Ícaro Italo Gomes dos Santos

Ícaro Italo Gomes dos Santos

n. 2004 BR BR

Ícaro Ítalo Gomes dos Santos,pseudônimo;Italo_poetrix. Descobriu sua paixão por livros ao ler"A Árvore Generosa" (The Giving Tree) e desde então tornou-se súdito da palavra poética e busca entender seus conhecimentos através dos caminhos líricos .Nascido em Aquidabã,do agreste Nordestino ,vêm se destacando com seus poemas com temas múltiplos .

n. 2004-07-01

Perfil
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Cortesia as pedras


Pedra por pedra, molda-se esse caminho onde os pés trilham nuances sozinhos, onde não existe gravidade, apenas a inevitabilidade do sorrir, do agir como um clássico moderno à Atração Magnética, impulsionando-nos a sermos o paciente de Jasper DeWitt, assimilado à própria existência da Erica, deixando-nos levar pelo desejo em êxtase ao cortejo da nossa lúdica...

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Poemas

53

Mo l d a m o l d a mol da m o l d a mol da

Já  fui pra longe 
Agora retorno para o mais próximo de mim...


Essa letra ainda não está completa 
Pois o mais próximo de mim continua cada vez mais longe 
E o mais longe cada vez mais perto 
E a cada suspiro o paradoxo é mais complexo 
Enxergar essa verdades são  como encarar espelhos sem reflexos 

Sou eu quem molda essa mentira
Dou o meu ar a essa mentora 
Só assim minha imaginação respira 
Em um simples acreditar ela respawna
"A fé se faz em diferentes formas,
Mas com  intermédio de uma única alma"

Sou eu quem molda essa mentira 
Dou o meu ar a essa mentora 

13

Legítima defesa, íntima tristeza

O preço da liberdade em Ser Livre divide-se aos juros do divirta-se
Já não me pergunto "onde estou?" e sim "por onde estive?"
O peso da autenticidade em Ser Leve é o acúmulo de desejos trancados em cadeados mentais dos quais me contive
Contava com o espelho sem reflexo de quem cortava minha imagem associando ao prolixo
Continuava,
Com o olhar fixo a esse esboço
Meu maior sonho criou-se em um berço longe da corrupção de qualquer bolso
Ainda o ouço vagando por aí em um abismo profundo de mim
Passos rasos,
Mato minha fome com o sono firme do não se conforme
Ossos gastos,
Minto minha forma com o sino enfermo do confirme
Confie, esses laços de alegrias são como cordas
As dores são o equilíbrio para a travessia dessa ponte
O corpo tende a pender para cada lado das bordas
A essência do medo é a própria Alma renovando sua característica límpida em ascensão diversificada da raiz da fonte
O preço da liberdade em Ser Livre divide-se aos juros do divirta-se anexo ao ontem
Veja o tempo presente,
Você já se perguntou como o tempo se sente?
Andar sobre as cinzas é adquirir novas marcas
Nadar sobre as brasas é adquirir novas cinzas
Sacras?
Uma única mente é capaz de ser coexistente em mundos completamente diferentes
Um glossário existencial caracterizado por Jodie Holmes
Tão puro sobre o mar
Um pulo no oceano lúpulo do sonhar em se libertar desse paraíso que não é descrito por Kate Hoffmann
Ver além do que os olhos são capazes de enxergar
Se guiar pelos rastros das aves
Nos rítmicos nevoeiros de Castro Alves
​Um "companheiro da noite mal dormida"
A exaustão da exulceração destituída intitulada como
Primeira folha da árvore da vida
Entidade homologada
Legítima defesa travestida de
Íntima tristeza
​Um cérebro versado é uma versátil afronta à pobreza.
​O semeador da escravidão do outro
Criou a escravidão em si após separar Deus e o Diabo da mesma mesa

