Poemas neste tema
Paixão
Leny Mara Souza
A Procura de Você
Busco você.
Você!
Gente que é gente...
Amigo fiel,
companheiro,
amante...
Você!
Que esteja ao meu lado
Nas minhas angústias.
Você!
Que preenche o meu espaço vazio
Tornando-o ardente.
Você!
Que nas noites frias
Seja meu cobertor sereno.
Você!
Que no verão seja um vento
A acariciar minha pele.
Você!
Que respeita a minha individualidade
Você!
Que em todos os momentos
Esteja ao meu lado.
Você!
Que me ensine a
Ser sua amante
Apareça, por favor !
Ainda é tempo.
Você!
Gente que é gente...
Amigo fiel,
companheiro,
amante...
Você!
Que esteja ao meu lado
Nas minhas angústias.
Você!
Que preenche o meu espaço vazio
Tornando-o ardente.
Você!
Que nas noites frias
Seja meu cobertor sereno.
Você!
Que no verão seja um vento
A acariciar minha pele.
Você!
Que respeita a minha individualidade
Você!
Que em todos os momentos
Esteja ao meu lado.
Você!
Que me ensine a
Ser sua amante
Apareça, por favor !
Ainda é tempo.
870
Luiz Nogueira Barros
Do Encontro
Qual paisagem acontecida, rosa,
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.
Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.
E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires
era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.
Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.
E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires
era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.
1 023
Washington Queiroz
Andante
Ai que vontade de amar, de amar, de amar
como uma bola de sabão
que morre colorida
num dia totalmente azul!
como uma bola de sabão
que morre colorida
num dia totalmente azul!
789
Gláucia Lemos
Soneto á Fala
ou
Rota do Sol
Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.
Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.
Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.
Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!
12.07.96
Rota do Sol
Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.
Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.
Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.
Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!
12.07.96
1 249
Gláucia Lemos
Poema de uma Madrugada Lilás
Depois de ti todas as faces
estão transformadas.
Agora mesmo
um vendaval cavalga a madrugada lá fora.
Vergasta galhos e arrebata folhas
para cá do mar. Lá fora .
Mas entra no meu quarto
e está em mim.
Já não estou neste ermo,
parti para não sei, onde estiveres,
em algum lugar, num livro, num CD,
numa varanda talvez, ou numa sala.
Sei lá, onde estiveres...
Quatro séculos há em mim assassinados
e se rebelam,
e eu tenho que seguir
a me revelar na face de cristal
das tuas reminiscências
onde
ainda ontem grafaste o meu abraço.
E, não sei, não sei,
se do labirinto em que me enredei
ou me enredaste em saliva e carinho,
é possível sair.
Está escrito que eu tenho que seguir.
Mas não entendo
porque não te esperei pra vir contigo.
No entanto eu te amei.
Te reconheço.
Em segredo te amei.
Em silêncio te amei
Te amei em insônias,
e em confissão me amaste.
Talvez ainda...
Chove na madrugada do meu bairro.
Ainda sinto vibrando nos meus braços
a eletricidade do teu gozo
em um tempo que não marco
inscrito em algum tempo.
Nunca mais, nunca mais
terei nos olhos a angústia
ansiosa dos contidos
nem a placidez dos moribundos.
Nunca mais a morte dos que se perderam
sem direção.
Agora esta loucura
de pássaro distante
que conhece o seu rumo e sabe
o seu destino
e em vôo cego, desconhece o espaço.
Agora nos meus olhos
esta loucura
ansiedade de te ter e te guardar
do meu jeito.
Depois de ti nunca mais serei eu.
Serei só madrugada em insônia
e temporal
serei dor e dúvida e busca
e o repouso e a paz do teu encontro
e despedida e ansiedade nova e repetida,
e depois, e depois...
até quando?
Por que amar com lágrimas e esperas?
Por que amar nas noites deste quarto
em silêncio de trevas?
Se sei que a tua luz
bruxuleia no âmago do meu corpo
e se funde com a minha luz,
mas é quase um punhal
me ensinando a morrer.
Por que meu tormento e meu cárcere frio
se estás por aí
e eu te dou o meu colo e o meu beijo
e te abrigo
na febre do meu peito
e nas águas do meu ninho,
como em pia batismal de um só desejo.
Ah...
Não sabes de tempestades...
E se sabes
não entendes da minha tempestade
toda feita de perdão e de pedidos.
