ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
418 223 Visualizações

O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

Ler poema completo
Biografia

1971

Poemas

703

ENCIUMADO

Me deixa na minha loucura, não vejo nada que me traga paz. Sua dura visão me impõe ilusões e as pedras nas suas mãos o meu pão, lançado no abismo do meu interior pela profecia da mentira ele não me sacia a fome. Quem dera não vissem um homem louco e faminto porque não tem paz, pois a sua paixão depositou numa virgem que com o seu amor o envenena com o furor de víboras-áspides. Não há antídoto que o salve, morrerá mil mortes antes apaixonado matando o próprio corpo desesperado. Ninguém firmará os sentidos nele e alucinado estará cego até que mine o sangue em seus poros, e o consuma a peçonha por inteiro. Desviem os vossos caminhos dele.
227

A VERDADE A QUALQUER CUSTO

Em uma dor que corrói
Na ponta dos dedos
E em todo o dente que dói 
Confessando os segredos
Da alma numa agulha
Quando o corpo esbulhado
Tem arrancado uma unha
O destino é traçado
Ao que não se propunha
Quando se esfria a carne
E o sangue não tem mais curso
Pois viver já não é a verdade 
E a morte lenta é o único recurso
Tendo a língua infame penetrando na dor 
Dos olhos perfurados e apagados
O torturador.
268

SONHOS MORTOS

Ele sonhava com pessoas mortas
Elas eram bem vivas em seus sonhos
Estavam sempre lá em suas portas
Em suas casas eram espíritos tristonhos.

Ele não entendia por que sonhava
Sempre com o seu pai e a mãe dum amigo
Sonhos sem sentidos o assombrava
Memórias do passado seriam castigo.

Mortos, mas vivos em seus sonhos
Que ele não sabia o que significava
Sonhos com mortos um tanto estranhos
Que não exprimia algo, mas o enfadava.

Intrigado com o sobrenatural
Nestes sonhos ele era uma criança 
O seu pai foi um homem meio mal
E no subconsciente pode ter uma lembrança.
177

TEMPOS PERDIDOS

Uma coisa farei, para bem longe irei,
Fugirei do passado que me entristece,
De coragem meu coração não carece,
Para encarar novos desafios que terei.

Cansado estou e acuado me vou,
Daqueles que me buscam ao longe,
Fraco estou e alvo fácil ainda sou,
O vulnerável costume me constrange.

Duma coisa eu sei, está tudo perdido,
Nada aqui conquistei pelo trabalho a fio,
Nem paz, nem amor, somente fui afligido,
Lembrar dos momentos me dá calafrio.

Às vezes choro pensando sozinho,
Por que fui desprovido de boa sorte,
Pessoas boas não tive no caminho,
Alguém que me guiasse a um Norte.

Por isto agora fujo sem olhar para trás,
Para bem longe dos rostos fingidos,
Uma longa viagem farei, busco a paz,
Expectável é recuperar os anos perdidos.
182

BOCA DE TOLO

A valia dum olho na terra de cego,
Já diz claramente o velho ditado.
O que vale a língua na boca tola,
Dum homem insensato? Coitado!
339

ANA E SAMBA

Eu conheço uma menina,
O seu nome é Clara Ana,
Lindas flores de bonina,
Gosta muito de banana.

Sonha em ter um cãozinho,
Para se descolar de bamba,
Brincar, cuidar e ter carinho,
Dar-lhe o nome de Samba.

Pede ao pai como presente,
Espera paciente receber,
Um amigo pet tão carente,
Para os seus dias entreter.

Ipatinga, 01/03/2019
Erimar Lopes.

1 006

POBRE FUNDAMENTO

A casa foi edificada toda bela,
Adornada com finos acabamentos,
Em seu interior à luz de vela,
Descansa em paz seus elementos.

A casa está vazia e sombria,
Não há hóspedes descentes,
Esta casa muito silêncio queria,
Mas à noite há vozes eloquentes.

A casa está se enlouquecendo,
Tem abrigado muitos dementes,
Adornada bela, mas morrendo,
A casa vive dias doentes.

Ela tem seus parentes,
Seus pais estão preocupados,
Na edificação foram inconsequentes,
Todos adornos agora ameaçados.

Pelo fundamento que se fraquejou,
Onde não teve apoio e sustento,
A casa quase se desmoronou,
Ao enfrentar seu primeiro forte vento.



197

SEM SAÍDA

Onde estavas que nem me viu, nem me abraçou, nem me sentiu, me ignorou. Os meus lábios não beijou, também a minha face não tocou, nem acariciou. O que te faz ensoberbecer tanto? Há uma mesa cheia de oferendas, há um banquete para todos os desejos, há corações perversos, há janelas de escuridão. Existem caminhos distantes onde os meus braços não alcançarão e os teus pés jamais deixarão o rastro das tuas pegadas. Em meio ao nada, lancei as sementes, um manjar não provarei até que germinem; li os teus olhos, não vi brilho, não há inocência, comeste do banquete, sujaste as tuas vestes, aceitaste as oferendas, estás na prisão voluntária do oculto. Um fruto atraente aos olhos viste, provaste do sabor absintio da traição. Elevaste os teus sentidos, perfumaste a tua alma com o incenso do engano. No meio do nada há uma terra fértil e nascerá uma vide, e os teus frutos crescerão saudáveis, e haverá um grande lagar, e o mosto fermentará. Provar-te-ás do vinho da verdade e se embriagará, e confessar-te-ás e tornar-te-ás ao primeiro amor.
221

LEVANDO METADE DE MIM

Eu não quero te ver partir
Saindo assim fortalecida
Levando a metade de mim
Viverá noutro amanhã outra vida.

Sem você minha outra parte
A cada dia morrerá comigo
Se sem você o meu viver é arte
Devolva a vida que me deu abrigo.

Mas se assim não se importa
A leve contigo em sua prisão 
Se o seu coração não a comporta
Não a mate sem compaixão.

O que há de você em mim agora
As marcas, os sonhos, o domínio
Um desejo de reconciliar que implora
Não podem ser deixados em declínio.

Entretanto se deixar perecer
No seu coração minha metade de vida
Esperarei por você a reviver
Porque em mim sua metade está garantida.
190

INFELICIDELIDADE

O que eu procuro em você
É difícil de encontrar e sentir
É tão complicado o porquê 
Você me tem feito desistir.

A nossa relação é uma façanha
A todo tempo há desconfiança
Há medo e muita artimanha 
Por momentos de pouca bonança.

Eu preso nas minhas dúvidas
Você com as suas barganhas
Eu alimentando outras vidas
Você em outras vidas estranhas.

Tudo aparentemente correto
Com um casal de futuro incerto
Dois corpos em um mesmo teto
Num relacionamento dito aberto.

Um homem quer uma mulher
Em um sentimento dividido
Uma mulher também o quer
Em um matrimônio corrompido.

Duas árvores que se murcham
Com os seus caules feridos
Duas raízes que se arrancam
Vendo os seus troncos caídos.
174

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema