Poemas neste tema
Esperança e Otimismo
Machado de Assis
Pássaros
Je veux changer mes pensées en oiseaux.
C. MAROT
Olha como, cortando os leves ares,
Passam do vale ao monte as andorinhas;
Vão pousar na verdura dos palmares,
Que, à tarde, cobre transparente véu;
Voam também como essas avezinhas
Meus sombrios, meus tristes pensamentos;
Zombam da fúria dos contrários ventos,
Fogem da terra, acercam-se do céu.
Porque o céu é também aquela estância
Onde respira a doce criatura,
Filha do nosso amor, sonho da infância,
Pensamento dos dias juvenis.
Lá, como esquiva flor, formosa e pura,
Vives tu escondida entre a folhagem,
Ó rainha do ermo, ó fresca imagem
Dos meus sonhos de amor calmo e feliz!
Vão para aquela estância enamorados,
Os pensamentos de minh'alma ansiosa;
Vão contar-lhe os meus dias gozados
E estas noites de lágrimas e dor.
Na tua fronte pousarão, mimosa,
Como as aves no cimo da palmeira,
Dizendo aos ecos a canção primeira
De um livro escrito pela mão do amor.
Dirão também como conservo ainda
No fundo de minh'alma essa lembrança
De tua imagem vaporosa e linda,
Único alento que me prende aqui.
E dirão mais que estrelas de esperança
Enchem a escuridão das noites minhas.
Como sobem ao monte as andorinhas,
Meus pensamentos voam para ti.
Publicado no livro Falenas: Vária, Lira Chinesa, Uma Ode a Anacreonte, Pálida Elvira (1870). Poema integrante da série Vária.
In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Org. Afrânio Coutinho. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 v.3, p.51-52. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira
C. MAROT
Olha como, cortando os leves ares,
Passam do vale ao monte as andorinhas;
Vão pousar na verdura dos palmares,
Que, à tarde, cobre transparente véu;
Voam também como essas avezinhas
Meus sombrios, meus tristes pensamentos;
Zombam da fúria dos contrários ventos,
Fogem da terra, acercam-se do céu.
Porque o céu é também aquela estância
Onde respira a doce criatura,
Filha do nosso amor, sonho da infância,
Pensamento dos dias juvenis.
Lá, como esquiva flor, formosa e pura,
Vives tu escondida entre a folhagem,
Ó rainha do ermo, ó fresca imagem
Dos meus sonhos de amor calmo e feliz!
Vão para aquela estância enamorados,
Os pensamentos de minh'alma ansiosa;
Vão contar-lhe os meus dias gozados
E estas noites de lágrimas e dor.
Na tua fronte pousarão, mimosa,
Como as aves no cimo da palmeira,
Dizendo aos ecos a canção primeira
De um livro escrito pela mão do amor.
Dirão também como conservo ainda
No fundo de minh'alma essa lembrança
De tua imagem vaporosa e linda,
Único alento que me prende aqui.
E dirão mais que estrelas de esperança
Enchem a escuridão das noites minhas.
Como sobem ao monte as andorinhas,
Meus pensamentos voam para ti.
Publicado no livro Falenas: Vária, Lira Chinesa, Uma Ode a Anacreonte, Pálida Elvira (1870). Poema integrante da série Vária.
In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Org. Afrânio Coutinho. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 v.3, p.51-52. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira
3 208
1
Torquato Neto
Lua Nova
é lua nova
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você
andei perdido
nas veredas da saudade
veio o dia, veio a tarde
veio a noite e me cobriu
é lua nova
nesta noite derradeira
vou-me embora dentro dela
perguntar por quem te viu
é lua nova
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você
essa noite é que é meu dia
essa lua é quem me guia
e você é meu amor
vou pela estrada tão comprida
quem me diz não ser perdida
essa viagem em que eu vou
é lua nova
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você.