Quem tomará teu corpo a acarinhar teu dorso
como quem mata
o meu pedaço amado?
Se eu te protejo qual leoa brava
tomada de ciúmes...
Depois de ti nunca mais outra face de vida
haverá.
Só esta loucura que me faz servida
entre valvas de conchas
a ti
a teu querer
à tua espera.
(madrugada de 18.05.96)
estão transformadas.
Agora mesmo
um vendaval cavalga a madrugada lá fora.
Vergasta galhos e arrebata folhas
para cá do mar. Lá fora .
Mas entra no meu quarto
e está em mim.
Já não estou neste ermo,
parti para não sei, onde estiveres,
em algum lugar, num livro, num CD,
numa varanda talvez, ou numa sala.
Sei lá, onde estiveres...
Quatro séculos há em mim assassinados
e se rebelam,
e eu tenho que seguir
a me revelar na face de cristal
das tuas reminiscências
onde
ainda ontem grafaste o meu abraço.
E, não sei, não sei,
se do labirinto em que me enredei
ou me enredaste em saliva e carinho,
é possível sair.
Está escrito que eu tenho que seguir.
Mas não entendo
porque não te esperei pra vir contigo.
No entanto eu te amei.
Te reconheço.
Em segredo te amei.
Em silêncio te amei
Te amei em insônias,
e em confissão me amaste.
Talvez ainda...
Chove na madrugada do meu bairro.
Ainda sinto vibrando nos meus braços
a eletricidade do teu gozo
em um tempo que não marco
inscrito em algum tempo.
Nunca mais, nunca mais
terei nos olhos a angústia
ansiosa dos contidos
nem a placidez dos moribundos.
Nunca mais a morte dos que se perderam
sem direção.
Agora esta loucura
de pássaro distante
que conhece o seu rumo e sabe
o seu destino
e em vôo cego, desconhece o espaço.
Agora nos meus olhos
esta loucura
ansiedade de te ter e te guardar
do meu jeito.
Depois de ti nunca mais serei eu.
Serei só madrugada em insônia
e temporal
serei dor e dúvida e busca
e o repouso e a paz do teu encontro
e despedida e ansiedade nova e repetida,
e depois, e depois...
até quando?
Por que amar com lágrimas e esperas?
Por que amar nas noites deste quarto
em silêncio de trevas?
Se sei que a tua luz
bruxuleia no âmago do meu corpo
e se funde com a minha luz,
mas é quase um punhal
me ensinando a morrer.
Por que meu tormento e meu cárcere frio
se estás por aí
e eu te dou o meu colo e o meu beijo
e te abrigo
na febre do meu peito
e nas águas do meu ninho,
como em pia batismal de um só desejo.
Ah...
Não sabes de tempestades...
E se sabes
não entendes da minha tempestade
toda feita de perdão e de pedidos.
Quem tomará teu corpo a acarinhar teu dorso
como quem mata
o meu pedaço amado?
Se eu te protejo qual leoa brava
tomada de ciúmes...
Depois de ti nunca mais outra face de vida
haverá.
Só esta loucura que me faz servida
entre valvas de conchas
a ti
a teu querer
à tua espera.
(madrugada de 18.05.96)
1 399
Lígia Diniz
Querer
Há certas coisas que não cabem em uma linha
Não cabem em uma estrofe
Não cabem em um poema,
em mil poemas.
Não cabem em uma idéia
Não cabem em uma alma,
em um corpo, em mil corpos
Há certas coisas que se chamam,
sem se chamar - não cabem em um nome -
Se chamam fogo.
Não cabem em uma estrofe
Não cabem em um poema,
em mil poemas.
Não cabem em uma idéia
Não cabem em uma alma,
em um corpo, em mil corpos
Há certas coisas que se chamam,
sem se chamar - não cabem em um nome -
Se chamam fogo.
1 073
Lígia Diniz
Por Você
Mas o que sinto acima de tudo é medo
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
848
Lêdo Ivo
Os Peixes
Os peixes estão no lago, os dardos escondidos.
Entre as pedras e o lodo eles avançam
túrgidos como o amor.
Venha a mão do desejo turvar a água clara
e eles serão o amor, o sol que penetra em gretas
nupciais,
as espadas cobertas de saliva.
Entre as pedras e o lodo eles avançam
túrgidos como o amor.
