Domingos a penas, vazios e frios
Domingos apenas, inutilmente, sofridos,
Tão raramente vividos nestes anos corridos,
Onde me enredam em passos a reparar danos...
Melhor quando saía sem dormir
Cansado do amor suado, skoll matinal,
O papo pouco banal, os cães a conversar
As pessoas a comprar pão e eu a disfarçar
A comprar o que não havia de emborcar
Ou até fumar uma preta, que era raro,
Uma loira com a branca de qualidade,
Essa era a dona do domingo de verdade.
Domingos cheios de intencionalidade
Tardes de calor, água ,sexo, insanidade,
Até sobrevir a prisão de decidir contra o falso pão
Optar pela saúde, sem fito, a matar-me desde então.
A lutar contra a minha natureza, a minha certeza
A amarrar-me à decadência sem qualquer beleza,
Pois mais vale uma manhã daquelas que este pardieiro,
Trocava uma dessas por este frio fosso, ano inteiro,
De provar que prescindo, canudo da faculdade,
De existir, realmente, saciedade de conselhos,
Uma década roubada, a que mais vos faltava,
Sem civilidade, mudas acusações, paradigmas
Enterrado, sufocado no jogo, sem rapar pintelhos,
Olhos velhos, refratados em míriades de lágrimas.
Que no dia de ficar mudo, hei-de sorrir
Ao lembrar todo o dia o que vos ouvi mentir
A tentar trazer uma razão
Que não aceito neste porvir,
Quisera jazer contorcido
Num plano esburacado, perdido.
Sempre, estejam certos, a final,
Deitarei onde quiser, ou se não puder,
Numa simbólica Pasárgada qualquer.
Outrora
Outrora uma hora livre ou ocupada.
Agora a hora passa pensando nela.
Outrora passava uma hora de carros,
Agora passa a hora a saber se morre.
Outrora lia revistas de astronomia
Agora Eta Pegasi, não sendo, é de matar.
Outrora a hora não pensava em matar
Agora a hora diz q talvez seja morrer só,
Outrora não gostaria que o sangrassem
Numa tarde comum, por um motivo fútil
Como a hora muda ao longo do tempo!
A faca de dois legumes
Dorme e acorda e ama todos vocês que me criticam
Vós que me desejam retorno dos defeitos tantos que tenho e carrego.
Minhas filhas, incríveis forças, sabem a minha fé
E vós hão dizer coisas que não projeto para este futuro
Cego enledo de amores perdidos.
Onde estão os raios dos sois amigos da melanina
Amiga morena, água morna da cachoeira,
As cobras de água em festa de verão, hoje melhor,
Amanhã lindo de morrer na praia,
Praia do inferno, ponta do ardor deste pau
Que é o fim do coxasso e a antecipação da menina linda filha querida,
Melhor o sexo, mais querida a descendência. O resto é racionalização
Somos centelhas de coração selvagem num livro meio impresso,
Um vídeo meio postado, nunca será acabado, depois do fim vem os créditos,
E a raiva de viver acumulada acorda a fera preparada para enganar,
Pronta sem o saber, a reagir parada, a fazer amor num olhar decidido
Pronto para roubar se assim for o blues a tocar, insanamente.
Nós somos ladrões sem ocasião, a natureza de querer o alheio está no sangue.
E olhamos as estrelas sem querer saber, só bebemos a beleza do cintilar,
Uma noite de lua nova e as estrelas aos milhares, erguidas no alto do mar.
As crianças a crescer, as mulheres a mandar, a roda a girar, eu que vou parar.
Domingos a penas
Domingos apenas, inutilmente sofridos
Tão raramente vividos nestes anos corridos,
Onde me desejam planos a reparar danos
Melhor quando saía lombrado sem dormir
Cansado do amor suado, skoll matinal,
O papo pouco banal, os cães a conversar
As pessoas a comprar pão e eu a disfarçar
A comprar o que não havia de emborcar
Ou até fumar uma preta, que era raro,
Uma loira com a branca de qualidade,
Essa era a dona do domingo de verdade.
