ÁRVORE EXCELENTE
Uma árvore plantada e crescida, os seus ramos reverdecentes, o seu tronco robusto e os seus galhos proeminentes, as suas flores sorridentes por causa de tantos besouros e abelhas que as fecundam continuamente. É ano bom, o Senhor tem abençoado, nesta árvore as melodias dos pássaros te fazem esquecer o triste passado. Pela alegria das flores, haverão muitos frutos que atrairão muitos amores em virtude do aroma e da beleza destas flores. Esta árvore tem os frutos perenais, suculentos, saborosos e perfumados, e ademais são gratuitos porque o dono dela é o Que tudo fez e tudo faz. Eles são excelentes em todo tempo, saciam a fome da alma, te mantêm revigorado plenamente e o teu espírito acalma.
BÁLSAMO PARA MINHA DOR
Quando Jesus me estendeu a sua mão e me mostrou o caminho da salvação, me alcançou a misericórdia do meu Deus, não sendo eu merecedor por ser tão mísero pecador estando distante dos caminhos seus. Quando Jesus foi revelado para mim, eu estava sedento, abatido e atribulado, sem direção carregando o fardo pesado do pecado, escravizado por outra mão. O Senhor me libertou, me concedeu o dom da fé, encheu o meu coração de paz e me mostrou como Ele é: piedoso, justo e longânimo, cheio de amor, amigo fiel e verdadeiro, o bálsamo para a minha dor.
DEIXE-ME IR
Não posso mais suportar, não há tréguas, passe a régua e deixe o caldo entornar. Não há mais vivência neste lar. Está tudo acabado o amor foi derrotado já não nos resta lastimar. Ó ingratidão quem te convidou? Como pôde ser capaz de se manter em cartaz? Saiba que o amor por ti recuou. E assim foi passando o tempo e você não deu conta de todos os eventos que tiram e roubam a paz, ferro com ferro se açula e o convívio macula não voltando atrás. Mais uma vez acreditei, outra vez me enganei sem pensar, escolhi uma porta que me levou a uma derrota sem par. Agora ando aborrecido, somente Deus ouve o meu gemido quando me ponho a orar. Faltou-me com o respeito e já não vejo mais jeito de o tempo prolongar, feriu o meu coração causando um desgosto profundo, lançou em meu rosto palavras próprias para um vagabundo. Abriu-me os olhos, então vi tudo o que havia ignorado, tudo perdeu o sentido e para mim está muito mais que encerrado, toda paciência e tolerância não foram suficientes para conter a sua ignorância. Preciso ir, quero deixar bem claro, não me incomode, é um desejo raro, com muita sinceridade te digo que acabou, busco a eternidade, não consertar com a bondade resquícios do que não frutificou.
DESVENTURAS NO AMOR
Sem músicas, folguedo e alegria,
Sem largos sorrisos no meu rosto,
Nem companhia em mais um dia,
Na solidão e no desgosto.
Sem a presença dos filhos,
Sem o amor de quem quer que seja,
Sem armas para apertar os gatilhos,
Nem a paz que muito se almeja.
Assim se vai a vida como a erva,
Assim se secam as flores,
Se ninguém mais me preserva,
Sou mais afligido pelas dores.
Quantas coisas belas aos olhos,
Mas tudo sem graça ao coração,
Como a alma presa em ferrolhos,
E o paladar insípido na refeição.
É a minha malograda sorte,
Buscando no amor satisfação,
Desiludido só Deus me conforte,
Antes que a morte seja meu chão.
LÁ FORA
Lá fora há rumores de que tudo vai mal, lá fora há fugitivos de tremendo vendaval. Lá fora te esperam os lobos, os filhotes de leões, a injustiça que não cessa apoiada em podres bordões. Lá fora o campo é aberto e é do esperto o arquiteto pelas predileções, que enganam o certo e faz do correto abominações. Lá fora se uiva e muito se encurva sem possessão, oprimindo o justo a todo custo para alimentar o ladrão. Lá fora a desunião colabora com a corrupção, se varre a sujeira para debaixo do tapete, e quando estoura na boca do povo se transforma em canção. Lá fora as cobras chocam ovos que nascem filhotes de escorpião, o veneno é dobrado e quando se é picado não há salvação. Lá fora há mãos frouxas, e há outras que prendem com fortes grilhões, há poderes que usam canhões e pela força cultivam trouxas. Lá fora muito se engorda o olho da ganância, e há muita discrepância na partilha do pão, uma boca come muito e muitas bocas comem não.
