O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Lula já lamentou quando os pobres prosperam, porque deixam de votar no PT (Partido dos Trabalhadores). Faz sentido. Rende votos a propaganda de “mãe dos pobres”. Resumo: quanto mais pobres, mais poder para quem explora a pobreza.
As ONGs (Organização Não-governamental) fingem defender a Floresta Amazônica, os indígenas e o que der para parasitar. Essas organizações, que dependem de verbas governamentais, vivem do rótulo de “defensoras de qualquer coisa” e fazem de um meio de vida causas de apelo mundial e midiático. O “ongueiro” não permite que a causa (que é sua razão de vida) seja resolvida.
Em São Paulo, algumas figuras conhecidas, não por coincidência, ligadas ao PT, transformaram a rua numa opção de moradia e o uso de drogas numa opção de lazer. Transformando dramas familiares em ganha-pão, exploradores de tragédias tratam a falta de moradia como direito e a Cracolândia como parque de diversões. Novamente, se ambos os problemas forem resolvidos, acaba o ganha-pão.
Guilherme Boulos tentará diversificar os negócios: tornando-se prefeito de São Paulo, poderá influenciar o seu grupo (os sem-teto) nas duas pontas. Ou seja, em vez de estimular a multidão a invadir, ele irá convidar a entrar.
Sempre é bom lembrar: a alta classe média herda um verniz de justiça social e rebeldia proletária ao votar em Boulos. Esse comportamento é um pouco reflexo de uma culpa produzida por viver num país tão desigual. Por viver em bairros incólumes e distantes da ação do invasor de residências, essa classe social não sucumbe a péssimos prefeitos.
Padre Júlio Lancellotti (conhecido por mim como “LanceLOST”) sofreu ameaça de ser investigado pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Com essa possibilidade, uma rede de proteção foi acionada para impedir a investigação. Essa verdadeira força-tarefa já dispara o alerta de que é preciso uma devassa. Mas por que um padre seria investigado por políticos? Por estimular a continuidade de duas mazelas urbanas: a Cracolândia e os moradores de rua.
Como resolver esses problemas, se querem que eles permaneçam como estão?
86
🔴 O partido da boquinha
A apropriação de tudo o que é público parece o principal objetivo do PT (Partido dos Trabalhadores) e as legendas que orbitam a seita cujo líder da lavagem cerebral é o Lula. A utilização privada do que é público é tão avacalhada que fica melhor retratada com as expressões: mamar nas tetas, parasitismo, boquinha e jeitinho. Como diria essa corte perdulária: “Não pega nada” ou “Tá tudo dominado”.
O uso de jatinhos da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir em leilão de cavalo, avião da FAB para ver jogo de futebol, vídeo de lagosta partidária, abastecimento de frota particular etc. “Confundir” o público e o privado não é prática exclusiva desse governo, no entanto, a forma e o conteúdo me levam a crer que esse governo, se alugasse uma casa de praia, devolveria com: a piscina contaminada com urina e cerveja, o banheiro lembrando um banheiro químico, refrigerante no aquário, bitucas de cigarro e vômito no jardim, preservativo na samambaia, a vizinhança reclamando etc.
A estética é esta: o novo-rico, o “aproveitar enquanto é tempo”, o “é tudo nosso” e o “perdeu, mané”. Esse vale-tudo acontece sem cuidado e sem juízo, porque todos sabem que caráter e probidade não podem ser cobrados pelo chefe da quadrilha. Enfim: folha de ponto vazia, folha corrida cheia.
Essa corte tem uma “cara” composta pelo site de fofocas ‘Choquei’, o comportamento da farofa da GKay, o grupinho achacador ‘Sleeping Giants’, o intelecto de Felipe Neto, a voz do Pablo Vittar, o pudor da MC Pipokinha e uma primeira-dama como a Janja. Tudo isso explica o governo atual, tendo o “funk” como trilha sonora. Para o PT e seus comparsas, é um excelente e vital negócio manter o brasileiro (eleitor e futuro eleitor) lendo Choquei, assistindo ao BBB e ouvindo MC Pipokinha. Se mantiver esse cenário sociocultural, será reeleito se oferecendo como uma mudança para melhor. Tem que ter uma personalidade muito boa para passar incólume a isso.
