Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o pombo
um tanto distraído
voa os olhos do homem
ao redor da vida
na praça
habitante astronauta
o pombo guarda o tempo
no vão das asas
pássaro
nem se dá conta
dos ares que joga
nos humanos que ronda
o pombo dança
as horas e a paisagem
desenhando a praça
nos ombros da cidade
minhas certezas
como fábricas
produzem as dúvidas
onde as acho
inexatas
dão-se à volúpia
de cercarem dúvidas
no vão da luta
minhas certezas
soltas pela vida
cumprem-se de tanto
quando coletivas
repassa-las aos braços
vias da história
é construir o tempo
nas veias da memória
exarada a sentença
nas ações da vida
permitam-se os embargos
que o homem decida
os que infrinjam a decisão
os que soletrem suas sílabas
nos tribunais de si
intensamente culposo
enfrente-se como único
a condição de povo
coletiva jurisdição
matéria em que se coube
encarnada
a matéria deu-se ao salto
trâmite da consciência
neurônios e sinapses
cada metro
no desvão das horas
perpétua prontidão
de sua lógica
montando a vida
o homem prolata
a verve da matéria
em sua passeata
tudo de tanto vige
nas vielas da alma
o poema
instaura a palavra
pose verbal
manivela da alma
dolosa moção
culposa arma
o poeta
só acende
os pavios mentais
que consente
palavras e poetas
são vítimas
da humana condição
de viventes
higido
o tempo salpica
um resto das horas
no vão da vida
o homem dá-se a manhã
anoitecido e insone
nos braços do tempo
que consome
o mundo
amanhecido
salpica de luz
o infinito
a paisagem finge nos olhos
um despertar entristecido
a vida cabe inteira
num braço da vontade
nas curvas da certeza
basta conjugá-lo
pô-lo sobre a mesa
alicerce de si
o homem dá-se estrutura
construção de tanto
no desvão da luta
cada demão do tempo
ensaio do futuro
consolida a razão
da vigência do uso
a vida sempre consome
essa ânsia de tudo
a rua
via coletiva
vige o mundo
ao redor da vida
fugitiva de si
caminha avulsa
no ofício urbano
de rumar a luta
a rua
como estrada
finge o futuro
nas passeatas
como trajeto
de si e tantos
a rua simula o jeito
do vagar humano
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.