não é de ser absoluta a parte que se tenha infinita antes é de tê-la provisória coincidente ao modo de uma luta travada sempre entre o um e o todo e tudo que equilibra essa disputa
não é de ser também restrita a parte que se tenha assim medida antes é de tê-la infinita avara, porque inconseqüente, no rol de suas desmedidas.
145
das larguras de mim e do futuro
lúdico nada me joga público
andante de mim discurso e súbito deixo os repentes em que me culpo
sou um barco, enfim, de todos os mares do meu curso
o sonho é só um jeito em que me uso
128
das intermitências do tempo
nem sempre estou comigo a largura da vida é um grande indício de que navegamos juntos o infinito e nem o passado é tão conciso há um futuro dele impreterivelmente desmedido
113
De sonhos como sentido
futuros , engavetados na memória, sonhos dizem apenas o óbvio: sonhos são apenas os tempos do que eu posso.
80
De gestos pátrios e efemérides outras
a emoção preside tudo quanto a vida diz em riste
e não se arvora em calma mesmo o coração tranquilo por merecer-se norma de profundo desatino
que não se diz dos homens quando em verbo que não se quer das coisas quando em verso
pois parecer-se a tal talvez convenha a quem em verso tenha n'alma a compleição de tal problema
da pátria resta apenas um vago bemol de hino e uma nesga de bandeira que verdeamarelece o desatino
o raciocínio não medra quando em bruta fome aporta a sofreguidão das pedras e a palidez das portas
e vige o latente com definitiva pose como se fora definitivo o que não houve
e rói o peito da pátria a pan-nacional sentença de que cada nação é instante da indefinitiva hora da consciência
depende o coração de brasileiras fomes que pulsam a inconsciência e desconstroem o homem
a pátria é a ciência de que o mundo é um só mundo mesmo que no peito de cada seja quase tudo
e o homem nem sentia que a pátria se restringe ao que em si vigia
desculpem-me os filhos mas nem se sabia que compreender a pátria assim doía
minha pátria viralata quase não se diz na prática porque tê-la como amada é quase uma fração desordenada em que o homem é numerador e denominador de nada.
130
Das larguras do sonho e seus detalhes
o sonho é sempre coletivo tudo que lhe tange é infinito e, mesmo particular, dá-se ao desplante de parecer viés de todos horizontes é que lhe sobra uma nesga de matéria itinerante que conjuga todos os passos de quem esteja sonhante.
103
Desmedidas
desconfie dos tempos postos em medidas nada do que é exato é totalmente a vida
sua matemática é de estranha lida nunca se contém números mas em desmedidas
suas infinitudes são tão restritas que cabem quase sempre nos bolsos da camisa
suas multiplicações apenas recomeçam as divisões que as horas ensejam em seus tropeços coisa de nem ser avaro porque pleno e avesso
desconfie dos absolutos e dos sempres invioláveis por trás de cada infinito há um susto mensurável não com os metros do que se possa mas com as réguas da vontade
desconfie dos relativos e das vicissitudes dos espaços tudo cabe num metro apesar de incontrolável é que a vida é quase absoluta quando nela se cabe
desconfie da desconfiança usada como arma ela apenas se presta à razão de quem se amarga é que a vida não é dada às incertezas de quem a traga
desconfie das manhãs arrazoadas postas num tempo sem debates nada do que é o tempo resvala apenas em palavras
desconfie das amarguras um tanto adredemente nada que não respingue na condição de contente e na informalidade dos anos que se tem como vivente
mas, sobretudo, desconfie do tempo e dos verbos em que se esteja navegando sem os mares por perto.
126
Das virtudes teologais em avessa lógica
nunca creio. o fato é invólucro de relativos efeitos o que era hoje pode ser um ontem desfeito sempre creio. o fato é notícia de tempos incautos que permitem o povo nos seus saltos. O desejo é só uma dança que o futuro diz da esperança é que trazê-la avulsa pelas praças é o sentido da luta em que nos lançam o amor sempre é um comício nada do que lhe tange é indício sua razão é peregrina de fatos e notícias como uma estrada estendida da largura exata da vida.
92
De ações e direções
Empírico, nada é tão lúdico que me faça viver a qualquer custo
é que viver mais que um discurso é a travessia de um tempo a longo curso
é construção de uma praça coletiva guardada a proporção dos singulares que se viva
empírico, nada é tão lógico que me faça viver fora dos ossos viver é apenas a função dos verbos que eu possa.
131
Descaminho
a ponte estava lá entre mim e a verdade quanto menos pudesse mas havia a possibilidade não que a houvesse definitiva como um estatuto que contivesse a saída mas um tênue indício de que a vida pode, às vezes, ser vivida ex oficio
a ponte estava lá dentro de mim inconstruída como se fosse um caminho de inventar a vida
a ponte estava lá e, no entanto, distraída permanecia assim como uma lembrança esquecida.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.