Destruir e extirpar são alguns dos verbos usados pela “esquerda”. Divergindo da embalagem antifascista e do “governo do amor”, eles praticam um rodízio (onde todos “batem” e ninguém tem culpa) para exaltar a morte e a eliminação do adversário (que é tratado como inimigo) político.
“O amor venceu”.
27
🔵 Undererê
Aquele bingo só me havia trazido transtornos. Os frequentadores perdiam suas aposentadorias voluntariamente, portanto, ao menos, entre cartelas e copos de chope, se divertiam lá dentro. A casa de bingo foi aberta perto da minha casa, isso me “obrigava” a guardar vigília, acompanhando cada movimento, até umas três da madrugada.
Mas a sorte grande havia chegado. Não, eu nunca completei a cartela, mesmo porque isso seria impossível, sendo que eu jamais entrei na casa de jogos. A única maneira de eu obter alguma vantagem, sem cartela e sem entrar no bingo da rua, era o show de alguém famoso.
Pois a artista que “aparecia na televisão” era a Eliana de Lima. Talvez o nome não ajude muito, mas quem viveu intensamente os anos 90, quando vê-la, vai se recordar da cantora de ‘Desejo de Amar’. Provavelmente, o título do sucesso também não é o suficiente. No entanto, se eu cantar o refrão, o enigma será solucionado: “undererê...”.
Pois bem, agora chegou a minha vez, e tenho certeza de que toda a vizinhança estava ansiosa com a presença, no bairro da Vila Galvão, da grande cantora Eliana de Lima. Até levei em consideração que eu não gostava de samba, muito menos paulistano, e a artista já enfrentava as fases “por onde anda?” e “que fim levou?”, mas, finalmente, estava chegando o único dia que eu arrogaria algum benefício em morar ao lado de um bingo.
Sábado de noite, estranhamente, aquele movimento frenético de automóveis não me incomodava, pelo contrário, aquilo anunciava que chegou a noite do grande show. Acho que retardaram bastante o início do espetáculo, mas isso não me impediu de executar as trivialidades do dia a dia ouvindo um show ao vivo. Contudo, como eu só conhecia o refrão de uma canção, só identifiquei quando ela falou “undererê”. A técnica é manjada: o artista repete seu maior sucesso em várias versões.
Assim foi. Acredito que, querendo ouvir o coralzinho da plateia, meu banho foi ilustrado com o fundo musical “undererê”. Tudo o que eu fazia era contemplado com a trilha sonora. Na cozinha: “undererê”. Assistindo à televisão: “undererê”.
O show já havia acabado, os últimos apostadores tinham ido embora com seus liquidificadores, batedeiras e demais eletrodomésticos. O silêncio voltara àquela rua da periferia de Guarulhos. Então deitei com uma musiquinha grudenta na cabeça: undererê"
75
🔴 Outras palavras
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, não fez nada para diminuir a desigualdade racial, pelo contrário, empregou uma assessora racista. Entretanto, a irmã da Marielle Franco descobriu como ocupar o noticiário fingindo que está lutando contra o racismo. É só apontar causas abstratas, ininteligíveis e inexplicáveis, como “racismo estrutural”, “racismo histórico”, racismo sistêmico ou atribuir a palavras um racismo implícito, embora a etimologia evidencie a invencionice oportunista. Exemplo: buraco-negro. Sim, a moça enxergou, a olho nu, um racismo espacial.
Mostrando uma originalidade ou, o que é mais provável, cara de pau, a escolhida porque é irmã da Marielle Franco diz que “efeitos da chuva são frutos do racismo ambiental e climático”. Espetacular! Parece loucura, mas ela sabe que irá chocar quando vê preconceito racial onde não existe. No entanto, esse é o método eficaz de disfarçar a inaptidão para o cargo. Enquanto isso, os racistas de fato encontram terreno fértil para agir nas sombras.
