Poemas neste tema
Serenidade e Paz Interior
Angela Santos
Alto Mar
Deixo-me em sossego,
por agora...
nas margens desse rio
que em mim corre...
Abro o meu peito à luz
que se derrama
de um lugar qualquer
a onde ir
Ficar não está inscrito
no sedimento do meu ser..
velas e marés
forma lhe dão....
Sopre o vento
que lhe enfune as velas
prenda-se ao leme
aquilo que o conduz
e o veleiro em que vogo
ao alto mar rumará
na busca dos lugares
que já trazia
traçados como mapas em seus remos
além...
esse é o lugar
de quem não fica..
um pouco mais além
lugar-destino
de quem mesmo em sossego
não aquieta.
por agora...
nas margens desse rio
que em mim corre...
Abro o meu peito à luz
que se derrama
de um lugar qualquer
a onde ir
Ficar não está inscrito
no sedimento do meu ser..
velas e marés
forma lhe dão....
Sopre o vento
que lhe enfune as velas
prenda-se ao leme
aquilo que o conduz
e o veleiro em que vogo
ao alto mar rumará
na busca dos lugares
que já trazia
traçados como mapas em seus remos
além...
esse é o lugar
de quem não fica..
um pouco mais além
lugar-destino
de quem mesmo em sossego
não aquieta.
1 101
Angela Santos
Astro Rei
Lá vem
do fundo do nada
que à vida me trouxe..
ígneo me devolve
a luz e à beira-ser.
Deito-me no seu ocaso
e deixo-o acontecer
como um quente
e doce afago
dentro de mim
do fundo do nada
que à vida me trouxe..
ígneo me devolve
a luz e à beira-ser.
Deito-me no seu ocaso
e deixo-o acontecer
como um quente
e doce afago
dentro de mim
1 236
Angela Santos
Elos
Na janela desenhada por detrás
de cada muro, primeiro o rosto
depois os cabelos bebem a brisa
que nela traz poeiras da estrela mais longínqua
Da minha mão à estrela, entre miríades
imperceptível é a distancia
imersas, a estrela e eu, no centro do mesmo mistério
sustidas pela mesma luz
embaladas no mesmo indecifrável berço.
de cada muro, primeiro o rosto
depois os cabelos bebem a brisa
que nela traz poeiras da estrela mais longínqua
Da minha mão à estrela, entre miríades
imperceptível é a distancia
imersas, a estrela e eu, no centro do mesmo mistério
sustidas pela mesma luz
embaladas no mesmo indecifrável berço.
1 150
Angela Santos
Transmutação
Deixo-me
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
971
Angela Santos
Rumores
Sentem-se os rumores
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
1 154
Angela Santos
Depois do Amor
Cai
sobre os amantes
como diáfano manto
uma doce serenidade
depois do amor…
É como se tudo parasse
e nada mais existisse
no momento em que suspensos
ficam o mundo, as dores
e o tempo
Serenidade…
só a serenidade emana
dos corpos amantes
depois do amor
depois da explosão
que tudo aquietou.
sobre os amantes
como diáfano manto
uma doce serenidade
depois do amor…
É como se tudo parasse
e nada mais existisse
no momento em que suspensos
ficam o mundo, as dores
e o tempo
Serenidade…
só a serenidade emana
dos corpos amantes
depois do amor
depois da explosão
que tudo aquietou.
1 056
Angela Santos
Condição
Se
de um mistério me queres falar
lembra-me a semente prenhe
acoitada no seio da terra
em silencio a germinar
Se me queres falar
do amor – dor
fala-me do tenro tronco
que em grito rasga
o corpo da mulher
Se me queres falar da alegria
lembra-me um rútila boca pequenina
que sem sombra de cuidado
ri ainda
Se me queres falar de paz
leva-me ao fim do dia
junto ao esplendor de um sol
em brasa
sobre a mansidão do mar.
Se me queres falar da vida
mostra-me o homem que procura
fala-me do amor, da dor
e às vezes da alegria!
de um mistério me queres falar
lembra-me a semente prenhe
acoitada no seio da terra
em silencio a germinar
Se me queres falar
do amor – dor
fala-me do tenro tronco
que em grito rasga
o corpo da mulher
Se me queres falar da alegria
lembra-me um rútila boca pequenina
que sem sombra de cuidado
ri ainda
Se me queres falar de paz
leva-me ao fim do dia
junto ao esplendor de um sol
em brasa
sobre a mansidão do mar.
