PENSAMENTOS
Não coma o pão da mentira, nem beba o vinho da violência, para que não antecipe os seus dias ou seja julgado sem clemência.
Vê um sábio em sabedoria e considera a sua prudência, aparte do louco em sua loucura e o deixe sofrer a consequência.
Separe um bom amigo do coração, reserve-o com sinceridade, sempre estenderá a sua mão quando estiver em dificuldade.
Abrace a sua mãe e diga não sou digno, mesmo que a não queira bem, foi ela quem te deu a luz, porventura viver não é um bem?
Não te apresses na adversidade quando pedirem o seu testemunho, não sejas preguiçoso, leia atentamente o que assina com o próprio punho.
Se puderes matar a sede a contento, agradeça ao que te propicia, porquê o soberbo terá sede, mas beberá do fel da agonia.
Se lhe faltarem calçados, louve o teu estado com fé, antes descalço, a sapatos sem pé.
Vê o esvoaçar dos pássaros migratórios, sempre encontrarão alimento, vê um homem daqui e dali, vem do suor o seu sustento.
DESLUMBRADO
Eu busquei com muita cautela um amor
E encontrei com uma pessoa tão bela
Tanto na aparência quanto o seu interior
Eu sonhava em ter uma esposa singela.
Eu pensei antes que não suportaria
O quanto a solidão me machucava
Ela veio em uma forma de alegria
E num olhar e sorriso eu já a desejava.
Ela me disse com toda a certeza
Que o amor a encontrou no caminho
Eu a agradeci com toda presteza
Sinceramente por não ser mais sozinho.
Abriguei-a logo em meu coração
Em lágrimas me declarei emocionado
Segurando firme a sua delicada mão
Em reverência me ajoelhei deslumbrado.
CASO PERDIDO
Vede quanta falta me faz desde o dia em que partiu sem me avisar para aonde iria, quanto tempo já faz que você não liga mais, parece que tudo tanto faz.
Já fui o seu tesouro escondido, sua joia mais que preciosa, hoje perdi o valor, por você fui abandonado, já não me quer mais, de graça fui vendido.
Não fui o culpado por ter te perdido, mas por ter te amado além sem ser correspondido e de mim esquecido, por isso não me deste valor e trocaste o meu amor por um caso perdido.
LÍNGUA VENENOSA
O raio da roda gira sem raios
A carapuça embuça a cabeça culpada
O cubo num tubo de ensaios
Quando o discurso não sabe de nada.
A língua intrépido chicote mortal
Açoita a alma quando a fala é do mal
O corte é profundo, a cicatriz anormal
E o que se dissemina pode ser fatal.
Preso ao corpo esse membro pequeno
Logo liberta palavras tênues adagas
Que penetram no coração com veneno
Causando terríveis e profundas chagas.
Não tem freio nem pode ser controlada
O mal pensamento não será descoberto
Somente não tropeça a boca fechada
Mas se escrito ou falado o dano é certo.
BARCO DOS SONHOS
O barco dos sonhos vem navegando em águas mansas, serenas e tranquilas, cheio de esperanças, eu o espero ansioso no porto poder ancorá-lo em mim. Quem o guia o faz com ciência e muita habilidade. Ele traz os meus sonhos de verdade àquela que vigia e guia os meus passos. Vem de longe, demorado, espero pacientemente e angustiado o realizar de uma intrigante coisa: o sofrer por amor.
FAVELA
Na face do fácil há laço e ardil, na classe de baixo misérias a mil, no rosto de mosto desgosto se viu, na alma com trauma que embriagada caiu. Na floresta que resta tem festa bancada, há pobres que bebem e dormem em calçada. O luxo do lixo é lixa engrossada, o limo que lima a classe de classe folgada. No limbo o cachimbo prima a boca, a fome que consome e ela está sempre oca, que na labuta conduta do pobre se cobre, da miséria tão séria e louca. Um menino felino sem leite, mofino triste resiste ao destino, na crença desavença que vença o impostor, por comida, pela vida, pela droga do remédio, por algum valor, e não cresça no tédio vendo do alto os prédios, e o mundo não seja uma bandeja que sempre veja na televisão, onde o lixo é luxo e os sentidos alimentam o fluxo da imaginação.
