Lista de Poemas
Reminiscência
Todo dia infelizmente esqueço de alguma coisa. Quando não é um horário, é um compromisso importante. Me peguei uma vez errando o caminho pro trabalho, sendo que minha rotina é a mesma: passar o café, um pão com manteiga, colocar meu terno e ir ao trabalho. O gerente lá da empresa já pegou muito no meu pé, às vezes porque não lembrava até o número de telefone dos revendedores deles.
Em casa uma vez acordei com uma mulher mexendo nas minhas coisas com uma cara angustiada. Ouvi um barulho na sala e resolvi checar. Vejo uma senhora com vários álbuns de fotos. Eu não lembrava direito o rosto dela, mas não me parecia ser desconhecida. Parecia que já tinha a visto. Foi quando exclamei a ela: ‘’Quem é você!?’’. A velha desmaiou no chão como um bloco. Aí me deu, final e infelizmente, um lapso de memória. Esqueci que aquela era minha mãe e nem vivo eu mais estava.
Em casa uma vez acordei com uma mulher mexendo nas minhas coisas com uma cara angustiada. Ouvi um barulho na sala e resolvi checar. Vejo uma senhora com vários álbuns de fotos. Eu não lembrava direito o rosto dela, mas não me parecia ser desconhecida. Parecia que já tinha a visto. Foi quando exclamei a ela: ‘’Quem é você!?’’. A velha desmaiou no chão como um bloco. Aí me deu, final e infelizmente, um lapso de memória. Esqueci que aquela era minha mãe e nem vivo eu mais estava.
190
Ressurreição
Eu não irei voltar! Não volto ao refúgio carnal que de seu asilo trancafiou-me. Quase um século de volúpia contra meu prazer, cativando a soberba do ego; décadas de ignomínia sob o solo dos ratos beirando minha masmorra. Bastardos do rei, poderoso rei, vilipendiou-me nas frestas da esperança, quando vosso austero coração derretia conforme o batimento de teu filho queimava na peremptória piedade não atendida. Afogado pelo sangue opressivo que cachoava, infelizmente, meu funesto corpo; o mar vermelho de minhas entranhas banha o sol como a vertigem de marte. O céu, sujo céu, que de seu belo eclesiástico e celeste tom, dava vazão à minha atômica misantropia por cada molécula presente na existência. Como eu sacrilégio o viver, não há amor, muito menos carisma em levantar mais um dia. A fatigada e vil dona morte deveria ceifar minha garganta, espalhar minhas folhas de kalanchoe sobre o vento último da solidão; sobrepujar-me a impotência soberana do fim. Gostaria de ser o fantasmagórico assombro que perturba os moradores de alguma região. Velar o espírito podre dos esotéricos ocultistas, sucumbi-los. A morada da importância balsa a força que tenho em saber que posso matar e morrer ao mesmo tempo; dualidade cartesiana imoral. A bandeira de minha nação é meu próprio crânio, meu brasão é meu corpo putrefato, minha honraria é ter deixado a vida de tantos honrados. Sou aquele que peca sem olhar a quem, sou o renegado ignóbil homem que dança na lama preta de um ritual. Nas trevas habito meu mundo, a desgraça teve que ser assim, o caixão teve que ser minha mansão e meu velório teve de ser meu baile de gala que tanto desejei.
194
O Poema do Morto
No caixão putrefato vou ficar
no ritmo da terra no corpo,
o ditirambo da inércia, matar.
Coveiro consolando o morto,
da funéria sombra etérea,
o divino esqueceu o cadáver
quando deu fruto a matéria;
Mornou a água do precaver,
ignorou as súplicas do filho
do fatídico Cristo-martírio.
Eu deveria sair do mausoléu,
mas, deixei os vermes no fel.
Caminhar no ritmo que a terra
sucumbiu minha veste férrea;
Coagir meu coração a bater
na força de bomba a crescer.
O segmento do meu crânio
quebra justaposto ao ânimo:
o sentimento de persistência
soterrado na clemência.
no ritmo da terra no corpo,
o ditirambo da inércia, matar.
Coveiro consolando o morto,
da funéria sombra etérea,
o divino esqueceu o cadáver
quando deu fruto a matéria;
Mornou a água do precaver,
ignorou as súplicas do filho
do fatídico Cristo-martírio.
Eu deveria sair do mausoléu,
mas, deixei os vermes no fel.
Caminhar no ritmo que a terra
sucumbiu minha veste férrea;
Coagir meu coração a bater
na força de bomba a crescer.
O segmento do meu crânio
quebra justaposto ao ânimo:
o sentimento de persistência
soterrado na clemência.
197
Infância
Garotinho regou a alegria inebrie,
Afagava seu tronco em seu brincar,
O lavro do cultivo, o fértil desabrochar.
Da terra pura frutou sua ávida febre.
Febre essa que queima sua inquietude,
Quando os feixes luzentes do sol
Dão combustão ao velho farol,
girando seu mundo na erma virtude.
Seu sorriso intuía o ato mais perene
Do mais querido, a inocência tão bela
Seu oceano era uma besteira singela,
Quando chorava ainda ficava tão serene.
Sua angústia era perder, não aceitava,
Menino que falava baixo, voz austera,
Silencioso comitê de sua quimera:
Mas quando fantasiava, sua asa voava.
Curiosamente sendo calado no meio,
Suas amizades não houveram limites,
como cavalos livres sem afoites;
A corrida dos ajustados não teve freio.
Com brinquedos, a fantasia final.
Dormia mais um dia na linha de frente,
Como convertia sua simples mente;
Na guerra contra o batalhão infernal.
Afagava seu tronco em seu brincar,
O lavro do cultivo, o fértil desabrochar.
Da terra pura frutou sua ávida febre.
Febre essa que queima sua inquietude,
Quando os feixes luzentes do sol
Dão combustão ao velho farol,
girando seu mundo na erma virtude.
Seu sorriso intuía o ato mais perene
Do mais querido, a inocência tão bela
Seu oceano era uma besteira singela,
Quando chorava ainda ficava tão serene.
Sua angústia era perder, não aceitava,
Menino que falava baixo, voz austera,
Silencioso comitê de sua quimera:
Mas quando fantasiava, sua asa voava.
Curiosamente sendo calado no meio,
Suas amizades não houveram limites,
como cavalos livres sem afoites;
A corrida dos ajustados não teve freio.
Com brinquedos, a fantasia final.
Dormia mais um dia na linha de frente,
Como convertia sua simples mente;
Na guerra contra o batalhão infernal.
191
O Ultimo Conto
Lágrima gelada faz derreter
o anjo da última lápide.
Gesso enfraquecido na força
da batida do último corvo,
na vertigem de sua asa,
a última morte;
nas rosas do último defunto,
o fim da primeira saudade.
Velório do assombro sujeito,
da sexta casa à direita,
donde residia a garota do
véu, aquela que faleceu
jurando vingança.
O pássaro morto no tapete
foi a prova do crime,
ninguém entendeu como,
mas assim foi o funesto fim.
Ela tinha o sonho do matrimônio,
ele, o vil desejo de suprimir.
No vai e vem da sanfona, a música
da vida os ensurdeceu;
o enterro do último corpo lava
a redenção da vingança, enquanto
o céu não obscurecer, a lágrima
reluzente do anjo não findará...
o mar de fogo; o primeiro sofrimento
do último engano.
o anjo da última lápide.
Gesso enfraquecido na força
da batida do último corvo,
na vertigem de sua asa,
a última morte;
nas rosas do último defunto,
o fim da primeira saudade.
Velório do assombro sujeito,
da sexta casa à direita,
donde residia a garota do
véu, aquela que faleceu
jurando vingança.
O pássaro morto no tapete
foi a prova do crime,
ninguém entendeu como,
mas assim foi o funesto fim.
Ela tinha o sonho do matrimônio,
ele, o vil desejo de suprimir.