O que a moça disse parece piada, e foi abordado como isso: “Imagina quando descobrirem que o Rio Solimões não se mistura com o Rio Negro!” É bem chato que um tema tão sério seja tratado como piada, porém a propaganda petista promete inclusão e, na prática, engana. Quem acredita na demagogia do Lula é conhecido como “massa de manobra”.
Assim como Marina Silva, Anielle Franco é um símbolo. Como tal, ambas foram escolhidas pelo “capital representativo” (silvícola e negra/irmã da Marielle), não pela competência. Seus ministérios funcionam como cabides de emprego e moeda de troca para exercer a verdadeira “articulação”, se é que você me entende.
Terminando o governo, Arielle Franco terá construído seu “pé de meia” e seguirá proferindo palestras, capitalizando o “status” de ex-ministra, para quem quiser acreditar em palavras e fenômenos climáticos racistas.
Esconder a ausência de realizações com coisas abstratas é método de políticos pusilânimes, ineptos e canalhas. Exemplo: o PT e sua “Democracia inabalada”. Aliás, quando a palavra “democracia” precisa ser repetida significa que algo está errado. Exemplos: República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) e República Popular Democrática da Coreia. Conforme os exemplos, estas duas ditaduras carregam no nome que nunca exerceram.
Se eu fosse tão inventivo, para faltar à escola ou ao trabalho, poderia ter tentado justificar com: dor de barriga estrutural, preguiça histórica, ou ressaca ambiental. Lógico que nenhuma dessas desculpas esfarrapadas (vagabundagem sistêmica) convenceria, entretanto, é assim que esse governo age.
Quem é racista não age de modo tão sutil, mas escancara o preconceito com atitudes e falas como a da assessora da ministra da Igualdade Racial.
36
🔴 Em nome do pai
O filho do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) veio à luz. Seu pai já era bem conhecido por aceitar os tapinhas escravocratas de Lula e, feito o serviçal do Conde Drácula, informar que: “Missão dada é missão cumprida”. Pois, o “filho do pai” nos brindou com um vídeo sensacional. O conteúdo, que viralizou, só poderia ser servido por um blogueirinho com muito dinheiro e pouco bom gosto. O resultado: a mistura meio ‘California Racing’, meio ‘Louis Vuitton’ faz com que eu só consiga descrevê-lo como “o motoboy da Barbie”.
Vendo esse espetacular filme, estou convencido de que consigo me vestir melhor que a “Família Animada”. O simples bom gosto faz a C&A, Riachuelo, Renner e Besni superarem grifes badaladas. Diante do mau gosto do filho do juiz, basta um crediário na Pelicano ou Torra Torra. O garoto também exibiu joias de grife, porém insuficientes diante de um pingente da Casa das Alianças enfeitando uma autoestima inabalável.
A composição não é à toa, muito pelo contrário; ela diz muito mais que as óbvias imagens. De cara, que o “corrimão do sucesso” (trilhado por seu pai) conduz as futuras gerações a lugares exclusivos. Com mais atenção e alguma psicologia, é possível ouvir os berros da alma do sujeito. Inversamente proporcional, é como ele exibe os sinais externos de riqueza enquanto esconde o seu interior. Numa análise mais aprofundada, é claro que o cara esconde sua personalidade atrás de objetos de grife. Os óculos escuros ajudam a camuflar um sujeito que, paradoxalmente, mostra etiquetas, mas, sem perceber, está mostrando a si mesmo.
Se a maldade, num suicídio estético, atingisse apenas ele, beleza; no entanto, sua família, alvo do “fogo amigo”, passa uma vergonha travestida de ostentação. Com muito dinheiro e pouco critério, o resultado é tão estranho quanto compor uma mulher com a boca da Angelina Jolie, os olhos da Sandra Bullock etc.
