Lista de Poemas

Quinta dissonante

Estou na casa que não tenho.
Vou para a rua e seu desdenho?

Ó Amores, eu nunca vos tive.
Ó mãe, perversidade às escuras, 
Ó filhos que nunca mantive
Ó estrelas escuras, razões obscuras, 
Meu céu noturno, firmamento 
Que não ouço teu negro vento.

Rodeado de pressões, 
Atentamente ignorado.
Plaino povoado de gente,
Ora ora, epifania intermitente,
Ondas mil de sensações.
Nada há, São João passado, 
Amnésia de ter provado rojões. 

Plaino empedrado, não vamos cantar
A balada dissonante onde vamos parar
Oitavas e quintas, la quinte du loup. 
Cactus ensimesmado, ausência de troupe. 








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Balada do irrelevante

Hei-de estar morto quando a vossa perna 

Me alcançar e pisar deitado no meu leito

Ferido de mil golpes infligidos, mil golpes 

Derrotado na pedra tão fria como o cadáver 

Que um dia nunca se deu por vencido, 

Que menos o imaginam, de si esquecido 

Que todo o mundo é apenas todo um globo

Povoado pela vida de tantas extinções, 

Ó povo

Hei-de encarar-vos morto, tão partido, torto, 

Minha face esfacelada calma e persistente

Tão certa de si, tão descrente, ora ausente. 


Eu que persigo a Chimera que me espera

Esfíngica e à qual nunca responderei, 

As mesmas respostas que nunca vos dei. 


As que amei, ao revolto destino abandonei, 

As crianças que riem no sonhos suprimidos, 

O sangue escorrido dos membros feridos 

Em mãos atadas no cume dos esquecidos. 

Os sonhos que não sabem que sonhei, 

O coartado acto que não, nunca vos prestei. 


Ignomínia antiga, dum vivamus, vivamus

É um ponto na planta onde já não encontramos 

As coordenadas possíveis de alguma presença, 

Um passo congelado no fim destes anos, 

Agora que as árvores velhas que passamos

São testemunhas que já cá não estamos. 


A vós a vida que levaram por mim

A vós uma ode insana e sem fim

Pois comecei a partir bem antes de cá vir. 


Sede, que eu fui e esfumei-me 

No loop do coup-de-grâce 

Como se não me amasse

Neste idílico momento, abracei-me 

E esse sangue escorreu-me exangue

Eu que não me dou por vencido

Na louca teimosia, já esquecido. 

223

Salto de anseio


Adiante de uma porta raramente aberta

Há uma lânguida sexualidade desperta. 
Vermelho desbotado, tarado, crente 
numa vida que podia ser e não é, 
Gozadas, orgasmos que corro a pontapé 
Num precipício em que anseio por este pé, 
O outro no ar num salto de fé, não sei se é, 
Ou toda esta doença de saúde adiada
Apenas uma macabra festa sonhada, 
Psicopatia de uma besta aprisionada. 
161

Precipício

Adiante de uma porta raramente aberta

Há uma lânguida sexualidade desperta. 

Vermelho desbotado, tarado, crente 

numa vida que podia ser e não é, 

Gozadas, orgasmos que corro a pontapé 

Num precipício em que anseio por este pé, 

O outro no ar num salto de fé, não sei se é, 

Ou toda esta doença de saúde adiada

Apenas uma macabra festa sonhada, 

Psicopatia de uma besta aprisionada.
220

Eixo

A espera acabou
O leite azedou
E o vento rodou no seu eixo
Como eu que há tanto vos deixo
 
 
220

Escala de Mohs


Cada olhar de faca enferrujada, 

É uma estocada, cada vez que a ira
O ignoto desprezo, o juízo sem peso 
Me tocam, eu regozijo, esquivo, altivo,
Alimento a distância que nos separa.

Esquecida vara que me açoita, atitude afoita,
O meu passo parece esquecer as grilhetas
E o seu peso ausente, ilusão de não mais preso,
Sentenciado, todavía, todo o santo ou profano dia.