Domingos cheios de intencionalidade
Tardes de calor, água ,sexo, insanidade,
De família,no jeito que se traz no peito
Até sobrevir a corrente de decidir sob ameaça de prisão
Optar pela saúde sem pão, a matar-me desde então,
A lutar contra a minha natureza, a minha certeza
A amarrar-me à decadência sem qualquer beleza,
Instilada dor, falar em amor, induzir estupor, temor.
Pois mais vale uma manhã das belas que este recorrente pardieiro,
Trocava uma dessas por um ano frio, de fosso, inteiro,
Que prescindo do canudo da faculdade, das Senhoras de Fátimas,
De existir, realmente, de inspirar ar seco, da ansiedade.
Olhos velhos, refratados em miríades de lágrimas
Vertidas sem soluço, lágrimas escorridas, páginas vazias,
Arredado na proximidade, falso, ciente da verdade,
Os certos e eu errado, tertio non datur, onda e reverberação,
Conversão irrecusável, subtil humilhação
Transição ao pior dos eu-mundos possíveis
Em micro degraus invisíveis, desníveis
Certos, que solidão não é não ter tostão ou não poder ganhar
É ser apagado a pincel, restaurado fora do painel,
Ostracizado, depredado, enganado, pisado,
Como eu, o impiedoso, haveria esmagado,
Egoístico-narcisicamente iludido,
Os que outrora julgara ter amado.
A justiça será feita e a criatura desfeita,
O pobre coitado, alienado, carente,
Um farrapo doente, mais um demente,
A reabilitação, inserção, prevenção especial de socialização.
A revolta do urbano rebanho dos integrados,
Assim por bem banirá o egoísmo do alterado.
O dados antigos ainda rolam, cubos lançados,
Planos esmiuçados em forks traçados,
Que no dia de ficar mudo, hei-de sorrir
Ao lembrar todo o dia o que vos ouvi mentir
A tentar trazer uma razão
Que não aceito neste porvir
Quisera jazer contorcido
Num plano esburacado, perdido.
Sempre, estejam certos, a final,
Deitarei onde quiser, ou, se não puder
Numa simbólica Pasárgada qualquer.
Sem ser amigo do rei, nem toque de roque,
Um salgueiro vergado na onda de choque.
Um peão coartado no alheio chão, quimera,
João sem mera terra, afastado da galera
Tal o pigmeu do ateu, carvāo sem ambição,
Banido, sem piedade, pela hoste da realidade
Que seja esquecido e nunca referido
Que seja ignorado e nem sequer mirado
Que não seja incluído
Seja ele tentado e sempre recusado
Que se sinta amargado e para sempre apartado
Que entre num Loop inescapável
Seja um completo e total miserável
Um Midas moderno tornado eterno.
A constante de Hubble, a Friedman equation,
Sobrevivem, attention, entretanto,
Drake's equation nem tanto,
Nicole Kidman, Moss e Gwendolyn
Não estão nem aí, entretanto
E eu habito um mundo finito
Num instante que balança numa trança
Que seguro enquanto danço
E rio da seriedade e da verdade,
Sem desmerecimento, convosco empatizo,
E sempre que me coloco no vosso lugar
Uma lua de sangue, um estranho luar
Cassandriza no meu pêndulo a vossa ilusão,
A razão da importância que dão à noção,
E como v/o chão afundaria na minha posição
Perdida ilusão de instabilidade evolutiva
A noção de luta pela vida, a vossa base
Ponto de equilíbrio, obra da humanidade
A necessidade de manter a glutamil transferase
Gama GT, não tem de quê.
Não sei que vos dê, não sei que faça
Ajuízo que é mais isso que vos ameaça
Como o receio de um contágio
Como um mau presságio no intestino
Um pavor enraizado de desatino
O ruir dos padrões, a falta de normas,
O furacão que roda na orla da verdade
O destroyer da fundamentação
Desordem da ação e consequência,
Como garras a raspar dentro da cabeça
Uma coisa que ninguém quer que aconteça
Assim procuram um amor que tudo supere
Um amor que eu tenho roubado do mundo
E me sustenta neste lugar fundo.