Se me queres falar da vida
mostra-me o homem que procura
fala-me do amor, da dor
e às vezes da alegria!
995
Marcelo Ribeiro
Armas da Paixão
Removes
a poeira fina de minha alma
E sopras toda melancolia para fora
Tomas o Sol por tua tocha
E a Lua como espada
Te aquartelas em meus sonhos
E fechas as estradas da discórdia
Vestes o manto da paixão
E pelejas contra o mundo;
Em vão...
Rende-se ao que sinto
Amando-te, traspassado pelo fogo da razão
Não minto!
Vejo-te soltar as armas
Despir-se parva
Entregando-se, por fim
Amada
Desnuda-te o espírito
Cumprindo-se ao rito
Acabando por seres minha;
Nua, cândida, alva...
a poeira fina de minha alma
E sopras toda melancolia para fora
Tomas o Sol por tua tocha
E a Lua como espada
Te aquartelas em meus sonhos
E fechas as estradas da discórdia
Vestes o manto da paixão
E pelejas contra o mundo;
Em vão...
Rende-se ao que sinto
Amando-te, traspassado pelo fogo da razão
Não minto!
Vejo-te soltar as armas
Despir-se parva
Entregando-se, por fim
Amada
Desnuda-te o espírito
Cumprindo-se ao rito
Acabando por seres minha;
Nua, cândida, alva...
935
Reinaldo Ferreira
Regresso de parte alguma
Regresso de parte alguma
Rico mais do que partira,
Pois trago coisa nenhuma
Sem desespero e sem ira.
Agora vivo contente
No meu exílio sereno;
Tomei tamanho de gente
E não me dói ser pequeno.
Pedra parada na calma
Tranquilidade dos charcos,
Deixem dormir minha alma,
Como apodrecem os barcos
Rico mais do que partira,
Pois trago coisa nenhuma
Sem desespero e sem ira.
Agora vivo contente
No meu exílio sereno;
Tomei tamanho de gente
E não me dói ser pequeno.
Pedra parada na calma
Tranquilidade dos charcos,
Deixem dormir minha alma,
Como apodrecem os barcos
2 437
Reinaldo Ferreira
Porque a não tenho? Tão doce
Porque a não tenho? Tão doce
E tão ao pé de acabar!
Largando, como se fosse
Um barco novo a chegar!
Quisera-a, para brinquedo
Da minha vã meninice.
Nem brincaria, com medo
Que ela, de frágil, partisse.
Bastava só que ficasse
Mito a roçar-se no Fim
E o seu sorriso acalmasse
A angústia dentro de mim.
E tão ao pé de acabar!
Largando, como se fosse
Um barco novo a chegar!
Quisera-a, para brinquedo
Da minha vã meninice.
Nem brincaria, com medo
Que ela, de frágil, partisse.
Bastava só que ficasse
Mito a roçar-se no Fim
E o seu sorriso acalmasse
A angústia dentro de mim.
2 011
Félix Pacheco
Ofertório
Cerca-te a nobre fronte uma auréola bendita.
Na nostalgia azul dos teus olhares leio
Uma Balada atroz com Lágrimas escrita.
És para mim, ó Mãe, o vigoroso esteio
Que sustenta de pé a velha e augusta Cripta,
A colunata de oiro erguida em frágil seio,
Para amparar a Torre Astral dos Meus Cismares,
E impedir que ela tombe, em pó desfeita, em ruínas.
A tua voz espalha, em ondas, pelos ares,
Suaves, doridos sons de aflitivas surdinas,
Enchendo o Oceano, enchendo os Céus, enchendo os Mundos.
Como um Réquiem cantado através de neblinas.
Vieste para extinguir os tormentos profundos!
Vieste para apagar as velhas cicatrizes,
Para descortinar o Céu aos moribundos!
Vieste para aliviar a Dor dos infelizes!
Vieste para espancar as Trevas de MinhAlma,
Para arrancar à Dor as rígidas raízes!
