Camilo morto é um acinte nada do que é a paz está em riste apenas repousa na Colombia uma manhã baldia, ainda ensolarada e triste
no peito, ainda incólume, Camilo inventa colombias paciência e revólveres
o combate é uma hóstia diferente distribuída pela América que a gente traz entre dentes que se assemelha a um grito que se inventa na garganta e que enche toda manhã com nesgas de esperança
sacerdote do tempo não lhe falta a serventia de viver, mesmo morto, no peito da ventania.
154
Coplas ao redor do baião das princesas
no baião das princesas a esperança cogita de ser uma áfrica inteira à procura da vida
no baião das princesas há um destino exato tudo que é alegria dança nos sapatos
no baião das princesas há um leve indício da constância dos olhos e o tamanho do infinito
no baião das princesas as cores documentam aquilo que no homem deixou de ser presença
no baião das princesas cada uma é tanta que a vida escorre farta nas esquinas da garganta
no baião das princesas há o grave testemunho de que a vida é sempre do tamanho do punho
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Cordel da vida inteira
é de ter como a vida um jeito assim coerente que não viaje pelo tempo como razão diferente que nunca dissesse a tanto a como e quanto se pertence
porque dizê-la maior que uma vida insurgente seria tê-la em custos que não se dá a viventes porquanto merecê-la fosse tarefa inconsequente
e se fosse distribuida avulsa como se sente melhor seria contê-la trincada assim pelos dentes do que fazê-la material adrede e talvez urgente é que de urgências se exclua pela razão desmedida de não ter as consequências do que se tem pela vida é que falta-lhe a certeza e talvez a simetria das esquinas que a natureza constrói pelo vão do dia
é de ter só por ser vida a vazão e a geometria de recipiente dispostos numa mesa tão baldia que não lhe sabe a vivente o que viventes presenciam é que é dado ao sujeito um quê de predicado e nunca sobra no seu jeito a contrição substantiva que lhe permite ser essência dos adjetivos da vida
e nessa lida entornado pelos tonéis da memória nunca lhe chega à lembrança o viés de sua história onde esteve tão vário apesar de transitório
é que lhe cabe a desmedida de uma vã matemática que faz sobrar pela vida um certo quê de imaginário que nunca constrói frações nos inteiros em que cabe
e nesse tão desalinho em que se permite arranjado flui uma vida inversa a tudo aquilo que sabe e nunca constroi o sonho do tamanho do que lhe invade
o sonho é sempre constrito numa lembrança adversa que trai um jeito de morte mesmo inventando a gesta de quem permite que a manhã seja uma noite sem festa
é que para ser tanto era preciso a modéstia de ser, mesmo um, um milhão de et ceteras jungido a todos os rios de correntezas modernas que não se dissessem águas mas memórias que se internam
é que no vão do juízo existe sempre a reticência de não se ter da liberdade a compleição tão exata de sempre se inventar livre apesar de ser escravo
pois é esse artifício que constrói a urdidura de uma liberdade úbiqua que se retrata na luta de quem sendo escravo sempre abole a escravatura seja pelas vias do interno seja pela via das ruas
é que ao homem descabe tudo que lhe construa como mecanismo automático de máquinas avulsas que teimam em fazê-lo inóquo na pauta do seu susto
é de tê-la assim absurda apesar de tão querida como se fora razão de adentrar nessa liça que teima em ser da paz apesar de tal notícia
não tinge a pele do peito nem sempre com a vontade de declarar-se rural no coração da cidade e de construir assim agrária um cenário em que nem cabe
é de se ter pelos caminhos em descompasso frequente como se fora um passo que não coubesse na gente pelo dorso dos calcanhares tenazes de nossa urgência
e se rompe encruzilhadas com a textura indigente de quem escolhe o melhor como se fora urgente é que lhe falta a parcimônia de dizer frequente
é de tê-la amiúde em um tempo inconsequente em que as horas nem contam como produto da gente antes se tem como lapsos algo assim tão pingente que cai pelos minutos em que o homem nem sente
mas é por desenha-la inversa a tudo aquilo que procura que ao homem é dada a controvérsia de ser em sendo criatura coisa urdida nos seus poros e na imensidão das luas não lhe cabe a fixidez da intransição dessas culpas que teimam em ser caminhos por onde o homem flutua como uma marcha desordenada que entorna assim pelas ruas
mas é de vê-la inteiriça nessa descompostura que lhe faz saber a astronauta mesmo ancorado em amarguras que lhe moem o peito nos dias dessa humana aventura
mas é de vê-la coerente nos vieses mais exatos que lhe põem em armaduras de guerras que nem desata como se terçasse as manhãs com as noites que constata
é que ao homem exalta aquilo que individido soma ao peso dos passos como se fora preciso levar o mundo nas costas de todos os seus indícios
mas é de vê-la maior em leitos constrangidos que nem sempre lhe dizem tudo que é preciso pois palavras sempre são apenas verbos intransitivos que batem no peito da gente e se desfazem no infinito.