Quem se garante aparece de jeans surrada, camiseta larga, chinelos ‘Havaianas’ e “busão”. De qualquer modo, o “filho do pai” não se tornou conhecido pela subserviência do pai.
Texto com vídeo no blog:
Gazeta Explosiva
67
🔴 Sim, mestre
Em “live”, militante petista fala das qualidades, como oradora, de Michelle Bolsonaro. Só que ela é petista, portanto, na sua visão estratégica, a mulher que encarna a continuidade do bolsonarismo tem que ser destruída. Pela raiva que a militante fala, é fácil entender que ela diz “destruir” com todos os métodos que a imaginação pode interpretar o verbo.
Analisando profundamente, a petista não teve uma iluminação na qual viu a solução para o PT (Partido dos Trabalhadores) manter limpo (livre de adversários) o caminho eleitoral: afinal, “eleições não se ganham, se tomam”. Essas diretrizes, digamos, mais radicais são dadas pela cúpula do partido até chegar num militante “incapaz, capaz de tudo”. Como um fanático pertencente a uma seita, indivíduos, como Adélio Bispo e a militante que sugeriu destruir a Michelle Bolsonaro, surgem, determinados a cumprir algo que contribuirá com a causa, por isso, sentem-se importantes por pertencer a algo.
Mas, interpretando da maneira mais generosa, a moça quer acionar a Justiça para prendê-la. Por quê? Não importa, basta querer. Seguindo a máxima “Mostre-me o homem e lhe mostrarei o crime”, ela pretende que encarcerem a esposa do Bolsonaro mesmo não havendo crime, só para eliminá-la do jogo eleitoral. Entendo...
A técnica tem o nome de “fishing expedition” ou, juridicamente falando, pesca probatória. Isso é costumeiramente praticado (ainda que proibido) quando fazem buscas na casa de alguém inocente. Com o material apreendido, qualquer item, digamos, suspeito pode ser interpretado como indício de um crime. Pronto! Feliz, a militante petista tem a detenta dos seus sonhos.
Sinceramente, não acho que a turma que planeja destruir o adversário (inimigo?) está disposta a melhorar a educação, universalizar o saneamento básico, combater a fome, enfim, melhorar a vida do brasileiro. Não. O voto que começa sendo trocado por dentadura vale tanto quanto aquele que é trocado por um punhado de dinheiro ou pela destruição do adversário (inimigo?).
88
🔴 Tratamento VIP
No primeiro filme ‘Homem-Aranha’, Peter Parker deixou escapar um ladrão; este recebeu uma nova oportunidade. Essa “nova oportunidade” foi aproveitada, e o assaltante deu um “up grade” (atualização) na sua carreira: assassinou o tio do Peter Parker.
A audiência de custódia já é controversa por conceder garantias em excesso ao preso, enquanto a vítima não é contemplada com cuidados básicos. Neste caso, um preso foi tratado, na audiência de custódia, mais que com humanidade, com “status” de cliente, com direito a se livrar das algemas, ar-condicionado, cafezinho e blusa. O traficante de drogas, com a surreal fala da magistrada, reagiu primeiro com medo; incrédulo, passou para a dúvida; e, finalmente, com certa segurança, sabendo que seria atendido, começou a demonstrar desconforto e sinalizar que necessitava de cuidados. “Malandro é malandro, mané é mané”.
Do começo ao fim, esse vídeo parece escrito por um humorista. A fala da juíza é tão exagerada, que parece a caricatura numa esquete de humor, um vídeo dos ‘Hipócritas’ ou ‘Porta dos Fundos’.
A juíza do TJ/RR, Lana Martins, faz do tribunal um “A casa é sua” judicial. Contudo, isso não surgiu por geração espontânea, mas porque o exemplo vem do topo. A começar por um presidente bandido, mitômano, estelionatário eleitoral e impopular. A avalanche chega, como num efeito cascata, transbordando arbitrariedades e decisões absurdas disfarçadas de garantismo.
Com boa vontade, podemos atribuir uma rara empatia de uma juíza que trata o preso com humanidade; porém, ela trata o funcionário com alguma rispidez.
