Lista de Poemas

Carmesim RGPD, Ritual de sacrificio


A cor vermelha do sono inquieto
Sono, diapasão, não se canta uma canção
Não se liga aí o coração que bate.
Vou è levantar para mijar
Mijar em vossas mercês,
As que vês e as que não vês,
E todavia estão lá, presente e...ausente. 

Essa dualidade, esse maniqueísmo a la gardére,
esse pseudo niilista, duo centrismo,
Esse querer pertencer, pertença desavença,
Esse objetivo essa orientação
Esse crescer para cima do Phylum,
Troca-lhe a fonte de lux e até faz uma crux

Crux, Calvario,
Quebrada, gamada, cruz de Malta, cruz de amor e dor
Não sei se fazem falta, se estão ou não,
Mas existem,
Ainda que não. 

Ambivalência e ambiguidade dá – nos a tua verdade!
Roubada do aperto do respeito, locatário da palma da nossa mão

Ó Fides onde moras fora das nossas palmas? 

Cessou o contrato passou a escrito e hoje há o RGPD para nós
Aprovas de novo, são dados, mais dados, smart contracts,
Ambiguidade de não haver sono vermelho para quem o quer,
Sono carmesim, sono de onde vim, olhos de fim

Abstração, Qualia e Coisa Amarela, agora que penso nela.
Amarelo limão dos que espremi e não ingeri,
Que a vida é esquecimento e enterra RGPD,
Do chapéu na cabeça, num dia de vento.
Que se vai sem me importa, sem lamento! 

Ah ah ah, há que embarcar no comboio doido
Comboios descarrilados, fora do trilho, inesperado, 
O trem do Roger Waters, Stevie Ray, Anna  Akhmátova,
That Gravy Train nosso, Os Desca-rrilados.
265

Malte de ódio, oh, so refined


O  meu ódio é refinado como um malte de 21, 
Não sei como cabe que afinal sou apenas um, 
Tenho em gargantua panóplia de memórias, 
Que incluem milhares de histórias originais 
Como tem todos as n pessoas, ladainhas demais. 
Só que as minhas, sim, lembram os pontos focais, 

Todo este “proyecto” donde me reduzem, 
Todo este abjecto ser em que me pintam. 

O meu ódio é maior que a vossa hipocrisia 
O meu ódio é rebuscado como a ourivesaria. 

Só vais cessar, irmão, com os meus órgãos desfeitos, 
Vai acabar no retorno aos organismos que me consumam, 
Pois cemitério, normativo de regras não me encontrará, 
Pilha de despojados não me queimará, aqui ou em Corfu.
Ouçam bem, ou nāo, está melhor que bem, meu bem, Kikazaru!

O meu corpo há-de flutuar putrefacto, vir à tona, 
O meu cadáver será da vida que amo, vida que não tem amo, 
Os meus membros devorados ou simplesmente absorvidos, 
Mas a vocês nunca, nunca eles serão servidos, 

Assim como em vida vos recusei e intimidei,
Assim como em vida preferi os vorazes animais, 

Eu sou o ódio que vós nutris pelos demais 
Sob a capa de engano que vejo à transparência, 
Esse engano que vos aterroriza, pois eu chego como a briza
E vejo através de vós o ódio que trazeis dos avós 
E, polido, embelezado, é a substância de todos esses nós. 

Uma civilizaçāo hedionda, uma máscara implacável, 
Post estruturalismo, neo pragmatismo, postmodernismo.
Eu sou o transversalista do vosso mimetismo, feio, insofismável.

143

Pau Pinto Peru Piroca, balada da tortura idiota

Era a hora de enterraram no meu cu
A pica entrou fundo
É, pediram para eu sorrir,
Dsseram enquanto te estiverem a enterrar a piroca no cuzão, seu cabrão, não digas que não, sorri, sorri

Eu ri e ri e ri...

E disse, seus cabrõeszitos de merda ,
Filhos de umas putas que não têm culpa
Devem ter vergonha dos degenerados que vos pariram
Num dia fodido, escabroso, vomitante,,

Quem vai ao cu dos outros sem pedir autorização,
Quem come o cu alheio sem ser convidado,
É a merda do fim do mundo das cagadeiras degeneradas,
É um poio de bosta de cagador merdoso,
Enrabador de velhinhas recentemente mortas ainda a chorar de medo,
Cagadas de medo. Una verguenza.

Foda-se fodam-se fodam-se...

