Lista de Poemas

EU ATLETA

Que maravilhoso é sentir os raios do sol de manhã em todo o corpo, absorver a energia pura e natural, ouvindo o canto dos pássaros: canários, sabiás, sofrês, papa-arrozes, melros, quando se está a correr pelas estradas de chão, pelos bosques nas trilhas. Desprendendo a energia do corpo, sentido o suor escorrendo pelo rosto, a cada passada e a cada esforço a sensação de querer ir cada vez mais longe, de ser incansável e inquebrável, que pena que apenas em nossa mente sustentamos isto, mas a vontade, o desejo de cumprir com o objetivo nos fazem mais fortes, nos impulsionam e nos fazem sentir grandes atletas. Assim encaramos com alegria o desafio proposto geralmente por nós mesmos e sentimos que somos capazes de irmos além, de superarmos os nossos próprios limites, e ficamos surpresos com as nossas capacidades quando atingimos certos patamares que imaginávamos nunca sermos capazes. Mas o mais interessante é termos a capacidade de fazermos por prazer, e sentirmos a liberdade assim como os pássaros e o sol o fazem naturalmente cantando, iluminando e irradiando, a gente faz correndo usufruindo desse espetáculo da natureza que é revigorante.
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ENCOMENDADO

Virando na rua dez na esquina, encontrará uma menina, ela te espera e te levará ao destino que procura, ela estará vestida com um vestido longo, preto e sujo. Ela tem a pele encardida pelo tempo, te parecerá mais velha, mas ainda é jovem, tem os cabelos longos e negros e os olhos como bolas de fogo. Não a pergunte nada, apenas a siga. Ela estará te fazendo um favor, então não a fique observando demais, nem olhe muito diretamente nos olhos dela, ela não te oferecerá nenhum sorriso, como te disse, apenas a siga. Ainda, não se assuste se porventura algumas coisas estranhas se manifestarem, do tipo não queira nem saber. Contudo você não tem escolhas, apenas ela pode te levar ao teu enfadonho destino. Não temas, não se distancie dela, será inseguro, mas ela não te oferecerá a mão, então saiba se portar para que não a perca e se perca pelo caminho o qual nunca mais encontrará, pois o seu destino ainda é melhor do que perder a direção e o seu guia.
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LÁ FORA

Lá fora há rumores de que tudo vai mal, lá fora há fugitivos de tremendo vendaval. Lá fora te esperam os lobos, os filhotes de leões, a injustiça que não cessa apoiada em podres bordões. Lá fora o campo é aberto e é do esperto o arquiteto pelas predileções, que enganam o certo e faz do correto abominações. Lá fora se uiva e muito se encurva sem possessão, oprimindo o justo a todo custo para alimentar o ladrão. Lá fora a desunião colabora com a corrupção, se varre a sujeira para debaixo do tapete, e quando estoura na boca do povo se transforma em canção. Lá fora as cobras chocam ovos que nascem filhotes de escorpião, o veneno é dobrado e quando se é picado não há salvação. Lá fora há mãos frouxas, e há outras que prendem com fortes grilhões, há poderes que usam canhões e pela força cultivam trouxas. Lá fora muito se engorda o olho da ganância, e há muita discrepância na partilha do pão, uma boca come muito e muitas bocas comem não.
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DEIXE-ME IR

Não posso mais suportar, não há tréguas, passe a régua e deixe o caldo entornar. Não há mais vivência neste lar. Está tudo acabado o amor foi derrotado já não nos resta lastimar. Ó ingratidão quem te convidou? Como pôde ser capaz de se manter em cartaz? Saiba que o amor por ti recuou. E assim foi passando o tempo e você não deu conta de todos os eventos que tiram e roubam a paz, ferro com ferro se açula e o convívio macula não voltando atrás. Mais uma vez acreditei, outra vez me enganei sem pensar, escolhi uma porta que me levou a uma derrota sem par. Agora ando aborrecido, somente Deus ouve o meu gemido quando me ponho a orar. Faltou-me com o respeito e já não vejo mais jeito de o tempo prolongar, feriu o meu coração causando um desgosto profundo, lançou em meu rosto palavras próprias para um vagabundo. Abriu-me os olhos, então vi tudo o que havia ignorado, tudo perdeu o sentido e para mim está muito mais que encerrado, toda paciência e tolerância não foram suficientes para conter a sua ignorância. Preciso ir, quero deixar bem claro, não me incomode, é um desejo raro, com muita sinceridade te digo que acabou, busco a eternidade, não consertar com a bondade resquícios do que não frutificou.
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QUANDO SE PERDE A RAZÃO

O meu coração dói por uma dor que corrói, necessito de algum lugar agora antes que eu vá embora, onde eu possa estar só para eu poder chorar e desafogar esta dor, e desfazer da minha garganta este apertado nó. Dor repentina por causa de umas palavras malditas que já estavam virando rotina. Preciso chorar, quem dera pudesse me transportar para bem longe agora mesmo, não ouvisse mais a tua voz a esmo, nem visse nunca mais o teu irado e indignado rosto. Assim eu encontraria a paz que eu almejo. Um beijo e um abraço, já não sei o que eu faço com tanto cansaço por não querer mais. Já foi mais um dia e aperta a agonia dos que ainda virão, não sei se suporto se me turbo ou se derroto tamanha aflição. Aos ouvidos palavras como um gotejar contínuo, está frio, sombrio, trancado o meu coração para não se sujeitar a um sentimento ambíguo.


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MISÉRIA, MISÉRIA

Ao som de melodias encantadas,
À luz do sol irradiada, caminha,
Sem alparcas, mãos calejadas,
Sedento pela estrada, se definha.

Sem pão, sem o apoio de uma mão,
Vazio no âmago, olhos lacrimejantes,
Numa vida dura, amargura e solidão,
Cruel destino no sertão dos viandantes.

Para aonde ir e da fome fugir ao certo,
Sem nome a Deus argui por inocência,
Se a sorte se constitui longo deserto,
E sem culpa padece sem clemência.

Sentir a morte é um aporte de força,
No limiar dum corte que sangra a vida,
Num dilema incompreensível se esforça,
Na miséria enfadonha dia a dia vivida.

São os açoites, aos olhos dos mundos,
Abutres, hienas, coiotes em inanição,
Aves de rapina, carniceiros imundos,
Carnes humanas em decomposição.

São predadores homens desnaturais,
Que alimentam as feras da ganância,
Nas esferas das pobrezas naturais,
Se engodando a alma na abastança.
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LINHA TÊNUE

Aparências, aparências, ó engano aos olhos símplices. Eloquências, eloquências, ó multidão de palavras doces. Irreverências, irreverências, ó atitudes sem respeito. Consequências, consequências, quantas infringências de direitos. Turbulências, turbulências, ó violências de qualquer jeito.
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AINDA HÁ TEMPO

Fere na carne, 
Fere no coração, 
Sangra e escarne, 
Maldita porção. 
 
Olhos escuros na alva, 
São dias de negridão, 
Morde-se a língua calva, 
Sorve-se o sangue de cão. 
 
Abaladas as potências, 
Flechas de maldição, 
Mortes sem condolências, 
Espíritos em aflição. 
 
Houve um tempo de espera, 
Pela gratidão ao sacrifício na cruz, 
Há a voz eloquente da loucura, 
Anunciada pela pregação da Luz. 
 
 Erimar Lopes.
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QUANDO SE DEIXA LEVAR

Todo o teu amor é absurdo
Todo o teu amor é mundo
Tudo a fundo em ti me inundo
Está em mim teu mar profundo. 
 
Toda minha vontade ao avesso
Lembro de ti, de mim esqueço
Em toda ilusão da qual padeço
Suportando ais que não mereço. 
 
Estou me afogando sem razão
Males sem cura sem solução
Vai-se um dia, horas de imersão
Sem oxigênio morro de paixão. 
 
Todo teu amor é sorte ou morte
Sangrando-me com um corte
Todo ele é como bebida forte 
Embriaga e desorienta o norte.

 
Por teus loucos atos, tuas maldades
Tuas marcantes volatilidades
Se perdendo em suas vaidades
Sugando-me vivo suspiro piedades. 
 
 
 
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LUZ TÃO QUERIDA

Seja capaz de amar até morrer por amor, por amar até ao amanhecer sem temor, a cada dia se comprometer por amor. O seu coração se aquecer e arrefecer toda dor, amar e amar com valor, teu irmão e tua irmã independente da cor. Queira viver um sonho lindo de morrer por amor, queira se esforçar com vigor, para amar e amar até quando durar sua vida, até que o amor seja a única saída para se alcançar o esplendor da luz tão querida.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971