LÁGRIMAS DE UM AMOR LIBERTO
Em gotas de lágrimas me tornei,
Nesse seu triste choro que enfada,
Por que ousa me maltratar amada?
Por que o amor para mim chegou,
Levando o meu opróbrio para longe,
E eu somente umas lágrimas sou?
Que em seu choro me encontrou,
Apascentado, escorrido e liberto,
De afrontas não mais sou coberto.
Enxugado, fortalecido e exaltado,
Amada, admire e odeie o meu fado,
Nesse seu choro de contínuo enfado.
Deixe cair e secar as que restam,
Dos teus olhos que o amor foi tirado.
Sem mim essas que nada mais prestam.
Erimar Santos.
A VERDADE A QUALQUER CUSTO
Em uma dor que corrói
Na ponta dos dedos
E em todo o dente que dói
Confessando os segredos
Da alma numa agulha
Quando o corpo esbulhado
Tem arrancado uma unha
O destino é traçado
Ao que não se propunha
Quando se esfria a carne
E o sangue não tem mais curso
Pois viver já não é a verdade
E a morte lenta é o único recurso
Tendo a língua infame penetrando na dor
Dos olhos perfurados e apagados
O torturador.
TEMPOS PERDIDOS
Uma coisa farei, para bem longe irei,
Fugirei do passado que me entristece,
De coragem meu coração não carece,
Para encarar novos desafios que terei.
Cansado estou e acuado me vou,
Daqueles que me buscam ao longe,
Fraco estou e alvo fácil ainda sou,
O vulnerável costume me constrange.
Duma coisa eu sei, está tudo perdido,
Nada aqui conquistei pelo trabalho a fio,
Nem paz, nem amor, somente fui afligido,
Lembrar dos momentos me dá calafrio.
Às vezes choro pensando sozinho,
Por que fui desprovido de boa sorte,
Pessoas boas não tive no caminho,
Alguém que me guiasse a um Norte.
Por isto agora fujo sem olhar para trás,
Para bem longe dos rostos fingidos,
Uma longa viagem farei, busco a paz,
Expectável é recuperar os anos perdidos.
BOCA DE TOLO
A valia dum olho na terra de cego,
Já diz claramente o velho ditado.
O que vale a língua na boca tola,
Dum homem insensato? Coitado!
POBRE FUNDAMENTO
A casa foi edificada toda bela,
Adornada com finos acabamentos,
Em seu interior à luz de vela,
Descansa em paz seus elementos.
A casa está vazia e sombria,
Não há hóspedes descentes,
Esta casa muito silêncio queria,
Mas à noite há vozes eloquentes.
A casa está se enlouquecendo,
Tem abrigado muitos dementes,
Adornada bela, mas morrendo,
A casa vive dias doentes.
Ela tem seus parentes,
Seus pais estão preocupados,
Na edificação foram inconsequentes,
Todos adornos agora ameaçados.
Pelo fundamento que se fraquejou,
Onde não teve apoio e sustento,
A casa quase se desmoronou,
Ao enfrentar seu primeiro forte vento.
SONHOS MORTOS
Ele sonhava com pessoas mortas
Elas eram bem vivas em seus sonhos
Estavam sempre lá em suas portas
Em suas casas eram espíritos tristonhos.
Ele não entendia por que sonhava
Sempre com o seu pai e a mãe dum amigo
Sonhos sem sentidos o assombrava
Memórias do passado seriam castigo.
Mortos, mas vivos em seus sonhos
Que ele não sabia o que significava
Sonhos com mortos um tanto estranhos
Que não exprimia algo, mas o enfadava.
Intrigado com o sobrenatural
Nestes sonhos ele era uma criança
O seu pai foi um homem meio mal
E no subconsciente pode ter uma lembrança.
SEM SAÍDA
Onde estavas que nem me viu, nem me abraçou, nem me sentiu, me ignorou. Os meus lábios não beijou, também a minha face não tocou, nem acariciou. O que te faz ensoberbecer tanto? Há uma mesa cheia de oferendas, há um banquete para todos os desejos, há corações perversos, há janelas de escuridão. Existem caminhos distantes onde os meus braços não alcançarão e os teus pés jamais deixarão o rastro das tuas pegadas. Em meio ao nada, lancei as sementes, um manjar não provarei até que germinem; li os teus olhos, não vi brilho, não há inocência, comeste do banquete, sujaste as tuas vestes, aceitaste as oferendas, estás na prisão voluntária do oculto. Um fruto atraente aos olhos viste, provaste do sabor absintio da traição. Elevaste os teus sentidos, perfumaste a tua alma com o incenso do engano. No meio do nada há uma terra fértil e nascerá uma vide, e os teus frutos crescerão saudáveis, e haverá um grande lagar, e o mosto fermentará. Provar-te-ás do vinho da verdade e se embriagará, e confessar-te-ás e tornar-te-ás ao primeiro amor.
ANA E SAMBA
Eu conheço uma menina,
O seu nome é Clara Ana,
Lindas flores de bonina,
Gosta muito de banana.
Sonha em ter um cãozinho,
Para se descolar de bamba,
Brincar, cuidar e ter carinho,
Dar-lhe o nome de Samba.
Pede ao pai como presente,
Espera paciente receber,
Um amigo pet tão carente,
Para os seus dias entreter.
Ipatinga, 01/03/2019
Erimar Lopes.
MEDO DE MIM
O que mais me resta é correr
Fugir para bem longe de mim
Para a minha derrota eu não ver.
O que eu não quero é sofrer
Porque fujo é deste medo de mim
Para não por muito a perder.
Se o meu medo é mesmo de mim
Como poderei então me escapar?
Pois juntados nós estamos enfim.
Eu tenho é que o encarar em mente
E batalhar com ele até o fim
Antes que este medo me mate
Ou para sempre eu o mate em mim.
INFELICIDELIDADE
O que eu procuro em você
É difícil de encontrar e sentir
É tão complicado o porquê
Você me tem feito desistir.
A nossa relação é uma façanha
A todo tempo há desconfiança
Há medo e muita artimanha
Por momentos de pouca bonança.
Eu preso nas minhas dúvidas
Você com as suas barganhas
Eu alimentando outras vidas
Você em outras vidas estranhas.
Tudo aparentemente correto
Com um casal de futuro incerto
Dois corpos em um mesmo teto
Num relacionamento dito aberto.
Um homem quer uma mulher
Em um sentimento dividido
Uma mulher também o quer
Em um matrimônio corrompido.
Duas árvores que se murcham
Com os seus caules feridos
Duas raízes que se arrancam
Vendo os seus troncos caídos.