Dizia chupem o meu Pau, Pinto, Peru, Piroca
E todavia o puto vomitava merda em vez de porra gostosa na vossa degenerada aleivosa bocarra.
Posso ser enrabado mas não posso ser domado
Posso chorar e pedir perdão,

Mas é mentira cabrão!

É a tua tortura que me obriga a humilhar para respirar um bocadinho
Antes da nova pica entrar fundo no intestino
Antes de sufocar com a tua conversa de tédio odioso
Antes de ter pesadelos por ser tua vítima
Antes de ter uma arma cheia de hollow points para despedaçar os teus joelhos antes de te acabar.
Ou só te cuspir no focinho e te abandonar a rir da miséria da tua vontade de dominar.

Que dominar nem para ajudar é passar no sinal verde
Dominar é no vermelho
De pentelho torturado,
Himmler frustrado, Goebbels cagado
Mengele minúsculo
Psicólogo de crochet, auspícios de Pinochet gorado

Tu que te levantas para trazer conformidade à verdade a que vendeste a merda da tua escabrosa,
deprimente, ignorante progeny, os teus minions desinformados a serem pisados,
Quero que tu te fodas,
Quero que tu te fodas!

Eu que parei de foder e de dar a mão à mão que me belisca e atraiçoa.
E vou encerrar esta estrada de descrença na tua ideologia
Que continuarei um dia. 

Fuck you ugly motherfuckers
Fuck you beautiful motherfuckers
Try only having the boldness of really fucking your mammas with cold and evil intentions as you do with others.
Charity begins at home....
189

fora de alcance

Da Gnossienne não me agrada o número,
Húm-mero erguido, empurrado pela latência, 
Enquanto a sonolência se agita na salvação do movimento, 
E se recusa a esquecer os recortes da Torre da Igreja, 
Que mirou num instante do entretanto, 
Por quem os sinos rebatem insolentes? 
Entre um despropósito e um Momento Insólito. 

Como os que se puzellam no caleidoscópio do dia, 
Entre chegada esperada e partida desalentada, 
Esquecida renovação de uma esperança oca, 
Desconvervação,  
Irregulares, vocabulaire atypique,
Um ponto desgeoconsiderado, descida a pique, 
Uma gaga situação, falha de conversa, pura tensão! 

Uma pedra no caminho dos graníticos, tic tac, acabado, 
Empedrado de íntimo desagrado. 
Velha habitude sem fortitude, 
Foge o sujeito da sombra de um predicado, 
Sempre em Cassandra city profetizado, ora confirmado. 

No meio do caminho há pombas em bando, 
Que levantam que descolam, voo consonante, 
Que encaro com impávido espanto, ex ante.

Fora da hora, jocosa Indiferença, poderosa presença, 
Não é bando em desando nem exército de roedores
Que me levarão do langor santeiro, certeiro de si, 
Sombra das flores ao sol, liar do bem te vi.

Eu estou bem aqui e é para ficar, oh, rachar, meus senhores 
Meus langores, meus amores, ò dores que hão de vir,
Ó Portos de onde partir, ideias do advir, um corpo a exaurir
Até que o Enrugado acabado, 
Finado de mim se desfaça, disperse, 
Volte ao lugar donde vim sem mais que um muco, 
E toda a placenta que assim protege, assim atenta. 

Enquanto isso o relógio bate nas horas, ridículo cuco. 
Esse cuco sado-maso é o maior maluco. 
207

Sismo no barqueiro

Era a hora da demora era o tempo do desalento pelo roubado momento, e os pelos que cresciam no céu da boca faziam Permanente para ganhar volume enquanto o céu escurecia lá fora.

Todas as pisaduras faziam mutirão e os meus gemidos eram silêncios sincopados, imóveis na tensão da insana dor persistente.

Ao lado da revolta cobertura do leito de abrigo a água engarrafada posava longínqua e inatingível como uma viciada prima dona de milanesas passerelles

A ressaca: existência a preceder a essência em gritos de bem te disse cabrão enquanto um exacerbado secão diz sim é possível estar-se assim fodido e mesmo assim vivo. 

As ondas de desatino corriam soltas no corpo que paga os exageros das águas furtadas, as ondas sísmicas em conjurados terramotos 

Esse sismo de alto escalão só entrava em suspensão na vertente da latrina onde o eu se despejava em veste de bílis amarela e a cobardia se revela em refrões de palavrões.

Nessa tarde nem um movimento era espelho desse tonal desalento, só o imóvel calar de qualquer projecto debaixo do plúmbeo teto da pensão em inação forçada.