No vai e vem da sanfona, a música
da vida os ensurdeceu;
o enterro do último corpo lava
a redenção da vingança, enquanto
o céu não obscurecer, a lágrima
reluzente do anjo não findará...
o mar de fogo; o primeiro sofrimento
do último engano.
189
Paredão
Lembranças de quando as paredes
das ruas eram a liberdade
que eu tinha, paredes de girassóis,
enriquecidos como o sol amarelado
nos antigos dias de verão.
Nostalgia familiar vieste debulhar
meu espírito, trazendo os grãos de
amargor; semeando a inação.
meu passado me condena!
Pois sem ele a vida não se move.
Estou trancada nas celas do paralisar:
O ruído das pessoas ensurdece a
sonoridade dos bem-te-vis
das gotículas de água na folha
e faz sangrar minha conexão
com o mundo.
Queria poder enxurdar meu amor
com a multidão, mas sou apedeuta.
Mormente quente no interior, mas
congelado pelo meu mitigado
violoncelo, que de suas cordas
foram fincadas na garganta do medo.
Tempo? Infindável passagem que
Distrai a minha carne.
das ruas eram a liberdade
que eu tinha, paredes de girassóis,
enriquecidos como o sol amarelado
nos antigos dias de verão.
Nostalgia familiar vieste debulhar
meu espírito, trazendo os grãos de
amargor; semeando a inação.
meu passado me condena!
Pois sem ele a vida não se move.
Estou trancada nas celas do paralisar:
O ruído das pessoas ensurdece a
sonoridade dos bem-te-vis
das gotículas de água na folha
e faz sangrar minha conexão
com o mundo.
Queria poder enxurdar meu amor
com a multidão, mas sou apedeuta.
Mormente quente no interior, mas
congelado pelo meu mitigado
violoncelo, que de suas cordas
foram fincadas na garganta do medo.
Tempo? Infindável passagem que
Distrai a minha carne.
206
Nono Soneto do Criador
Anjos de Deus em Bach engenham o baile divino,
harmonia ressoa e consoa o glossário do bem.
Diligente ser compõe harmonia vindoura aquém,
orquestra angelical fandanga com o concerto exímio.
Rei dos reis, Handel agita o baile profano,
aleluia aos guturais das impurezas patrióticas.
Liturgia nacional exprime as vidas escatológicas,
bastardos gloriosos exaltam a si: crasso engano.
Noturno eclipse de Chopin poetisa o monismo,
na vinda do homem romântico sentimento de dor.
Vemos que o patriotismo é insuficiente perante a Deus.
Da arte ao criador, teremos a vindoura força do otimismo,
mesclado com a responsabilidade pessimista do pecador.
De Handel a Haynd a criatura não é indelével perante aos seus.
harmonia ressoa e consoa o glossário do bem.
Diligente ser compõe harmonia vindoura aquém,
orquestra angelical fandanga com o concerto exímio.
Rei dos reis, Handel agita o baile profano,
aleluia aos guturais das impurezas patrióticas.
Liturgia nacional exprime as vidas escatológicas,
bastardos gloriosos exaltam a si: crasso engano.
Noturno eclipse de Chopin poetisa o monismo,
na vinda do homem romântico sentimento de dor.
Vemos que o patriotismo é insuficiente perante a Deus.
Da arte ao criador, teremos a vindoura força do otimismo,
mesclado com a responsabilidade pessimista do pecador.
De Handel a Haynd a criatura não é indelével perante aos seus.
206
A sinfonia última
Corda do celo rasga a nota,
do último trágico som,
mortal à alma já quase morta.
Mitigado no penumbre bom.
Fúnebre adágio nos ouvidos
é o turíbulo que pendula lembrança.
Nostalgia de dias anímicos,
marcados com pureza de criança.
Luctíssono é sensível ao toque.
Do garoto colérico ao austero sujeito,
escuro mundo de sentimento fechado.
Espelho manchado de desfoque,
é o reflexo penoso do homem afeito.
Sinfonia lamentosa do ser apartado.
do último trágico som,
mortal à alma já quase morta.
Mitigado no penumbre bom.