,
Mesura imprecisa
Que está no menu de hoje
Além de alguma decisão,
De tomar alguma acção
Evitar as crevasses deste glaciar
Rodar no céu indistinto deste meu instinto?
A lista é curta e concisa
A intenção é precisa e definida,
Face a uma meta comprida,
Agir precisa, rima é brisa ferida,
Pintada sem paleta
O medo da sarjeta.
O medo não sabe o que teme,
Ou se se chama ira que se não retira.
Há uma disciplina prístina nesta rima que me desatina e desanima.
(Ladrem os cães inocentes latidos dos treinadores presentes
E siga eu ignoto e irado, em passo controlado,
Cada pisar obrigado, agradeçido por ainda não ter matado)
Filha sem flores
Sentado no banco de perna cruzada,
Segura uma esterlícia com os dedos.
Vê, cruzando seu campo de visão,
crianças saltando e de volta no chão.
Tão colorida a rápida criançada,
ambiente galhardo, coreto enfeitado.
Que tempo, já mal o lembra,
em que rodava no ar a menina,
amada, meia gente, sua sina
nascida de um amor grande,
enorme como a dor de a perder,
que por cá anda tudo aos pares.
Como um passo num precipício,
foi a querida menina, filha sem flores,
pesar tão profundo, escuros mares,
águas infinitas onde descança a vista,
vagueando a memória sem história
de apontar, roubada, sempre presente.
Falta de Tróia e das suas torres
Falta de Tróia e das suas torres,
Onde estão as suas fortes mulheres,
Que ontem sonharam comigo nos braços,
E acordaram enlaçadas aos filhos e maridos com olhos lassos?
Onde pairam os pardais que carregam minha alma,
Quando eu sonho tão perto da eterna calma,
Os restolhar do seu bando, os seus mil olhos.
Viajo e vou ver os mortos que amei nos seus poemas,
As telas que me envolvem nos seus temas,
Os amantes falecidos nos tempos perdidos,
Todos vivos na morte que me espera lá sentada a rir.
Nado no naufrágio do Indianápolis e grita o meu colega do lado,
O braço arrancado pelo grande branco de raspão.
A agua quente mexe com o medo feito ansia de nadar,
Nadar e afundar, reassomar entre os perdidos até o tempo acabar.
Sento-me na minha cadeira de rodas no couraçado,
Os três a posar para a fotografia, o Stalin mais sério,
E penso nestes mandatos que cumpri, e nos livros que perdi,
Não sei a razão da guerra, só o palco me diz os discursos que proferi.
Estive tão perto do polo Sul, a tempestade uiva ao meu redor,
Penso como vão encontrar a base abandonada,
E se os nossos fantasmas cantarão no vento gelado,
No futuro de uma Antártida habitada.
Falhei o lago Vitória por que lutei por erros diversos.
As nascentes tão almejadas e os mortos alinhados,
Não sei se porque o meu coronel não obedece à razão
Que se desvanece nos assomos desta emoção.
Olho a dançarina de preto e ouro no pátio sobre a planície do rio,
Queria roubar a coreografia dos seus decididos passos,
A noite cai e as borboletas de ouro voam à nossa volta,
Sinto uma desatinada alegria, não sei se já estou morta.
Tanta porta onde não bati neste alto do Vidigal,
Estou na varanda da casa a olhar para o mar que me diz segredos,
Diz que eu não sou nada além da alegria de o ver,
E que ter é sempre perder, como o esqueleto da baleia morta,
Perdeu a direção, morreu nos meus braços deitada na praia.
Como um Ulisses encalhado na ilha do caminho perdido,
Uma Eloisa ajoelhada na certeza de um Abelardo já ido.
Um mendigo invejado pelo poeta só por não ser como ele.