Arcanjo de asa branca e protetora espalma,
Emissário de Deus, ó Mãe, tu me trouxeste,
Como uma Bênção do Alto, a esplendorosa calma.
Abrandas a Agonia, exterminas a Peste,
Escravizas o Leão ao teu olhar piedoso,
E o Corvo teme, e o Tigre, a alvura que te veste.
Arcanjo, Santa, Lírio, Estrela, Sol glorioso,
Filtro que os Corações Humanos fortalece,
Tamareira que ensombra o deserto arenoso,
Mater! Suprema Força! Acolhe minha prece!
Na nostalgia azul dos teus olhares leio
Uma Balada atroz com Lágrimas escrita.
És para mim, ó Mãe, o vigoroso esteio
Que sustenta de pé a velha e augusta Cripta,
A colunata de oiro erguida em frágil seio,
Para amparar a Torre Astral dos Meus Cismares,
E impedir que ela tombe, em pó desfeita, em ruínas.
A tua voz espalha, em ondas, pelos ares,
Suaves, doridos sons de aflitivas surdinas,
Enchendo o Oceano, enchendo os Céus, enchendo os Mundos.
Como um Réquiem cantado através de neblinas.
Vieste para extinguir os tormentos profundos!
Vieste para apagar as velhas cicatrizes,
Para descortinar o Céu aos moribundos!
Vieste para aliviar a Dor dos infelizes!
Vieste para espancar as Trevas de MinhAlma,
Para arrancar à Dor as rígidas raízes!
Arcanjo de asa branca e protetora espalma,
Emissário de Deus, ó Mãe, tu me trouxeste,
Como uma Bênção do Alto, a esplendorosa calma.
Abrandas a Agonia, exterminas a Peste,
Escravizas o Leão ao teu olhar piedoso,
E o Corvo teme, e o Tigre, a alvura que te veste.
Arcanjo, Santa, Lírio, Estrela, Sol glorioso,
Filtro que os Corações Humanos fortalece,
Tamareira que ensombra o deserto arenoso,
Mater! Suprema Força! Acolhe minha prece!
978
Emiliano Perneta
Solidão
Que bom se eu fosse aquele lavrador,
Que eu nunca pude ser e que eu não sou,
Que depois de lavrar os campos, flor,
Centeio, milho e trigo semeou...
Esse trabalho nunca lhe amargou,
Mas à hora doce e triste de sol-pôr,
Tanta canseira o pobre desfolhou,
Tanto fez, que semeou a própria dor...
E oh! que amargura, quando a noite vem,
Toda dum roxo frio de lilás...
Quem dera ser o lavrador, porém!
Entrar em casa, a mesa posta, os seus
Em derredor, a consciência em paz,
E tudo em paz, louvado seja Deus!
Que eu nunca pude ser e que eu não sou,
Que depois de lavrar os campos, flor,
Centeio, milho e trigo semeou...
Esse trabalho nunca lhe amargou,
Mas à hora doce e triste de sol-pôr,
Tanta canseira o pobre desfolhou,
Tanto fez, que semeou a própria dor...
E oh! que amargura, quando a noite vem,
Toda dum roxo frio de lilás...
Quem dera ser o lavrador, porém!
Entrar em casa, a mesa posta, os seus
Em derredor, a consciência em paz,
E tudo em paz, louvado seja Deus!
2 835
Carvalho Aranha
Vigília
No meu retiro, agora, as lágrimas benditas
De minha santa mãe, pranto mudado em rosas,
Pelas manhãs de sol e nas manhãs brumosas
Hão de, lestas, cair. Alma, por que te agitas?
A paz, a grande paz das coisas silenciosas,
Nostalgias do Além e as curvas infinitas
Do Nirvana fatal em que, sábio, meditas,
Surgem, aos olhos meus, do véu das nebulosas.
Voa um mocho, a chilrar, e a maldição noturna
Do vento ao ciprestal a ramaria esgalha,
Vai rolando a gemer, crebra, de furna em furna;
Enquanto, a palpitar, núcleos de mundos, pelas
Estradas siderais, da luz náurea mortalha,
Giram os eternos sóis e as trêmulas estrelas!
De minha santa mãe, pranto mudado em rosas,
Pelas manhãs de sol e nas manhãs brumosas
Hão de, lestas, cair. Alma, por que te agitas?
A paz, a grande paz das coisas silenciosas,
Nostalgias do Além e as curvas infinitas
Do Nirvana fatal em que, sábio, meditas,
Surgem, aos olhos meus, do véu das nebulosas.
Voa um mocho, a chilrar, e a maldição noturna
Do vento ao ciprestal a ramaria esgalha,
Vai rolando a gemer, crebra, de furna em furna;
Enquanto, a palpitar, núcleos de mundos, pelas
Estradas siderais, da luz náurea mortalha,
Giram os eternos sóis e as trêmulas estrelas!
785
Vitor Casimiro
Cadência
Não conto
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
Estrelas
Me contento
Em vê-las
Sem lupas ou lentes
Vejo estrelas
Algumas imóveis
Outras C
a
d
e
n
t
e
s.
966
Sidney Frattini
Soneto da Serenidade
Para ArleteM
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
1 196
Renato Russo
Plantas embaixo do aquário
Aceite o desafio e provoque um desempate:
Desarme a armadilha e desmonte o disfarce.
Se afaste do abismo -
Faça do bom-senso a nova ordem;
Não deixe a guerra começar.
Pense só um pouco,
Não há nada de novo.
Você vive insatisfeito e não confia em ninguém
E não acredita em nada
E agora é só cansaço e falta de vontade,
Mas, faça do bom-senso a nova ordem:
Não deixe a guerra começar.
Desarme a armadilha e desmonte o disfarce.
Se afaste do abismo -
Faça do bom-senso a nova ordem;
Não deixe a guerra começar.
Pense só um pouco,
Não há nada de novo.
Você vive insatisfeito e não confia em ninguém
E não acredita em nada
E agora é só cansaço e falta de vontade,
Mas, faça do bom-senso a nova ordem:
Não deixe a guerra começar.
914
Renato Russo
Soul Parsifal
Ninguém pode dizer o que sentir
Meu coração está disperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, e estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenhos jasmim tenho hostelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção pra mim
Meu coração está disperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, e estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenhos jasmim tenho hostelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção pra mim
1 433
Renato Russo
Sete Cidades
Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa prá mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui,
Meu espírito se perde, voa longe
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa prá mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui,
Meu espírito se perde, voa longe
1 004
Paulo Augusto Rodrigues
Quero
Dores de menino.
Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.
E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.
Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.
Homens de verdade.
Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.
Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.
Quero paz...
De espírito.
Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.
E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.
Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.
Homens de verdade.
Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.
Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.
Quero paz...
De espírito.
791
Ricardo Silvestrin
Haicai
fiapos de sol
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
2 288
Rosani Abou Adal
Perdidos no Universo
Há momentos em que me sinto
tão forte quanto as montanhas do Tibet.
Beijo teus lábios, sinto infinita paz.
Existem instantes em que sou
tão grande quanto a força divina,
toco tua intimidade, vôo céus, percorro oceanos,
atravesso horizontes e alcanço tua base aveludada,
sou tão forte como os deuses do Olimpo.
Existem dias em que me sinto
tão pequena como um átomo perdido na galáxia,
teus lábios estão distantes dos meus,
não sinto o gosto de tua boca,
não escuto tua voz de acalanto,
não te toco corpo nem alma,
não sinto teu cheiro no meu corpo,
tuas mãos não me afagam,
perdida no universo
sou o núcleo de um átomo.
tão forte quanto as montanhas do Tibet.
Beijo teus lábios, sinto infinita paz.
Existem instantes em que sou
tão grande quanto a força divina,
toco tua intimidade, vôo céus, percorro oceanos,
atravesso horizontes e alcanço tua base aveludada,
sou tão forte como os deuses do Olimpo.
Existem dias em que me sinto
tão pequena como um átomo perdido na galáxia,
teus lábios estão distantes dos meus,
não sinto o gosto de tua boca,
não escuto tua voz de acalanto,
não te toco corpo nem alma,
não sinto teu cheiro no meu corpo,
tuas mãos não me afagam,
perdida no universo
sou o núcleo de um átomo.
1 037
Neide Archanjo
Noite adentro
Noite adentro
olhos ancorados em Deus
dormem os animais
as crianças as plantas
Ninguém mais.
olhos ancorados em Deus
dormem os animais
as crianças as plantas
Ninguém mais.
