Lista de Poemas

NÃO DEIXAREI DE TE AMAR

Meu amor o que há contigo? Eu não sei mais como te agradar, por que você está sempre de mal a pior e faz assim comigo? Mude o seu jeito de ser e verá que eu não mereço castigo.

Amor estou sempre pronto para você, e eu só sei te querer, ser o seu abrigo, ande, me entenda, me favoreça antes que eu te esqueça ou enlouqueça contigo.

Não deixarei de te amar se você se reencontrar e deixar de me humilhar voltando aos tempos antigos quando sinceramente nos amávamos e éramos mais que bons amigos.
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UMA PONTE, LONGA VIAGEM

Eu esperei passar os dias, envelheci, pois se passaram meses e muitos anos, eu odiei a minha espera, mas não eram os meus planos. Quando disseram: há uma ponte para atravessar, ela é longa. Ela liga a um lugar desconhecido, escolham e tomem a suas bagagens e sigam, mas não levem muito, para que porventura no meio da viagem não consigam mais carregar e não possam progredir, não se enfadem e não consigam se livrar delas. Quando alertaram: essa ponte é uma longa viagem e após ela o que os espera pode mudar as vossas vidas para todo o sempre, tudo será diferente, sigam em frente e não olhem para trás, se esforcem, tenham coragem e bom ânimo, lá o bem será permanente. Ao longo do caminho, muitos afoitos que levaram muitas bagagens que acharam serem boas foram se cansando e ficando para trás, começaram então a descartarem o que não servia, mas já estavam minados, velhos, certamente não chegariam ao destino, outros tiveram medo do desconhecido, pararam no meio da ponte e duvidaram se realmente seria algo melhor que os esperava, provavelmente morreriam ali ou voltariam, ainda outros, antes mesmo de chegarem adiante já olharam para trás, desistindo facilmente. Uma grande parte se contendia a respeito e não foi. Alguns tão próximos da chegada também desistiram e não tinham mais forças para voltar, a maioria olhou para trás e ficou incerta, uns se arrastavam, não dariam conta de chegar por causa das aflições, angústias e ansiedades. Do enorme contingente que saiu, poucos, mas, poucos dele, chegaram, atravessaram a ponte com as suas bagagens necessárias que escolheram e jamais olharam para trás, mudaram as suas vidas, seus destinos para melhor alcançando o bem. Partindo do pressuposto de que todos estavam em igual situação de dificuldades seguindo em vida, poucos foram os que conseguiram vencer e se salvar. Aplicando à realidade, a ponte é a viagem longa da vida, as bagagens levadas são os nossos pesos através das nossas próprias escolhas boas ou ruins, os entraves. Pararmos no meio do caminho, duvidarmos e olharmos para trás, é acharmos que na dificuldade que estamos é melhor do que lutarmos por algo que vai melhorar as nossas vidas em todos os sentidos para sempre, descartarmos as bagagens extras é querermos nos livrar das péssimas escolhas que já fizemos, por já estarmos cansados, é tentarmos nos livrar dos problemas sem sabedoria ao longo dos anos, iludindo a nós mesmos, nos impedindo de seguirmos em busca de mudanças, lutamos e não vemos progresso, cansamos e desistimos, nos tornamos ignorantes e cegos. Aqueles que mal caminharam e desistiram é porque escolheram bagagens pesadas demais e pereceram antes de poderem descartá-las. Os que se contenderam e nem foram, são os seus próprios fardos pesados, não conseguem se carregar. A dúvida e o medo são a falta de fé, e as aflições, angústias, e ansiedades em virtude do que se espera à frente, são os empecilhos que nos fazem perder as forças e nunca chegarmos a tempo porque já estamos em dificuldades na vida, para que mais? Nos acomodamos, adoecemos. Aqueles que estão próximos do destino e que desistem sem forças para voltar, são os que cavam um túnel ao longo da vida em busca de pedras preciosas e gastam todos os recursos e perdem as esperanças quando já estão próximos das jazidas, ou seja, por um fator simples que era apenas mais uns poucos metros de escavação, e uns outros vêm sem muitos esforços e as encontram e se alegram e se maravilham porque ficaram ricos por terem gasto quase nada, estavam próximos do destino. Apenas os prudentes e sábios mesmos sendo maus, alcançam os seus objetivos atravessando a ponte com as suas bagagens que escolhem e não olham para trás, não têm medo, nem duvidam ou desistem facilmente, se contendem, se afligem, se angustiam, ficam ansiosos, voltam ou permanecem no mesmo lugar, enquanto eles têm a oportunidade de seguirem vivendo.
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ROTINA DE UM VIGIA ANÔNIMO

É noite de lua clara, moro a poucos minutos do trabalho, sigo a pé, vejo não tão nitidamente o chão do calçamento, mas dá para andar sem usar lanterna. Por onde passo já no perímetro do local de chamada, não há iluminação artificial, subo bem devagar as escadas que são um pouco longas, um silêncio que se instalou aos poucos devido o avançar da noite. Há vegetações em todos os lados da escadaria: Capins Coloniões, Eucaliptos, Malvas, Assa-peixes, Betônicas e umas espécies que eu não conheço, sinto o cheiro do mato. Há dias que faço este trajeto, sozinho, anônimo, mas somente hoje atentei para a claridade do luar, além de com frequência orar durante o trajeto para o trabalho, andando: “Senhor meu Deus agradeço por mais este dia, por tudo que o Senhor me tem proporcionado até aqui; rogo a ti ó Deus que nos guarde em mais este turno de serviço; que nos dê a proteção e nos livre de todos os males; que nos livre dos acidentes, das perseguições, do engano e da mentira; Senhor meu Deus nos dê a luz para que os nossos pés não tropecem, a sabedoria para que nós sejamos justos, guia-me com o teu Espírito Santo; não permita que nós façamos as coisas por nós mesmos, mas que o Senhor seja a inspiração para todas as nossas atitudes; guarde os nossos sentimentos e pensamentos; que nós sigamos somente o bem e abominemos o mal; que nós levemos a paz. Acampem os teus anjos nos nossos setores de patrulhamento e não nos deixe confiar somente nos nossos coletes e nas nossas armas; ó Senhor seja com todos aqueles que estão imbuídos em prestar segurança àqueles que dormem e descansam em paz, guarda meu Deus os nossos lares com aqueles que amamos e queremos bem, porque ficarão sem a nossa presença; não nos deixe injustiçar ninguém, tampouco sofrermos a injustiça alheia, modera-nos, faça-nos prudentes. Senhor sei que sou pecador e imperfeito, mas tenha misericórdia de mim, me perdoa pelas minhas tantas faltas e me justifica, traze-nos de volta aos nossos lares, guardados e protegidos para os nossos e para que os nossos corpos descansem de mais uma noite de empenho, em nome de Jesus Cristo, Teu filho Bendito e Eterno”. Amém! Após as instruções, nos equipamos e descemos para mais uma noite, esperamos pela misericórdia um turno em paz, mas nem sempre acontece, muitas vezes somos expostos, chamados para atendermos variados tipos de delitos, que nos consomem muita energia, afeta o nosso psicológico e fisiológico. Às vezes a noite é longa, ou demasiadamente curta, depende do andar da carruagem: poucos ou muitos chamados, condições físicas e psicológicas. Está raiando a alva do dia, chegando ao final de mais uma jornada, deslocando para o descanso merecido, nos desequipamos, e tornamos para casa. Hora de agradecer a Deus por mais um dia de vitória diante das adversidades, e por ter sido trazido de volta para casa incólume.
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DESEJO DE ME AMAR SEM PRESSA

O meu amor é luz da aurora,
Meu amor é força desumana,
Com seus anseios me devora,
E do meu coração se emana.

A minha felicidade a foi confiada,
Sustentada por minha fidelidade,
A minha esperança é eternizada,
Por seus atos de pura verdade.

O meu amor é videira frutífera,
Puros e desejáveis os seus frutos,
Tem o cheiro de madeira odorífera,
Tempero que suaviza até os brutos.

Sempre disposta, sempre em ação,
Com toda intensidade expressa,
O desejo cativo em seu coração,
Que é o de me amar sem pressa.
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O ESPOSO E A AMADA

E o dia se fez claro, e se fez clara cada manhã, e em cada manhã em que há vida tudo é perfeição ao ouvir o canto dos pássaros quando os laços seguram a amada futura esposa virgem imaculada em todo tempo guardada por muitas alvoradas. Vestes brancas alvejadas, pele viva colorada com tons de frutas avermelhadas. Ela corre pelos campos com toda a liberdade e, na alma tem saudades dos olhos com fidelidade do amor da sua mocidade. Eis a virgem que espera o noivo que esmera quando o amor é mais poderoso e puro, que o instinto de uma fera. Bela e adornada, noiva desejada pela alma do amado. Tem o corpo intocado, será a amada do esposo desejado. As cerimônias já estão sendo preparadas, em breve entrará ao gozo do matrimônio com o esposo e as portas serão fechadas, a união será perpétua, haverá azeite para sempre e a sua lâmpada nunca se apagará.
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VACÂNCIA