EU ATLETA
Que maravilhoso é sentir os raios do sol de manhã em todo o corpo, absorver a energia pura e natural, ouvindo o canto dos pássaros: canários, sabiás, sofrês, papa-arrozes, melros, quando se está a correr pelas estradas de chão, pelos bosques nas trilhas. Desprendendo a energia do corpo, sentido o suor escorrendo pelo rosto, a cada passada e a cada esforço a sensação de querer ir cada vez mais longe, de ser incansável e inquebrável, que pena que apenas em nossa mente sustentamos isto, mas a vontade, o desejo de cumprir com o objetivo nos fazem mais fortes, nos impulsionam e nos fazem sentir grandes atletas. Assim encaramos com alegria o desafio proposto geralmente por nós mesmos e sentimos que somos capazes de irmos além, de superarmos os nossos próprios limites, e ficamos surpresos com as nossas capacidades quando atingimos certos patamares que imaginávamos nunca sermos capazes. Mas o mais interessante é termos a capacidade de fazermos por prazer, e sentirmos a liberdade assim como os pássaros e o sol o fazem naturalmente cantando, iluminando e irradiando, a gente faz correndo usufruindo desse espetáculo da natureza que é revigorante.
QUANDO SE PERDE A RAZÃO
O meu coração dói por uma dor que corrói, necessito de algum lugar agora antes que eu vá embora, onde eu possa estar só para eu poder chorar e desafogar esta dor, e desfazer da minha garganta este apertado nó. Dor repentina por causa de umas palavras malditas que já estavam virando rotina. Preciso chorar, quem dera pudesse me transportar para bem longe agora mesmo, não ouvisse mais a tua voz a esmo, nem visse nunca mais o teu irado e indignado rosto. Assim eu encontraria a paz que eu almejo. Um beijo e um abraço, já não sei o que eu faço com tanto cansaço por não querer mais. Já foi mais um dia e aperta a agonia dos que ainda virão, não sei se suporto se me turbo ou se derroto tamanha aflição. Aos ouvidos palavras como um gotejar contínuo, está frio, sombrio, trancado o meu coração para não se sujeitar a um sentimento ambíguo.
MISÉRIA, MISÉRIA
Ao som de melodias encantadas,
À luz do sol irradiada, caminha,
Sem alparcas, mãos calejadas,
Sedento pela estrada, se definha.
Sem pão, sem o apoio de uma mão,
Vazio no âmago, olhos lacrimejantes,
Numa vida dura, amargura e solidão,
Cruel destino no sertão dos viandantes.
Para aonde ir e da fome fugir ao certo,
Sem nome a Deus argui por inocência,
Se a sorte se constitui longo deserto,
E sem culpa padece sem clemência.
Sentir a morte é um aporte de força,
No limiar dum corte que sangra a vida,
Num dilema incompreensível se esforça,
Na miséria enfadonha dia a dia vivida.
São os açoites, aos olhos dos mundos,
Abutres, hienas, coiotes em inanição,
Aves de rapina, carniceiros imundos,
Carnes humanas em decomposição.
São predadores homens desnaturais,
Que alimentam as feras da ganância,
Nas esferas das pobrezas naturais,
Se engodando a alma na abastança.
LINHA TÊNUE
Aparências, aparências, ó engano aos olhos símplices. Eloquências, eloquências, ó multidão de palavras doces. Irreverências, irreverências, ó atitudes sem respeito. Consequências, consequências, quantas infringências de direitos. Turbulências, turbulências, ó violências de qualquer jeito.
AINDA HÁ TEMPO
Fere na carne,
Fere no coração,
Sangra e escarne,
Maldita porção.
Olhos escuros na alva,
São dias de negridão,
Morde-se a língua calva,
Sorve-se o sangue de cão.
Abaladas as potências,
Flechas de maldição,
Mortes sem condolências,
Espíritos em aflição.
Houve um tempo de espera,
Pela gratidão ao sacrifício na cruz,
Há a voz eloquente da loucura,
Anunciada pela pregação da Luz.
Erimar Lopes.