Sou um ao lado de um mundo tangente
Cego face à multiplicidade tão candente
Que me ensurdece e isola em bolhas de sabão.
Sem direção sem saber dizer que não, Oxalá,
Deixa lá, aceita e deita sobre os vidros, estilhaços,
Longos lamentos baços por inalcançáveis abraços.
Quinta dissonante
Estou na casa que não tenho.
Vou para a rua e seu desdenho?
Ó Amores, eu nunca vos tive.
Ó mãe, perversidade às escuras,
Ó filhos que nunca mantive
Ó estrelas escuras, razões obscuras,
Meu céu noturno, firmamento
Que não ouço teu negro vento.
Rodeado de pressões,
Atentamente ignorado.
Plaino povoado de gente,
Ora ora, epifania intermitente,
Ondas mil de sensações.
Nada há, São João passado,
Amnésia de ter provado rojões.
Plaino empedrado, não vamos cantar
A balada dissonante onde vamos parar
Oitavas e quintas, la quinte du loup.
Cactus ensimesmado, ausência de troupe.
Elegia da resíduo-engenharia (tic tac, rua )
Hoje renovou-se a coisa
Tenho de dizer algo.
E após ouvir tantas palavras macabras,
Ameaça intrincada, casa arrombada,
Pastorear as cabras,
Nunca antes pensei
Cruzar comigo na rua,
Esquecido de uma mulher nua,
Hoje, eu reincidente, que não sei.
Sei de certeza que nunca estarei certo,
Munido de saco cheio de pão
E na carícia de pasteis
Não subsistireis.
Essa verdade aceitarei.
Nyx (e se fechou a esperança)
Styx (e lá se apagou a dança)
E os vivos também mortos
Os que cresceram tortos,
Mestres da indiferença,
Senhores da saudável doença
De não saber visitar a Provença.
Os imóveis como móveis,
Que existem na chuva de pó
No fluxo da consciência, só.
Livre de culpa
Sem querer desculpa.
Um riso incontrolável da água fria do banho,
Um desprezo de antanho,
Uma dor sem tamanho,
Um dedo a apontar para vós,
Sem respeito pelos avós
Nem vontade de desatar nós.
Hoje a persistência da demora
Fez correr a repetição da hora
E nada se soma no quociente zero
E nada se altera naquilo que espero.
Bem se vê que ao lixo que se recolhe
Maior do que eu juntei ao molhe,
Vai do peso de poemas sem penas
E de presentes alheios,
Presentes de merda para mim.
Apenas.
Hail, ó janitors in the presence, sway
Of my silky, silly, pain, again, don’t stay,
Leave without the forgotten full white trash behind.
And as the garbage truck is gone, no one to bring into my futility only.
Stars, they come and go, they come fast and slow, is looping, melodiousLY.
As I cannot be.
Só complicado, aqui e ali.
Ausente presente d/no dia
Porque hoje é sábado, tantas vezes li
Porque hoje é sábado, querido Vinicius.
Hoje, morituri, Si vis pacem, para bellum,
Se quero paz a guerra é inevitável,
E então estou hoje derrotado,
porque hoje é Sabado,
Todos os dias massacrado e mais,
Porque hoje é Sábado.
Amanhã, acordarei ou não e o Sol,
O Sol da alegria, esse o não o verei
porque estou emparedado,
Cansado de terem feito força comigo,
De eu ser amigo de quem não enganei.
Amanhã é a repetição de hoje,
Escreverei coisas dispensáveis
Lamentarei não ter a estirpe do matador
E assim ser eu o vaso da dor
E não aqueles que deveria dispor.
Poderei ter sido enganado e vendido.
Poderei ter sido um boneco sem decisão
Poderá não haver amanhã cor de rosa
Poderei mandar-vos foder em prosa.
E hoje, ficar com o poeta,
no sábado de Ipanema,
Alheio,
Se é esse o do poema,
Pois, na verdade, aqui,
o Sábado, sem poena,
é por demais triste e feio.