Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
envelhecer como tanto
não é deixar-se no tempo
antes é um debulhar-se
em coletivas presenças
assim como uma tempestade
de todos nossos ventos
é como montar as horas
em minutos divergentes
que leiam o rol da luta
nos manifestos que sente
envelhecer é montar as rugas
na mocidade do tempo
derramado nas letras
Marx ainda tramita
as veias rubras do mundo
pulsando a vida
deixá-las abertas
varizes do povo
vão das hemoptises
na insurgência do novo
o fulcro das ruas
perpetrando assaltos
deixa o peso dos ombros
derramar-se nos passos
o caminho exato do futuro
vive assim desembestado
como um tempo ainda roto
que precisa de bordados
contumaz navegante
dou-me ao exercício
de construir meus mares
como civil ofício
submarino de mim
milito a vontade
na naval contingência
da liberdade
os navios do tempo
porventura encalhados
teimam na consciência
como uma saudade
o foro da minha resistência
são as ondas em que caibo
o palco
era o útero
grávida cena
a cortina fingia
como placenta
o ator
dava-se ao parto
como parteiro inato
de seus atos
a vida ensaiada
montava o tempo
na vulva do teatro
motorista da vida
cegonha fictícia
Dinalva voava as mãos
o tempo, asas e vaginas
acostumada em tanto
da humana instância
Dinalva instrumentava
o parto como dança
do vão de seus braços
assim como alavancas
a matéria pulsante
deixava-se criança
o parto havia Dinalva
como bailarina circunstância
infante rastro em tudo
palco grávido do mundo
fica declarado
como escambo
o sentir da vida
pelo estar lutando
fica declarado
como desafio
construir-se único
mesmo coletivo
fica declarado
quanto avença
as razões de todos
que se tenha
fica declarado
quanto ofício
descobrir os modos
do infinito
a vida
assim lavrada
pesa mais
que a palavra
dize-la como tanta
verbo ilusório
denega ilações
músculo retórico
a vida dá-se discurso
como fato cogente
revoada de atos
da matéria vivente
a vida constrói em si
palavras que sente
verbos construídos
daquilo que consente
a vontade
desejo militante
régua da vida
posta no homem
mede os fatos
que confronte
dizê-la avante
remonta a vida
futuros que ata
vínculos temporais
soltos na estrada
o desejo é larga seta
cravada na alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.