meço as minhas réguas com a mesma infinitude com que alinho os metros do que eu nunca pude
e é de tê-las tantas estendidas pela vida no roldão das conveniências em que as quero resumidas
meço as minhas réguas pelos espaços do que posso nunca por as haver como avaras fosse razão para dizê-las óbvias
e sou de aferir a todas na relatividade dos ócios a que me obrigo como cidadão quando a vida ainda cabe nos ossos
110
Das culpas pandêmicas do lucro
a terra e os homens, assim como de repente, respiram as culpas orquestradas monetariamente
adredemente conjugados humanos não pressentem que a terra não é um cifrão de contabilidade urgente
a terra é só o colchão dos futuros todos da gente.
119
Das Vertentes do Futuro em Manifesto
a utopia mais dias, menos dias, é só o bordado da história que o povo construia
é que a luta, por complexa, dá-se por estranha, às vezes incompleta quando o destino dos homens larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro sempre se apresta a bordar pelo mundo muitos et ceteras.
129
Do caminho grávido das manhãs do povo
ao povo e ao mundo dê-se a sintonia um farfalhar intenso das veias e das vias
porque de entendê-la como construída salpiquem-se os fatos com o tempero da vida
e os combates, ao fundo, sejam apenas o sinal de que a manhã enfeitou-se dos acordares do mundo.
105
Verbo intimorato
Palavras – quem as digam? Com a certeza do sempre e a inconstância da vida. Quem as oprimam, para que assim, constrangidas, possam chegar aos homens com a força da vida? Quem as arrumem no vão do armário geral das avenidas? Quem as construam em praças, as de pedra e as da lida? Quem as coincidam com a esperteza do tempo e a informalidade dos bolsos das camisas? Palavras sempre serão tantas, Aquelas não ditas e as ditas apenas na garganta que nem chegam a molhar as ruas em que se dança. É certo que as temos na potencialidade dos neurônios no exímio processo das sinapses e na ingênua fatuidade dos enganos mas, quase sempre, as soltamos com a força de uma catarata que nunca está, realmente, onde nós estamos.
139
Ser
Traio o meu gesto quando me permito ser menor que os metros dos meus sentidos
e sobro no tempo em que não divirjo das facilidades das rosas das dificuldades do umbigo
traio a mim quando não digo a sem razão do meu corpo em precipício
e sobro da vida impunemente quando a manhã que me cabe anoitece de repente.
107
Arquitetura e drama
Desarquiteto o voo na vontade de consumir em vão todos os meus ares
e, pássaro, nem me sinto nos sonhos que não me consinto
e, por vezes, quando, à noite, tardo rasgo as manhãs da minha face.
189
Reverso
O contrário de mim sou eu mesmo e é por sê-lo assim que me transgrido e deixo de ser meu avesso na exata proporção em que estou comigo
o contrário de mim não é um avesso é uma proporção incauta em que transfiro de mim o que nem falta
o contrário de mim é tão urgente que não há como mantê-lo impunemente
o contrário de mim desabita o próximo com as intimidades de um tempo em que me mostro.
130
Do poeta
O poeta nunca é tanto quando não seja em versos de outros tantos que não se têm unos pelo espanto de não se virem vários e perdulários de seus cantos
todos os poemas são um indizíveis a pouco curso e que se têm fracionados na aparência do muito
que se espalhem em verbos vaidosos vocábulos que aparentam uma vazão em que não cabem pois antes são usina de todo engenho humano que constroem a individualidade palavras de pretensos planos
e nem por isso deixam de ser do poeta e registrado aos solavancos que a emoção., adredemente, joga no peito dos humanos
todos os poemas são um e apenas apontam nas algibeiras dos poetas uma nesga do que contam
todos os poemas são o trânsito de estradas que não palmilham os pés de uns tantos que, transeuntes da vida, apenas se contentam em escrever seus versos nas dobras da paciência por tê-los guardados no baú coletivo em que os homens esquecem a razão dos sentidos
todo poeta é igual nada lhe sobra da alma em versos que possa armar que consiga trazer no dorso qualquer vestígio singular
porque plural não se conjuga aos borbotões como um verbo intransitivo que contivesse ilusões de acabar-se em si e continuar em milhões
todo poema é uma rinha dos verbos tantos da gente brigando pela vida
e nem parece mansidão embora tão pacato o poema é solução do que vai na alma
todo poeta é impatriota nenhum verbo é pátria que lhe comporte
porque de avulso parecido a um só esconda o quanto de muitos convive nestes nós
descamba pela vida como um marinheiro à deriva que perdeu a esperança de um sol que lhe demita do mar e da lida
todo poeta é guerrilheiro que pretende emboscadas pelo mundo inteiro não o mundo limitado dos tempos e dos espaços mas um tempo de nem onde e um campo de nem quando que nem sempre há de
todo poeta, enfim, é otimista e megalômano pensa sempre que a palavra é capaz de tanto.
122
Do coração em regras e repiques
praça de guerra meu coração permite a contrição e a fartura de todos os limites é que de usá-lo avesso ao que em mim insiste possa traze-lo avante a tudo que é triste e descompassá-lo amiúde nos desvãos da vida como uma razão adrede, avulsa e infinda
meu coração é apenas indício da contradição do seu ofício: amar a longo curso como se fora pouco o infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.