Venha a mão do desejo turvar a água clara
e eles serão o amor, o sol que penetra em gretas
nupciais,
as espadas cobertas de saliva.
1 665
Lêdo Ivo
De teef
Aangeirokken door de geur van bloed uit haar ingewanden
volgen de honden de bronstige teci als vormden ze de hofstoet
van cen zwarte koningin. En ze besnuffeien haar met een een
obsceen bewegen
dat wij misschien liefde zouderi moeten noemen.
De teef wendt voor dat de belagers haar vervelen
en verlokt ai weigerend, ais veelgevraagde vrouwen.
Een penetrante lucht van leven begeleidt haar
tussen de twee zonnen die het verstrijken van de dag begrenzen.
‘s Avonds, wanneer ze wordt opgesloten in de schuur,
blijven de honden buiten, ontroostbaar en trouw.
En hun huilen in het duister leert ons
dat liefde een nutteloze passie is, een gesloten deur.
A cadela Poema em Português
volgen de honden de bronstige teci als vormden ze de hofstoet
van cen zwarte koningin. En ze besnuffeien haar met een een
obsceen bewegen
dat wij misschien liefde zouderi moeten noemen.
De teef wendt voor dat de belagers haar vervelen
en verlokt ai weigerend, ais veelgevraagde vrouwen.
Een penetrante lucht van leven begeleidt haar
tussen de twee zonnen die het verstrijken van de dag begrenzen.
‘s Avonds, wanneer ze wordt opgesloten in de schuur,
blijven de honden buiten, ontroostbaar en trouw.
En hun huilen in het duister leert ons
dat liefde een nutteloze passie is, een gesloten deur.
A cadela Poema em Português
1 196
Luís Delfino
A Primeira Lágrima
Quando a primeira lágrima caindo,
Pisou a face da mulher primeira,
O rosto dela assim ficou tão lindo
E Adão beijou-a de uma tal maneira,
Que anjos e Tronos pelo espaço infindo
Qual rompe a catadupa prisioneira,
As seis asas de azul e douro abrindo,
Fugiram numa esplêndida carreira.
Alguns, pousando à próxima montanha,
Queriam ver de perto os condenados
Da dor fazendo uma alegria estranha.
E ante o rumor dos ósculos dobrados,
Todos queriam punição tamanha,
Ansiosos, mudos, trêmulos, Pasmados..
Pisou a face da mulher primeira,
O rosto dela assim ficou tão lindo
E Adão beijou-a de uma tal maneira,
Que anjos e Tronos pelo espaço infindo
Qual rompe a catadupa prisioneira,
As seis asas de azul e douro abrindo,
Fugiram numa esplêndida carreira.
Alguns, pousando à próxima montanha,
Queriam ver de perto os condenados
Da dor fazendo uma alegria estranha.
E ante o rumor dos ósculos dobrados,
Todos queriam punição tamanha,
Ansiosos, mudos, trêmulos, Pasmados..
1 787
Lígia Diniz
Enquanto
Por me dares sempre teu riso
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
863
Luís Delfino
Que Vos Daria?
Se tiverdes um dia um capricho, senhora,
Um capricho, um delírio, uma vontade enfim,
Não exijas o carro azul que monta a Aurora
Nem da estrela da tarde o plaustro de marfim;
Nem o mar, que murmura e aí vai por mar em fora
Nem o céu doutros céus, elos de céu sem fim,
Que se isso fosse meu, já vosso, há muito, fôra.
Fôra vosso o que é grande e anda em torno de mim...
Mostrásseis num só gesto ingênuo, um só desejo...
O universo que vejo e os outros que não vejo
Sofreriam por vós vosso último desdém.
Que faríeis dos sóis, grãos vis de areias douro
Mulher! Pedi-me um beijo e vereis o tesouro
Que um beijo encerra e o amor que um coração contém.
Um capricho, um delírio, uma vontade enfim,
Não exijas o carro azul que monta a Aurora
Nem da estrela da tarde o plaustro de marfim;
Nem o mar, que murmura e aí vai por mar em fora
Nem o céu doutros céus, elos de céu sem fim,
Que se isso fosse meu, já vosso, há muito, fôra.
Fôra vosso o que é grande e anda em torno de mim...
Mostrásseis num só gesto ingênuo, um só desejo...
O universo que vejo e os outros que não vejo
Sofreriam por vós vosso último desdém.