In: TORQUATO NETO. Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro. Org. Ana Maria S. de Araújo Duarte e Waly Salomão. 2.ed. rev. e aum. São Paulo: M. Limonad, 1982
NOTA: Música de Edu Lob
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você
andei perdido
nas veredas da saudade
veio o dia, veio a tarde
veio a noite e me cobriu
é lua nova
nesta noite derradeira
vou-me embora dentro dela
perguntar por quem te viu
é lua nova
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você
essa noite é que é meu dia
essa lua é quem me guia
e você é meu amor
vou pela estrada tão comprida
quem me diz não ser perdida
essa viagem em que eu vou
é lua nova
é noite derradeira
vou passar a vida inteira
esperando por você.
In: TORQUATO NETO. Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro. Org. Ana Maria S. de Araújo Duarte e Waly Salomão. 2.ed. rev. e aum. São Paulo: M. Limonad, 1982
NOTA: Música de Edu Lob
2 704
1
Paulo Leminski
às vezes penso que as melhores inteligências
(...)
às vezes penso que as melhores inteligências como as nossas são
você riso caetano gil alice waly duda pedrinho sebastião
etc etc etc
etc etc
etc
não deviam se ocupar de arte/literatura/SIGNO
deviam partir para a militância
aplicar-se numa militância
A REVOLUÇÃO É SEMPRE NO PLANO PRAGMÁTICO DA MENSAGEM
o que interessa, o que a gente quer, no fundo, é MUDAR A VIDA
alterar as relações de propriedade a distribuição das riquezas
os equilíbrios de poder entre classe e classe nação e nação
este é o grande Poema: nossos poemas são índices dele
meramente
nossa poesia tem que estar a serviço de uma Utopia
ou como v. disse de uma ESPERANÇA
é isso que quero dizer quando falo
que o poeta para ser poeta tem que ser mais que poeta
é preciso deixar que a História chegue em você
dê choque em você
te chame te eleja te corteje
te envolva e te engaje
uma coisa pode ter certeza:
nascemos na classe errada
estou tomando o máximo de cuidado
para que tudo isso que estou dizendo
saia sem o menor resquício de stalinismo
sectarismo esquerdofrênico
and so on
mas não dá para jogar fora esse lance
nós que temos o know-how e o dont-know-how
temos que ter esse what
esse whatever it is
dont you think so?
chega de sutilezas críticas
com meia dúzia de slogans verdadeiros na cabeça
cerco a montanha
ponho cerco às fortificações
tomo a posição e a defendo
os patriarcas já teorizaram bastante por nós
foi seu martírio
estamos dentro de uma onda
uma grande vaga atlântica
me leva do pacífico
até as praias da Atlântida (a Terra Santa)
talvez não haja mais tempo
para grandes GESTOS INAUGURAIS
como a poesia concreta foi
a antropofagia foi
a tropicália foi
agora é tudo assim
ninguém sabe
as certezas se evaporam
que a estátua da liberdade
e a estátua do rigor
velem por todos nós
amor abraços
Leminski
Imagem - 00590007
In: LEMINSKI, Paulo. Uma carta e uma brasa através: cartas a Régis Bonvicino, 1976-1981. Seleção, introdução e notas de Régis Bonvicino. São Paulo: Iluminuras, 1992. p. 42-44
às vezes penso que as melhores inteligências como as nossas são
você riso caetano gil alice waly duda pedrinho sebastião
etc etc etc
etc etc
etc
não deviam se ocupar de arte/literatura/SIGNO
deviam partir para a militância
aplicar-se numa militância
A REVOLUÇÃO É SEMPRE NO PLANO PRAGMÁTICO DA MENSAGEM
o que interessa, o que a gente quer, no fundo, é MUDAR A VIDA
alterar as relações de propriedade a distribuição das riquezas
os equilíbrios de poder entre classe e classe nação e nação
este é o grande Poema: nossos poemas são índices dele
meramente
nossa poesia tem que estar a serviço de uma Utopia
ou como v. disse de uma ESPERANÇA
é isso que quero dizer quando falo
que o poeta para ser poeta tem que ser mais que poeta
é preciso deixar que a História chegue em você
dê choque em você
te chame te eleja te corteje
te envolva e te engaje
uma coisa pode ter certeza:
nascemos na classe errada
estou tomando o máximo de cuidado
para que tudo isso que estou dizendo
saia sem o menor resquício de stalinismo
sectarismo esquerdofrênico
and so on
mas não dá para jogar fora esse lance
nós que temos o know-how e o dont-know-how
temos que ter esse what
esse whatever it is
dont you think so?
chega de sutilezas críticas
com meia dúzia de slogans verdadeiros na cabeça
cerco a montanha
ponho cerco às fortificações
tomo a posição e a defendo
os patriarcas já teorizaram bastante por nós
foi seu martírio
estamos dentro de uma onda
uma grande vaga atlântica
me leva do pacífico
até as praias da Atlântida (a Terra Santa)
talvez não haja mais tempo
para grandes GESTOS INAUGURAIS
como a poesia concreta foi
a antropofagia foi
a tropicália foi
agora é tudo assim
ninguém sabe
as certezas se evaporam
que a estátua da liberdade
e a estátua do rigor
velem por todos nós
amor abraços
Leminski
Imagem - 00590007
In: LEMINSKI, Paulo. Uma carta e uma brasa através: cartas a Régis Bonvicino, 1976-1981. Seleção, introdução e notas de Régis Bonvicino. São Paulo: Iluminuras, 1992. p. 42-44
2 011
1
Capinan
Ponteio, 1967
Era um, era dois, era cem
era o mundo chegando e ninguém
que soubesse que eu sou violeiro
que me desse amor ou dinheiro
era um, era dois, era cem
e vieram pra me perguntar
ô você de onde vai, de onde vem
diga logo o que tem pra contar
parado no meio do mundo
pensei chegar meu momento
olhei pro mundo e nem via
nem sombra, nem sol, nem vento
quem me dera agora
eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
(refrão)
Era um dia, era claro, quase meio
era um canto calado, sem ponteio
violência, viola, violeiro
era noite em redor, mundo inteiro
era um que jurou me quebrar
mas não me lembro de dor ou receio
só sabia das ondas do mar
jogaram a viola no mundo
mas fui lá no fundo buscar
se tomo a viola eu ponteio
meu canto não posso parar, não
(refrão)
Era um, era dois, era cem
era um dia, era claro, quase meio
encerrar meu canto já convém
prometendo um novo ponteio
certo dia que sei por inteiro
eu espero não vai demorar
este dia estou certo que vem
digo logo que vim pra buscar
correndo no meio do mundo
não deixo a viola de lado
vou ver o tempo mudado
e um novo lugar pra cantar
(refrão)
In: AGUIAR, Joaquim Alves de. Panorama da música popular brasileira. In: BRASIL: o trânsito da memória. Organização de Jorge Schwartz e Saúl Sosnowski. São Paulo: Edusp, 1994. p. 170-171
NOTA: Parceria com Edu Lob
era o mundo chegando e ninguém
que soubesse que eu sou violeiro
que me desse amor ou dinheiro
era um, era dois, era cem
e vieram pra me perguntar
ô você de onde vai, de onde vem
diga logo o que tem pra contar
parado no meio do mundo
pensei chegar meu momento
olhei pro mundo e nem via
nem sombra, nem sol, nem vento
quem me dera agora
eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
(refrão)
Era um dia, era claro, quase meio
era um canto calado, sem ponteio
violência, viola, violeiro
era noite em redor, mundo inteiro
era um que jurou me quebrar
mas não me lembro de dor ou receio
só sabia das ondas do mar
jogaram a viola no mundo
mas fui lá no fundo buscar
se tomo a viola eu ponteio
meu canto não posso parar, não
(refrão)
Era um, era dois, era cem
era um dia, era claro, quase meio
encerrar meu canto já convém
prometendo um novo ponteio
certo dia que sei por inteiro
eu espero não vai demorar
este dia estou certo que vem
digo logo que vim pra buscar
correndo no meio do mundo
não deixo a viola de lado
vou ver o tempo mudado
e um novo lugar pra cantar
(refrão)
In: AGUIAR, Joaquim Alves de. Panorama da música popular brasileira. In: BRASIL: o trânsito da memória. Organização de Jorge Schwartz e Saúl Sosnowski. São Paulo: Edusp, 1994. p. 170-171
NOTA: Parceria com Edu Lob
2 063
1
Henriqueta Lisboa
Ciranda de Mariposas
Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.
Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.
Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.
Publicado no livro O Menino Poeta (1943).
In: LISBOA, Henriqueta. O menino poeta. Ed. esp. ampl. Introd. Alaíde Lisboa de Oliveira. Il. Odila Fontes. Belo Horizonte: Impr. Oficial, 1975. p.129
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.
Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.
Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.
Publicado no livro O Menino Poeta (1943).
In: LISBOA, Henriqueta. O menino poeta. Ed. esp. ampl. Introd. Alaíde Lisboa de Oliveira. Il. Odila Fontes. Belo Horizonte: Impr. Oficial, 1975. p.129
2 784
1
Mariazinha Congílio
Intermezzo
Ave aprisionada
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
1 028
1
Angela Santos
Transparências
Na
bruma
de um qualquer horizonte
não me quero perder
pelo sonho se vislumbra já
novo oriente das descobertas.
Pedras raras, essências,
sedas naturais num corpo
porto e navio…
ò transparências matinais
aqui vos aguardo…
levantar ferros, navegar
esse é o destino.
bruma
de um qualquer horizonte
não me quero perder
pelo sonho se vislumbra já
novo oriente das descobertas.
Pedras raras, essências,
sedas naturais num corpo
porto e navio…
ò transparências matinais
aqui vos aguardo…
levantar ferros, navegar
esse é o destino.
732
1
Angela Santos
Cristais
Abri nossos
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
1 216
1
Angela Santos
Odes de Luz
Ia pelas praças que inventava
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
acordando uma saudade antiga…
manhãs de sol, a orla da praia
luz e cores pela alma bebidas
e o tempo a escoar-se lento
num vago murmúrio de eras perdidas
ressurgindo, assim, o canto e o sol
odes de luz reflectiam…
os olhos curados renegavam sombras
e outra vez e outra
acreditar podiam.
879
1
Odylo Costa Filho
Paz de Amor
Calemos esta paz como um segredo
de amor feliz. Não seja este silêncio
ponto final em nosso terno enredo:
não nos encerre o amor, antes condense-o.
Olhemo-nos nos olhos face a face.
sem recuar surpresos como o amigo
que de repente no outro deparasse
apenas o lembrar do tempo antigo.
Não. Sempre em nós renascerão searas.
novas chuvas trarão nova colheita.
folhas novas, translúcidas e raras.
E brotará da tua mão direita
água súbita e casta do rochedo
um novo amor, que vença a morte e o medo.
de amor feliz. Não seja este silêncio
ponto final em nosso terno enredo:
não nos encerre o amor, antes condense-o.
Olhemo-nos nos olhos face a face.
sem recuar surpresos como o amigo
que de repente no outro deparasse
apenas o lembrar do tempo antigo.
Não. Sempre em nós renascerão searas.
novas chuvas trarão nova colheita.
folhas novas, translúcidas e raras.
E brotará da tua mão direita
água súbita e casta do rochedo
um novo amor, que vença a morte e o medo.
1 521
1
Silvaney Paes
Vieram me Dizer
Vieram
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
me dizer...
Que onde pisei e dancei
Nasceram apenas espinhos;
Que não respeitei o tempo,
Diziam eles,
Da semeadura dos sonhos;
Que a vida é uma semente de ilusão
E que a felicidade
Alcança melhor aos tolos;
Que descobriria,
À priori,
"Que nunca mais",
De regra, é pouco tempo,
E que ele escoa indiferente
A minha vaidade
Ou a outras pretensões humanas,
E que dito tempo é reto,
Mesmo parecendo cumprir um círculo,
Vicioso...
Vieram me dizer...
Que esta minha espinha,
Dagora arqueada,
Tinha a finalidade
De virar uma estrada
Asfaltada por mágoas,
Alento doutras almas;
Que cada castelo de sonho
E todas as pontes imaginárias,
Que ergui,
Ruiriam todas,
Mas na verdade elas nunca me abrigaram,
Nunca me levaram a lugar nenhum;
Que uma estrada é dispensável
Se não pode nos levar a um destino,
Mas ela pode servir para voltar um dia;
Que as lágrimas que eu possa ter chorado,
Tornaram-me mais leve
Depois de exausto,
E por isso não fiquei de todo prostrado,
Embora continue perdido...
Vieram me dizer...
Que essa fome de ir embora
Colocaria meu coração de joelhos,
Estão em carne viva;
Que de joelhos
Poderia erguer preces,
Mas acabei encontrando Deus,
Não no princípio,
Ao final de tudo,
Quando, aquilo que nunca tive.
Já me bastava para levantar;
Que não basta estar faminto
E ter diante de si o melhor manjar,
Careceria querer comer,
Pois cada qual sabe da dor de sua fome
Ou de suas feridas;
Que essa fome de vida me atormentaria,
E só seria consumida com o ar que respiro
E a luz que vislumbro,
E que embora seja ferida aberta,
Sangrando...
Seria o alento de viva dor,
Uma esperança de redenção
Que também carrego,
Ar, esperança...
Continuo esperando.
874
1
Silvaney Paes
Teu Silêncio
Mulher...
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
Se Algum dia
Ferir-te o peito,
A minha língua manca,
E me ferires de silêncio,
Coloca na ferida aberta
Os sentimentos,
Como o melhor ungüento,
Não os concebi à contra-gotas
E os enviei em grandes somas,
Em assomos, perdidos na linguagem,
Que regurgitei nas poesias
Que a ti, eu, dediquei.
Mulher...
Se abrires os olhos
Por detrás da carne,
Verás que foram dentre eles
A jóia que considerais mais cara,
Como já me declarastes:
À do vértice
Da pirâmide de tua existência,
A da amizade...
Mas foi também ali meu diamante,
Um bem querer menino,
Também amigo,
E que achei que sobejastes,
Mas que ainda cresce
Na pretensão que guardo,
Ou mesmo no delírio que me escapa -
A quem chamo de esperança -
De que um dia me respostas,
Como gostaria.
Mulher...
Assim como eu,
Somente um outro louco
Veria no silêncio momentâneo
Um quando em branco,
Uma promessa, um pacto,
Um contrato assinado,
Entre tu e eu -
Num doloroso aguardo-
De vê-lo pintado, como um retrato,
Do pacto,
Por quatro mãos,
Por duas almas,
Um dia...
Mulher...
E se festejo agora,
Revelaste-me numa carta
Enxergar além do turvo que te mostro,
E que abraçastes em minhas letras
O tesouro de minha pobreza:
Amizade, respeito, apreço...
Minha alma oferecida em bandeja,
Bandeja do mais fino barro
De minha existência.
1 198
1
Reinaldo Ferreira
Não ponho esperança em mais nada
Não ponho esperança em mais nada.
E se puser
Há-de ser ambição tão desmedida
Que não me caiba sequer
No que me resta de vida.
Ambição tão irreal,
Tão paranóica, tamanha
Como a grandeza de Espanha
Com Granada e o Escurial.
Porque esta esperança que ponho
Em ver-te sair um dia
Da verdade para o sonho,
É como ser-se feitor
Dalguma herdade cansada:
À terra, dá-se o melhor,
A terra não nos dá nada.
E se puser
Há-de ser ambição tão desmedida
Que não me caiba sequer
No que me resta de vida.
Ambição tão irreal,
Tão paranóica, tamanha
Como a grandeza de Espanha
Com Granada e o Escurial.
Porque esta esperança que ponho
Em ver-te sair um dia
Da verdade para o sonho,
É como ser-se feitor
Dalguma herdade cansada:
À terra, dá-se o melhor,
A terra não nos dá nada.
1 976
1
Soares Bulcão
Parêmias
Quem muito quer do futuro
vê tudo através do verde;
Mais vale o pouco seguro:
— Quem muito quer, tudo perde.
A desgraça no mais forte
Mais robustece a esperança;
Nunca descreias da sorte;
—Quem espera sempre alcança.
Nunca motejes do pobre
Nem dos defeitos que vês;
Por igual o céu nos cobre:
— Cada qual como Deus fez.
Como a boca, a pena explica
Reservas do pensamento;
A letra da pena fica,
—Palavras, leva-as o vento.
Quem o bem fez bem espere,
E o mal também, se é devido:
Porque — Quem com ferro fere
Com o ferro será ferido.
Vai com jeito e paciência,
Se do melhor queres tu;
Bem nos mostra a experiência:
— Quem se vexa come cru.
Muita coisa que vidrilha
Parece ser um tesouro...
Não te iludas com o que brilha:
—Nem tudo que brilha é ouro...
vê tudo através do verde;
Mais vale o pouco seguro:
— Quem muito quer, tudo perde.
A desgraça no mais forte
Mais robustece a esperança;
Nunca descreias da sorte;
—Quem espera sempre alcança.
Nunca motejes do pobre
Nem dos defeitos que vês;
Por igual o céu nos cobre:
— Cada qual como Deus fez.
Como a boca, a pena explica
Reservas do pensamento;
A letra da pena fica,
—Palavras, leva-as o vento.
Quem o bem fez bem espere,
E o mal também, se é devido:
Porque — Quem com ferro fere
Com o ferro será ferido.
Vai com jeito e paciência,
Se do melhor queres tu;
Bem nos mostra a experiência:
— Quem se vexa come cru.
Muita coisa que vidrilha
Parece ser um tesouro...
Não te iludas com o que brilha:
—Nem tudo que brilha é ouro...
1 301
1
Ana Maria Ramiro
Esperanças
A ânsia do ser humano
consiste em poder calar
do coração, as mágoas vividas
as traições, os desamores, as feridas
que por toda a vida, ano após ano,
insistem em latejar.
E a cada novo ciclo
Mais se aprende, à novas cores:
Renovam-se as esperanças,
Esvaem-se as lembranças,
Conquistam-se novos amores.
Ontem, as folhas de outono
Hoje, o sol de verão,
e meu coração embarcação,
também mudou de rumo.
Segue a brisa sem destino
Vagando, procurando um caminho,
persegue o futuro.
Ansiando lá no fundo
Por terra firme, ancoradouro
E porto seguro.
consiste em poder calar
do coração, as mágoas vividas
as traições, os desamores, as feridas
que por toda a vida, ano após ano,
insistem em latejar.
E a cada novo ciclo
Mais se aprende, à novas cores:
Renovam-se as esperanças,
Esvaem-se as lembranças,
Conquistam-se novos amores.
Ontem, as folhas de outono
Hoje, o sol de verão,
e meu coração embarcação,
também mudou de rumo.
Segue a brisa sem destino
Vagando, procurando um caminho,
persegue o futuro.
Ansiando lá no fundo
Por terra firme, ancoradouro
E porto seguro.
856
1
Castro Menezes
Calipso
Pela doce paciência de enfermeira
com que procuras encantar-me a vida,
renovando em minha alma a fé perdida
depois de morta a crença derradeira;
Pelo sorriso bom de companheira
que a novas esperanças me convida,
quando vejo, na estrada percorrida
dos meus sonhos a extinta sementeira;
Pela graça de irmã de Caridade
com que teu meigo afeto me persuade
de que lutar confiante é o meu dever;
Bendita sejas Flor de mansuetude,
em cujo seio, finalmente, pude
descansar a cabeça e adormecer...
com que procuras encantar-me a vida,
renovando em minha alma a fé perdida
depois de morta a crença derradeira;
Pelo sorriso bom de companheira
que a novas esperanças me convida,
quando vejo, na estrada percorrida
dos meus sonhos a extinta sementeira;
Pela graça de irmã de Caridade
com que teu meigo afeto me persuade
de que lutar confiante é o meu dever;
Bendita sejas Flor de mansuetude,
em cujo seio, finalmente, pude
descansar a cabeça e adormecer...
973
1
Antônio Chaves
A Vida
Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
937
1
Walter Queiroz
Retalhos de Hoje
Na confluência das horas
germinarão as manhãs
no esquecimento das cores
gestando flores letais
as margaridas sangrando
no tombamento dos corpos
arribação dos canteiros
habitação nos fuzis
eu sei de loucas bandeiras
subindo o mastro dos sonhos
como notícias estampadas
informando os alumínios
quando as crianças passaram
louvando a festa do sol
eis que o olhar tão ferido
nem soube do feito azul
nem houve tato ao formato
da nave antiga em regresso
as impressões marinheiras
no baile branco das velas
pediu entrada na roda
para brincar de inventor
em silente artesanato
dos ritos para o encontro
porém a mão estendida
girou no ar (só... sobrou)
os gestos estão cravados
nos quinhões já repartidos
na confluência das horas
correm sonoras de fogo
no pavilhão indefeso
bandeiras de ocupação
com notícias estampadas
faca/navalha/cinzel
hábeis de corte fundando
trabalho de sangue novo
a cruz gravada no peito
tem raiz no coração
nos braços um gesto abraço
preparando a comunhão
junto os retalhos de hoje
e não direi da esperança
tornar bandeiras de fogo
em estandartes de paz
germinarão as manhãs
no esquecimento das cores
gestando flores letais
as margaridas sangrando
no tombamento dos corpos
arribação dos canteiros
habitação nos fuzis
eu sei de loucas bandeiras
subindo o mastro dos sonhos
como notícias estampadas
informando os alumínios
quando as crianças passaram
louvando a festa do sol
eis que o olhar tão ferido
nem soube do feito azul
nem houve tato ao formato
da nave antiga em regresso
as impressões marinheiras
no baile branco das velas
pediu entrada na roda
para brincar de inventor
em silente artesanato
dos ritos para o encontro
porém a mão estendida
girou no ar (só... sobrou)
os gestos estão cravados
nos quinhões já repartidos
na confluência das horas
correm sonoras de fogo
no pavilhão indefeso
bandeiras de ocupação
com notícias estampadas
faca/navalha/cinzel
hábeis de corte fundando
trabalho de sangue novo
a cruz gravada no peito
tem raiz no coração
nos braços um gesto abraço
preparando a comunhão
junto os retalhos de hoje
e não direi da esperança
tornar bandeiras de fogo
em estandartes de paz
900
1
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Só o Amor
Entre o fumo do cigarro
E o sorriso de uma boca
Nasce o luar
Numa seara de espuma
Quem nunca amou
Como sabe porque se ama?
O próprio dia quando acorda de manhã
Trazendo sementes virgens
Transpondo a face da minha alma
Enche de formas e sons envolventes
A cada passo a esperança que renasce.
Fossem minhas, tudo o que eu amo
As palavras sepultadas na minha boca
Na cadência simétrica dos lábios
O gesto parado ...
Ah! sonhos que partiram
Lembranças que ficaram
Esse fogo aprisionado
Sejam mudos, apagados
E apenas eu a pressenti-los.
Ah! fontes desvairadas
Onde o rumor das águas,
É melodia e amor
Trago comigo o cantar diário
O ritmo de quem possui um elixir.
Ah! orgulho que queima
Dói,
Sangra e até corrói,
Quantas serão precisas
Para estrangular essa fúria
Quantas vozes para segurar
conter essa força?!
Só o Amor
E o sorriso de uma boca
Nasce o luar
Numa seara de espuma
Quem nunca amou
Como sabe porque se ama?
O próprio dia quando acorda de manhã
Trazendo sementes virgens
Transpondo a face da minha alma
Enche de formas e sons envolventes
A cada passo a esperança que renasce.
Fossem minhas, tudo o que eu amo
As palavras sepultadas na minha boca
Na cadência simétrica dos lábios
O gesto parado ...
Ah! sonhos que partiram
Lembranças que ficaram
Esse fogo aprisionado
Sejam mudos, apagados
E apenas eu a pressenti-los.
Ah! fontes desvairadas
Onde o rumor das águas,
É melodia e amor
Trago comigo o cantar diário
O ritmo de quem possui um elixir.
Ah! orgulho que queima
Dói,
Sangra e até corrói,
Quantas serão precisas
Para estrangular essa fúria
Quantas vozes para segurar
conter essa força?!
