Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

100

Claridade

Já a noite cai madura,

Do alto daquela estrela

Trovam os poetas

No mar da liberdade

A claridade soa perto

Solta as aves do paraíso

Nas guitarras da Mouraria

Fundem-se abraços

Entre amantes improváveis

Meu cravinho vermelho

teu rosto no mar

Estes são os artistas,

Os homens

E os amigos,

No palco da vida

(Poema dedicado à memória de Mário Piçarra 1947-2019, músico e poeta, inspirado
no seu último CD - Claridade)


 
469

Noite ao céu

Cala-se ao noite ao céu
o frio debrua o rosto
a cada passo
o lento avançar da idade
e a certeza que o chão 
me sabe firme
318

Amor dos teus olhos

Não te apaixones pelos olhos das bocas que falam

Porque as manhãs são impuras

e o acordar

o fim de uma promessa

Apaixona-te pelo amor dos teus olhos

E pelo sorriso da criança que passa

Apaixona-te pelos dias que se dão à vida

E pela incerteza do momento

Ama a dúvida e o sonho

Jamais a noite das bocas que beijam

e

dos lábios que aos teus olhos te falam
446

Azul

O mar fica-te tão bem
quando vestes de azul
Não sei ao certo de que estrela
nasceu o teu encanto
se do teu sorriso
se das manhãs de Orfeu
640

Sorriso tímido

Não nos osculámos
Mas em sonhos
Tanto que te beijei
Esse sorriso tímido
De olhar penetrante
Fui esquecendo as tardes
E a prosa que nos escrevia
Sobrevivo às noites
E aos dias vazios de ti
Porque do teu abraço
Me ficou um sonho
A promessa de uma vida
Com um castelo dentro
314

Poema sem nome

O meu corpo jaz no teu passado
é desse frio que me alimento
e por ter morrido nas pérfidas
juras de amor
é que eu me lamento 
São roxos, 
os lábios que te escrevem,
agora mudos,
porque não te merecem
gritam dálias
numa palavra oca,
porque à cova, 
descem surdos, os poemas
na tua boca
365

Prados

Sempre que te vejo
há uma pedra em lava
que me trilha incandescente
a memória doce do teu sorriso
e de um beijo por te dar
sempre que te vejo
ardem prados verdejantes
que as saudades não querem apagar
 
370

Floresta

é na floresta
que habito o mundo
onde o sonho se agiganta
e o trevo se adensa
657

Mar e Tempo

Não sei que céu ou lua me habita
Ou de que estrofe sou feito
Se fui escrito no ocaso
Ou no barlavento
Quiçá mar e tempo
Entre antítese e aforismo
Sou vento
Se grito ou lamento
Somente no poema
Encontro alento
400

Rosas

Não tinhas nome
quando as rosas nasceram
rosa, já tu eras
quando no céu pus a tua estrela
e te segurei a mão
365

Livros

1

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