Que faríeis dos sóis, grãos vis de areias douro
Mulher! Pedi-me um beijo e vereis o tesouro
Que um beijo encerra e o amor que um coração contém.
1 350
Laura Amélia Damous
Oferenda
Venho te oferecer meu coração
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol
1 329
Laura Amélia Damous
Ânfora
Nem percebeste a leve brisa.
Eu
que sou tormenta
fúria e vento.
Só tu
cabes em mim.
Eu
que sou tormenta
fúria e vento.
Só tu
cabes em mim.
939
Valéry Larbaud
Noturno
Os teus noturnos lábios débeis pedem
Satisfações exangues aos motéis.
Na aurora fogem magros menestréis
Cantando por Sodoma um novo Édem.
O espaço singra, as borboletas medem,
Nos ares cantam teus azuis pincéis,
Estrelas giram como carrosséis
De brinquedos de sol que os Fados cedem.
Os teus verdes-vermelhos lábios bebo
E, atrás, a Lua grávida percebo
A festejar meus ócios estivais.
A Cruz nos fere como agudo açoite
No brilho de funéreos carnavais
Ao vento frio e roxo desta noite.
Satisfações exangues aos motéis.
Na aurora fogem magros menestréis
Cantando por Sodoma um novo Édem.
O espaço singra, as borboletas medem,
Nos ares cantam teus azuis pincéis,
Estrelas giram como carrosséis
De brinquedos de sol que os Fados cedem.
Os teus verdes-vermelhos lábios bebo
E, atrás, a Lua grávida percebo
A festejar meus ócios estivais.
A Cruz nos fere como agudo açoite
No brilho de funéreos carnavais
Ao vento frio e roxo desta noite.
1 008
José de Paula Ramos Jr.
Epifania
Ninfa da manhã, matinal magia,
miragem na bruma plúmbea.
À margem do trêfego tráfego,
que trepida estremunhado,
esvoaças distraída na calçada,
como um langoroso sonho.
..........................................
Solavancos no meu coração.
miragem na bruma plúmbea.
À margem do trêfego tráfego,
que trepida estremunhado,
esvoaças distraída na calçada,
como um langoroso sonho.
..........................................
Solavancos no meu coração.
1 016
Janete Rodrigues Ribeiro
Busca
Ah! Quisera me perder na noite dos tempos
Correndo ligeira e leve como os ventos
Procurando a linha do horizonte
Buscando do amor, a verdadeira fonte!
Ah! Quisera doar-me assim, por inteira,
E apresentar-me doce, suave,
como a lua, faceira,
Ao meu amor primeiro, amor emoção,
Que fizesse vibrar todas as fibras do meu coração!
Ah! Quisera num abraço final
De tua vida, ser a medida do sal,
E num beijo, jurando eterna paixão,
Entregar-me em teus braços,
de alma e coração!
Correndo ligeira e leve como os ventos
Procurando a linha do horizonte
Buscando do amor, a verdadeira fonte!
Ah! Quisera doar-me assim, por inteira,
E apresentar-me doce, suave,
como a lua, faceira,
Ao meu amor primeiro, amor emoção,
Que fizesse vibrar todas as fibras do meu coração!
Ah! Quisera num abraço final
De tua vida, ser a medida do sal,
E num beijo, jurando eterna paixão,
Entregar-me em teus braços,
de alma e coração!
897
José Eustáquio da Silva
Entenda-me
vasculha-me e adentre meu passado,
me chame de culpado
por meus erros infantis.
bata-me, cuspa em minha cara, me odeie
me chama de canalha por tudo
que outrora fiz.
invada minha vida como espiã
abra minhas gavetas, leia minhas cartas
e me ame.
me ame com a fúria
que o ciúme concerne
e me deseje, me deseje
como quem quer outro homem...
me fale palavrões, me transe obscena.
me fale quão importante sou para ti
me ame querendo ser selvagemente
possuída
por teu poeta que finge de fingir...
me veja, me beija, me tenha por inteiro.
sou teu, sem censuras ou pudores.
sou teu par, teu tigre e teu chegar
sou teu silêncio
quando nada quiseres escutar
enfim, sou um poeta, teu poeta
que sequer pensa em limites...
portanto (minha louca),
mesmo onde nada existir
por certo eu estarei presente
pronto para te fazer mulher.
