Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
47 139 Visualizações

Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
Ler poema completo

Poemas

100

Envelhecer

Há cada vez menos lugares para envelhecer

Sem passado

Ou memória

Que nos fazem esquecer

Nem no poema queremos ficar

Com medo de o acabar

Estranho significado este

Que a vida tem

Onde não nos demoramos para não envelhecer

Como se a velhice fosse o começar

De um lugar

Onde não queremos chegar

 
258

Lua por inteiro

Deixa que te tome o corpo

E a lua por inteiro

A noite súbita

De um qualquer Janeiro

 
286

Idade do tempo

Se me demoro em mim

Para além da idade

É porque os anos já não esperam

E as noites ficaram maiores do que os dias
325

Humanidade nua

Saudades de te oscular o nome
e perder-me na lenta curva do teu rosto
Há muito que o sorriso nos perdeu
e os olhos se olham,
sem se verem
como se estes fossem a verdade
assustada e crua
de toda a humanidade nua
304

Marés

Diz-me, quantas luas te habitam,

Sem que a noite se dê conta?

Que margens te sobram depois das fragas?

Entre marés e rugas desenhadas pelo tempo

Deixaste partir a idade ao vento

Na maresia de ontem

Morta, ao degelo

Sem alento
292

Naquela janela

Vejo-me naquela janela

Que se olha por dentro

Sentado no tempo

Voei para longe

Empurrado pelo vento

E quanto mais vejo

Mais longe me leva o vento

Para lá da memória

Ao sabor do barlavento

 
336

Confinamento

Confina o medo

Depura as estrelas

Deixa que a viagem te ausente

E sintas o cheiro da vida

Pinta hoje o teu dia

Dá-lhe a cor do amor

Faz das sombras um poema

E em cada nascer do sol

Abraça-o

E sê tu

Uma vez mais
387

Depois dos 50

Depois dos cinquenta
Os dias ficam tímidos
Agigantam-se as noites
E a ilusão
Do tamanho do crepúsculo
 
Depois dos cinquenta
Pesa-nos o passado
Vivem-se pretéritos
Nem sempre perfeitos
Somam-se capítulos
À vida
De alguns parágrafos
Desfeitos
 
Depois dos cinquenta
Escuta-se a voz
Começa a contagem
Vira-se a folha
Bebem-se os anos
E os instantes
dessa viagem
402

Anoitecer

A história de um homem

Faz-se ao anoitecer

Quando as sombras quedam

E a cegueira se faz ao caminho

 


341

Forma alada

Morro na lenta agonia 
que me sobra
Até o sono não ter voz
O amor é o que me resta
Depois do poema
Ergo-me na forma alada
O corpo incinerado já não dói
Apenas o choro de preto
Daqueles que abalam
E o olhar queimado
Das cinzas que ficam
393

Livros

1

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.