Fúnebre adágio nos ouvidos
é o turíbulo que pendula lembrança.
Nostalgia de dias anímicos,
marcados com pureza de criança.
Luctíssono é sensível ao toque.
Do garoto colérico ao austero sujeito,
escuro mundo de sentimento fechado.
Espelho manchado de desfoque,
é o reflexo penoso do homem afeito.
Sinfonia lamentosa do ser apartado.
222
Corvos (Wrony)
Como um corvo, sou solitária,
sempre nas frestas da rua.
Sou livre, mas trancada na cela
Maternal...
Quero ser amada como uma pétala,
onde o aroma agrada sua jardineira.
Quero voar feito um corvo nas paisagens,
das nuvens...
Os meus amigos imaginários validam
a falta de afago que vossa pessoa não deu;
desde do monstro do mar ao poliglota
gentil...
Mãe, por que tenho que jantar só?
O sabor desta sopa é intragável,
só porque você não está aqui.
Irei embora e não mais voltar!
Mãe...
Serei uma verdadeira mamãe;
como você nunca será.
Essa garotinha é minha filha e juntas,
transvoaremos o mundo como corvos
à beira do mar...
Apesar de tudo, sinto saudade da senhora.
A criança voltou para sua real progenitora.
O barco que nós velejaríamos, afundou;
junto com minha vida...
Eu também voltei, mas não quero saber
de broncas e nem de problemas.
Quero a senhora, a que realmente
é real e que fatalmente amo:
Mãe...
sempre nas frestas da rua.
Sou livre, mas trancada na cela
Maternal...
Quero ser amada como uma pétala,
onde o aroma agrada sua jardineira.
Quero voar feito um corvo nas paisagens,
das nuvens...
Os meus amigos imaginários validam
a falta de afago que vossa pessoa não deu;
desde do monstro do mar ao poliglota
gentil...
Mãe, por que tenho que jantar só?
O sabor desta sopa é intragável,
só porque você não está aqui.
Irei embora e não mais voltar!
Mãe...
Serei uma verdadeira mamãe;
como você nunca será.
Essa garotinha é minha filha e juntas,
transvoaremos o mundo como corvos
à beira do mar...
Apesar de tudo, sinto saudade da senhora.
A criança voltou para sua real progenitora.
O barco que nós velejaríamos, afundou;
junto com minha vida...
Eu também voltei, mas não quero saber
de broncas e nem de problemas.
Quero a senhora, a que realmente
é real e que fatalmente amo:
Mãe...
250
Sufocado por si
Palavras sufocam minha garganta,
ao mesmo tempo que querem sair,
ficam soterradas na ansiedade.
Obsoleta vida que desalenta,
olhando o horizonte...
ermo sofrimento a banhar-me;
preto é a cor dos meus ossos,
cinza a cor do meu mundo:
paisagem impressionista: minha vida.
Sufocado por si próprio, asma mortal,
olhando as estrelas...
linhas tortas descrevem o monólogo,
fatídico ser humano buscando o fim.
Monotonia mental, cotidiano vivo.
Musicalidade profunda me atinge,
vômito orquestral alivia meu sufoco;
no dó menor, ou nas batidas batedoras
a magia do entendimento permanece.
Olhando a desgraça...
Sou finito, sou pleno, sou tudo.
ao mesmo tempo que querem sair,
ficam soterradas na ansiedade.
Obsoleta vida que desalenta,
olhando o horizonte...
ermo sofrimento a banhar-me;
preto é a cor dos meus ossos,
cinza a cor do meu mundo:
paisagem impressionista: minha vida.
Sufocado por si próprio, asma mortal,
olhando as estrelas...
linhas tortas descrevem o monólogo,
fatídico ser humano buscando o fim.
Monotonia mental, cotidiano vivo.
Musicalidade profunda me atinge,
vômito orquestral alivia meu sufoco;
no dó menor, ou nas batidas batedoras
a magia do entendimento permanece.
Olhando a desgraça...
Sou finito, sou pleno, sou tudo.
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