me chame de culpado
por meus erros infantis.
bata-me, cuspa em minha cara, me odeie
me chama de canalha por tudo
que outrora fiz.
invada minha vida como espiã
abra minhas gavetas, leia minhas cartas
e me ame.
me ame com a fúria
que o ciúme concerne
e me deseje, me deseje
como quem quer outro homem...
me fale palavrões, me transe obscena.
me fale quão importante sou para ti
me ame querendo ser selvagemente
possuída
por teu poeta que finge de fingir...
me veja, me beija, me tenha por inteiro.
sou teu, sem censuras ou pudores.
sou teu par, teu tigre e teu chegar
sou teu silêncio
quando nada quiseres escutar
enfim, sou um poeta, teu poeta
que sequer pensa em limites...
portanto (minha louca),
mesmo onde nada existir
por certo eu estarei presente
pronto para te fazer mulher.
1 019
João Marcio Furtado Costa
Amartemática
Amartemática
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.
664
João Gulart de Souza Gomos
a insustentável leveza do amor
Que ninguém saiba:
falo dos teus olhos
Terras castanhas, precipício de almas;
Que ninguém veja:
falo do teu riso
Oceano de ritmos, vertigem e calma.
Que ninguém ouça:
falo da tua voz
Perdição de Ulisses em alto mar;
Que ninguém toque:
falo das tuas mãos
Recriar do mundo, elementar.
Que ninguém sinta:
falo da tua boca
Pura seda, roçar de borboletas;
Que ninguém aspire:
falo do teu cheiro
Inspiração eterna de poetas.
Que ninguém ouse:
falo do teu corpo
Porção visível do infinito;
Que ninguém duvide:
falo do que sinto
Amor assim não houve, mais bonito.
Que ninguém entenda:
o amor é um hiato
Entre o vivido e o sonhado;
Que ninguém tema:
o amor é imponderável
Fluido, muito além do leve ou do pesado.
Goulart Gomes, Salvador, BA
falo dos teus olhos
Terras castanhas, precipício de almas;
Que ninguém veja:
falo do teu riso
Oceano de ritmos, vertigem e calma.
Que ninguém ouça:
falo da tua voz
Perdição de Ulisses em alto mar;
Que ninguém toque:
falo das tuas mãos
Recriar do mundo, elementar.
Que ninguém sinta:
falo da tua boca
Pura seda, roçar de borboletas;
Que ninguém aspire:
falo do teu cheiro
Inspiração eterna de poetas.
Que ninguém ouse:
falo do teu corpo
Porção visível do infinito;
Que ninguém duvide:
falo do que sinto
Amor assim não houve, mais bonito.
Que ninguém entenda:
o amor é um hiato
Entre o vivido e o sonhado;
Que ninguém tema:
o amor é imponderável
Fluido, muito além do leve ou do pesado.
Goulart Gomes, Salvador, BA
909
João Marcio Furtado Costa
Reflexão
Reflexão
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
863
João Gulart de Souza Gomos
blas fêmea
Há uma vastidão de desejos
entre os teus seios...
...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?
E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.
Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens
(não são para mim, demasiado humano)
mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis
Goulart Gomes, Salvador, BA
entre os teus seios...
...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?
E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.
Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens
(não são para mim, demasiado humano)
mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis
Goulart Gomes, Salvador, BA
914
José Eduardo Mendes Camargo
Encantamento
Fechei os olhos para me proteger
de tua presença sedutora,
Mas qual o quê, foi aí que me danei.
Surgiste evanescente, flutuando no horizonte, qual
estrela ascendente trazendo novas luzes ao firmamento.
O teu corpo tinha mais forma e graça
que a nuvem esculpida pelo vento.
Os teus olhos, mais ternura que as noites de lua cheia.
Então, vencido por este encantamento,
abri os olhos e me entreguei.
de tua presença sedutora,
Mas qual o quê, foi aí que me danei.
Surgiste evanescente, flutuando no horizonte, qual
estrela ascendente trazendo novas luzes ao firmamento.
O teu corpo tinha mais forma e graça
que a nuvem esculpida pelo vento.
Os teus olhos, mais ternura que as noites de lua cheia.
Então, vencido por este encantamento,
abri os olhos e me entreguei.
919
José Eduardo Mendes Camargo
Cigana
Chegaste tímida, descalça e com lascívia no andar
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
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