Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o poema
dá-se ao âmbito
de estar entre o poeta
e seu sono
confronto belicoso
do verbo insurgente
contra o homem
a palavra
íntima astronauta
atiça no pensar
cócegas na alma
o verbo tem-se riso
mesmo lágrima
da liberdade
nada será tanto
em contraponto
ao que de quanto
esteja pronta
a matéria humana
em ter-se quanta
na prontidão
dessa militância
razão de construir-se
nessa vontade
de dar-se coletiva
à construção da liberdade
a resposta
encabulada
indaga a pergunta
em que se cala
a dúvida
ainda intrometida
tange a certeza
pela vida
o homem
como indagado
esconde em si
cada fala
a resposta dialética
no verbo que lavra
pergunta a si mesma
o rumo das palavras
a vida é manifesto
discurso amordaçado
retórica de gestos
a vida é discurso
fala das praças
roçando o futuro
a vida,
teúda e manteúda,
é só um disfarce
da matéria em luta
cabê-la em tanto
como coletiva
é deixar-se quanta
enquanto viva
o riso de Clara Charf
era um mar revolto
pulsava a alegria
das ondas todas do povo
tinha a insistência
que a vida admite
humana prontidão
de quem está em riste
o riso de Clara
assim do quanto falava
era manifesto
e camarada
retalhando o tempo
nos debruns que borda
o homem costura
todas suas sobras
as tecidas na vida
as tecidas na alma
somente dono de si
quando em tantos
deixa-se coser alheio
em cada contorno
nos limites internos
suas léguas de povo
dar-se ao bordado da história
é a costura do novo
nada como sonhar a vida
dormi-la em fatos
e consumi-la
guardada a proporção
que a verdade consinta
nas passeatas de tanto
que as ruas admitam
tudo que sonhar viva
e na consistência do fato
intensamente reproduza
tudo de tanto como tantos
abraçando o sonho
disseminem a luta
ainda rasa
a vida afunda
trejeitos da matéria
pelo mundo
o universo
apenas escuta
nos umbrais do tempo
o ruido da luta
o homem ensimesmado
guerreia os infinitos
em que se cabe
o samba
é uma África escondida
beliscando na história
compassos da vida
é negra tormenta
rio do sentimento
batuque desembestado
onde o povo se consente
é tambor transeunte
das ruas todas da gente
nos passos que o povo dá
quando em si impunemente
o samba entorna o mundo
como fosse uma corrente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.