigangas que o pó consome

dando às coisas um altivo nome

enquanto os minutos fogem ligeiros

zombando da pressa de nós mortais primeiros

 

Riqueza real não se guarda no cofre

mas no peito de quem ama e sofre

de quem aproveita o abraço e o olhar

antes que o tempo venha tudo apagar

 

Por isso gaste seus dias com quem tem valor

regando a vida com paz e amor

pois quando a ampulheta enfim esvaziar

só o que foi sentido é que vai ficar

20

A Dança das Horas

O relógio dita o compasso da dança 
onde o homem tropeça na própria ânsia
Passamos os dias correndo atrás
de um rumo incerto que nos desfaz

 

As horas desfilam em marcha veloz
ignorando o choro de nossa voz
Queremos comprar o que o tempo consome 
dando aos minutos um alto nome

 

Mas a vida não cabe na contagem fria 
de um calendário que esvazia o dia
Ela pulsa forte no instante exato
em que o ser humano compreende o ato

 

De simplesmente existir e sentir
sem ter a pressa de ir ou de vir
Pois a dança das horas só tem valor
quando embalada por paz e amor

 

E quando a música enfim calar
saberemos que soubemos dançar 
Não pelo ritmo que o mundo impôs 
mas pela alma que a vida expôs

22

A Ferrugem do Ódio

Guardamos mágoas como tesouro raro

pagando por isso um preço amargo

O rancor corrói quem carrega o mal

em um cego ciclo frio e mortal

 

Perdoar é um ato de pura coragem

que liberta a alma dessa viagem

Quem solta a corda do velho passado

vive o presente mais sossegado

 

O ódio é um veneno que a gente bebe

esperando que o outro destino receba

Mas quem padece com a dor contida

é quem alimenta essa ferida

 

Soltar o passado é abrir a janela

para que entre a luz e a cor dela

Deixando o vento levar o rancor

que sufocava o peito de dor

 

A vida é curta demais para a rusga

para a ira cega que a alma esmaga

Melhor é a paz de quem sabe esquecer

e renascer livre para poder viver

16

Promíscua Humanidade

Ora ora humanos cômicos

Que atrevem-se a criticar as ruas sórdidas

Ruas essas que vós mesmos sujastes

Com a podridão dos vossos atos inescrupulosos

 

Até quando dedicarão-se a praticar tais coisas

Infames vermes

Trogloditas por opção

De mentes mórbidas

E pensamentos caóticos

 

Ah se eu pudesse consertá-los

Faria convosco o que nunca consegui fazer a mim mesmo

Pois sofro dos mesmos males que vos acuso

E por isso peco em incriminá-los com veemência

 

O que cometemos hoje

É uma punição em forma de herança para os nossos descendentes

E o que mais nos machucará

Será vê-los explanarem em duras palavras

Sinônimos e termos arrojados e pesarosos

Quando se referirem a nós

 

Como hábito pertinente à nossa raça

Posso declarar que desde agora

Ouço os clamores descontentes de nós mesmos no futuro

Espantados e traumatizados com tais ações

Daqueles que deviam respeitar-nos

 

Como eles poderiam nos prestar honras caros comparsas

Se não respeitamos a geração deles

E o mundo que construímos para eles

Foi fundamentado em pilares putrefatos

 

Somente nos restará a dor imensurável

Que nos fará expurgar arrependimentos contínuos

Mas como é inerente a nós

A arte de imputar a outros

As nossas falhas

 

É bem provável que tenhamos a ousadia

De postergarmos a culpa

Para a próxima geração

Que débil

Iminentemente poderá cometer a insanidade

De acatar tal culpa

24

O Sagrado Cotidiano

Procuramos milagres em terras distantes

em luzes divinas e em fogos reinantes

sem perceber que o sagrado reside

no gesto simples que o dia divide

 

Na xícara de café fumegante

no abraço apertado de um ente amante

no raio de sol que ilumina a janela

está a vida em sua cor mais bela

 

O extraordinário mora na rotina

na graça invisível que nos ilumina

transformando o pó do dia comum

em ouro puro para cada um

 

Basta abrir os olhos e desacelerar

parar a pressa para poder enxergar

que a grande magia da existência

habita na calma dessa essência

 