Cada censura perdura em mim numa carapaça,

Uma coisa dura que me ultrapassa,
Não sei o que seja,
Não é que se veja,
Uma subida de Mohs, um salto na escala,

Até que um dia, breve, riscados sereis apenas, afinal, vós!
Que nos leve a ceifadora desta estada breve,
Que nada afinal transpareça do que ora 
Se escreve.

Não interessa essa ideia de tantos conteúdos,
Como um velho lord inglês tinha de sobretudos.
155

Ditos de incompleto

A fala de fulano que encontrou no café
E como depois disso não vai mais lá por pé.
B refere o prazer de abraçar o amigo que acaba de chegar de longe
C não entende como um mulherengo da Bohemia é hoje respeitado monge
D descreve o Sábado em que decidiram parir a Maria num belo futuro dia.
Eu tenho uma mangueira no terraço parada como serpente cansada
Que a última vez que engoliu uma ratazana bacana faz mais de um ano.
Rodeada de ervas e receosa de sofrer dano.
Eu tenho ideias que ninguém quer ouvir e está claro para mim
Que isso não acontecerá
Nem que a vaca tussa e tussa
Nem que a herbívora seja russa.
Não que haja toxicidade envolvida
Alguma cariátide chocante, caída,
Ou um presunto não defumado
Que se sinta intimamente prejudicado.
F é uma elegia da Salsa que se dança
G conta da marota da gatinha da vizinha.
Hoje não se liga mais a Hollywood nem a Mafamude,
Conta-se do som calmante junto ao açude.
Indo mais além há quem derrube catedrais para fazer mais.
Junte-se tudo isso, seja escrita uma ode ao chouriço bem tostado
Literalmente tostado, em álcool a arder, e chegou a hora.
Mal mal, maravilha ou maldição de usar este alfabeto,
Maldito modo de destratar o danado, pobre coitado.



(este idioma que permite esta vergonha tem dado a gente distinta a oportunidade de o ver elevado e louvado).
(para quem sofre de ideias persecutórias note-se que me refiro ao sr precioso tempo quando digo maldito modo de ser ocioso)
160

Hora do bote

Na hora do bote dos Bots e ataque de drone

A epidemiologia a disseminar fake news a toldar nossa vista

Não há muito quem assista e mesmo assim resista

Tinge-se a manhã no sangue místico

Explosão dos horrores derrotados

Forças de balanço contra o ranço,

Odor do demi monde sem saber aonde.

Mata-se sem piedade aqui e acolá

Mata-se, sem razão, aonde quer vão


Gente nas diversas Igrejas Ora toda a hora

E nunca reclamam de toda a demora.

Aspira-se a justificar a maldade no mundo.


Como se a cabal explicação do tempo 

Parasse as nevascas do Alasca 

Ou twisters no show me state.


Tudo são perspectivas e vistas antigas

Dos pais fundadores desta e daquela sociedade

Onde as verdades se penam fora da confissão, escondidas

Onde só as lucrativas explicações, proferidas com probidade

Exalam dos mass media, redes sociais, bots e outros que tais

O bote de uma Slytherin pós WYSIWYG sem medida

Uma fenda na gente, desumanização desmedida, 

Esperança sempre aludida, nunca cumprida
156

Neuroplascividade vadia

Agora, que faço eu do abraço dos meus braços 

Vazios 

Neste momento onde paira o lamento, 

O sentimento que terá causado estes suores

Frios

Muito otimista para um misantropo pessimista

Rios

De alteridade, trompetes da revolução tocam em unisom?