8

Juízo perdido

Olhar sombrio.
Presencio ,
O prenúncio próspero 
Aventura com  vida útil de um fósforo 
Aprecio ,
O deslumbrante medo que crio
Renuncio,
A morte vívida sem desafio oxímoro 
Ao corte do caule ,
Antes que lindas gotículas de orvalho me enjaule 
Dentro da oxidação em minhas raízes 
Quero desfragmentar o empório empírico e abdicar de novas origens 
Ser um ambulante anônimo 
Mas do qual todos se perguntarão se contêm significado no acrônimo do meu túmulo 

Preciso ir para longe 
Longe ...
Longe ...
Longe ...
Lá ,eu me encontrarei no meu juízo mais perdido

9

Barco

Convenhamos:

Você não foi conveniente quando conversamos.

Convém a ambos reconhecer

que hoje no término estamos,

mas lembre-se de onde começamos.

 

E dizem por aí

que não se pode ouvir o sopro do viver...

Deixe-me adoecer nesse seu eu;

para sempre comigo, fiquei sem você.

 

Convenhamos:

a vida é linda demais,
porém magoa bem mais quando me lembro do que convivemos.
Convém a ambos:
era para sermos nós dois para sempre,
mas o para sempre dependia dos dois —
e acho que você não tinha isso em mente.

Belas palavras me magoaram bem mais
que atitudes fatais.
Danos psicológicos...
Todos os dias sou obrigado a vivenciar esses traumas melódicos.

Se eu não durmo à noite
é devido às consequências do seu amor,
todas as consequências do seu amor.

Vejo o barco afundar com minhas lágrimas.
Vejo o barco afundar com minhas lágrimas.
Vejo o barco afundar com minhas lágrimas.

8

Oxidação

​Há um tempo preso dentro desse templo,
à nítida exuberância inocência dentro desse tempo.
Crateras nesse templo são frutos de cada momento,
Mantendo-se preso dentro de cada pensamento.
Há uma nobre dança sem usar sequer um movimento,
à vítima existência incipiência dentro desse tempo.
Câmeras nesse templo são raízes delicadas ao contentamento,
Matando-se o peso lento, centro de desmoronamento.
Há um tempo preso dentro desse templo,
à íntima insignificância consciência do sofrimento.
Crônicas nesse templo são terras aradas do renascimento,
Há um templo preso dentro desse tempo.
​O vazio imenso
Se faz sólido se penso.
Ácido o preço se me despeço,
Piso em falso e me disperso.
Peça por peça perdi as posses,
Mas o olhar ainda é o mesmo,
Porém duvido que o gélido gesso me note.
​Não me meço em missas.
Tempo ócio,
Oxidação promíscua,
Oscilação de promessas;
Obtive tantas dessas.
Rejeição patética,
Injeção poética.
Eu escrevendo como se esse roteiro estivesse valendo o maior prêmio da minha vida e eu me entregando por inteiro em uma imagem distorcida conturbada de janeiro a janeiro retratado como indefeso que não se define.
Talvez na próxima escrita bem melhor eu termine.


Por ícaro Italo Gomes dos Santos 

Italo_poetrix



O intuito da crase é trazer novos sentidos de leitura e conduzir o leitor a pensar fora da regra gramatical 

