Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o amor do poeta
dá-se ao verbo
como a rua inteira
do seu interno
é que conte-lo
como contrito
afronta a condição
de infinito
todos os palmos desse tanto
cabem assim desgovernados
ávidas enchentes do poeta
nos rios verbais de sua saga
a música
passeando o tempo
inventa ilusões
bemóis esvoaçantes
no pensamento
notas entrelaçadas
naves insurgentes
inventam um cosmos
compassadamente
na memória
como uma dança
o homem compõe
os tons da lembrança
a mãe
recrutada
misturava o partido
no vão da alma
haver-se filho
quanto camarada
debulhava a vida
congênita batalha
o futuro
fingindo suas trilhas
dava-se a passos
gestos de família
a vida cabe inteira
num braço da vontade
nas curvas da certeza
basta conjugá-lo
pô-lo sobre a mesa
alicerce de si
o homem dá-se estrutura
construção de tanto
no desvão da luta
cada demão do tempo
ensaio do futuro
consolida a razão
da vigência do uso
a vida sempre consome
essa ânsia de tudo
a história
posta no jogo
belisca o tempo
nas vias do povo
veias abertas
incitam o curso
concussão andarilha
do futuro
os homens
armazenados na vida
dão-se aos mercados
de suas trilhas
o mundo caminha a si
na matéria que consiga
exarada a sentença
nas ações da vida
permitam-se os embargos
que o homem decida
os que infrinjam a decisão
os que soletrem suas sílabas
nos tribunais de si
intensamente culposo
enfrente-se como único
a condição de povo
coletiva jurisdição
matéria em que se coube
o poema
instaura a palavra
pose verbal
manivela da alma
dolosa moção
culposa arma
o poeta
só acende
os pavios mentais
que consente
palavras e poetas
são vítimas
da humana condição
de viventes
encarnada
a matéria deu-se ao salto
trâmite da consciência
neurônios e sinapses
cada metro
no desvão das horas
perpétua prontidão
de sua lógica
montando a vida
o homem prolata
a verve da matéria
em sua passeata
tudo de tanto vige
nas vielas da alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.