Lista de Poemas
Causas incertas
Deixo-te nas mãos as causas incertas
E no olhar o apedrejar dos tempos gastos
és morfina inglória,
Beijo-te ao acaso,
Enquanto um véu semântico
Tombado na tua fonte
Sacia a minha sede
Até ao infinito das eras
690
Poesia
A poesia é o que se dá à vida
Antes da palavra
É seiva inconformada
Substância que adoça o palato
Cala os dias
Inspira as madrugadas
É a doce forma
Que insana a voz
É tornar a arte de esculpir o homem
A mais nobre da sua essência
464
Asas do teu sorriso
Se o teu nome ainda se escreve poema
é porque o sonho acorda tarde
e o beijo se demora em ti
e as asas do teu sorriso
são os anjos dos dias
por te escrever
por te escrever
645
Axiomas do Tempo
Perco a voz em cada esquina
Levo nos passos os axiomas do tempo
E, nos olhos,
todos os mares por chorar
Levo nos passos os axiomas do tempo
E, nos olhos,
todos os mares por chorar
840
Ermitério
Há um poema
Que me lembra
O vento das vozes cansadas
E das noites a fio
à espera das madrugadas
Na reclusão das eras
E no ermitério das idades
748
Degelo
Bebi-te num rio numa manhã de degelo
Tacteavas a pedra polida
Como se tivesses lábios de desejo
Percorrias as entranhas nos fiordes
Num frenesim sensual
Derretias os prados fumegantes
Mitigavas-me o anseio ardente
Nos teus lábios quentes
Mordias o verde até ser rio
Morrias-me na foz até ser gente
1 001
Meia Lua
Meia lua incompleta
A noite ergue-se, profusa
Deambulo uma candeia
O corpo suporta-me
na tua ausência, meia maré
Sonho-te sem rosto
desde que és,
Arrasto o passo, beijo-te a sombra
Abandono-me ao ermitério
E aos dias gastos
A noite ergue-se, profusa
Deambulo uma candeia
O corpo suporta-me
na tua ausência, meia maré
Sonho-te sem rosto
desde que és,
Arrasto o passo, beijo-te a sombra
Abandono-me ao ermitério
E aos dias gastos
748
Sombras sem vida
Choro‑te,
sem que percebas
que definhei naquela sombra lânguida
que morreu para lá dos ciprestes,
oca,
sem o teu sussurro ter
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