55

Calçados descalços

 Bendita a escrita;
Versos que vestem-me em mantra.
Tinta da escrita santa,
Resplandeça meus olhares por onde eu caminhar
E que eu jamais seja controlado pelas irmãs do Destino.
Com o tempo, eu entendi que não basta apenas ser genuíno.
Um Lao Tsé que busca iluminação
Sabe muito bem que as trevas também pertencem ao Divino.
​Carreguei o mundo de erros dos meus pais nas minhas costas quando menino;
Desde muito tempo atrás,
Atos atrozes em templos Atlas.
O barulho dessas correntes que me prendem é a ruína desse hino.
A arte da petrificação do medo no olhar eu domino,
Tão transparente e cristalino.
Um Pégaso de fogo, a Lilith no logo,
E é assim que eu me defino:
Metade de mim é uma metáfora que, se houver um amanhã, eu designo.
​Não é tão simples ser tão simples nesse mundo onde moro,
Aonde o ouro é um deus para quem eu oro, para obter oportunidade de acesso até na água que bebo.
Não sou tão bêbado a ponto de levar tudo ao sóbrio tão sério.
Nas sombras de luzes desse cemitério, desce um abismo tão febril
Que o remédio para não morrer de tédio é a exploração de cérebros.
​Depois de uma caça às bruxas, vieram os caças bombardeando ideias de caça aos lobos;
E com todos eles presos no bolso,
O caçador passa a viver dentro do seu próprio cativeiro.
São: um por amor, dois por dinheiro.
"Linhas Racionais": o evangelho que se espalhou por esse mundo inteiro.
Me pergunto o que o Emblema faria se surgissem novos Antônios Conselheiros.
​Abra o sarcófago e liberta a mente agora, Pandora;
Cleópatra da sua própria liberdade de expressão, faz da sua lágrima a vida criando oásis.
Ísis não duvida que você é capaz de vencer.
Que surjam matérias sobre tantas Marias Quitérias.
Sábio é o homem louco que jantou no mesmo prato da miséria e conformou-se em dormir com o cobertor da fome.
​Andando descalço por aí, eu percebi que a saciedade são os calçados da vaidade;
Andando descalço por aí, eu percebi que a sociedade é o espelho dessa insalubridade;
Andando descalço por aí, eu percebi que o caminho que me leva até mim
É aquele que eu não trilhei ainda, e por ele não existe fim.
Andando descalço por aí, eu percebi que o julgamento desgasta meus pés mais do que o asfalto;
Andando descalço por aí, eu percebi que nem todo olhar salvador vem do alto;
Andando descalço por aí, eu percebi que muitos passam despercebidos.
​Andando descalço por aí...
Andando descalço por aí...
Andando descalço por aí...

34

Quebrando versos por ai...


 ​Verdadeiramente me admira a mentira.
Esta vida é tão vazia e rasa que o eco do vácuo
Está repleto de uma intensidade maior, condensada e fria;
Mas basta um acreditar para que vejamos o aquecer da fé
Ressurgindo das profundezas do rio compacto de dores e esperança.

107

Asas

Ânsia análoga, psicótica em ódio mórbido de fonte sarcástica;
Derreto a máscara, derroto a face da personificação do medo criado pela víbora.
Seu veneno eu vi por lá, dentro da minha corrente sanguínea;
Coagulação de decepção que me fez chorar.
Precisei de uma transfusão de fé para continuar.
​Ao homem que pretende voar, é necessário se libertar da ênfase do destino do qual pretende chegar 
Ícaro passará próximo ao pássaro e profetizará:
"Dentro de todo pássaro, haverá uma jaula."
A verdadeira liberdade vem de como você resolve bater suas asas.





 

