AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3604

Vigência

no meio de mim,
impunemente,
tudo é sempre.
149

Reverso

O contrário de mim
sou eu mesmo
e é por sê-lo assim
que me transgrido
e deixo de ser meu avesso
na exata proporção
em que estou comigo
 
o contrário de mim
não é um avesso
é uma proporção incauta
em que transfiro de mim
o que nem falta
 
o contrário de mim
é tão urgente
que não há como mantê-lo
impunemente
 
o contrário de mim
desabita o próximo
com as intimidades de um tempo
em que me mostro.
130

Shakespeareana

Eis a questão:
no meio da filosofia
teus olhos nascem
e crescem sobre mim, aéreos,
como andorinhas reticentes
que pousassem no meu cérebro
 
a cada página
o teu olhar desmaia
e a custo eu invento
filosofias pela alma
 
sou e não sou
quando em ti constato
todas as possibilidades
dos meus filosóficos atos.
93

Arquitetura e drama

Desarquiteto o voo
na vontade
de consumir em vão
todos os meus ares
 
e, pássaro,
nem me sinto
nos sonhos
que não me consinto
 
e, por vezes,
quando, à noite, tardo
rasgo as manhãs
da minha face.
189

Das lagoas dos viventes

Que esse espelho de águas
pareça assim a vertente
dos rios que a gente nada
atravessando a gente.
134

Tempo

Nunca faça do tempo
um desacato à vida
as horas servem apenas
para conter o que se vive
pois mesmo quando tristeza
o tempo ainda consiste
em ser alegria diferente
se a gente ri quando triste.
89

Da passeata no vão da crise

A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
 
a luta consome
as léguas de povo
que adredemente prolata
costurando os verbos da vida
no peito infante da massa
 
e o grito da multidão
ecoando pelas marquises
é a construção escalonada
das arquiteturas da crise.
157

Similitude

meço as minhas réguas
com a mesma infinitude
com que alinho os metros
do que eu nunca pude
 
e é de tê-las tantas
estendidas pela vida
no roldão das conveniências
em que as quero resumidas
 
meço as minhas réguas
pelos espaços do que posso
nunca por as haver como avaras
fosse razão para dizê-las óbvias
 
e sou de aferir a todas
na relatividade dos ócios
a que me obrigo como cidadão
quando a vida ainda cabe nos ossos
 

110

Ode aos meus possíveis

Meus complexos
não os meço
melhor cabe-los todos
no meu verso
 
e sempre os trago
à algibeira
guardados inúteis
como brincadeira
 
e mesmo que a noite
os entenda
eu os deixo pela madrugada
pendurados numa alma
que me contenha.
72

De amores em circunlóquio

meu amor é público
como as ruas de leningrado
e nem é tão pouco
que não se diga largo
por cabe-lo tanto
en tudo que eu ajo
 
meu amor é geométrico
em progressão incauta
e tanto lhe faz ser bicho
como astronauta
 
meu amor é louco
pelo que lhe arma
e mais anda quando se infinita
com o que me sobra pela alma.
106

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado