Um Rei nunca coronado (utopia)
Quem mais vale, se os vivos se os partidos?
Tenho pensado e pesado e matutado,
Não sou um coitado que se debruça sobre alto passadio
Nem um arredio de franja de reflexão ociosa
Não é questão caprichosa, é uma opção ponderosa,
Pois nenhum pode ter primazia sem se quebrar a possível utopia
De existirmos nós simultánea e não sucessivamente.
Escravos da seta do tempo impávido,
Que nos torna presa de um ser-se ávido
Pelo hic et nunc, o carpe diem,
Pois que diferença fará um dia, um dia,
Se a diferença fores tu meu amor que te espero,
Se a diferença for um dia de limpa energia,
Ou o olhar de esperança de todas as crianças dentro da mesma dança?
Quebrar a seta desse impávido sujeito
Desse rei nunca coronado,
Um dia há-de ser destronado,
Conceito ultrapassado dum existir partilhado!
(horizonte do evento, revela o teu momento, desvela a tua corona!)
fora de alcance
Da Gnossienne não me agrada o número,
Húm-mero erguido, empurrado pela latência,
Enquanto a sonolência se agita na salvação do movimento,
E se recusa a esquecer os recortes da Torre da Igreja,
Que mirou num instante do entretanto,
Por quem os sinos rebatem insolentes?
Entre um despropósito e um Momento Insólito.
Como os que se puzellam no caleidoscópio do dia,
Entre chegada esperada e partida desalentada,
Esquecida renovação de uma esperança oca,
Desconvervação,
Irregulares, vocabulaire atypique,
Um ponto desgeoconsiderado, descida a pique,
Uma gaga situação, falha de conversa, pura tensão!
Uma pedra no caminho dos graníticos, tic tac, acabado,
Empedrado de íntimo desagrado.
Velha habitude sem fortitude,
Foge o sujeito da sombra de um predicado,
Sempre em Cassandra city profetizado, ora confirmado.
No meio do caminho há pombas em bando,
Que levantam que descolam, voo consonante,
Que encaro com impávido espanto, ex ante.
Fora da hora, jocosa Indiferença, poderosa presença,
Não é bando em desando nem exército de roedores
Que me levarão do langor santeiro, certeiro de si,
Sombra das flores ao sol, liar do bem te vi.
Eu estou bem aqui e é para ficar, oh, rachar, meus senhores
Meus langores, meus amores, ò dores que hão de vir,
Ó Portos de onde partir, ideias do advir, um corpo a exaurir
Até que o Enrugado acabado,
Finado de mim se desfaça, disperse,
Volte ao lugar donde vim sem mais que um muco,
E toda a placenta que assim protege, assim atenta.
Enquanto isso o relógio bate nas horas, ridículo cuco.
Esse cuco sado-maso é o maior maluco.
Falete Novais, que dais?
Falete novais quem dá não tira mais,
Ao Falete vais que é dizer cocaína sublime,
O melhor que a molécula exprime,
Melhor ao terceiro dia com três botelhas de Walker Black
Foda e muita Skol ou Brahma,
Foda, Foda na cama, almoço e janta na cama.
Cama na sala, cama na varanda, e assim anda,
Riscos, tecos e lambida na mama
Que com mdma a loucura ama.
Diretora é administração,
Underground informação
Ridícula coação, neuronal ativação.
Falete preto e amarelo que era o mais belo
Brizola que cheira bem, dá vontade de cagar antes de a cheirar.
Pó empedrado que dá para mastigar
Por na ponta do pau e dar para chupar,
Por na boceta, na boca e então beijar,
Despoleta a loucura no longo gozar,
A boca cheia de porra a derreter as pedras entre o lambe lambe
Perde-se a noção do lugar mas não se desatina.
Continua-se a dissertar sobre antropologia ou cosmologia,
A assistir ao acústico dos Corrs,
E a cagar para se morres ali,
Como te estás a marimbar aqui.
Nada muda, continuas tu, macaco nu.
Um mistério de uma vida de mais um dia,
Um andar sem guia em cima dos trens descarrilados,
Os loucos anos passados nunca roubados,
Os anos enrugados, que se fodam.
Não há vidas desperdiçadas
Quem quer o q tenho
Que saiba a que venho
Testemunhar
Transmitir
Se quiserem deixar.
Se quiserem deixar.
Vambora sem resposta que a mesa está posta.
Falete Novais, se existirá um nome,
Pasmais!
Que coisa terão pensado seus pais?
Verso perdoado
Recordo: amanhã não, só depois de amanhã.
A luz que nos invade nem sempre está presente,
Assim como o pobre não sabe, e há muito está doente.
Ídolos, deuses e modelos, tê-los ou não tê-los,
O que não implica que estrela cadente
Atire a inação a um verso de antiga prelecção,
Ou episódios de destruição aos cravos da revolução.
O calor da tarde impele a sair,
A vontade continua a ser de partir,
E será a verde, aberta, janela,
Os ruídos de fora mais hoje, agora.
Por sua, grande, culpa, dela, janela de esperança.
Sem sensação sem noção esqueço e permaneço
Na interminável demora.
quantum chromodynamics reconstitution
We must decide tomorrow, even if game theory says otherwise.
Think of these little people, all death and gone in spite of all that magnificent gadgets,
Put a spell over these pods right here and summon some of the departed in their last moments of exhausted persistence!
Every time I regard quantum chromodynamics reconstitution (QCDR), some ghost walks over my grave.
See that little panel, once connected to the operation triad schism, they were so short and fluffy…so alive…
-at that point Cerleen interrupted, half smiling, a mysterious backlight filling her eyes:
O Mistress of Usefulness, still cranky sore of envy for the triad operators? Or is it a fetish thing?
Uluguanda Melissandre de Melville Ernestine Arrivedere Gefährlichkeit, also known as the Red Back kick of Desolation, Threader of the Black Dawn, chairwoman of the departed technology restoration guild, DTRG, suddenly laugh a LOL, her head high, all body as cheerful as Times were allowing.
You little pervert!
You know how I admire Triad Entanglement Augmentation, even if we only can grasp at its full potential…
You know how Silicon Age Sapiens, how SAS used to talk about Guacamole, my dear orbiting another?
Well Professor, obscure pre-departed references are your forte, not mine.
“That you are here—that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse”
O me, O life? - said Cerleen all in a whisper
O life, that’s the question, we must opt for our sake
As starlight and filters allowed all that blueish atmosphere to get some Metaphysical out of a standoff, true was that the point was of decision.
On the other side, debating over sore feet and an empty stomach is heavily counterintuitive. Against results-oriented logic.
So, let’s face the game over a nice table of seafood and a château Orsdorf 53…
Agreed. Concerning that Guacamole reference…
O, Shut Up, O young beast, O me, O life, do You know why I am called back kick of Desolation?
I must say I really would love to hear it again, Mistress of…
Shoo!
It was a misty evening after the battle of the centipede stampede, and the yellow glow of Varholyn seemed to paint an obscure anxiety veil over…
Both women walked as if it was an ordinary after turn chat, leaving the scene where science and history would converge once more dealing with forces beyond zeitgeist.
But that, that is another chapter, still to be unraveled.
Sismo no barqueiro
Era a hora da demora era o tempo do desalento pelo roubado momento, e os pelos que cresciam no céu da boca faziam Permanente para ganhar volume enquanto o céu escurecia lá fora.
Todas as pisaduras faziam mutirão e os meus gemidos eram silêncios sincopados, imóveis na tensão da insana dor persistente.
Ao lado da revolta cobertura do leito de abrigo a água engarrafada posava longínqua e inatingível como uma viciada prima dona de milanesas passerelles
A ressaca: existência a preceder a essência em gritos de bem te disse cabrão enquanto um exacerbado secão diz sim é possível estar-se assim fodido e mesmo assim vivo.
As ondas de desatino corriam soltas no corpo que paga os exageros das águas furtadas, as ondas sísmicas em conjurados terramotos
Esse sismo de alto escalão só entrava em suspensão na vertente da latrina onde o eu se despejava em veste de bílis amarela e a cobardia se revela em refrões de palavrões.
Nessa tarde nem um movimento era espelho desse tonal desalento, só o imóvel calar de qualquer projecto debaixo do plúmbeo teto da pensão em inação forçada.
Uma erecção incongruente trazia um dadaísmo de pornografia esotérica que queria canalizar o álcool no sistema num ainda maior problema.
Dentro de mim um vadia voz dizia e repetia este vai ser o teu último dia. Reza. Reza animal, heterodoxia do ateísmo sem causa, precoce menopausa. Reza motherfucker.
E eu rezei umas Ave Marias intercaladas de submissos pais nossos, e a cabeça a estourar nem assim parou de se inquietar em pequenas convulsões no espectro do delírio tremens.
Bem, patinar eu vou patinar, mas talvez não ainda hoje, talvez ainda não hoje, malandro.
Matar eu sei matar, atirar eu já atirei, porrada muita dei, então se a roda roda e o retorno é verdadeiro, tenho muito que penar primeiro.
Nem sabia então o que de verdadeiro havia naquela cassandra bêbada e dorida deitada numa cama corrida numa pensão com ilusões de grandeza que se cria Universal, coitada da enxovia dos tempos da outra senhora com a decadência disfarçada de decência e de bons costumes.
Aquele falsário de si próprio haveria de acabar o dia a que se sucederia infindável panaceia diária daquela dor imaginária mas nem por isso menos dolorida.
Na rotação axial as tonturas da repetição induziam cefaleias que se matavam a tiros de garrafas e gritos de charros aspirados, e assim estruturas neuronais alienadas conduziam a respostas contra os estereótipos dominantes em marés vivas de estranhezas crescentes. A baixa mar era apagada e morta, apenas navegada por amnésias selectivas sempre a seguir esquivas naturezas.
Nesse tempo os guerreiros de terracota esperavam o momento de serem revelados, torres gémeas altaneiras invocavam o capitalismo sem fronteiras e jovens como esse atolambado haviam olvidado as boas maneiras após tanto repetir as mesmas asneiras.
Quatrocentas e mais formas de estar fora das normas perduraram até um se querer um sicário proletário de mãos culpadas em sangue derramado seja em Fez ou Alvarez,
E a loucura se instalou imperceptível sempre a aumentar o nível de desarranjo e a imaginar um tocador de banjo em compassos mal tocados na varanda de um trailer lá no Louisiana. Antes da explosão de um laboratório o mandar para lá daquele Gregório revisitado,
Definitivamente para o outro lado sem passagem, para a outra margem onde não corre aragem entregue por um barqueiro nada nada maneiro com órbitas vazias dentro das noites, dentro dos dias.
Podeis dizer Aleluia?
Malte de ódio, oh, so refined
O meu ódio é refinado como um malte de 21,
Não sei como cabe que afinal sou apenas um,
Tenho em gargantua panóplia de memórias,
Que incluem milhares de histórias originais
Como tem todos as n pessoas, ladainhas demais.
Só que as minhas, sim, lembram os pontos focais,
Todo este “proyecto” donde me reduzem,
Todo este abjecto ser em que me pintam.
O meu ódio é maior que a vossa hipocrisia
O meu ódio é rebuscado como a ourivesaria.
Só vais cessar, irmão, com os meus órgãos desfeitos,
Vai acabar no retorno aos organismos que me consumam,
Pois cemitério, normativo de regras não me encontrará,
Pilha de despojados não me queimará, aqui ou em Corfu.
Ouçam bem, ou nāo, está melhor que bem, meu bem, Kikazaru!
O meu corpo há-de flutuar putrefacto, vir à tona,
O meu cadáver será da vida que amo, vida que não tem amo,
Os meus membros devorados ou simplesmente absorvidos,
Mas a vocês nunca, nunca eles serão servidos,
Assim como em vida vos recusei e intimidei,
Assim como em vida preferi os vorazes animais,
Eu sou o ódio que vós nutris pelos demais
Sob a capa de engano que vejo à transparência,
Esse engano que vos aterroriza, pois eu chego como a briza
E vejo através de vós o ódio que trazeis dos avós
E, polido, embelezado, é a substância de todos esses nós.
Uma civilizaçāo hedionda, uma máscara implacável,
Post estruturalismo, neo pragmatismo, postmodernismo.
Eu sou o transversalista do vosso mimetismo, feio, insofismável.
Quinta dissonante
Estou na casa que não tenho.
Vou para a rua e seu desdenho?
Ó Amores, eu nunca vos tive.
Ó mãe, perversidade às escuras,
Ó filhos que nunca mantive
Ó estrelas escuras, razões obscuras,
Meu céu noturno, firmamento
Que não ouço teu negro vento.
Rodeado de pressões,
Atentamente ignorado.
Plaino povoado de gente,
Ora ora, epifania intermitente,
Ondas mil de sensações.
Nada há, São João passado,
Amnésia de ter provado rojões.
Plaino empedrado, não vamos cantar
A balada dissonante onde vamos parar
Oitavas e quintas, la quinte du loup.
Cactus ensimesmado, ausência de troupe.
A um ódio antigo
A um ódio antigo que trago comigo
A uma raiva amarga que embarga
Pensamentos coerentes em displicentes
Não sabeis vós
Não sabeis vós
O que nunca vos confessarei
Do que restará enterrado
Apartado, nada, ausência de legado
Pois quem já partiu nunca terá chegado
Pois quem vos diz
Pois quem vos diz
É filho de um ódio antigo e nunca partido
É quem levantará ferro de deixará um berro
Um ulular incessante uma raiva lancinante
Que nunca haverá doravante
Amargo de pais, país que fiz
Amargo de boca, e todo o céu da boca
Se solta de uma assentada, o pai teve,
Sempre me manteve na sua esperança
Pelas ruas das minhas agruras se conteve
Sem criticar, a aconselhar, a gerir a tempestade
Coisa ruim, pomba gira baixou, a mulher que amava
Quando a viu, esta partiu, já lá não estava
Não mais lar ou jantar, um campo de batalha
Um lugar de confrontação, uma danação.
Todos os dias de negrura em forma de malha,
Cânticos de guerra épica, triste canção,
E poucos dos que sabem ainda cá estão.
Assim fica o lamento do derrotado, vergado,
A recordação daquele tempo embruxado,
Que as há, há, e uma, ainda me encara
Me grita e amaldiçoa enquanto me ampara
Para sísifamente repetir o ciclo de valpúrgis
Porque tanto se usa os cornos do tinhoso
Que se veste a pele do lobo, segunda natureza
Hábito interiorizado, espelho de Dorian Gray
Calendas perdidas, uma mandou, eu ajoelhei.
Olhei e não tinha pernas, escutei as órbitas vazias,
Gritei com a laringe, que os dentes casaram com a língua
E migraram para um jazz club em Tribeca
Onde entoam, melodiosos, cantos do arco da velha,
Separados, livres da ovelha negra atada ao vodu
Macumba de amarração, feitiço da inação.
Sem forças Coriolis para me trazer a Monção
Preso a este passado, sem mim ou redenção
Ergo um facho de sombra e presto homenagem
A esta personagem travestida que me fita nas quebras
De todos os espelhos de sete vezes três anos, estilhaços
Acima do mar sem mim, erecto no promontório de nenhuns abraços.
Órbitas vazias de olhos perdidos num dia negado e querido,
Ulular sincopado, lamento ignorado, época sem abrigo.