Uma erecção incongruente trazia um dadaísmo de pornografia esotérica que queria canalizar o álcool no sistema num ainda maior problema.

Dentro de mim um vadia voz dizia e repetia este vai ser o teu último dia. Reza. Reza animal, heterodoxia do ateísmo sem causa, precoce menopausa. Reza motherfucker.

E eu rezei umas Ave Marias intercaladas de submissos pais nossos, e a cabeça a estourar nem assim parou de se inquietar em pequenas convulsões no espectro do delírio tremens.

Bem, patinar eu vou patinar, mas talvez não ainda hoje, talvez ainda não hoje, malandro.

Matar eu sei matar, atirar eu já atirei, porrada muita dei, então se a roda roda e o retorno é verdadeiro, tenho muito que penar primeiro.

Nem sabia então o que de verdadeiro havia naquela cassandra bêbada e dorida deitada numa cama corrida numa pensão com ilusões de grandeza que se cria Universal, coitada da enxovia dos tempos da outra senhora com a decadência disfarçada de  decência e de bons costumes.

Aquele falsário de si próprio haveria de acabar o dia a que se sucederia infindável panaceia diária daquela dor imaginária mas nem por isso menos dolorida.

Na rotação axial as tonturas da repetição induziam cefaleias que se matavam a tiros de garrafas e gritos de charros aspirados, e assim estruturas neuronais alienadas conduziam a respostas contra os estereótipos dominantes em marés vivas de estranhezas crescentes. A baixa mar era apagada e morta, apenas navegada por amnésias selectivas sempre a seguir esquivas naturezas. 

Nesse tempo os guerreiros de terracota esperavam o momento de serem revelados, torres gémeas altaneiras invocavam o capitalismo sem fronteiras e jovens como esse atolambado haviam olvidado as boas maneiras após tanto repetir as mesmas asneiras. 

Quatrocentas e mais formas de estar fora das normas perduraram até um se querer um sicário proletário de mãos culpadas em sangue derramado seja em Fez ou Alvarez,
E a loucura se instalou imperceptível sempre a aumentar o nível de desarranjo e a imaginar um tocador de banjo em compassos mal tocados na varanda de um trailer lá no Louisiana. Antes da explosão de um laboratório o mandar para lá daquele Gregório revisitado, 
Definitivamente para o outro lado sem passagem, para a outra margem onde não corre aragem entregue por um barqueiro nada nada maneiro com órbitas vazias dentro das noites, dentro dos dias.

Podeis dizer Aleluia?
203

Vê-de lá! Rio


Nunca mais chego, nunca vou chegar,
Nunca nunca nunca, 
A espera nunca alcança nada 
Nunca.

Testemunha privada ensimesmada, 
Memória descentrada, descordenada,
Nada nada nada. 
Nunca, 
Nada

Motor alheio que ronrona na tua rua,
Rotação de pistão bi-multi-monocilíndrica
Tua rua, tua, que este nunca verá sua,
Fria alma sempre fria sempre nua, nua,
Capa vazia de transparente portfólio 
Glass house, empty mouse, rato sem tato,
Biblioteca invisitada, vide vide, vê-de lá! 

Tu n'appartiens pas, tu es le perpétuel vide
Tu pars, du nord sud, rotted rotten, Norway 
You, you never really here, nor a day, anyway 
Cais apodrecido, perdu perdu, Vê-de lá! 

Sem fé sans femme, chulé no pé, ué! 
Sozinho, sem vinho, sem tiraninho. 
Sinergia solipsística solipessoal

Sussuro, urro, indécence vide, vide! 
Vejam o vazio, sintam o frio, 
Deitem-se ao rio onde me afoguei outrora,
Sintam o vazio, vejam esse frio, frio,
Sombra, umbra, penumbra sem hora, agora!

Hora da morte, falta de sorte, mentira, ira, ira
Physical, emotional health gone, astray, astray
Rage rage, fallen mage, forgotten sage, willow,
Willow overbent, subjugué / subjuguée 

Ye ye, five point, maple, no syrup, leaf leaf,
Feuilles subjugués, arbres désolés
Personnes vides incapables d'aimer 
Passadas frias, almas vadias, dias, dias
Idos, perdidos, perdidos, caidos no rio frio. 

Gargalhadas gritadas, rio, rio, rio,
A hora de chorar não ficou.
Passou. 

Vê-de lá!
129

Falete Novais, que dais?