Só o Amor
965
1
Pedro Kilkerry
Cérbero
É, não vens mais aqui... Pois eu te espero,
Gele-me o frio inverno, o sol adusto
Dê-me a feição de um tronco, a rir, vetusto
- Meu amor a ulular... E é o teu Cérbero!
É, não vens mais aqui... E eu mais te quero,
Vago o vergel, todo o pomar venusto
E a cada fruto de ouro estendo o busto,
Estendo os braços, e o teu seio espero.
Mas como pesa esta lembrança... a volta
Da aléia em flor que em vão, toda transponho,
E onde te foste, e a cabeleira solta!
Vais corações rompendo em toda a parte!
Virás, um dia... E à porta do meu Sonho
Já Cérbero morreu, para agarrar-te.
Gele-me o frio inverno, o sol adusto
Dê-me a feição de um tronco, a rir, vetusto
- Meu amor a ulular... E é o teu Cérbero!
É, não vens mais aqui... E eu mais te quero,
Vago o vergel, todo o pomar venusto
E a cada fruto de ouro estendo o busto,
Estendo os braços, e o teu seio espero.
Mas como pesa esta lembrança... a volta
Da aléia em flor que em vão, toda transponho,
E onde te foste, e a cabeleira solta!
Vais corações rompendo em toda a parte!
Virás, um dia... E à porta do meu Sonho
Já Cérbero morreu, para agarrar-te.
2 518
1
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
É Urgente o Amor
A luz que a chama me prende
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
1 206
1
Renato Russo
Aloha
Será que ninguém vê o caos em que vivemos
Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E sempre penso em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar porque é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir mentir mentir
E matar matar matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças
Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E sempre penso em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar porque é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir mentir mentir
E matar matar matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças
1 304
1
Olegario Schmitt
Horizontes
O que procuro é o horizonte,
mas ele sempre está mais além,
mais além, mais além...
Maldito mundo
que foi feito redondo!
Caminho
por esses campos floridos
e piso na verde grama
dos projetos que são feitos
nas nuvens brancas
que voam soltas no céu,
vou traçando planos,
sonhando sonhos,
mas o que busco é o horizonte,
mais além, só um pouquinho.
Logo atrás daquela colina
que se avista ali em frente
tem um sonho realizado,
tem um céu azul que está chovendo,
tem um projeto construído,
tem um campo verde, verde, verde
de onde se avista uma alvorada
repleta de nuvens brancas.
mas ele sempre está mais além,
mais além, mais além...
Maldito mundo
que foi feito redondo!
Caminho
por esses campos floridos
e piso na verde grama
dos projetos que são feitos
nas nuvens brancas
que voam soltas no céu,
vou traçando planos,
sonhando sonhos,
mas o que busco é o horizonte,
mais além, só um pouquinho.
Logo atrás daquela colina
que se avista ali em frente
tem um sonho realizado,
tem um céu azul que está chovendo,
tem um projeto construído,
tem um campo verde, verde, verde
de onde se avista uma alvorada
repleta de nuvens brancas.
893
1
Oliveira Neto
O Parnaíba
Águas turvas, imenso, vagaroso,
O Parnaíba desce para o mar.
Qual um molusco, lerdo, preguiçoso,
parece sem vontade de chegar!
Sereno, vai andando, majestoso,
o aguaceiro barrento a deslizar...
E nas margens um bando vaporoso
de garças cor de neve a esvoaçar...
Ó velho Parnaíba dos poetas!
O progresso mudou o teu destino
e te deu novas e importantes metas!
És portador de um mundo de esperanças
E o povo do Nordeste canta o hino
do sonhado futuro de bonanças...
O Parnaíba desce para o mar.
Qual um molusco, lerdo, preguiçoso,
parece sem vontade de chegar!
Sereno, vai andando, majestoso,
o aguaceiro barrento a deslizar...
E nas margens um bando vaporoso
de garças cor de neve a esvoaçar...
Ó velho Parnaíba dos poetas!
O progresso mudou o teu destino
e te deu novas e importantes metas!
És portador de um mundo de esperanças
E o povo do Nordeste canta o hino
do sonhado futuro de bonanças...
1 890
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