Lista de Poemas
Naquela janela
Vejo-me naquela janela
Que se olha por dentro
Sentado no tempo
Voei para longe
Empurrado pelo vento
E quanto mais vejo
Mais longe me leva o vento
Para lá da memória
Ao sabor do barlavento
Que se olha por dentro
Sentado no tempo
Voei para longe
Empurrado pelo vento
E quanto mais vejo
Mais longe me leva o vento
Para lá da memória
Ao sabor do barlavento
316
Confinamento
Confina o medo
Depura as estrelas
Deixa que a viagem te ausente
E sintas o cheiro da vida
Pinta hoje o teu dia
Dá-lhe a cor do amor
Faz das sombras um poema
E em cada nascer do sol
Abraça-o
E sê tu
Uma vez mais
Depura as estrelas
Deixa que a viagem te ausente
E sintas o cheiro da vida
Pinta hoje o teu dia
Dá-lhe a cor do amor
Faz das sombras um poema
E em cada nascer do sol
Abraça-o
E sê tu
Uma vez mais
364
Depois dos 50
Depois dos cinquenta
Os dias ficam tímidos
Agigantam-se as noites
E a ilusão
Do tamanho do crepúsculo
Depois dos cinquenta
Pesa-nos o passado
Vivem-se pretéritos
Nem sempre perfeitos
Somam-se capítulos
À vida
De alguns parágrafos
Desfeitos
Depois dos cinquenta
Escuta-se a voz
Começa a contagem
Vira-se a folha
Bebem-se os anos
E os instantes
dessa viagem
382
Anoitecer
A história de um homem
Faz-se ao anoitecer
Quando as sombras quedam
E a cegueira se faz ao caminho
Faz-se ao anoitecer
Quando as sombras quedam
E a cegueira se faz ao caminho
319
Forma alada
Morro na lenta agonia
que me sobra
Até o sono não ter voz
O amor é o que me resta
Depois do poema
Ergo-me na forma alada
O corpo incinerado já não dói
Apenas o choro de preto
Daqueles que abalam
E o olhar queimado
Das cinzas que ficam
que me sobra
Até o sono não ter voz
O amor é o que me resta
Depois do poema
Ergo-me na forma alada
O corpo incinerado já não dói
Apenas o choro de preto
Daqueles que abalam
E o olhar queimado
Das cinzas que ficam
372
Claridade
Já a noite cai madura,
Do alto daquela estrela
Trovam os poetas
No mar da liberdade
A claridade soa perto
Solta as aves do paraíso
Nas guitarras da Mouraria
Fundem-se abraços
Entre amantes improváveis
Meu cravinho vermelho
teu rosto no mar
Estes são os artistas,
Os homens
E os amigos,
No palco da vida
(Poema dedicado à memória de Mário Piçarra 1947-2019, músico e poeta, inspirado
no seu último CD - Claridade)
Do alto daquela estrela
Trovam os poetas
No mar da liberdade
A claridade soa perto
Solta as aves do paraíso
Nas guitarras da Mouraria
Fundem-se abraços
Entre amantes improváveis
Meu cravinho vermelho
teu rosto no mar
Estes são os artistas,
Os homens
E os amigos,
No palco da vida
(Poema dedicado à memória de Mário Piçarra 1947-2019, músico e poeta, inspirado
no seu último CD - Claridade)
446
Noite ao céu
Cala-se ao noite ao céu
o frio debrua o rosto
a cada passo
o lento avançar da idade
e a certeza que o chão
me sabe firme
o frio debrua o rosto
a cada passo
o lento avançar da idade
e a certeza que o chão
me sabe firme
300
Amor dos teus olhos
Não te apaixones pelos olhos das bocas que falam
Porque as manhãs são impuras
e o acordar
o fim de uma promessa
Apaixona-te pelo amor dos teus olhos
E pelo sorriso da criança que passa
Apaixona-te pelos dias que se dão à vida
E pela incerteza do momento
Ama a dúvida e o sonho
Jamais a noite das bocas que beijam
e
dos lábios que aos teus olhos te falam
Porque as manhãs são impuras
e o acordar
o fim de uma promessa
Apaixona-te pelo amor dos teus olhos
E pelo sorriso da criança que passa
Apaixona-te pelos dias que se dão à vida
E pela incerteza do momento
Ama a dúvida e o sonho
Jamais a noite das bocas que beijam
e
dos lábios que aos teus olhos te falam
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