Por isso celebre o dia de hoje

sem esperar que o futuro o aloje

pois o milagre maior e sagrado

é o agora vivo por Deus 

que te foi entregue e dado

19

O Peso do Relógio

Os ponteiros avançam sem pedir licença

ditando o ritmo da nossa existência

Corremos atrás do vento

buscando o tempo que escapa no momento

 

A vida passa em um sopro ligeiro

transformando em pó o nosso dinheiro

E no fim da estrada o que fica guardado

é apenas o eco do que foi amado

 

O relógio não para de tique-taquear

lembrando a todos que é preciso aceitar

que cada segundo que foge na mão

já não retorna para o coração

 

Carregamos o fardo dos dias que vão

sempre buscando uma nova razão

mas o tempo soberano e tirano

zomba dos planos do ser humano

 

Até que o dia se encerre afinal

e compreendamos o ciclo mortal

vendo que o tempo não nos pertence

pois tudo passa e a alma silencia e vence

17

A Rotina no Mundo de Cimento

As torres de aço tocam o céu

enquanto o homem caminha no véu

da ilusão diária que o faz esquecer

o verdadeiro motivo de seu viver

 

O despertador toca a mesma canção

alimentando a engrenagem da ilusão

E assim se vão os anos e os dias

trocando a vida por meras porfias

 

Nos trens lotados de rostos sem cor

viaja a pressa a angústia e a dor

Ninguém se olha e  ninguém quer saber

para onde corre a força do ser

 

As horas de trabalho consomem a luz

enquanto a rotina carrega a cruz

de uma existência que perdeu o sentido

no meio do asfalto cinzento e ruído

 

Até que a noite recubra a cidade

e o homem desperte de sua vaidade

pensando se vale a pena esse fardo

de viver o dia sem rumo e sem marco

20

Labirinto de Escolhas

Cada encruzilhada exige uma direção

um ato de coragem da nossa razão

Escolhemos caminhos de espinhos e flor

pagando o preço de cada dor

 

O erro ensina o que o acerto esconde

e a alma pergunta ao vento para onde

Mas a resposta não vem de fora

ela nasce no peito de quem chora e implora

 

Caminhamos tateando na penumbra

enquanto a incerteza nos deslumbra

com falsas promessas de rumos fáceis

que cobram tributos caros e frágeis

 

Não há caminho plano sem tropeço

nem direção que não tenha um preço

O que nos define não é o destino

mas o passo firme de adulto ou menino

 

E no fim das contas a trilha percorrida

revela o mapa de nossa ferida

mostrando que o labirinto escolheu

o homem forte que em nós nasceu

17

A Busca Infindável

Procuramos a paz em lugares distantes

em bens materiais e em amores instantes

Corremos o mundo buscando a razão

sem perceber que ela habita o porão

 

Do nosso próprio e modesto interior

a paz não se compra com ouro ou valor

ela brota mansa de dentro da gente

quando aceitamos o fluxo presente

 

O externo engana com seu falso brilho

mostrando atalhos que levam ao trilho

da desilusão e do vazio profundo

que consome a alma neste vasto mundo

 

É preciso parar de correr e buscar

sentar em silêncio e apenas olhar

para o templo sagrado que há no peito

onde o divino habita perfeito

 

Pois a resposta que o mundo não dá

é o silêncio da alma que sabe habitar

o próprio refúgio de luz e de calma

curando as feridas de dentro da alma

18

O Silêncio na Cidade Grande

O barulho das ruas ensurdece a mente

enquanto a alma padece ausente

Milhões de passos cruzam a calçada

mas a solidão caminha dada e dada

 

Ninguém conhece a dor do vizinho

cada um segue o seu próprio caminho

Na multidão densa o que há de mais forte

é o frio silêncio que beija a morte

 

As janelas fechadas guardam segredos

e medos ocultos e profundos enredos

As luzes acesas iluminam a dor

de um mundo carente de paz e amor

 

O progresso avança com passos de gigante

mas deixa o homem cada vez mais distante

de sua essência, de sua própria raiz

vagueando perdido no que quis

 

E no meio do caos que o dia traz

o silêncio da alma clama por paz

buscando um refúgio longe do chão

onde o barulho não reine na amplidão

18

Livros

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