Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o punho
posto ao alto
era fuzil de si
desfraldado
cada palavra
como dardo
cravava o sentir
no vão da fala
o jovem militante
em cada grito
jogava no tempo
todos seus comícios
guardados em si
na urgência coletiva
lapso do tempo
em suas réguas
a lei da vida
aval da matéria
soma-se de tanto
em suas vias
veias que medra
ruas do homem
em sua guerra
construir-se todos
no vão da terra
insurgência e arma
esse drapejar da luta
na bandeira da alma
a rua
via coletiva
vige o mundo
ao redor da vida
fugitiva de si
caminha avulsa
no ofício urbano
de rumar a luta
a rua
como estrada
finge o futuro
nas passeatas
como trajeto
de si e tantos
a rua simula o jeito
do vagar humano
as ruas do tempo
ja desgastadas
ainda asfaltam
a vontade
a saudade
é um futuro
brincando de passado
embaralhando o tempo
nas ruas da vontade
nos voos que projeta
o desejo é sua nave
astronauta de si
inventa-se um cosmos
na humana atração
de romper a lógica
a não mais poder
havia a condição
de restar humano
em cada prontidão
a não mais poder
a matéria consentia
haver-se construída
em auto serventia
a não mais poder
o tempo como invólucro
teimava em ser infinito
nos milímetros do cosmo
o homem apenas consentia
deixar-se como bólide
a crise
é só um jeito
que o futuro dá
antes de feito
embrulha o passado
no vão do tempo
ajuste performático
de seus inventos
as veias da crise
pulsam as ruas
rio caudaloso
no chão da luta
a crise
nas vias de tudo
é mais um degrau
das escadas do mundo
peregrino de mim
dou-me ao passo
íntima passeata
em que me faço
matéria itinerante
em que me basto
trânsfuga de mim
sobro da vida
superávit humano
na via coletiva
cada passeata vige
nos passos que decida
os dos pés desejados
os da alma quanto viva
ria a vida
nessa urgência
de viver-se tanto
quanto pensa
mania militante
de ser gente
lavre o tempo
como instância
certa paciência
dessa militância
de estar matéria
em via pensante
viver-se como combatente
nessa paz itinerante
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.