Falete novais quem dá não tira mais,
Ao Falete vais que é dizer cocaína sublime,
O melhor que a molécula exprime,
Melhor ao terceiro dia com três botelhas de Walker Black
Foda e muita Skol ou Brahma,
Foda, Foda na cama, almoço e janta na cama. 

Cama na sala, cama na varanda, e assim anda,
Riscos, tecos e lambida na mama
Que com mdma a loucura ama.
Diretora é administração,
Underground informação
Ridícula coação, neuronal ativação. 

Falete preto e amarelo que era o mais belo
Brizola que cheira bem, dá vontade de cagar antes de a cheirar.
Pó empedrado que dá para mastigar
Por na ponta do pau e dar para chupar,
Por na boceta, na boca e então beijar,
Despoleta a loucura no longo gozar,
A boca cheia de porra a derreter as pedras entre o lambe lambe
Perde-se a noção do lugar mas não se desatina.  

Continua-se a dissertar sobre antropologia ou cosmologia,
A assistir ao acústico dos Corrs,
E a cagar para se morres ali,
Como te estás a marimbar aqui. 

Nada muda, continuas tu, macaco nu.

Um mistério de uma vida de mais um dia,
Um andar sem guia em cima dos trens descarrilados,
Os loucos anos passados nunca roubados,
Os anos enrugados, que se fodam.

Não há vidas desperdiçadas
Quem quer o q tenho
Que saiba a que venho
Testemunhar
Transmitir
Se quiserem deixar. 
Se quiserem deixar. 
Vambora sem resposta que a mesa está posta. 

Falete Novais, se existirá um nome, 
Pasmais! 
Que coisa terão pensado seus pais?
159

Amargo de pais, país que fiz


Amargo de boca, e todo o céu da boca
Se solta de uma assentada, o pai teve, 
Sempre me manteve na sua esperança 
Pelas ruas das minhas agruras se conteve 
Sem criticar, a aconselhar, a gerir a tempestade 
Coisa ruim, pomba gira baixou, a mulher que amava
Quando a viu, esta partiu, já lá não estava

Não mais lar ou jantar, um campo de batalha 
Um lugar de confrontação, uma danação. 
Todos os dias de negrura em forma de malha,
Cânticos de guerra épica, triste canção, 
E poucos dos que sabem ainda cá estão. 

Assim fica o lamento do derrotado, vergado, 
A recordação daquele tempo embruxado,
Que as há, há, e uma,  ainda me encara
Me grita e amaldiçoa enquanto me ampara
Para sísifamente repetir o ciclo de valpúrgis
Porque tanto se usa os cornos do tinhoso
Que se veste a pele do lobo, segunda natureza 
Hábito interiorizado, espelho de Dorian Gray
Calendas perdidas, uma mandou, eu ajoelhei. 

Olhei e não tinha pernas, escutei as órbitas vazias,
Gritei com a laringe, que os dentes casaram com a língua
E migraram para um jazz club em Tribeca
Onde entoam, melodiosos, cantos do arco da velha,
Separados, livres da ovelha negra atada ao vodu 
Macumba de amarração, feitiço da inação. 

Sem forças Coriolis para me trazer a Monção 
Preso a este passado, sem mim ou redenção 
Ergo um facho de sombra e presto homenagem
A esta personagem travestida que me fita nas quebras 
De todos os espelhos de sete vezes três anos, estilhaços 
Acima do mar sem mim, erecto no promontório de nenhuns abraços. 

Órbitas vazias de olhos perdidos num dia negado e querido,
Ulular sincopado, lamento ignorado, época sem abrigo.


226

Se gostas de Walt Witmann

Se gostas de Walt Witmann, fazes um bom haiku,

És aberto na expressão, capaz de escrever cú,

Isso é a faca dos dois legumes, um puxa para a bandeira,

A vulgaridade, o outro que diz for I being poor, lança

Realmente a poesia aos vossos pés, só o que de si,

De tanta merda e prejuízo desta vida cheia de mal,


Esse ajoelha aos pés de quem merece e pede,

Ouçam as minha frases gastas, as palavras repetidas,

Porque palavras ao vento é como o absurdo de tomar banho,

Todos dias diferentes e assim iguais, Mesma merda, Diferente dia,

Como dizia o Stephen King (ssdd), com quem aprendi muito.


O mar que bate na rocha é o que sou, os meus poemas,

Envergonhados, vergados, escondidos, fora de tempo,

Eles não são o que eu sou e todavia um caminho para mim.

