Lista de Poemas

A noite

Tudo passa,

O amor,

O poema

O futuro,

A noite,

E a paixão de uma vida escassa

Tudo passa em sombras

Quando o tempo se esquece

Até o céu

E a lua

E as minhas lágrimas no teu rosto

O beijo à meia luz

Sem ti,

Tantas vezes morri

No meu desgosto

817

Poente

Adoro a música em ti
que as nuvens fazem ao entardecer
Escrevem paisagens de lume
Nos teus cabelos a poente
Enquanto o olhar anoitece
Deixas-me um sorriso por promessa
E o sentir que os dias gastos
escrevem a tua idade
quando já nem no tempo
te pertenço
620

Memória Distante

Quando a minha existência

for apenas uma memória distante

verás que, para além do poema,

nada mais subsiste

que a dor imensa de o ter escrito

837

Na Intimidade de um Poema

Na intimidade de um poema

Desnudo-te a voz e os

Abraços inconfessáveis

Na intimidade de um poema

Cabem todas as palavras mudas,

Os olhares cegos

E as madrugadas de uma vida

Na intimidade de um poema

Escreve-se a noite

E o beijo demorado,

O olhar nu

E o verso involuntário

Dos amantes que rimam

848

Epílogo

Sou uma manhã que se arrepende

Sempre que a aurora toma a forma do medo

E da janela do meu tempo se escondam

dois olhos em súplica

Como se fossem o epílogo anunciado

De uma alma que não lhes pertence

1 129

Ruas Ausentes

O teu amor tem a finitude

De um beijo

E das ruas sem nome

A tua ausência é um cais que parte

Nas primeiras chuvas de outono

O que me consome não é a saudade

Mas, sim,

os poemas que te procuram

858

Amarras

Não me falta o anoitecer
Porque o amanhecer já não me espera
Deixei de acontecer
Porque as manhãs me pesam
Restam-me as escarpas por promessa
E a cobardia das amarras
Que não desatam
Já não sei quem sou
Nem de que poema me faço
Morri no tempo
Porque o tempo também me morreu
Estou cansado de estar cansado
Nem sei se grite ou se rasgue a página
Se declamo ou se parto
Porque este poema
Se um dia for lido
É porque estarei fora do tempo,
Esquecido
Deixado aos livros
1 054

Murmúrio incerto

Sente o vento

Que gela a sombra na palavra

Deixa que o olhar se demore

para além do instante

Há muito que me deixei partir

Sobra a leve memória

E o murmúrio incerto das arribas

E dos dias gastos

Que deram à costa

1 186

Cravos Flamejantes

Gostava de poder imprimir

Os sonhos que se evadem

Ao ritmo da chuva

E das pedras seculares

Cultivo a dissidência da vida

Com a força de um poema

Na boca trago os cravos flamejantes

De uma aventura com o teu nome,

Por mote

1 115

Outono

Que sabes tu, Outono

Dos rios que choram

E da chuva que dói?

Que sabes tu, Outono

Do choupo desnudo

Quando o vento acontece?

Que sabes tu, Outono

Da folha que tomba

E da morte que nos enternece?

870

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments