Darlan de Matos Cunha

Darlan de Matos Cunha

n. 1951 BR BR

n. 1951-11-22, Medina, MG

Perfil
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Fake


In neutral what was accelerated, but symphysis
I don't know what it is, we only know now
from cracks, cracks and stains
on the walls and the foundations, everything
seemed on the rails, pretending to be happy
everyone, but in neutral everything is, the house
it's just cockroach bark and amputated ants
under the yoke of tiny being, dread in the shop windows
in the old night of artificial lights, yes, in reverse
the old structure of grinding meat and minds - opera of the dead*
crowning the days of the living, all reacting
as a zero behind the mask.*



*: Opera of the Dead is an allusion to Autran Dourado's book (1926-2012, MG, BRAZIL)
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Ler poema completo
Biografia
Darlan M Cunha publicou os livros Umma (romance, Editora Virtual Books - Pará de Minas, MG), Esboços e Reveses: o silêncio (poesia, Editora CBJE - RJ), O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina (Editora CBJE - RJ). Entende-se com um instrumento musical, tenta aprender entradas e bandeiras, preparando-se para encontros e despedidas, apreende algo mais da sociologia e da psicologia dos fatos cotidianos.

Poemas

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SOMORRA & GODOMA 1000

SOMORRA & GODOMA 1000

antes de outras aldeias arrasarem
o que houvesse, já moldavam o humano
de hoje, e ainda e cada vez mais
estão aqui espasmos de Ur e de Babel 
vistas em qualquer esquina
sentidos em qualquer parque
em todos os palanques há vestígios 
de sua psicologia e de sua genealogia.

10

AVALOVARA REVISITADO

Se o medo assedia infernal
pô-lo a ferros num adjetivo
no mais tardar uma conversa de fundo
bar vagabundo

pensando melhor: dê futuro ao medo

aprenderás algo alheio
ao teu passado, memória avariada

sem futuro à ternura de cada medo.
[Avalovara, caro Osias, que um dia você com ele me acossou].

7

RUIR COMIGO

Não sei o que seja enlouquecer de vez
endoidar tanto de nada ver mas de tudo sentir 
revirando mesas lençóis humores rios oceanos nuvens
sendo eu mesmo algo mais do que eu mesma
maior do que o medo bem maior do que a coragem
de quem tenha em mãos
um aríete e nenhum decreto, sim

enlouquecer de vez eu quero porque sinto
que essa patologia me servirá
a contento, e assim

catatonia, aí vou eu, querida...

11

Vegetália

A força e a raiva da árvore levantam
o concreto público,  árvores soltam sua ira
quando têm sono, mas não podem  abrí-lo. 
Uma vez levantado do chão,  o concreto expõe
na via pública a ira vegetal.

14

DESERTAR

Pensar o silêncio como quem vai ao mais amplo
mercado ou ao rio mais limpo da aldeia
onde se há de comer palavras como se come saladas
de flores e se chupa pedras preciosas
como se fossem balas caseiras; mas 
pensar que disputar alimentos com cães e gatos e ratos
sempre esteve na ordem do dia durante milênios, ah
isso é por não termos melhorado, e a evolução das espécies
é falácia triste meningite dolorosa bradicardia.
Pensar o silêncio como quem desertou do circo.

16

Fu Tuh Ka

Nascido num longe qualquer
cultiva arranjos variados numa lavoura
sem cacos de vidro
sem cacos de vida, cultivando
o entorno, falando pouco
tem tempo para ouvir e sentir
o que quem fala muito não alcança

é de difícil alcance
ser agricultor e astronauta.

14

Diário mínimo @1

Fê-lo coar algo antes impensável, mas lembra que o mundo só faz rodar, e que dentro e por cima dele os circenses, as bailarinas, todos fingindo-se felizes. Vamos, a espera cansa, sim, a espera é ambígua, trabalhar cansa. (DMC)   >>>   [Lavorare stanca é um título do poeta italiano Cesare Pavese].

***

Aí estás, não estando visível a ninguém
e talvez sequer existas de fato
embora insistas em não dar trégua
aos de casa e aos da rua
aos do entorno e aos sem retorno.

Aí estás, maior do que o silêncio
mas menor do que a primeira aparência.

11

NOTIFICAÇÃO

Onde estavas
quando o vento exigiu taxa maior
para que eu continuasse vivo
e assim perseverar
no caminho das ervas 
do medo e da solidão ?

Em qual vão pousavas
os braços mal intencionados
enquanto o vento me arrancava
de vez a razão, a pele
os sapatos e a honra já miúda
na boca
do povo ?

O enterro será hoje, às cinco.

16

Uma transfiguração rumo ao Nada

Viver entre íncubos e súcubos é comer o ferro que o diabo amassou com os joelhos em Somorra & Godoma, lá onde salteadores abrem seu conluio, sem se importarem com qualquer réplica dos braços míopes da lei, a qual só existe para os outros - os crentes, dadivosos.

8

Intuição perdida numa espera

Intuis um cantar diverso do teu
e isso te salva
do que não queres
perder

intuis que o sol pode
desabar sobre as cabeças

e vamos assim: dobrando lâminas
e esquinas e nadando em cada
solidão que aparecer.

16

Livros

2

Comentários (3)

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Bopa poesia Darlan (continua)

Sônia Brandão
Sônia Brandão

Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.

sergioricardo

Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.