Erguem-se à volta minha interesses em mudar o que sou,



E esse muda como uma bola de bilhar, alterando o rumo

Cresce e apodrece como um bolbo de lírio azul, morre e vive

Dorme e acorda e ama todos vocês que me criticam

Vós que me desejam retorno dos defeitos tantos que tenho e carrego.


Minhas filhas, incríveis forças, sabem a minha fé

E vós hão dizer coisas que não projeto para este futuro


Cego enledo de amores perdidos.

Onde estão os raios dos sois amigos da melanina

Amiga morena, água morna da cachoeira,

As cobras de água em festa de verão, hoje melhor,


Amanhã lindo de morrer na praia, 

Praia do inferno, ponta do ardor deste pau

Que é o fim do coxasso e a antecipação da menina linda filha querida,

Melhor o sexo, mais querida a descendência. O resto é racionalização


Somos centelhas de coração selvagem num livro meio impresso,

Um vídeo meio postado, nunca será acabado, depois do fim vem os créditos,


E a raiva de viver acumulada acorda a fera preparada para enganar,

Pronta sem o saber, a reagir parada, a fazer amor num olhar decidido

Pronto para roubar se assim for o blues a tocar, insanamente.

Nós somos ladrões sem ocasião, a natureza de querer o alheio está no sangue.


E olhamos as estrelas sem querer saber, só bebemos a beleza do cintilar,

Uma noite de lua nova e as estrelas aos milhares, erguidas no alto do mar.

As crianças a crescer, as mulheres a mandar, a roda a girar, eu que vou parar.

194

Domingos a penas, vazios e frios


Domingos apenas, inutilmente, sofridos,

Tão raramente vividos nestes anos corridos, 

Onde me enredam em passos a reparar danos...


Melhor quando saía sem dormir

Cansado do amor suado, skoll matinal, 

O papo pouco banal, os cães a conversar 

As pessoas a comprar pão e eu a disfarçar 

A comprar o que não havia de emborcar

Ou até fumar uma preta, que era raro,

Uma loira com a branca de qualidade,

Essa era a dona do domingo de verdade. 


Domingos cheios de intencionalidade

Tardes de calor, água ,sexo, insanidade,

Até sobrevir a prisão de decidir contra o falso pão 

Optar pela saúde, sem fito, a matar-me desde então.


A lutar contra a minha natureza, a minha certeza

A amarrar-me à decadência sem qualquer beleza, 

Pois mais vale uma manhã daquelas que este pardieiro, 

Trocava uma dessas por este frio fosso, ano inteiro, 

De provar que prescindo, canudo da faculdade, 

De existir, realmente, saciedade de conselhos, 

Uma década roubada, a que mais vos faltava,

Sem civilidade, mudas acusações, paradigmas


Enterrado, sufocado no jogo, sem rapar pintelhos,

Olhos velhos, refratados em míriades de lágrimas.



Que no dia de ficar mudo, hei-de sorrir 

Ao lembrar todo o dia o que vos ouvi mentir 

A tentar trazer uma razão 

Que não aceito neste porvir,

Quisera jazer contorcido 

Num plano esburacado, perdido. 

Sempre, estejam certos, a final, 

Deitarei onde quiser, ou se não puder,

Numa simbólica Pasárgada qualquer.
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Comentários (1)

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nilza_azzi

Contra plágio também é uma maneira de dizer e não dizer. Muito obrigada pelo comentário em meu poema.

Por ora não interessa quem sou, que entenda a/o ?! Outr/a/o. Peço desculpa por postar escritas toscas, textos mal editados ou nem revistos. Parte da minha escrita fora da nuvem., formatei-a num ssd...😂😢🤗 A plataforma é rápida. Sem sequência ou ordem de assunto. A cronologia: nem sempre é clara a data real, por isso a não incluo. Gente entre gente, que não se pense que se sente o que outro sente, nem que se pressente para além do presente. Só me retrato por tanta falta de critério e qualidade. A verdade é que alguns dos que mais prezo não serão incluídos para já. Uso também um novo repositório para a língua inglesa, idioma que tenho vindo a usar por vários motivos, e.g. (https://www.poeticous.com/m-genth ) Embora quase não escreva em espanhol e francês, uso um site espanhol que considero, entre outros. Não posso aquilatar exactamente o que perdi, dado que....blá blá blá. Quando encontrar uma ordem e decidir se quero incluir algo pessoal além das iniciais cruzadas, ou pseudónimo/fotografia. Atentos cumprimentos a todos os que mantêm, participam e contribuem para este repositório de escritas, as melhores, e todos os que chegaram. Obrigado