Ipatinga, 04/05/2019
Erimar Santos
AMOR VERDADEIRO
Há uma luz, e essa luz é branca, há uma cruz, e essa cruz é pesada, há um caminho, e esse caminho é reto, há uma porta, e essa porta é estreita, há um coração, e esse coração clama, há um lugar, e esse lugar está preparado. Há um plano, e esse plano é perfeito. Há uma alma, e essa alma chora, há uma vida, e essa vida implora. Há uma dor, e essa dor não cessa. Há um Amor, e esse Amor é eterno. Há uma busca, e essa busca é constante, e incessante por esse Amor que nos é o bastante.
Ipatinga, 06/05/2019
Erimar Santos.
VELHA ESTAÇÃO DA LOUCURA
Eu anunciei de dia enquanto havia luz, que o velho trem de passageiros em cruz, que passaria naquela velha estação, chegaria à noite e não esperaria não, pois estava cansado de cruzar lado a lado nos trilhos o meu árido sertão.
Anunciei e esperei com muita atenção, o meu velho trem, naquela velha estação, fiquei sozinho, ninguém viajaria nem de noite ou de dia, nem jamais entraria naquela velha locomotiva, que levaria a deriva o meu inconstante coração.
Era o trem da ilusão, na velha estação da loucura, era somente eu numa viagem insegura, de vagão em vagão, ninguém que segurasse a minha mão, e o velho trem me levava, não haviam paradas, era longa a viagem, dias e noites de jornadas.
Oh maquinista! Pare essa máquina, a loucura me mata, a ilusão é nefasta, arranque os trilhos, descarrilhe os vagões, me leve de volta ao meu árido sertão, lá estava calmo, era muita sede e eu vi a miragem e me embarquei nessa viagem de alucinação.
TUDO PASSARÁ
Mais na vida tudo passa, tudo passará, enquanto o Senhor não vem, temos que lutar. Combater o bom combate, apartando-nos do mal, consagrando as nossas vidas ao Pai Celestial.
Andando em santidade, firmados na verdade, praticando a justiça e a bondade. Exercitando a paciência, outorgando clemência, obedecendo a excelência da Palavra da Sapiência.
Retenhamos o que vivifica, desprezemos o que impudica, alvejemos as nossas vestes com o sacrifício do Senhor, que até à morte amor não nos negou, e indo para o Pai, no céu moradas nos preparou.
O DESEQUILÍBRIO VIRÁ
Eu estou eufórico, estupefato de fato com tantas loucuras, eu não sei para aonde vou nesta terra com tantos corpos de esculturas, caras engessadas, pescoços duros, rostos pintados nos muros, caricaturas em gravuras de revistas e jornais, em cada país, cada um com os seus chacais. As bocas grandes, os olhos arregalados, dentes afiados, mísseis apontados para todos os lados. O equilíbrio é dado pelo Todo Poderoso que faz surgir acordos em vários tratados, mesmo assim há disputas, em silêncio, há mortes, massacres, acidentes em mundos desconectados.
Quem me dera ter asas para voar
Quem me dera ser capaz de ler
Além do que os olhos possam ver
Quem me dera poder me reinventar.
Quem me dera ter o dom da cura
Quem me dera encontrar o caminho
Ter nas mãos uma virtude mais pura
Que me leve a cicatrizar-me sozinho.
Quem me dera ser um elemento volátil
Levado por um vento que sopra ardiloso
Introduzido em um corpo não táctil
Inflamado de um fogo que queima furioso.
Quem me dera! O amor como bálsamo
Para acalmar dos homens os corações
Deixando-os como noivos no tálamo
Esquecendo-se das guerras e dos canhões.