Claramente, a magistrada está com a ideia “rousseauniana” e encara o delinquente como uma vítima do meio social. Isso é um claro preconceito com as pessoas pobres, mas que, por índole, resolveram seguir uma vida honesta. Seguindo o provável pensamento da juíza, ela deve ter aquele ideal utópico de que a cadeia ressocializa, e o criminoso tem o interesse de reintegrar-se na sociedade.
“Quanto maiores os poderes, maiores as responsabilidades”.
79
🔴 Cérebro do Galo
Seu José conseguiu juntar um dinheirinho para comprar comida pelo telefone; chegou sexta-feira, fim de ano, os pedreiros desceram do andaime, guardaram as ferramentas e resolveram fazer uma solicitação de comida. Ambos os pedidos custaram mais de R$ 500 cada. Mas um motoboy antifascista e justiceiro social julgou como “burguês” alguém que gasta mais de R$ 500 com comida. É sempre bom lembrar: mesmo que fossem ricos, aqueles que ganharam dinheiro honestamente têm o direito de encomendar e receber uma compra de qualquer valor.
Paulo Galo, motoboy e militante de extrema-esquerda, foi líder dos ‘Entregadores Antifascistas’. Que sujeito legal, pessoa do bem! Não. É com essa fantástica sinalização de virtude, com esse monopólio auto-atribuído de justiceiro e o dom de “julgar entre os vivos e os mortos” que esse cara faz seu marketing pessoal. Esse motoboy (que deve envergonhar a classe) é um hipócrita sobre rodas.
Numa modalidade covarde e num raciocínio simplista de justiça social, a mentalidade de Galo julgou que os pedidos de R$ 500 para cima podiam ser confiscados. O rapaz revelou a atitude com orgulho, mas dividiu opiniões. Segundo seguidores de redes sociais, o prejuízo fica com o restaurante, pois este devolve o valor aos clientes. Mas a “Teoria Econômica Janja” não é real, sendo que sempre o prejuízo é repassado, ou seja, diluído na conta. Entretanto, Galo, o motoboy ladrãozinho, justifica seu péssimo caráter com a lógica da lenda Robin Hood.
Com perdão do oxímoro: o lulista ladrão já é conhecido. Foi ele que comandou a ação criminosa que incendiou a estátua de Borba Gato (a estátua exterminadora de indígenas). Pois, o ladrão, destruidor de patrimônio público, no vácuo de outro vândalo que se acha um justiceiro social (Guilherme Boulos) sonha ser candidato a vereador de São Paulo. Boa sorte... para os paulistanos.
Quixotescamente, Paulo Galo acredita que combate os tais fascistas. Talvez em seus sonhos, o militante de extrema-esquerda se nomeou um herói que defende a democracia de algo onírico. Pegando esse mesmo atalho representativo, eu me declaro o defensor da sociedade contra os “Incas Venusianos. Paulo Galo é tão antifascista quanto caçador de Pokémons.
Se esse sujeito tem a coragem, até um orgulho, de detalhar esse crime, será que ele não esconde algo mais grave? É claro que eu fiz uma pergunta retórica, mas, segundo a ‘Teoria das Janelas Quebradas’, o crime por encomenda é apenas um “vidro vandalizado”.
61
🔵 Cine Star
Nos filmes, histórias de cinemas que intitularam, viraram quase personagens, não é incomum. Como não é rara a lembrança de um cinema que marcou a infância, depois virou igreja evangélica. Mais, isso é quase um clichê. O ‘Cine Star’, em Guarulhos, seguiu esse roteiro; só foge do clichê, por ser no centro de uma cidade grande e ter se tornado o imóvel da Câmara dos Vereadores de Guarulhos.
Geograficamente, localizava-se numa colina. A considerável distância de meu bairro periférico tornava a frequência um acontecimento sazonal, portanto, precário em lembranças de grandes acontecimentos. No entanto, transbordando recordações da galerinha mirim e dos filmes que marcaram os anos 80: E.T. : o extraterrestre, Karatê Kid 3 e Rock 4, entre outros.
