SOLIDÃO
Eu estive sozinho, estive tanto tempo sem alguém, foi difícil mas me encorajei. Por tempo me acostumei com a ilusão de que às vezes um pouco de solidão não faz bem, acaba fazendo bem sim. Sem esperança futura de encontrar um novo amor, que fosse compatível, um pouco sozinho dia a dia me servia de apoio para varrer o vazio imenso que existia dentro de mim. Ficou um rastro longo de um caminho que por muitas vezes por mim foi trilhado. Andei nele de várias formas por muitos anos tentando acertar os passos. Foram muitas quedas, muitos erros e acertos também. Saudades do que era bom, reflexos do medo por causa de alguns comportamentos exagerados. Apartei-me, fiquei sozinho, amparado pela lei de Deus. Tive muitas culpas, mas sem duras intenções no coração. Acho que alcancei misericórdia, porque não justifico a mim mesmo. Antes aceitei ser culpado por tudo, condenando-me à pena de solidão, onde percebi e entendi que há laços que nunca deverão ser desfeitos, que há elos que nunca deverão ser quebrados, alianças que jamais poderão ser anuladas. Porque há um mistério por detrás da união entre o homem e a mulher, entre os filhos gerados dessa união quando legítimamente sadia. Quando tudo isso se rompe, causa um grande abalo no coração e na alma e por mais que encontremos algo novo que possa ser melhor, jamais conseguiremos fugir das consequências, muito menos esquecer ou apagar o que passou.
Erimar Santos.
OLHOS VERDES VI
Olhos verdes tão lindos e meigos
Que brilhos em mim reluzem!
Tu és livre e se quisesses aconchegos
Te daria olhos verdes que me seduzem.
Se me aprovasses em teu coração
Faria de tudo para não o magoar
Seria paciente com tanta dedicação
Sereno para poder te acalentar.
Mas como olhos verdes viva flor?
Se não atentas para este pobre admirador
Que na vida seu desejo é dar-te amor
E a esperança é poder ser teu protetor.
Sei que nada te impede de me notar
Talvez eu não seja digno de você
Mas olhos verdes me deixe te provar
Que a tua beleza vai além do que se vê.
Erimar Lopes.
PRIMEIRO ENCONTRO
No primeiro encontro me deu
Um simbólico aperto de mão
Tão gélido o que me ofereceu
Que esfriou até o meu coração.
Fitei-a diretamente na face
Nos olhos uma viva energia
Que aqueceu sem disfarce
O meu peito com altiva alegria.
Pela maciez das palavras doces
Com as quais me prendia
Sem conjecturas precoces
Atentamente a ouvia.
Muito tempo passou comigo
Sentados nos confidenciando
Eu me imaginando a beijando
Mas contente com aquele castigo.
Na despedida repetida feita
Séria e com boa expressão
Estendeu-me a mão direita
Mais um aperto e nenhuma ação.
ENCAREM A LUZ
Faça calar o dia e a noite grite
Todas as manifestações escusas
Tudo o que ronda a alma triste
Na sombra do medo às escuras.
Escancare os portais, entrem
Todas as criaturas negras
Fechem, tranquem, selem
Para que nunca mais saiam íntegras.
Desfiguradas faces por que fogem?
Encarem a luz, a alva do dia
É nela que se salva do vigia
Da implacável ira dos leões que rugem.
NO PROFUNDO DAS ÁGUAS
Atirei uma pedra ao mar
E a esperei tornar à superfície,
Esperei por pura ignorância.
Pequena rocha não flutua, mas esperei.
Porque a comparei aos meus sonhos,
Que a muito desapareceram
Feito imersos no profundo das águas,
Mas vivo ansioso em alcançá-los.
São anseios que há tempos,
Espero com paciência e zelo,
Não desisto em vê-los realizados,
Assim como a pequena rocha
Tornar à superfície, transformada.
A natureza muda de tempos em tempos,
Muitas coisas se transformam,
E os nossos sonhos estão lá tão longe,
Ou às vezes tão ao nosso lado.
Nisto ponderei as águas e ondas do mar,
Elas que suscitam tantas coisas,
Levando e trazendo esperança e vida,
Muitas vezes se limpando da sujeira.
Que quando se embravecem,
Podem destruir tudo pela frente
E lançam fora ou sugam para o fundo,
Pois tem poder para expelir
Tanto quanto para engolir ao irarem-se.
Mas o que diria? Realizar sonhos
Sob a tempestade de águas
Ou aguardá-los lentos
E nunca os trazerem á tona?
As tempestades são as lutas,
A calmaria é o vício do ócio,
O comodismo farto do dia a dia,
A inerte energia que não se desprende.
Enfrentando a braveza das águas
Aguardando-a devolver minha pedra.
Meus sonhos realizados que voltarão,
Transformados na realidade que almejo.
DEMAIS PRA MIM
O amor requer trabalho
Muito esforço e dedicação
O amor nunca será falho
Pois sempre estará com razão
O amor é a engrenagem perfeita
Que movimenta os corações
Funcionando de forma estreita
Em todas afetas relações
Ele é um jugo leve e suave
Que suporta muitas cargas
Mas pode voar como uma ave
E pousar em outras ilhargas
O amor nos tira o sono
Quando em nosso coração
Não havia nenhum dono
E ele surge desde então
O amor que não conheço
Mas que me conhece bem
E nem sei se o mereço
Pois não sei se o convém
ACEITE SER MINHA SENHORA
Minha razão de estar onde estou
Nada mais é a luta por seu amor
Um lugar que ninguém me reservou
Que eu disputo com todo vigor.
Está aberto em meu coração
Um espaço tão real e imenso
Para abrigá-la melhor que um irmão
Com um desejo certo e pretenso.
Não tenho espanto e nem medo
Sei que posso te convencer
E ter a minha vitória tão cedo
Quando seu coração enternecer.
O seu livre amor o preciso agora
Acredita em mim, eu te imploro
Aceite ser a minha senhora
E te mostrarei o quanto te adoro.
RAZÃO, LUZ QUE ILUMINA
Razão ilumina a minha mente
No que será uma nova caminhada
Para preencher o que está ausente
Dentro da minha alma fragilizada.
Razão seja lá como tenha que ser
Mas guarde os meus pés nos trilhos
Vai além do que os meus olhos podem ver
Porque ela é linda demais e tem brilhos.
Razão não deixe que a emoção
Se ao tê-la em meus braços
Mostre-me de vez uma direção
E eu me perder em seus abraços.
Razão por favor me fortaleça
Caso em sua boca aos beijos
Me deixe levar e me emudeça
Prevalecendo em mim seus desejos.
Razão sabes que sou um fraco, é fato
Que me embriaga sempre a paixão
Para que eu não me entregue no ato
Dê-me paciência com reflexão.
Razão, mas se ela for a que eu busco
Deixe-a, que em tudo me domine
Descubra a transparência sem ofusco
Que com parcimônia me examine.
OLHOS VERDES V
Oh que coisa mais linda!
Quanta graça e formosura!
Sonho eu em teus braços, noite infinda
Ó olhos verdes que me inspira doçura.
Eu sou, olhos verdes pedras esmeraldas
Tão contente quando a vejo caminhando
Queria tanto te acompanhar nas caminhadas
Infelizmente me contento te observando.
Tu nem sabes que por ti eu sou
Quero tanto dar-te verdadeiro amor
Mostra-me o caminho que nele vou
Puros olhos verdes cristalinos na cor.
Sei que és real, mas parece fábula
Por te ver e não poder te tocar e sentir
É ficção nesta realidade de mácula
O meu amor insiste olhos verdes por você existir.
Erimar Lopes.
DE TODAS AS FORMAS
O amor é tão valoroso
Rico é quem o tem para dar
Vai muito além do falar carinhoso
Gestos e atitudes fazem-no triunfar.
É uma fonte inesgotável
É calmo e deveras paciente
Sofre de forma irretratável
Mas não se porta indiferente.
O amor tem liberdades
Mas se prende quando quer
É livre a todas as idades
E acomete a quem quiser.
Verdade é que não há limites
Para o amor se manifestar
Às vezes deixamos palpites
Sobressaltados a ele entregar.
O amor é o caminho de virtudes
Em todas as relações humanas
Ele é o grão que não brota vicissitudes
E se choca com ações desumanas.
O amor é luz e sal que dá gosto
É mister que seja reverenciado
Emanado do coração onde é posto
Quem o prova e o entende o faz sublimado.