1 193
Mário Pederneiras
Madrigal
Teu olhar é tão manso,
Tão de ardências febris desprevenido e leigo,
Tão suave, tão bom, tão cheio de descanso;
Tão sereno é teu beijo,
Tão leve, tão sutil o teu próprio desejo;
Tudo
Em ti é tão meigo.
Sentimentos e Carne, Olhar, Voz e Carinhos.
Que muita vez sentindo,
Junto de mim o teu aspecto lindo,
Que meu amor intenso,
Indômito, açulado, espera e espreita,
Penso
Que tu, Querida, tu, és toda feita
De arminhos
E veludo.
Quer num suave enleio
Sentimental,
De idílio e de bondade,
Onde somente se destaque e arda
De ser querida a íntima alegria;
Quer na intimidade
Dominadora e treda,
De um lascivo coleio,
Quase de invertebrada e quase de oriental,
És a mesma de sempre, aromada e macia,
Oh! meu anjo de guarda!
Oh! minha linda Salomé de seda!
Um lago,
Sem ritmos agitados,
De água de brilho de aço,
Clara, fresca, parada,
Sob a seda de um Céu, à noite, em pleno Outono;
Um recanto de terra estéril, isolada,
Cheia de sugestões, de sossego e de sono,
De distância e de espaço,
Não tem a penugem do afago
Deste afago normal dos teus olhos dourados.
Estas longas arcadas solitárias,
De antigas abadias
Largas, sonoras e sombrias
E legendárias,
Da simbolizarão do sossego e da paz,
Da vida que repousa,
A fugir do rumor que atormenta e que infesta
O caminho vulgar que a vida humana pousa,
Tem qualquer coisa
Da honesta mansidão da tuAlma de honesta.
Quando mais para a Terra teu amor dirijo
E o quero mais humano
E exijo
Que meu desejo dessedentes
Em carícias mais fortes e mais francas
E te imploro
O sabor aromal do teu beijo sonoro,
Não me ficam nos lábios
Acídulos ressábios
Da ânsia sensual de onde a Volúpia espouca...
Só me fica na boca
A macia impressão de que beijo asas brancas.
Tão de ardências febris desprevenido e leigo,
Tão suave, tão bom, tão cheio de descanso;
Tão sereno é teu beijo,
Tão leve, tão sutil o teu próprio desejo;
Tudo
Em ti é tão meigo.
Sentimentos e Carne, Olhar, Voz e Carinhos.
Que muita vez sentindo,
Junto de mim o teu aspecto lindo,
Que meu amor intenso,
Indômito, açulado, espera e espreita,
Penso
Que tu, Querida, tu, és toda feita
De arminhos
E veludo.
Quer num suave enleio
Sentimental,
De idílio e de bondade,
Onde somente se destaque e arda
De ser querida a íntima alegria;
Quer na intimidade
Dominadora e treda,
De um lascivo coleio,
Quase de invertebrada e quase de oriental,
És a mesma de sempre, aromada e macia,
Oh! meu anjo de guarda!
Oh! minha linda Salomé de seda!
Um lago,
Sem ritmos agitados,
De água de brilho de aço,
Clara, fresca, parada,
Sob a seda de um Céu, à noite, em pleno Outono;
Um recanto de terra estéril, isolada,
Cheia de sugestões, de sossego e de sono,
De distância e de espaço,
Não tem a penugem do afago
Deste afago normal dos teus olhos dourados.
Estas longas arcadas solitárias,
De antigas abadias
Largas, sonoras e sombrias
E legendárias,
Da simbolizarão do sossego e da paz,
Da vida que repousa,
A fugir do rumor que atormenta e que infesta
O caminho vulgar que a vida humana pousa,
Tem qualquer coisa
Da honesta mansidão da tuAlma de honesta.
Quando mais para a Terra teu amor dirijo
E o quero mais humano
E exijo
Que meu desejo dessedentes
Em carícias mais fortes e mais francas
E te imploro
O sabor aromal do teu beijo sonoro,
Não me ficam nos lábios
Acídulos ressábios
Da ânsia sensual de onde a Volúpia espouca...
Só me fica na boca
A macia impressão de que beijo asas brancas.
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