Aqueles olhos eram meigos, aqueles lábios traiçoeiros, o sorriso convidativo, a fala destilava favos de mel. Um trajo peculiar, num corpo tenso ao luar. Não me deixou falar, mas também não conseguiria. Meus pensamentos não eram o meu guia, muito forte o palpitar do meu coração eu sentia, havia um tremor em meu corpo, me faltava fôlego. Estava confuso, maravilhado e indeciso. O que há comigo? Nem a conheço! Já me virou ao avesso. Esqueci dos riscos, mas mantive meus medos. Ela dizia: vem, vamos ao luar e que não termine tão cedo as nossas delícias. Entre a mim e eu te mostrarei a olho nu onde moram os desejáveis astros dos céus. Eu não estava ébrio, mas era noite e o vento açoitava os seus cabelos, e os meus olhos fixos nela não eram muito ligeiros, pois me embriagava o seu aspecto. De nada servia o meu intelecto, os meus sentidos não conseguiam um retrospecto de uns poucos instantes. Quanta dúvida, quem será ela? Era verão, e o calor sufocava os meus poros, suado e sem reação me senti intimidado. Olhei em volta, não havia mais ninguém, ela se aproxima para junto de mim, tenso eu balbucio, mas ela me ignora, sinto como se um fogo me consumisse, como se tochas flamejantes saíssem pela minha boca. Queria perguntar, quem é você? De onde veio? Para aonde vai? Não tive tempo. Me abraçou e me beijou paralisado, me envolveu em seus braços, cobriu o meu rosto com os seus longos e perfumados cabelos, para mim eram devaneios, eu estava me queimando, como se o sol estivesse me abrasando, e de repente me levava, eu via luzes, estrelas, não sabia mais onde eu estava, ouvia a sua voz: não se entristeça te deixarei ir assim que sentires o prazer que a carne não fornece, agora você é o fogo que aquece os nossos corpos, e eu sou luz. Então percebi que não havia mais volta desde o dia em que ela havia morrido.
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QUEM SOFRERÁ O DANO?

Quem é aquele que vai andando levando os seus fardos pesados todo martirizado, se não aquele que não observou os seus caminhos, que pisou em terrenos minados, e com os espinhos se afligiu aos bocados? Quem é o homem que vendo uma luz, a transforma em uma pesada cruz e a joga nos ombros e se arrasta na escuridão? Há dois caminhos. Não se diz ao louco: não pule, nem ao sensato fique onde estás, para que porventura o louco não morra e o sensato resolva voltar para trás.
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MUITO MAIS QUE TODO O MEU SER

Quantas são as aflições, em que choramos, em que declinamos as nossas tristezas, quero tanto ser e te dar tudo o que necessitar, como quero tanto te fazer o bem, te ver feliz sorrindo sempre. Como quero estar sempre aos teus pés te buscando, me doando, se esquecendo de mim, te acolhendo com todo o amor possível. Como quero sempre em minhas mãos ter o bocado, a porção que te alimenta. Como desejo em meu coração, com toda a sinceridade, dar a minha vida por seu amor. Como quero, como choro porque ainda não posso. Como me entristeço por isto, não sinto outro desejo se não este de te dar tudo o que necessita, a você e aos nossos filhos. Já não tenho medo, tudo isto mais importa, se eu pudesse mover o tempo, eu não choraria mais, mas me entristeço. Além de tudo sou muito grato a Deus porque os tenho, porque sei que um dia todo choro, toda tristeza e angústia cessará, já não tenho medo, apenas choro às vezes por isto. Sei que estamos bem, mas como quero te dar além, muito mais que todo o meu ser.
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O FRUTO A SEU TEMPO

Há fraquezas em alguns membros do corpo em um corpo, há tristezas nas faces dos homens, os sorrisos se afastaram dos rostos. Há prazeres em tantos desgostos. Há um futuro conhecido, um há de vencer, outro há de ser perdido. Existem frases de quaisquer pressupostos, alguns leem, uns e outros creem, não é passageiro o bem e sim o mal, não importa se está limpo ou se há sujeira em seu quintal. Haverá duração perenal. Há fracos e fortes numa batalha, a morte para uns nunca falha, fracos e fortes sobrevivem, mártires incríveis com suas histórias, umas verdadeiras coroadas de sangue e de glórias, outras falsas, mentirosas, e vanglórias. Há incertezas nos cruzamentos, sinais vermelhos, verdes momentos, que se chocam em amarelados sentimentos, e da vida se fazem fragmentos, quando avançam paradas obrigatórias, e se atropelam nas rotatórias da vida. Haverão renúncias assumidas em busca de forças, mas não em alimentos, haverão conflitos nas mentes que emergirão em pensamentos dos que plantaram hoje as sementes em férteis terras, pois haverão colheitas severas.
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SINTÉTICA PACIÊNCIA, LOUCA CONSCIÊNCIA

Fornecem nas ruas e em lugares ocultos alimentos à loucura, que só aumentam a procura, vendem dissolutamente a doentes ou normais as sintéticas paciências, tarjas negras na essência, mas também causam dependência e nem sempre são prescritas por pronta anuência. Existem fármacos que acalmam com muita eficiência, porém as metanfetaminas que devoram o consciente e podem causar demência assumiram a excelência, pois os lúcidos vão a elas em plena consciência. Gerações independentes cada vez mais pendentes aos vícios, atraídos pelos efeitos alucinógenos, ignoram os seus malefícios. Juventude transviada, com vida desregrada, esses são filhos de pais liberais, ou árbitros dos próprios desejos, experimentam e aprovam, não resistem e querem mais. Aonde foram parar o conservadorismo familiar ou o juízo daqueles que se entregam à devassidão? Filhos sem pais, irmãs sem irmãos, vidas sem paz num mundo de ilusão.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971