Na pandemia o tempo esquece de ajeitar um espaço em que vivesse e larga-se no peito como uma preguiça subindo todas as letras da notícia
o mundo carece de tempo para dar-se à vista
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Das manhãs ideológicas e seus quadrantes
Toda manhã do mundo bate nas portas e despenca do sono ideológica
é que basta acordar e uma vontade aflora de construir um futuro nos ombros das horas
as escaramuças do tempo são apenas as janelas da demora.
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Da materialidade e contracaminhos tais
Por ser material caiba-lhe sempre a feição de permitir-se à unidade em toda relacão pois não tenha a idéia, antecedencia ou trato de permitir-se uma razão antes de qualquer fato
e cada caminho bruto de verdades condizentes constrói uma razão adrede no peito desses viventes como se fora vazão dos fatos todos da gente
fora de nós, constantemente, há uma vida inteira que não depende de mais para ser brasileira ou material coisa que tanta de unidade escorreita
a unidade da vida é manifesta e precisa os fatos que lhe conferem essa feição objetiva dizem das coisas dos homens da natureza e da lida que liga tudo a tudo e por tudo se explica
e desse tanto monismo que subverte a natureza há um só movimento que lhe declara a presteza dessa unidade profunda entre o homem e a certeza pois por ser material, um e tão multitudinário tenha-se permitido à razão de parecer-se contrário
uno, permita-se vário em transeunte mudança como se muda a tristeza numa nesga de esperança quando a emoção se afasta pelas vias da lembrança
e esse pensar adrede que vem dos laboratórios e que se espraia nos homens em escassos circunlóquios revela o retrato do mundo e todos os seus transitórios
e pensa o homem o fato a partir de um fato suposto mas que sempre tem na base a material e seu contorno ou a sua qualidade de parecer-se avulsa criando no pensamento uma pretensa repulsa como se não fora da matéria a razão por que a usa
a matéria, enfim, é categoria de filosófica urdidura que diz tudo que ao homem lhe denota a compostura de ser um vivente sujeito objeto da transformação de saber que é material o palmo de sua mão
e que até o sorriso que o futuro lhe demonstra é uma matéria urdida com a fluidez das demandas e a desfaçatez quase lúdica da construção das lembranças.
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Dos assassinatos noturnos e dos fardos
Assassinado por fuzis fardados o homem explicita a farda dos fardos nada do sistema eletrocutado desencapa os fios da elétrica cidade todo o futuro é um alarde da construção que a revolta em cada peito cabe na morte daqueles que trazem apenas como culpa a noite no corpo e na face.
162
Poema zoológico
o urso polar é quase um grito arquivado no vão de todo riso
assim em nado é pássara attitude e traição adrede ao que tem de paquiderme
mais que urso é uso de retinas provisórias que chegam a cobrir a mágoa que drapeja na memoria.
205
Do sono em marinha lógica
O mar assim espalhado como uma rua de tudo espelha no meio da gente as maravilhas do mundo
e dormir em suas areias é um sentir tão profundo que o sono chega a sorrir por cima de nossos ombros.
115
Das metragens de tudo
Nada, por um triz, é quase tudo na conveniência da gente e na constância do uso
é que não cabe a metragem de matemática distância nos caminhos que a vida decreta a esperança pois o verbo é máscara de inventar circunstâncias quando a razão improcede no medir das constâncias
tudo, por um triz, é quase nada vista a divergência da vida e a intenção das estradas
é que descabe a invenção das humanas atitudes quando a razão procede assim adredemente e tenta construir a vida sem tudo que é de gente.
127
Pequena balada militante
Caminharemos a história com a feição dos ventos nas mesma proporção de tudo que fazemos
e os dias se dirão escassos quando vistos de nós mesmos e que serão eternos na construção dos tempos
e haverá manhãs em que não seremos tão poucos pois nos sobrarão razões para todos nossos outros
e haverá lembranças dos que domados a si mesmos cavalgaram a história na estrada dos desejos e construíram as manhãs em que pudemos vê-los
a ssim somados habitaremos o mundo até que o estado sejam todos, abraçados o coração, a razão e o povo
89
Brasileira lua em degraus do tempo
E nos ombros do infinito como se fosse bandeira a lua inventa os sonhos dessa noite brasileira
é que astros inventam o futuro apesar de todas as barreiras.
325
Das larguras da vida
Ainda existe em cada traço uma nesga da luta em que me faço é que viver é uma batalha quando se tem a régua do que se cala
a experiência é apenas um armistício entre aquilo que penso e o que me declara lutar é só um indício da unanimidade do tempo e da musculatura da alma.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.