Isso está sendo nostálgico demais, e toda nostalgia é meio piegas, mas, exagerando nas recordações baratas, voltarei a descer a escadaria do ‘Cine Star’. Não é novidade sair de uma sala escura de cinema surpreendendo-se com a luz do Sol, enquanto, a particularidade do cineminha de Guarulhos era a saída lateral. Igual aos filmes, que levavam a um outro lugar, aquela porta de emergência desembocava na rua lateral. Tudo isso causava um breve atordoamento que tornava brusca a volta à realidade.
Aventurar-se ao antigo cinema do centro nunca vai se comparar a ir a um cinema de shopping center, muito menos ao streaming. Aliás, o cinema está para a ‘Netflix’, como o futebol de rua para o videogame. Não que o avanço da tecnologia não seja muito melhor, isso seria o mesmo que dizer que pegar um ônibus para ir à biblioteca era melhor que “dar um Google”. Contudo, justamente, combinar e juntar a turminha para enfrentar um “busão” é que era a graça e transformava assistir a um simples filme ou fazer um trabalho escolar, respectivamente, em um evento inesquecível.
Por ironia, imponência do nome ou referência aos artistas dos filmes, o ‘Cine Star’ foi nomeado com o que é difícil ver na cidade da região metropolitana de São Paulo: estrela.
42
🔵 Ovo mexido
Tatus-bola, vaga-lumes, grilos e outros animais desafortunados. Voadores, aquáticos ou rasteiros, bastava estarem vivos para virarem brinquedo. Contudo, um ovinho era uma novidade, portanto, algo que não suplantava a mera curiosidade. Mas naquele tempo (final dos anos 70 ou início dos 80) ainda se brincava com traquitanas mais rudimentares. No caso, aquele buraco de um tijolo guardava o ovo que continha um embrião de lagartixa. Mesmo sendo algo orgânico, aquilo instigava a curiosidade exploratória infantil. Pois bem, decidimos assumir aquela gestação.
Acomodamos o ovinho dentro de uma gaveta, num chumaço de algodão. Pronto. Dentro do ovo, o bebê-lagartixa tinha tudo o que necessitava. Nós três, só esperávamos estar presentes quando o pequeno réptil destruísse a casquinha.
***
O algodão estava vazio. Somente jazia a casca quebrada e vazia. O cenário mostrava os restos deixados por algum predador que saciou a fome com o conteúdo do ovo. Nossa única atitude era desejar que tudo tenha sido rápido e indolor. Era óbvio que o nosso experimento interrompeu aquela inteligência biológica que realizaria o milagre da vida. O aborto era uma realidade. Aquela intervenção estúpida teria um mentor intelectual. Entretanto, diante de três criminosos inimputáveis, as investigações foram encerradas antes de começarem.
Porém, algo se mexia no fundo da gaveta. Sim, a lagartixinha nasceu com saúde e passava bem. No entanto, por intervenção humana, o bichinho veio ao mundo órfão e a briga pela vida, que começou dentro do ovinho, continuava do lado de fora. A partir dali, seria difícil explicar que havíamos dado à luz... uma lagartixa.
Com o simpático nome de “lagartixa doméstica tropical” ou “lagartixa de parede”, finalmente, o pequeno e insetívoro animal, sem nenhum membro amputado e, literalmente, sem pai nem mãe, foi libertado. Entregue à natureza e à própria sorte para sobreviver, com uma dieta à base de moscas, o bichinho foi deixado para lutar num terreno baldio que iniciava a obra do banco ‘Bamerindus’.
Depois de algumas décadas, sei que o sósia de jacaré já cumpriu sua existência no planeta Terra. Curta ou longa, sua vida não foi em vão: enquanto outros exemplares de sua espécie se restringiram a devorar insetos, ele teve sua gestação e parte da sua vida a serviço de três pirralhos curiosos.