132
dos restos de mim pelos caminhos
as doses de mim que não consumo transitam frequentes em todos os rumos
minha direção é sempre aquilo que me lança na certeza de gente
viver é só um entalhe ao esculpir o presente.
78
Balada ao menino da Etiópia
assim como um soluço cárneo de textura tão substantiva medes o pranto pelo teu crânio do tamanho de toda tua vida tens na palavra um verbo intransferível e a solução mais lógica do corpo é entornar os palmos de tristeza na cachoeira dos sentidos trazes nos olhos maravilhas mortiças aposentados quase da vida que não veem, apenas fingem fogem do corpo poses dilaceradas um negativo absoluto dos que te guardam na alma
teu valor de uso é um tanto inadequado antes te fizeram gente hoje te consentem gado
tua cabeça pesa um tanto dessa fome que esquadrinha o corpo e que te tem quase em condição de te aprovarem morto
mas por sobre tua fronte apontado no teu sonho há um desconforto enorme e almas sem tamanho.
121
Consumo
produto ajo ao inverso do meu uso o consumo desborda meu discurso coisa de nem ser o que procuro
a propaganda marca como esperança o que nem chega a ser humano toda razão então é um avesso do meu plano
e estrangeira a vontade estanca no anúncio colorido que atiça a lembrança.
164
Coplas desconformes ao redor da vida
no primeiro ato expulso-me gelatinoso e um e quase a pulso
no primeiro ato não me pertenço pois sou um eu tão grande que me esqueço
no primeiro ato trago o mundo na ponta dos dedos e a não compreensão de vãos segredos
no primeiro ato não estou sendo como seria se fosse já sofrendo
no primeiro ato divirjo das borboletas não me tenho em asas mas em medos
no primeiro ato lavro meu grito na certidão única do que sinto
no primeiro ato não me caibo como invólucro pertinaz do que me acham no primeiro ato convoco-me ao mundo com a percepção incauta de que só me iludo
no primeiro ato estou em tudo embora nada ainda me diga com outro
no primeiro ato despeço-me avulso da química eficaz dos úteros
no primeiro ato não me minto verdade que nem seja tanta e que nem pressinto
no primeiro ato não me vivo apenas me lanço ao simples infinito
no primeiro ato ainda nem caço o tamanho exato dos meus passos
no primeiro ato reservo-me e espero o direito de ser quase o que não quero
no primeiro ato posso o que não devo e devo não poder o que mereço
no primeiro ato nem me meço minha placenta ainda é o universo
no primeiro ato minha carne é já notícia de que ardo
no primeiro ato sobro da mãe como um susto em que não caibo
no primeiro ato minha mãe é tarde noite que já nem pressinto na manhã que há de
no primeiro ato não tenho palavras mas uma rápida ilusão de que me agrado
no primeiro ato finda a dessemelhança do que ainda é pouco nos ombros da esperança
no primeiro ato não me canso de atravessar o vau dos rios que alcanço
no primeiro ato estou íntimo e farto ainda último em mim e quase perdulário
no primeiro ato não me importa a palidez do mundo e as cores da revolta
no primeiro ato estou concluso remetidos os meus autos aos despachos do mundo
no primeiro ato nasço com a quase alegria de que ardo
no primeiro ato desconvoco-me da idade sou o início e o fim do que me invade
182
Carta II
A gente sempre morre do tamanho da vida fardos de amores intactos lastros de revolta febres de riso
a gente sempre engole pedaços do infinito rompida a pulsação do tempo escasso o espaço na avenida
a gente sempre ama do tamanho do abraço guardada a desproporção do peito limitado
e raras vezes a gente morre completo pois sempre sobra um amor alguma nesga de afeto
106
Das conflagrações da vida
as vezes, assim, nesse balançar da vida a gente esquece de tentar nos ombros das avenidas construir todos os mares que estejam à deriva e preencher essa vontade de encher nossas medidas com as parcelas do sonho que a luta consolida
é só um caminhar sereno de braços dados com a vida.
109
Das andanças da certeza com nesgas de sonho
a pátria é só um jeito de constranger os limites do que devo
dos mares todos que declara navega em jangadas os rios do nada
até que chegue o tempo de construir-se aos poucos pelos costados da terra a pátria geral dos povos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.