Desvarios


Vambora toca no Chromecast da televisão 

Aquele podcast cativante discute neuroplasticidade

A cidade lá fora vive sem demora a charada do hoje é sábado 

Ouço que ter sido Einstein a aconselhar música para crianças 

Concordo

É igual a tocar insistentemente para estimular a semente

Discordo



Em qualquer ponto, qualquer quando, cruzar onde se puder estar

Gente são pessoas complicadas, paradoxais, conformadas,

Educadas, 

Suicidadas, mortas matadas, tout court passadas,

revoltadas, felizes, petizes, anciãos, líderes, peões 

Sem direcção, focadas e esforçadas, adversas à análise estatistica

Divergentes na visão futurística pessoal, existencial,

Se eu não amasse tanto assim o que seria de mim? 


Tenho o céu pousado no peito erodido

O restolhar dos coqueiros do meu lado direito

A imagem daquela mangueira sempre à beira

Recordo o sabor da espada oleosa tão gostosa, 

E, falando sério, é bom vc parar com essas coisas, 

Não quero ser mais um na sua cama, cama de ferro

Onde vivo, crio, vegeto, projeto, e raramente berro

Falando sério, eu não queria ser vc nem por uma semana. 


Mas sei que vou-te amar, 

Por toda a minha vida e mais 

Vou querer lamber a minha mama

Que a língua não chega ao mamilo

Ser contorcionista que a boca não chega àquilo

Mas sei que assim mesmo vou-te amar, 

Aceitar-te assim, deixar desenrolar

A ver no que vai dar

A ver no que vai dar


Que não tem sido coisa boa

A não ser andar à toa

Script esquecido de finalizar


Existo inapelavelmente aquém do sexo solitário 

Escrevo por entre ácaros sem fim, amor vem de nós e demora, 

E ocasionalmente fito a entropia, 

Que devolve o estilhaçado olhar do espelho do armário 

Há quão pouco tempo a não via, 

Pois roda e roda no meu lugar,

Crente de me vergar, certa de me derrubar


Me larga, não enche, me deixa enganar, 

Sai do meu sangue, vadia, ideia vazia!
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Nascida alta

Notável acreditava ser um dia,

Charmosa nesta hora imediata,

Mulher que os ata pela pose,

Erotismo com que se retrata.


Nascida alta o pai lhe dera o nome

A mãe a formação para o carregar.


Hoje a inclinação do vento, dobra

Suas costas, fitadas, fundo no rio,

Sentem o correr do sombrio arrepio,

A esticar o passo na umbra, desvario.


Beleza dominada por Newton

Porque cais agora, que és tudo

O que nunca fiz de mim, sobretudo?


A sereia já nada nas vagas do rio,

Ou assenta no fundo um segundo,

Fleuma para despedida do mundo.


Nascida alta descansa no lodo.

Todos mortos na família,

Não haverá vigília

Não há mais quem a procure,

Nem um sinal que perdure.
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Comentários (1)

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nilza_azzi

Contra plágio também é uma maneira de dizer e não dizer. Muito obrigada pelo comentário em meu poema.

Por ora não interessa quem sou, que entenda a/o ?! Outr/a/o. Peço desculpa por postar escritas toscas, textos mal editados ou nem revistos. Parte da minha escrita fora da nuvem., formatei-a num ssd...😂😢🤗 A plataforma é rápida. Sem sequência ou ordem de assunto. A cronologia: nem sempre é clara a data real, por isso a não incluo. Gente entre gente, que não se pense que se sente o que outro sente, nem que se pressente para além do presente. Só me retrato por tanta falta de critério e qualidade. A verdade é que alguns dos que mais prezo não serão incluídos para já. Uso também um novo repositório para a língua inglesa, idioma que tenho vindo a usar por vários motivos, e.g. (https://www.poeticous.com/m-genth ) Embora quase não escreva em espanhol e francês, uso um site espanhol que considero, entre outros. Não posso aquilatar exactamente o que perdi, dado que....blá blá blá. Quando encontrar uma ordem e decidir se quero incluir algo pessoal além das iniciais cruzadas, ou pseudónimo/fotografia. Atentos cumprimentos a todos os que mantêm, participam e contribuem para este repositório de escritas, as melhores, e todos os que chegaram. Obrigado