38

Janela de vozes

 ​O peso da ausência soa sussurrando em mim;
O piso da consciência sujo, muros murmurando incitações a decepções.
Abra a janela da alma: julgamentos sem fim
Dizem que são processos.
​Eu não quero promessas a acessos restritos da penumbra;
Sombra da imagem da vida,
Fora da margem de erros de lembranças doloridas.
​Autópsia da vida vira vozes vindas de um jardim,
Onde a folha em branco tem tantas flores a serem coloridas.
Porém, o incolor tornou-se tão lindo de se ver,
Que até o tormento achou mais formidável continuar assim.
​Já não tenho certeza se quero essa sonhada liberdade;
Quero realizar minhas vontades indo contra as vontades da verdade.
Forjando pactos com a mentira, toda minha criação me faz ser súdito da enganação.
Não quero ser livre do esquecimento,
E sim saber por que somos tão evoluídos ao ponto de nunca evoluirmos o esclarecimento.
Por que toda matéria, ainda que estudada, transcende o nosso conhecimento?
​Eu me pergunto:
Quando eu vou vencer na vida?
Acho que esse tema é uma imagem distorcida.
Ninguém nunca vence;
O sistema quer que você pense —
Ou melhor, não pense.
Viva com esse suspense: "acredito que no próximo ano seja tudo melhor".
Esse romance ilusório faz pole dance.
​A gente cresce em meio a sonhos: "preciso estudar para obter um bom emprego".
Meu terreno, meu sossego;
Um pedaço de terra que será meu enquanto eu estiver vivo.
O problema é que eu já nem me sinto tão vivo.
Sei que o sucesso é relativo:
Uns na beira da morte do hospital,
Eu na beira da morte do estado mental.
O porquê de viver?
​Alguém explica para um mero mortal que querer entender sobre viver
É sobreviver em um singelo espiral de dúvidas
E emoções fora do percentual do raciocínio cerebral?
​Chega de buscar entender;
É melhor atender o que se vê no agora.
Se o passado nos condena e o futuro não existe,
Apenas cada segundo presente nos revigora.
Chora: em cada lágrima mora o sorriso da alegria.
Agradeço aos tesouros da memória:
As lágrimas de tristeza que me trouxeram redenção
E a recordação dos bons momentos que eu não sabia o quanto valiam.
É nas lágrimas que vemos o quanto tudo era valioso e nem parecia;
As mesmas lágrimas também apreciam o luto.
Afinal, existem melancolias que merecem um fim absoluto.

46

Ao corte da adaga ."Rúbricas"

​Olhos de águia;
Ferida aberta ao corte da adaga.
Molho os olhos de lágrimas,
Cego-me desses pensamentos curvos.
Ao cântico do corvo,
Julgamentos cujos são dádivas:
Permitem-me sofrer e ver quem são os verdadeiros humanos.
No mundo do medo,
O amor se transformou em um holograma de danos.
​Projéteis de mágoas;
Retorno retórico da Inquisição ao fogo da falácia mais sábia.
Veneno nos lábios.
Na pele do lobo, somos a lua escura na selva do sono.
Quem clareia nossa alma é o nosso reflexo no olhar do tempo,
Retratado por um quadro no templo: pinturas de Caravaggio.
Envelhecimento de um ser tão frágil.
​A sensação do poder eu quero perder,
Mas como podar algo que não posso prender?
Ansiedade:
Rubrica que rouba toda assinatura da essência do meu Ser
E, consequentemente, mata a minha idade.
​Quero verdades que não sejam totalmente reais;
Fábrica de vontades que não sejam totalmente imaginárias.
Linhas que mesclam os desejos concretizados,
Não muito longe dos dias atuais.
Obter paz na guerra da dualidade é algo improvável,
E provavelmente não serei capaz de entender essa força motriz.
​A todo momento sou sempre o errado;
Faço aquilo que acredito ser certo,
Independente do resultado.
O resumo é o meu "Eu" sendo cerrado.
Já não sei em quantas partes fui dividido;
Existem vários modelos de mim por aí.
Sente-se à mesa e descobrirá qual do meu "Eu" falará contigo.
​Quero abrigo dentro de um abraço sincero,
Uma conversa que me diga o quanto sou ciclo desse círculo do choro seco
E o quanto sou valioso, mesmo sendo um mero desprezível.
Queima do fusível:
Tô precisando queimar a função acessível do meu cérebro frutífero.
Essa colheita de memórias aflitas é a Colheita Maldita.
​Sempre em expansão,
Hectares de expressão,
Terra ao adubo da opressão.
Horas vagas se transformam em horas pragas.
E eu me pergunto:
O quanto vale tudo isso?
Quem é que me paga?
Será que me cobro demais por algo de menos?
E se tudo isso se apaga?
Se eu começasse tudo do nada,
Ainda assim iria me afogar nessa incitação à ilusão altamente intoxicada?

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