Honoré DuCasse

Honoré DuCasse

n. 1799 FR FR

Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.

n. 1799-06-29, Paris

Perfil
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Aforismo

Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Poemas

99

Amor dos teus olhos

Não te apaixones pelos olhos das bocas que falam

Porque as manhãs são impuras

e o acordar

o fim de uma promessa

Apaixona-te pelo amor dos teus olhos

E pelo sorriso da criança que passa

Apaixona-te pelos dias que se dão à vida

E pela incerteza do momento

Ama a dúvida e o sonho

Jamais a noite das bocas que beijam

e

dos lábios que aos teus olhos te falam
435

Azul

O mar fica-te tão bem
quando vestes de azul
Não sei ao certo de que estrela
nasceu o teu encanto
se do teu sorriso
se das manhãs de Orfeu
632

Sorriso tímido

Não nos osculámos
Mas em sonhos
Tanto que te beijei
Esse sorriso tímido
De olhar penetrante
Fui esquecendo as tardes
E a prosa que nos escrevia
Sobrevivo às noites
E aos dias vazios de ti
Porque do teu abraço
Me ficou um sonho
A promessa de uma vida
Com um castelo dentro
307

Poema sem nome

O meu corpo jaz no teu passado
é desse frio que me alimento
e por ter morrido nas pérfidas
juras de amor
é que eu me lamento 
São roxos, 
os lábios que te escrevem,
agora mudos,
porque não te merecem
gritam dálias
numa palavra oca,
porque à cova, 
descem surdos, os poemas
na tua boca
358

Prados

Sempre que te vejo
há uma pedra em lava
que me trilha incandescente
a memória doce do teu sorriso
e de um beijo por te dar
sempre que te vejo
ardem prados verdejantes
que as saudades não querem apagar
 
363

Mar e Tempo

Não sei que céu ou lua me habita
Ou de que estrofe sou feito
Se fui escrito no ocaso
Ou no barlavento
Quiçá mar e tempo
Entre antítese e aforismo
Sou vento
Se grito ou lamento
Somente no poema
Encontro alento
391

Floresta

é na floresta
que habito o mundo
onde o sonho se agiganta
e o trevo se adensa
649

Rosas

Não tinhas nome
quando as rosas nasceram
rosa, já tu eras
quando no céu pus a tua estrela
e te segurei a mão
357

Abraços

Há poemas que nos escrevem a vida
E palavras que nos rasgam os poemas
Há dor que não cabe no poema
Quando as lágrimas nos escorrem dentro
Há desilusões que nos beijam
Quando o amor nos foge
Há abraços que desatam
Quando no sonho
Não atam
578

Procuro-te...

Por onde andas, amor

Que te perdi a voz

Polímnia do meu encanto

Traço breve,

Mão que te debrua o rosto


374

Livros

1

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